Governo americano propõe sobretaxas sobre produtos brasileiros, questiona políticas comerciais e o sistema Pix, enquanto Lula atribui ofensiva à atuação de integrantes da família Bolsonaro nos Estados Unidos.
Porto Velho, RO – Governo americano propõe sobretaxas sobre produtos brasileiros, questiona políticas comerciais e o sistema Pix, enquanto Lula atribui ofensiva à atuação de integrantes da família Bolsonaro nos Estados Unidos.
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A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos voltou a enfrentar turbulências após o governo norte-americano avançar em diferentes frentes contra produtos brasileiros. Além de propor tarifas adicionais sobre importações de dezenas de países, incluindo o Brasil, Washington concluiu uma investigação comercial que poderá resultar na aplicação de uma tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras.
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) informou que pretende impor uma taxa extra de 12,5% sobre produtos brasileiros em uma investigação relacionada ao combate ao trabalho forçado. Segundo o órgão, falhas consideradas injustificadas nesse enfrentamento acabam restringindo o comércio norte-americano. A proposta faz parte de um conjunto de medidas que alcança cerca de 60 países.
Paralelamente, o USTR encerrou uma investigação iniciada em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O relatório final aponta práticas classificadas pelo governo americano como “irrazoáveis” e que, na avaliação de Washington, prejudicam ou restringem o comércio dos Estados Unidos.
Entre os principais pontos questionados estão o sistema de pagamentos Pix, políticas relacionadas ao comércio digital, acordos tarifários firmados pelo Brasil, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e o enfrentamento ao desmatamento ilegal.
No caso do Pix, o documento sustenta que o Banco Central exerce simultaneamente as funções de regulador e operador do sistema, o que criaria vantagens ao modelo brasileiro em relação a empresas americanas do setor de pagamentos eletrônicos. O relatório também afirma que exigências regulatórias favoreceriam o Pix em detrimento de concorrentes estrangeiros.
A proposta apresentada pelo USTR prevê uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, embora o documento contenha uma extensa lista de exceções. Entre os itens que poderiam ficar fora da taxação estão determinadas carnes, café, chá, frutas, cereais, fertilizantes, produtos farmacêuticos, aeronaves e peças aeronáuticas.
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Antes de uma decisão definitiva, o governo americano abriu período de consulta pública. As contribuições poderão ser enviadas até o início de julho, enquanto audiências públicas estão previstas para os dias seguintes. O prazo legal para eventual adoção das medidas termina em 15 de julho.
Em meio ao avanço das propostas tarifárias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não aceitará interferências externas em assuntos internos do país. Durante agenda em Goiás, ele atribuiu a ofensiva americana à atuação do senador Flávio Bolsonaro e do ex-deputado Eduardo Bolsonaro junto ao governo de Donald Trump.
Lula declarou que integrantes da família Bolsonaro teriam buscado apoio nos Estados Unidos para influenciar decisões relacionadas ao Brasil e afirmou que eventuais prejuízos atingiriam empresários, produtores rurais e trabalhadores brasileiros. O presidente também rejeitou críticas ao Pix e argumentou que o sistema nacional de pagamentos se tornou uma referência por oferecer vantagens aos usuários.
Por sua vez, Flávio Bolsonaro negou ter solicitado medidas contra o Brasil. O senador informou que defendeu junto ao governo americano a não aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros e divulgou carta em que pede a Washington que não imponha novas sanções comerciais ao país.
Eduardo Bolsonaro também contestou as acusações de influência familiar sobre as decisões dos Estados Unidos, classificando essa interpretação como uma narrativa sem fundamento. Segundo ele, o relacionamento com a administração americana não teve impacto na condução da investigação comercial.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) saiu em defesa do Pix após a divulgação do relatório. A entidade ressaltou que o sistema funciona como uma infraestrutura de pagamentos aberta à participação de instituições nacionais e estrangeiras e afirmou que não existem restrições para a entrada de novos participantes no mercado brasileiro.
Enquanto as negociações continuam, representantes dos dois governos mantêm conversas para tentar reduzir as divergências. Apesar de reconhecer avanços no diálogo, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que permanecem diferenças significativas sobre os temas apontados na investigação.
Com informações de: Agência Brasil
