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CULTURA AMAZÔNICA
Mercado Central mantém saberes da floresta vivos em Porto Velho

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Boxes de produtos naturais atraem moradores e visitantes, movimentam vendas para outros estados e ajudam a preservar conhecimentos tradicionais da cultura amazônica

Por Yan Simon - quarta-feira, 22/07/2026 - 11h14

Porto Velho, RO – Produtos comercializados no Mercado Central de Porto Velho ultrapassaram as fronteiras de Rondônia. Encomendas são enviadas para diferentes estados brasileiros e até para outros países, segundo comerciantes que mantêm contato com clientes interessados em artigos naturais encontrados na capital.

Há oito anos trabalhando em um dos boxes do espaço, Quenede Michelangelo afirma que muitos consumidores levam o contato do estabelecimento e, posteriormente, solicitam o cálculo do frete para realizar novas compras. De acordo com ele, alguns clientes relatam que encontram mercadorias semelhantes em outras regiões, mas preferem as adquiridas em Porto Velho.

“A gente recebe gente de todo lugar. O pessoal leva nosso contato, pede para calcular o frete e a gente envia”, relata. Quenede acrescenta que parte dos compradores atribui aos produtos locais aquilo que chama de “magia da Amazônia”.

A circulação dessas mercadorias também contribui para manter vivos conhecimentos populares transmitidos entre gerações. No Mercado Central, óleos, ervas, resinas, cascas e suplementos são apresentados aos visitantes por comerciantes que explicam suas formas tradicionais de utilização.

Quenede conta que o trabalho diário o levou a pesquisar e compreender melhor as plantas medicinais da região. O aprendizado, segundo ele, foi construído principalmente a partir da escuta dos clientes e do contato contínuo com os produtos.

“Esse aprendizado eu vou levar para a vida inteira”, afirma.

Entre os itens mais procurados está a Gotas do Zeca. O produto é buscado por pessoas interessadas em aliviar desconfortos digestivos, como má digestão e refluxo. Conforme o comerciante, também há clientes que o utilizam depois do consumo de bebidas alcoólicas e relatam redução dos efeitos da ressaca.

A maca peruana aparece entre os produtos relacionados popularmente ao aumento da disposição física e da libido. Ao comentar o assunto, Quenede brincou que o suplemento é o mais procurado por quem deseja “apimentar o romance”.

“Para namorar, a campeã é a maca peruana”, disse. Em seguida, reforçou, em tom descontraído, que o produto comercializado no box é originário do Peru.

O suplemento é associado popularmente à energia e ao desempenho sexual. Seus efeitos, no entanto, podem variar de uma pessoa para outra, e o consumo não substitui tratamentos ou orientações médicas.

Moradora do bairro Cidade do Lobo, Elisângela Marques procurou o Mercado Central para comprar cardo-mariano. Ela afirma que dá preferência a produtos naturais por perceber menos efeitos colaterais em seu organismo.

Elisângela contou que já teve malária e, desde então, passou a dedicar maior atenção aos cuidados com o fígado. O cardo-mariano é tradicionalmente utilizado como auxiliar na proteção das células hepáticas. O uso, especialmente por pessoas com doenças no fígado, deve ser acompanhado por um profissional de saúde.

Outros produtos ligados à medicina popular amazônica também permanecem entre os destaques dos boxes. Um deles é o óleo de copaíba, conhecido regionalmente e utilizado de forma tradicional por suas propriedades anti-inflamatórias e cicatrizantes.

O sangue-de-dragão, resina retirada de árvores amazônicas, é usado há gerações como auxiliar na cicatrização de pequenas lesões e na proteção da pele. Já o óleo de andiroba costuma ser empregado em massagens, no alívio de dores musculares e como repelente natural.

Os banhos de ervas também integram a variedade disponível no mercado. Preparações como o banho de sucuri e o banho de tartaruga fazem parte de crenças populares relacionadas à proteção, atração, sorte e fortalecimento da autoestima.

Ao falar sobre o banho de tartaruga, Quenede declarou, em tom bem-humorado, que o produto deixaria a pele “macia como seda”.

Além da comercialização, os boxes funcionam como pontos de encontro entre consumidores e conhecimentos tradicionais. Cada atendimento permite que informações sobre folhas, raízes, óleos e cascas sejam compartilhadas com moradores, turistas e pessoas que visitam o local em busca de alternativas complementares para os cuidados pessoais.

Para o prefeito Léo Moraes, a preservação do Mercado Central também está ligada à valorização da identidade do município.

“Valorizar o Mercado Central é valorizar a nossa cultura, a nossa história e o povo de Porto Velho”, afirma.

Localizado no centro da capital, o mercado reúne práticas comerciais e tradições associadas à relação histórica da população com a floresta. Os produtos naturais expostos nos boxes representam fontes de renda, mas também carregam memórias, crenças e formas populares de utilização dos recursos amazônicos.

Nesse ambiente, a floresta é apresentada não apenas como parte da paisagem regional. Ela permanece ligada à cultura, ao sustento e aos conhecimentos de quem aprendeu a reconhecer as características de cada planta.

Entre frascos de copaíba, óleo de andiroba, resinas, ervas e suplementos, o Mercado Central mantém uma parcela da identidade amazônica acessível a quem vive em Porto Velho e a quem passa pela cidade. Para muitos visitantes, a compra de um produto também se transforma em uma lembrança da cultura e dos saberes tradicionais da região.

Com informações de: Prefeitura de Porto Velho

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO) – LinkedIn





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