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PRIVATIZAÇÃO E BASTIDORES POLÍTICOS
Fúria e o desgaste com os leitos de Cacoal; Luis Fernando e o ônus da gestão Rocha; e Paulo Moraes Júnior sob críticas

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Privatizar para quem? O debate que cerca da privatização da Sabesp e da Caerd

Por Herbert Lins - quinta-feira, 09/07/2026 - 14h29

CARO LEITOR

Como hoje (09) é dia de #tbt, vamos relembrar a privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Tal privatização, em paralelo com a privatização da Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (Caerd) pelas bandas de cá, reacende um velho debate sobre o papel do Estado na prestação de serviços essenciais. Entre os aspectos positivos, destacam-se a “promessa” de ampliação dos investimentos, maior eficiência operacional, aceleração das obras de saneamento e redução da dependência de recursos públicos. Em tese, uma gestão privada tende a buscar metas mais rígidas de desempenho e inovação. Por outro lado, a água não é uma mercadoria comum, mas um direito fundamental assegurado na Constituição Federal. Contudo, a lógica do lucro pode pressionar tarifas, reduzir a prioridade de regiões menos rentáveis e enfraquecer o controle social sobre um serviço estratégico. O desafio não é apenas discutir quem administra a companhia, mas garantir que universalização, qualidade, transparência e tarifas justas prevaleçam sobre os interesses do mercado. A eficiência jamais pode superar o compromisso com o interesse público.

TARIFAS

A privatização da Sabesp, conduzida por Tarcísio de Freitas (Republicanos), ampliou as críticas à mercantilização de um serviço essencial. Com tarifas mais altas, menor controle público e dúvidas sobre a universalização, a eficiência prometida segue só no discurso.

CORPORATION

Em São Paulo, a Equatorial Energia, com cerca de 15% das ações da Sabesp, passou a comandar a companhia sob o modelo de controle pulverizado (Corporation), sem um controlador majoritário tradicional.

MERCADO

No modelo Corporation, a Equatorial tornou-se acionista de referência e passou a indicar conselheiros. O Estado manteve cerca de 18% das ações, mas perdeu o controle da Sabesp, hoje dividido entre investidores do mercado financeiro.

CAERD

Seguindo o exemplo de São Paulo, o Governo de Rondônia lançou edital para privatizar a Caerd, concedendo os serviços de água e esgoto em 40 municípios. O contrato, estimado em R$ 8 bilhões, reacendeu o debate sobre a entrega de um serviço essencial à iniciativa privada.

PROMESSA

Com a privatização da Caerd, o rondoniense pode reviver o roteiro da BR-364: tarifas mais caras e a promessa de melhorias que demoram a sair do papel. O contribuinte paga a conta, enquanto a eficiência segue como promessa.

SILÊNCIO I

É inadmissível um governo em fim de mandato tentar privatizar às pressas uma estatal que presta um serviço essencial. A quem interessa tanta urgência? Quem ficou ou vai ficar milionário? Prefeitos, vereadores, deputados estaduais, pré-candidatos a governador e órgãos de controle terão coragem de enfrentar esse debate ou permanecerão em silêncio?

SILÊNCIO II

Quebrando o silêncio. O deputado estadual Delegado Rodrigo Camargo (Podemos) protocolou Projeto de Decreto Legislativo (PDL) para suspender a licitação da concessão dos serviços de água e esgoto em Rondônia. Ele alega falta de transparência, insegurança jurídica e defende maior debate antes da privatização.

NEGÓCIOS

No passado bem próximo, denúncias envolvendo a Aegea — empresa de água e esgoto — lançaram uma sombra sobre a privatização do saneamento. As delações de executivos da empresa ao STJ apontaram propinas para conquistar concessões de água e esgoto em Rondônia. Cabe aos órgãos de controle agir em relação à privatização da Caerd. Água é direito, não moeda de troca entre negócios e poder.

CONQUISTOU

O pré-candidato ao Senado Bruno Bolsonaro Scheid (PL) encerra a semana no Cone Sul do estado ampliando apoios. No corpo a corpo com lideranças, conquistou a adesão do deputado estadual Luizinho Goebel (PL), reforçando sua pré-campanha.

FURAR

No Cone Sul, os prefeitos já fecharam apoio a Fernando Máximo (PL) e Silvia Cristina (PP). Bruno Bolsonaro Scheid (PL) aposta nas lideranças locais para furar esse bloqueio e ampliar seu espaço na disputa pelo Senado.

DESGASTE I

Enquanto o ex-prefeito de Cacoal Adailton Fúria (PSD) tenta viabilizar sua pré-candidatura a governador, o próprio governo cria desgaste. A retirada de dez leitos de UTI Materno-Infantil do Hospital da Criança, em Cacoal, inaugurado na gestão Fúria, alimenta críticas à Sesau. O espaço segue aberto ao contraponto.

DESGASTE II

O desgaste do fim de governo não pesa apenas sobre Adailton Fúria (PSD). O ex-secretário da Sefin e pré-candidato ao Senado, Luis Fernando (PSD), também carrega o ônus de representar um grupo político liderado pelo governador Coronel Marcos Rocha (PSD).

ESTRADAS

O deputado estadual Alan Queiroz (PL) assegurou R$ 2 milhões em emenda parlamentar para recuperar estradas vicinais de Rolim de Moura, atendendo a pedido do prefeito Aldo Júlio (União). O investimento fortalecerá a trafegabilidade e a segurança das estradas na zona rural.

INTENSIFICA

O deputado estadual Ribeiro do Sinpol (PRD) intensifica agendas no interior de Rondônia em busca de apoios à reeleição. Com base eleitoral ligada à segurança pública, aposta na proximidade com lideranças e eleitores para ampliar seu capital político.

EXPERIÊNCIA

Responsável pela implantação do Programa Saúde da Família em Porto Velho, Luís Maiorquim — pré-candidato a deputado estadual pelo Republicanos — aposta na experiência acumulada na saúde pública como principal credencial para conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Rondônia.

CRESCE

No podcast Resenha Política, com Robson Oliveira, o pré-candidato a deputado estadual Paulo Moraes Júnior (Podemos), ex-secretário da Semtel e irmão do prefeito Léo Moraes (Podemos), assumiu a responsabilidade pelas festas promovidas pela Prefeitura de Porto Velho. Nos bastidores, porém, cresce a crítica de que a gestão aposta mais no “pão e circo” do que em prioridades estruturais.

#TBT

Como hoje é dia de #TBT, a Operação Reduto, deflagrada pelo Ministério Público de Rondônia (MPRO), Controladoria-Geral da União (CGU) e Polícia Federal, fez o passado bater à porta da Assembleia Legislativa. Há lembranças que insistem em não ficar apenas na memória.

OPERAÇÃO

A Operação Reduto colocou a Assembleia Legislativa de Rondônia no centro das atenções ao investigar um suposto esquema de fraudes em licitações, peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa. O caso reacende o debate sobre transparência e controle dos recursos públicos.

REDUTO

A Operação Reduto cumpriu 19 mandados de busca e apreensão em Ariquemes, Porto Velho e Manaus, além de dois mandados de prisão preventiva contra investigados em Ariquemes. A ação foi autorizada pelo Tribunal de Justiça de Rondônia.

PRISÕES

Além das buscas e prisões, a Justiça determinou o afastamento cautelar de 11 servidores públicos e o bloqueio de bens, ativos financeiros e criptoativos dos investigados, até o limite de R$ 9 milhões, para garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos.

LEMBRAR

Vale lembrar que a investigação apura supostos crimes de fraude em licitações, peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Também é preciso evitar pré-julgamentos que condenem antes da Justiça. A presunção de inocência deve prevalecer.

MILHÕES

Após comprar a Rádio Rondônia 93 FM por R$ 50 milhões, o Grupo Educacional Aparício Carvalho ampliou sua presença no mercado ao adquirir a Fanorte, agora FIMCA Cacoal. Nos bastidores, comenta-se que o negócio girou em torno de R$ 15 milhões.

SÉRIO

Falando sério, a privatização da Sabesp vendeu a promessa de eficiência, mas entregou um modelo em que o interesse do mercado passou a disputar espaço com o interesse público. Água não é mercadoria qualquer. Quando o lucro dita as regras, quem costuma pagar a conta é a população.

Com informações de: Herbert Lins

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AUTOR: HERBERT LINS





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