Deputado de Rondônia discursou sobre Morro dos Cavalos, exploração mineral por indígenas, governo Lula e repetiu afirmação já classificada como falsa por checagem do Estadão Verifica
Porto Velho, RO – A votação de um requerimento de urgência relacionado à Terra Indígena Morro dos Cavalos, em Santa Catarina, levou o deputado federal Coronel Chrisóstomo (PL-RO) a defender, no plenário da Câmara dos Deputados, a posição favorável da Oposição à tramitação acelerada da matéria. Durante a manifestação, o parlamentar associou o debate à propriedade privada, à exploração de recursos naturais em terras indígenas, à atuação do governo federal e ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Chrisóstomo afirmou que votaria “sim” à urgência e disse falar na condição de indígena. O deputado se apresentou como integrante do povo tukano e declarou ser “um indígena de verdade”. Em seguida, sustentou que indígenas não querem ilegalidade nem retirada de pessoas que possuam título ou documento de propriedade.
O projeto discutido envolve a Terra Indígena Morro dos Cavalos. Parlamentares favoráveis ao requerimento argumentaram que há moradores e famílias com documentos antigos de propriedade na região. Já deputados contrários afirmaram que a demarcação de terras indígenas é ato administrativo do Poder Executivo e alertaram para possível precedente contra áreas já demarcadas.
Ao defender sua posição, Chrisóstomo disse que indígenas querem trabalhar e explorar suas terras “corretamente”. O parlamentar também afirmou que áreas indígenas não são desmatadas porque os povos originários dependeriam da mata e da selva. No mesmo trecho, defendeu que indígenas possam explorar minérios existentes em seus territórios.
O deputado citou Guajará-Mirim, em Rondônia, e afirmou que o município possui 39 aldeias. Segundo ele, os indígenas da região querem melhorar de vida, cuidar das famílias e não depender apenas de benefícios sociais. Chrisóstomo também disse que há uma grande quantidade de minérios em aldeias rondonienses, mas que os indígenas seriam impedidos de trabalhar e viveriam sobre essas riquezas em situação de miséria.
A fala também incluiu críticas ao governo Lula. O parlamentar acusou adversários políticos de mentir sobre a realidade dos indígenas e afirmou que o governo federal distribui cestas básicas a essas populações. Em outro ponto, relacionou o tema indígena à faixa de fronteira e às Forças Armadas, mencionando sua atuação anterior na Amazônia.
Ao tratar da presença militar em áreas remotas, Chrisóstomo citou Surucucu e disse que há indígenas vivendo em isolamento, com apoio de um pequeno aeroporto e de 40 militares responsáveis pela região e pela faixa de fronteira. O deputado afirmou que “nada chega lá” e declarou que a realidade da fronteira é marcada por violência.
Depois de abordar a pauta indígena, o parlamentar passou a falar sobre o Pix e atribuiu o sistema de pagamentos instantâneos ao ex-presidente Jair Bolsonaro. “O PIX é do Bolsonaro”, afirmou Chrisóstomo, antes de parabenizar o ex-presidente e dizer que o Brasil precisaria de seu retorno.
A declaração contraria checagem publicada em 2022 pelo Estadão Verifica, em conteúdo do Projeto Comprova. A verificação classificou como enganosa a alegação de que Bolsonaro teria criado o Pix. O sistema foi lançado em novembro de 2020, durante o governo Bolsonaro, mas começou a ser preparado antes, ainda no governo Michel Temer, quando o Banco Central instituiu, em maio de 2018, um grupo de trabalho sobre pagamentos instantâneos.
De acordo com a checagem, o Pix foi desenvolvido por equipe técnica do Banco Central como resultado de um processo evolutivo conduzido pela autarquia em diferentes períodos administrativos. O sindicato dos servidores do Banco Central também afirmou que a criação e a implementação do sistema foram feitas por funcionários concursados da instituição, e não por um governante específico.
O Estadão Verifica registrou ainda que, em 16 de novembro de 2020, data de início do funcionamento do Pix no Brasil, Bolsonaro demonstrou desconhecimento sobre o sistema ao ser abordado por um apoiador. Segundo a checagem, ao ouvir elogio ao Pix, o então presidente respondeu inicialmente sobre aviação civil e depois disse que não havia tomado conhecimento do assunto.
No fim do discurso, Chrisóstomo voltou ao requerimento de urgência e reafirmou apoio à tramitação da matéria. O deputado pediu que o processo fosse conduzido “bem feito” e encerrou a manifestação com nova referência a Bolsonaro.
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