Descobertas na Amazônia, rearranjos eleitorais e disputa por vagas movimentam Rondônia
O DESCONHECIDO APARECE
Sempre que uma porção da Amazônia é devastada antes de ser alvo de estudos científicos, revela-se um país destruindo suas riquezas antes que sejam descobertas. Há pouco, uma arte rupestre até então desconhecida por não indígenas na região do Alto Rio Negro foi achada em dois sítios arqueológicos no território indígena Baniwa, na fronteira com Colômbia e Venezuela.
Essas pinturas ainda desconhecidas foram achadas nas serras do rio Içana pelo desenvolvimento do projeto Vozes da Amazônia Indígena, iniciado em 2025 e coordenado pelo Museu Paraense Emílio Goeldi, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Localizadas em local de difícil acesso, na região conhecida como Cabeça do Cachorro, elas foram descobertas por uma ação que envolveu cerca de 100 pessoas de mais de 20 instituições e comunidades indígenas.
Pode-se avaliar o valor da descoberta pela reação do professor Raoni Valle, com um cabedal de 30 anos de trabalho com arte rupestre na Amazônia, ligado ao Curso de Arqueologia da Universidade Federal do Oeste do Pará, ao dizer que nunca viu figuras do tipo, que não se encaixam nos padrões já conhecidos na arqueologia: “Não estou afirmando isso como um dado científico, mas as pinturas são muito diferentes de tudo o que eu já vi na região”.
Ainda há muito a descobrir na Amazônia antes que a devastação inviabilize novas descobertas.
MAIS MUDANÇAS?
Temos alterações no quadro de candidatas ao Senado em Rondônia na campanha de 2026. Além das poderosas Silvia Cristina, de Ji-Paraná, e Mariana Carvalho, de Porto Velho, estavam na peleja as ativistas Neidinha Suruí, de Cacoal, e Luciana Oliveira, de Porto Velho.
Mas o PT chutou Luciana para favorecer aliança com o MDB de Confúcio Moura em Rondônia, visando ao interesse na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também se cogita a aliança com a substituição do candidato petista Expedito Netto, egresso do PSD, por outro candidato. Será?
APOIO CONFIRMADO
O prefeito de Porto Velho, Léo Moraes (Podemos), confirmou seu apoio e ratificou sua aliança com o senador Marcos Rogério, favorito nas pesquisas para a sucessão do governador Marcos Rocha (PSD).
Com isto, Rogério reforça suas paliçadas na capital, com um terço do eleitorado do Estado, já que conta também com o deputado federal Fernando Máximo em sua chapa ao Senado.
A estratégia é juntar as forças políticas de Ji-Paraná, Ariquemes e Porto Velho para sacramentar uma vitória em turno único ou melhorar sua posição na capital, onde o ex-prefeito Hildon Chaves, candidato da Federação União Progressista, lidera a peleja.
COMBATE À RECEPÇÃO
Ante tantos furtos e roubos de cabos elétricos dos postes nas ruas e de órgãos públicos, de fiação elétrica nas residências e até bueiros e tampas de medidores de água e energia na capital, o Governo do Estado e a Prefeitura de Porto Velho se unem numa operação para combater ladrões e a recepção dos materiais elétricos desviados.
Aumentar a pena para os empresários que trabalham na recepção deste material roubado é imperativo. Seria obrigatório também fechar os estabelecimentos envolvidos. Infelizmente, temos uma escalada de arrombamentos nas residências para o roubo da fiação elétrica, causando sérios prejuízos aos proprietários e às imobiliárias que administram os imóveis.
BAITA CANIBALISMO
A canibalização na disputa das cadeiras à Câmara dos Deputados em Porto Velho é um fato. Além dos postulantes à reeleição Maurício Carvalho (União Progressista), Coronel Chrisóstomo (PL) e Cristiane Lopes (Podemos), temos na peleja o pastor Sebastião Valadares, Euma Tourinho, Rosângela Cipriano, Sofia Andrade, o ex-prefeito Mauro Nazif, Amir Lando, Célio Lopes, pastor Evanildo, entre outros nomes cogitados a serem confirmados nas convenções partidárias que se prolongam até 5 de agosto.
É preciso enfatizar que, no pleito à Câmara Federal, deverão ocorrer muitas surpresas, inclusive nomes não relatados nesta coluna.
AS PESQUISAS
Constato que alguns partidos podem vetar nas convenções partidárias seus candidatos ao Governo estadual por causa de baixos índices de aceitação nas pesquisas.
Ora, se fosse pelas pesquisas, Roberto Sobrinho e Hildon Chaves não teriam sido eleitos prefeitos de Porto Velho, tampouco José Bianco, Confúcio Moura e Marcos Rocha eleitos governadores. A tradição por aqui é o candidato sair quase zerado nas sondagens eleitorais e chegar ao topo na reta final.
Por conseguinte, tanto Expedito Netto (PT) quanto Pedro Abib (MDB), que estão sendo voduzados, têm suas chances de chegar lá. A história política tem sido recorrente em Rondônia, com os favoritos levando pau.
VIA DIRETA
O matriarcado político no Acre, que já elegeu governadora pelo voto direto, segue firme e forte. Nesta eleição, terá como candidata ao Governo estadual a atual mandatária Mailza de Assis e, como vice, Jéssica Sales.
Um naco do PP está vetando aliança com o presidenciável Flávio Bolsonaro, dificultando alianças do PL nos estados. O presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, defende a neutralidade no pleito.
Aproveitando o verão amazônico, o Governo Lula toca obras de asfaltamento da BR-319 na região de Realidade, distrito de Humaitá, no Estado do Amazonas. E o leito de terra bem conservado está facilitando as viagens de ônibus, caminhões e vans para Manaus.

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