Evento celebra 30 anos de história, aborda participação democrática na defesa de direitos e ocorre com redução no número de trios elétricos devido à queda de patrocínios.
Porto Velho, RO – A Avenida Paulista recebeu neste domingo (7) a 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, que neste ano adotou o tema “30 Anos Parada SP: A rua convoca, a urna confirma”. A proposta da organização é estimular o debate sobre a importância do voto e da participação democrática na defesa dos direitos da população LGBT+.
Ao longo da programação, o diretor da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP), Matheus Emílio Pereira da Silva, afirmou que a conscientização eleitoral é um dos focos da edição deste ano. Segundo ele, a população deve ser incentivada a votar em representantes comprometidos com os direitos da comunidade LGBT+ e com os interesses coletivos da sociedade.
Apesar da grande presença de público, a edição de 2026 foi realizada com estrutura reduzida. De acordo com os organizadores, houve queda de 60% na receita proveniente de patrocinadores, impactando tanto a realização da Parada quanto ações sociais e culturais promovidas pela entidade. Em razão desse cenário, o desfile contou com 14 trios elétricos, número inferior aos 17 registrados em 2025 e aos 19 que participaram da edição de 2023. O percurso seguiu pela Avenida Paulista e Rua da Consolação até a Praça da República.
A manifestação teve início às 10h e reuniu artistas como Pabllo Vittar, Urias, Gloria Groove, Pepita, Diego Martins, Melody e Thiago Pantaleão. Também participou do evento a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello.
Durante a Parada, a ministra destacou a campanha “O Brasil é de Todas as Cores: Para Todas as Pessoas” e ressaltou a necessidade de ampliar a garantia de direitos para a população LGBT. Ela informou ainda que o governo mantém iniciativas voltadas à inclusão produtiva, ao acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade e ao enfrentamento da violência contra a comunidade LGBTQIA+. Segundo a ministra, a Política Nacional de Direitos LGBT foi encaminhada recentemente ao Congresso Nacional.
A secretária Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, Symmy Larrat, informou que foi firmado um acordo técnico entre o Ministério dos Direitos Humanos, o Ministério da Justiça e o Conselho Nacional de Justiça para a produção de dados governamentais sobre a violência contra a população LGBT+. De acordo com ela, a iniciativa permitirá a construção de protocolos institucionais voltados ao acolhimento de denúncias, às investigações e à atuação do sistema de Justiça.
Ao completar três décadas de existência, a Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo também relembrou pautas históricas debatidas ao longo de sua trajetória. A primeira edição ocorreu em 1996, na Praça Roosevelt, e passou para a Avenida Paulista no ano seguinte. Desde então, temas como união estável, identidade de gênero, adoção por casais homoafetivos, doação de sangue e criminalização da LGBTfobia foram levados às ruas pela mobilização.
Matheus Emílio Pereira da Silva afirmou que muitos dos direitos atualmente reconhecidos para a população LGBT foram debatidos previamente durante as edições da Parada. Ele citou como exemplos as discussões sobre união estável, direitos da população trans, adoção e criminalização da LGBTfobia. Para o dirigente, a mobilização teve papel relevante nas três décadas de debates públicos sobre essas questões.
O diretor também declarou que ainda existe a necessidade de maior participação do Poder Legislativo na consolidação desses direitos em lei, observando que muitas garantias atualmente decorrem de decisões judiciais.
Com informações de: Agência Brasil
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