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SEGURANÇA DIGITAL
Famílias recebem guia da ONU e do Unicef para identificar conteúdos misóginos nas redes

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Material apresenta sinais de alerta, orientações de diálogo e estratégias para proteger crianças e adolescentes da influência da chamada machosfera

Por Yan Simon - quarta-feira, 22/07/2026 - 10h36

Porto Velho, RO – Conteúdos aparentemente inofensivos, como vídeos de motivação, desenvolvimento pessoal e autoajuda, podem ser usados como porta de entrada para discursos misóginos nas redes sociais. O alerta consta em um novo guia elaborado pela ONU Mulheres e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), voltado a pais e responsáveis por meninos e adolescentes.

Intitulado “No Mesmo Time: Guia de Conversa para Pais e Responsáveis”, o material reúne informações para ajudar as famílias a compreender como funciona a chamada machosfera. O termo é utilizado para definir comunidades digitais centradas em determinados modelos de masculinidade e que podem disseminar ódio, aversão ou desprezo contra mulheres e meninas.

A publicação foi desenvolvida para incentivar conversas dentro de casa e auxiliar adultos na identificação de mudanças de comportamento e linguagem entre os jovens. Também são apresentadas perguntas adaptadas por faixa etária, com o objetivo de estimular o pensamento crítico sobre os conteúdos consumidos na internet.

Um levantamento realizado em 2025 pela Revista AzMina e pelo Núcleo Jornalismo, citado pelas Nações Unidas, apontou que a misoginia costuma chegar de maneira gradual e disfarçada aos perfis de adolescentes. Segundo o estudo, discursos discriminatórios podem aparecer inicialmente associados a mensagens motivacionais e conteúdos de autoaperfeiçoamento.

O guia também explica termos e grupos ligados à machosfera, além de mostrar como os algoritmos podem direcionar crianças e adolescentes para publicações cada vez mais extremas. O documento apresenta ainda orientações para apoiar meninas expostas a conteúdos misóginos e sugere formas de tratar a igualdade de gênero nas situações cotidianas.

Para a representante da ONU Mulheres no Brasil, Gallianne Palayret, a prevenção da violência pode começar no ambiente familiar. Ela afirmou que os pais e responsáveis não precisam ter todas as respostas, mas devem abrir espaço para conversas francas e sem julgamentos.

“A machosfera é um desafio de toda a sociedade, com consequências reais para a segurança e a liberdade de mulheres e meninas”, declarou Gallianne.

O representante do Unicef no Brasil, Joaquin Gonzalez-Aleman, destacou que famílias, escolas e comunidades devem oferecer referências positivas de masculinidade. Conforme explicou, essa atuação é especialmente importante durante a adolescência, período em que os jovens estão construindo a própria identidade e podem ficar mais vulneráveis a conteúdos baseados em estereótipos e intolerância de gênero.

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO) – LinkedIn





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