Obra inspirada em experiências da autora em Rondônia será apresentada em 4 de junho, com debate sobre memória, território, racialização e pertencimento
Porto Velho, RO – A fotógrafa, pesquisadora e artista visual Marcela Bonfim fará o lançamento de seu primeiro livro, “Amazônia Negra: as imagens da cor do (in)visível”, no dia 4 de junho, durante A Feira do Livro, em São Paulo (SP). O evento será realizado no Espaço Motiva Tablado Literário, na Praça Charles Miller, e contará com debate seguido de sessão de autógrafos.
Publicada pela editora Igrá Kniga, a obra aborda questões relacionadas à identidade, ao território e à presença negra na Amazônia. A publicação propõe reflexões sobre processos históricos de invisibilização de populações negras na região e reúne experiências construídas pela autora ao longo de sua atuação artística em Rondônia.
O lançamento terá a participação da performer, educadora, produtora cultural e pesquisadora Dayane Ribeiro. A mediação será conduzida pelo jornalista e mediador cultural Bruno Xavier, que atua em discussões ligadas à literatura, à memória, à identidade e aos territórios amazônicos em eventos literários pelo país.
A publicação também estabelece diálogo com o projeto “(Re)conhecendo a Amazônia Negra: povos, costumes e influências na floresta”, iniciativa que reúne linguagens como fotografia, audiovisual, música e memória para destacar contribuições culturais, sociais e históricas das populações negras na Amazônia.
A origem do livro está ligada à chegada de Marcela Bonfim a Porto Velho, em 2010. A partir daquele período, passaram a ser registrados por ela diferentes grupos presentes em Rondônia, incluindo comunidades negras, quilombolas, indígenas e populações de origem caribenha. O trabalho resultou em um processo de reconhecimento identitário e em uma investigação sobre os espaços ocupados por pessoas negras na região amazônica.
Segundo a autora, a obra foi construída a partir de encontros e experiências que modificaram sua percepção sobre a Amazônia. Marcela afirmou que Rondônia teve papel decisivo nesse percurso, pois foi no estado que identificou a força das narrativas negras presentes na floresta e compreendeu a importância de torná-las visíveis.
O livro também traz reflexões sobre a formação histórica da racialização no Brasil e seus impactos nas relações sociais. Para a autora, a cor da pele permanece associada a estruturas de privilégio ainda existentes no país. Em sua análise, “a cor escura foi historicamente condicionada como elemento de inferiorização e exploração”.
A publicação recebeu apoio da Fundação Nacional de Artes (Funarte), por meio do Programa Funarte Retomada 2023 – Artes Visuais.
