O silêncio dos cuidadores destrói vidas, pois provocam impactos profundos na saúde mental, física e emocional das crianças e adolescentes, criando feridas difíceis de cicatrizar
Maio já está no final e a campanha que chama atenção para ações de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes também. Vivemos em um país onde todos os anos 500 mil crianças e adolescentes são explorados sexualmente. Alguns casos jamais serão denunciados às autoridades, ou seja, estes números na verdade são muito maiores do que imaginamos.
Os crimes que produzem silêncio, negação e constrangimento acontecem muitas vezes dentro de casa, por quem onde menos esperamos, como parentes e amigos. Esse silêncio precisa ser quebrado. Pois aqui uma em cada três meninas e um em cada seis meninos serão vítimas de alguma modalidade de abuso sexual até completarem 18 anos. Número assustador que pode ser reduzido com o cuidado redobrado com as nossas crianças e adolescentes.
Mas como podemos identificar os sinais de alerta? As mudanças bruscas de comportamento, isolamento e medo excessivo, queda de rendimento, hipersexualização precoce, crises de ansiedade e dificuldade de convivência são sinais que algo está errado. Nem sempre esses sinais confirmam uma violência, mas exigem atenção
Na maioria das vezes o desconforto do assunto faz com que os pais ou responsáveis tratem como fase, drama ou problema emocional. O que precisamos lembrar é que uma criança não consegue elaborar sozinha, o que vive, elas ainda necessitam de segurança e compreensão para transformar a experiência em denúncia. É nesse momento que o adulto precisa protegê-la.
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Abusos e exploração sexual também são facilitados pela tecnologia. A violência acontece através de pedidos de fotos íntimas, chantagens emocionais, ameaças, vazamentos de imagens e manipulações por inteligência artificial. Geralmente são realizados por um adulto que criam vínculo e confiança com crianças e adolescentes pela internet.
Por isso o diálogo, a escuta e o acompanhamento digital são formas de proteção. Devemos estar atentos a mudanças repentinas de comportamento para evitar dores que serão carregadas pelo resto da vida.
O fim da campanha Maio Laranja não quer dizer que devemos relaxar com o alerta. O silêncio dos cuidadores destrói vidas, pois provocam impactos profundos na saúde mental, física e emocional das crianças e adolescentes, criando feridas difíceis de cicatrizar através do medo constante de que a violência seja descoberta, divulgada ou que volte a acontecer.
Cuide de sua criança com responsabilidade. Os casos de abuso ou exploração sexual de crianças e adolescentes podem ser denunciados anonimamente e de forma gratuita em todo o país. A denúncia pode ser feita para o Disque 100 (Disque Direitos Humanos) ou acionando a Polícia Militar através do 190 em situações de emergência, ou Conselho Tutelar.

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