Candidato ao Governo pelo PSD afirma que o apoio de Marcos Rocha não o torna responsável pela atual gestão estadual, rebate críticas atribuídas ao sucessor Tony Pablo, questiona a imagem construída por adversários e promete assumir pessoalmente os problemas da saúde e da segurança pública
Porto Velho, RO – O candidato ao Governo de Rondônia pelo PSD, Adaílton Fúria, rejeitou a tentativa de vinculá-lo diretamente aos problemas da administração estadual, contestou o rótulo de candidato “chapa branca”, rebateu acusações de que teria deixado Cacoal sem recursos suficientes para manter serviços implantados durante sua gestão e dirigiu críticas a adversários que, segundo ele, estariam sendo apresentados ao eleitorado por meio de personagens construídos pelo marketing político.
As declarações foram feitas durante entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado pelo jornalista Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica. Ex-prefeito de Cacoal, ex-deputado estadual e ex-vereador, Fúria apresentou-se como um candidato apoiado pelo governador Marcos Rocha, mas sustentou que nunca participou da administração estadual nem teve poder para interferir nas decisões do governo.
Fúria rejeita rótulo de “chapa branca”
Candidato ao Governo pelo PSD afirma que o apoio de Marcos Rocha não o torna responsável pela atual gestão estadual, rebate críticas atribuídas ao sucessor Tony Pabllo e promete assumir pessoalmente os problemas da saúde e da segurança pública.
Fonte: entrevista de Adaílton Fúria ao podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica
Orçamento citado ao deixar Cacoal
R$ 520 mi
Fúria afirmou ter recebido um orçamento anual entre R$ 270 milhões e R$ 280 milhões e entregue aproximadamente R$ 520 milhões.
Servidores convocados
Cerca de 1 mil
Segundo o candidato, concurso realizado em 2024 resultou na convocação de aproximadamente mil servidores.
Pavimentação em Cacoal
240 ruas
Ele declarou que cerca de 140 dessas vias receberam recursos estaduais durante a cooperação com o Governo de Rondônia.
Alcance nas redes
3 milhões
Fúria disse ter alcançado aproximadamente 3 milhões de visualizações em um mês.
Disputa de versões
Três frentes de confronto político
A entrevista foi marcada por respostas diretas a acusações de continuidade do atual governo, críticas à situação financeira de Cacoal e ataques ao perfil construído por adversários na campanha.
Rótulo rejeitado
“Apoiado pelo governo” não é “candidato do governo”
Fúria sustentou que nunca integrou a administração estadual, não participou das decisões do governador e não pode ser responsabilizado pelos problemas da gestão de Marcos Rocha.
Defesa de Cacoal
“Não deixei o município quebrado”
Ele citou a expansão do orçamento, a convocação de servidores, a aprovação de contas e a manutenção de serviços implantados durante sua administração para rebater a acusação.
Ataque aos rivais
“Mega multimilionário” e “político de Brasília”
Sem nomear os alvos no trecho, Fúria acusou adversários de adotarem uma imagem mais humilde e mais ligada a Rondônia durante o período eleitoral.
Posição central
A separação que Fúria tenta impor
O candidato voltou repetidamente à tese de que apoio eleitoral não transfere responsabilidade administrativa e não significa poder para interferir nas decisões do Governo de Rondônia.
Declaração de Adaílton Fúria
“Existe uma divisão. Primeiro, eu fui prefeito de uma cidade. Tu não pode pegar os problemas do Estado e jogar nas minhas costas. Eu nunca fiz parte da gestão do governador. Eu nunca participei, eu nunca tomei decisão. Tu não pode jogar os problemas do Estado nas minhas costas. Eu sou um candidato porque eu sou apoiado pelo governador. Sou apoiado pelo governador. É diferente”.
Marcos Rocha
Fúria reconhece o apoio do governador, mas afirma que nunca teve participação na administração estadual nem liberdade para determinar ações do governo.
Luís Fernando
Ao comparar situações dentro do PSD, classificou Luís Fernando como alguém diretamente ligado ao governo por ter participado da administração estadual.
Tony Pabllo
Disse conversar normalmente com o sucessor, negou mágoa pelas críticas e afirmou desejar seu apoio na campanha ao Governo.
Marcos Rogério
Usou o caso de um antigo assessor do senador para argumentar que atos de apoiadores ou auxiliares não podem ser automaticamente atribuídos ao político.
Propostas e prioridades
Saúde e segurança sob presença direta do governador
Fúria prometeu acompanhar pessoalmente as áreas mais críticas, defendeu soluções com prédios existentes e propôs reforço de efetivo, inteligência e incentivo financeiro para policiais na linha de frente.
Saúde
Gestão presencial e prioridade política
O candidato afirmou que pretende acompanhar a saúde sem interferir tecnicamente no trabalho das equipes, aproximando a administração dos servidores e participando diretamente da busca por soluções.
João Paulo II
Adaptação de estruturas em vez de obra do zero
Fúria demonstrou preferência pela compra ou locação de prédios que possam ser transformados em unidade hospitalar, repetindo o modelo usado em Cacoal.
Rede regional
Estado deve dividir o peso com municípios
Defendeu que Rondônia ajude cidades a ampliar a rede e assuma unidades municipais que já atendem pacientes de várias localidades.
Segurança pública
Concurso urgente e mais integração
O candidato relacionou o avanço do crime organizado à falta de efetivo e defendeu concurso público, integração entre as polícias e reforço das ações em fronteiras, bairros e condomínios.
Tecnologia
Inteligência para localizar focos criminosos
Fúria propôs ampliar equipamentos, tecnologia e sistemas de inteligência para identificar organizações criminosas e orientar operações.
Policiais nas ruas
Gratificação para a linha de frente
Entre as propostas apresentadas está a criação de uma gratificação destinada aos policiais que atuam diretamente no combate à criminalidade.
Vitrine de gestão
Programas usados para sustentar o discurso de resultados
Ao detalhar sua passagem por Cacoal, Fúria listou serviços de saúde, transporte, educação, assistência e estrutura administrativa como exemplos de sua forma de governar.
Saúde municipal
Hospital, maternidade e pronto-socorro infantil
Fúria citou hospital de campanha, pronto-socorro infantil, maternidade, hospital municipal e farmácia central entre as entregas de sua administração.
Farmácia central
Cerca de 250 atendimentos por dia
Segundo ele, a unidade distribui medicamentos gratuitamente para aproximadamente 250 pessoas por dia, conforme disponibilidade da farmácia básica.
Autismo
De 50 vagas planejadas a cerca de 350 matrículas
O Centro do Autista foi apresentado como serviço inicialmente planejado para 50 crianças e posteriormente ampliado para aproximadamente 350 matrículas.
Transporte
Tarifa Zero e frota própria
Fúria afirmou que a prefeitura comprou ônibus, implantou gratuidade e estruturou um ponto central climatizado, com assentos e acesso à internet.
Educação
Uniforme completo e café da manhã
Na educação, destacou distribuição de camisa, calça e tênis, implantação de café da manhã e manutenção de frota própria para o transporte escolar.
Sede administrativa
Prédio abandonado transformado em estrutura pública
Ele relatou a adaptação de um imóvel na região do Beira Rio e disse ter usado cerca de R$ 1,5 milhão arrecadados com leilão de sucatas para equipar a nova sede.
Síntese
Fúria tenta transformar a eleição em um confronto entre sua experiência administrativa em Cacoal e o perfil dos adversários. Ao mesmo tempo, separa o apoio de Marcos Rocha da responsabilidade pela atual gestão e promete um governo de presença direta, especialmente na saúde e na segurança.
Fonte final
Entrevista concedida por Adaílton Fúria ao podcast Resenha Política, apresentado pelo jornalista Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica.
A distinção foi apresentada quando Robson Oliveira questionou a acusação, recorrente entre adversários, de que Fúria representaria a continuidade do atual governo. O candidato afirmou que receber apoio político não significa ter integrado a estrutura administrativa ou assumir responsabilidade pelas decisões tomadas pelo governador e por seus auxiliares.
“Existe uma divisão. Primeiro, eu fui prefeito de uma cidade. Tu não pode pegar os problemas do Estado e jogar nas minhas costas. Eu nunca fiz parte da gestão do governador. Eu nunca participei, eu nunca tomei decisão. Tu não pode jogar os problemas do Estado nas minhas costas. Eu sou um candidato porque eu sou apoiado pelo governador. Sou apoiado pelo governador. É diferente”, declarou.
Fúria estabeleceu uma comparação com o candidato ao Senado Luiz Fernando Pereira, também filiado ao PSD. De acordo com ele, Luiz Fernando poderia ser classificado como candidato do governo por ter participado diretamente da administração estadual, enquanto sua própria candidatura seria apenas apoiada pelo governador.
Segundo Fúria, Marcos Rocha, após decidir permanecer no cargo e não concorrer ao Senado, escolheu apoiar uma das candidaturas ao Governo. Ele afirmou que diferentes concorrentes desejavam receber esse apoio e atribuiu a escolha do governador ao trabalho realizado por sua gestão em Cacoal. Como exemplo da relação entre o município e o Estado, mencionou obras de pavimentação e transferências de recursos para a saúde municipal.
O candidato disse que Cacoal teria recebido pavimentação em aproximadamente 240 ruas, das quais cerca de 140 teriam sido contempladas com recursos estaduais. Também afirmou que o governo repassou verbas utilizadas em serviços municipais de saúde. Para Fúria, essa cooperação administrativa não permite responsabilizá-lo por problemas estaduais, entre eles as condições do Hospital e Pronto-Socorro João Paulo II.
“A oposição quer criar intriga, jogar na minha responsabilidade o João Paulo II. Tem candidato falando por aí que eu sou responsável pelo que está acontecendo no João Paulo II porque sou apoiado pelo governador do Estado. Isso é um tipo de narrativa construída por marqueteiros”, afirmou.
Na sequência, Fúria acusou adversários, sem identificá-los nominalmente naquele trecho da entrevista, de adotarem uma aparência mais humilde durante o período eleitoral. Um deles foi descrito pelo candidato como “mega multimilionário” e habituado a permanecer longos períodos fora de Rondônia. Outro foi chamado de “político de Brasília”.
“Um é mega multimilionário, viaja, fica meses fora de Rondônia, mas agora está humilde, está com o pé no chão. O outro é de Brasília, político de Brasília. Estão trazendo isso tudo aqui para Rondônia para eles virarem rondonienses. Agora eles estão legitimamente rondonienses”, declarou Fúria.
Ao ser questionado sobre eventuais críticas ao governo de Marcos Rocha, Fúria respondeu que todas as administrações apresentam problemas. Ele citou sua própria passagem pela Prefeitura de Cacoal e mencionou também as trajetórias políticas de adversários como exemplos de atividades públicas sujeitas a falhas, críticas e controvérsias.
Para sustentar que o apoio de uma pessoa não transfere automaticamente ao apoiado a responsabilidade pelos atos dela, Fúria utilizou como comparação um episódio envolvendo um antigo assessor do senador e candidato ao Governo Marcos Rogério. O candidato afirmou que, no passado, adversários tentaram associar o senador ao caso de um assessor investigado ou preso por tráfico de drogas, apesar de Marcos Rogério, conforme reconhecido pelo próprio entrevistador, não ter relação com a conduta atribuída ao funcionário.
“Querer atrelar uma situação como essa a mim, jogar nas minhas costas, é a mesma coisa de eu querer jogar nas costas do Marcos Rogério o tráfico de droga que o assessor dele estava respondendo. O que o Marcos Rogério tem a ver com isso? Tentaram atrelar ele ao assessor que foi preso por tráfico de droga. São situações que não somam nada para Rondônia”, declarou.
Outro ponto de confronto ocorreu em torno da situação financeira deixada na Prefeitura de Cacoal. Robson Oliveira mencionou críticas segundo as quais Fúria teria construído ou ampliado unidades importantes, especialmente na saúde, sem deixar recursos suficientes para que o sucessor mantivesse integralmente os serviços.
O candidato contestou essa versão e afirmou considerar politicamente estranho que, após reclamações sobre falta de dinheiro, o senador Marcos Rogério tenha conseguido recursos para o município. Fúria também voltou a classificar o senador como um político de Brasília, argumentando que ele não residiria em Cacoal e, conforme sua avaliação, não teria a mesma ligação cotidiana com o município.
“É muito engraçado que ele falou que não tinha dinheiro e, no outro dia, o Marcos Rogério colocou o dinheiro. Tem umas coisas que são muito estranhas e acontecem na política. O meu concorrente arrumou o dinheiro, que é o mesmo que está criticando tudo isso. Sem morar em Cacoal. Ele não mora em Cacoal, mora em Brasília. Ele é político de Brasília”, disse.
Fúria alegou que os principais serviços usados para contestar sua administração já estavam em funcionamento havia anos. Segundo ele, o pronto-socorro infantil foi criado em 2022 e mantido até sua saída da prefeitura; a maternidade foi entregue em 2023; a farmácia municipal funcionava desde 2021; o Centro do Autismo havia sido implantado em 2022; e o programa Tarifa Zero começou em 2023.
A única estrutura iniciada em 2025 e entregue em 2026, conforme relatou, teria sido o novo Hospital Municipal de Cacoal. Fúria explicou que a abertura não representou a criação integral de uma despesa adicional porque o antigo Pronto Atendimento Municipal foi incorporado à nova unidade.
O candidato acrescentou que realizou concurso público em 2024 e convocou aproximadamente mil servidores. Utilizou a contratação e a aprovação de suas contas como argumentos para rejeitar a acusação de que teria conduzido o município sem disponibilidade financeira.
“Você acha que uma prefeitura pode fazer um concurso público sem dinheiro? Pode convocar mil servidores sem dinheiro? Será que um prefeito faria tudo isso e ainda teria as contas aprovadas sem ressalva por cinco anos? Esse é o momento da política, e o adversário tem que plantar o que puder contra a gente”, declarou.
Fúria afirmou ter assumido Cacoal com um orçamento anual situado entre R$ 270 milhões e R$ 280 milhões. Segundo ele, a execução do primeiro ano terminou próxima de R$ 300 milhões por causa de recursos obtidos durante o exercício. Ao deixar o município, declarou ter entregue um orçamento de aproximadamente R$ 520 milhões.
“Não deixei o município quebrado”, respondeu ao ser questionado diretamente pelo apresentador. O candidato acrescentou que uma administração financeiramente destruída produziria consequências nos órgãos de controle e comprometeria a situação política do gestor. A afirmação foi apresentada por ele como parte da defesa de suas contas e não acompanhada, durante a entrevista, da exposição de balanços, relatórios fiscais ou documentos contábeis.
A relação com o sucessor Tony Pablo também foi abordada. Fúria afirmou que conversa normalmente com o atual prefeito, disse não guardar mágoa das críticas e declarou estar na torcida para que a administração entregue resultados. Ao ser questionado se desejava o apoio político de Tony Pablo, respondeu inicialmente que o prefeito deveria cuidar do município, mas depois afirmou que gostaria de contar com ele na campanha.
“Ele é o prefeito da minha cidade, então é meu prefeito. Estou na torcida para que ele possa entregar resultado. Eu não guardo mágoa, sou desprendido de vaidade. Quero o apoio dele, quero o apoio de todo mundo, inclusive porque é prefeito de uma cidade importante, que tem um grande desafio pela frente e vai precisar mais do que nunca de um governo alinhado para ajudar na entrega de resultados”, declarou.
Na saúde estadual, Fúria fez críticas à concentração de atendimentos no João Paulo II e à ausência histórica de uma rede municipal mais ampla em Porto Velho. Para ele, parte dos pacientes atendidos no hospital estadual poderia estar em unidades municipais ou regionais, caso essas estruturas tivessem capacidade adequada.
O candidato afirmou que pretende acompanhar pessoalmente a saúde, sem interferir tecnicamente no trabalho de médicos, enfermeiros ou técnicos. Segundo ele, a presença do governador deveria servir para aproximar a administração dos servidores, estabelecer prioridades e participar diretamente da busca por soluções.
“A saúde só vai sair do estágio em que está a partir do momento em que o gestor colocar como prioridade e atacar de maneira presencial. O presencial não é ir à unidade contestar o que o médico, o enfermeiro ou o técnico está fazendo. É se alinhar ao servidor para, junto com a equipe, buscar uma alternativa e uma saída”, afirmou.
Fúria criticou o fato de Porto Velho ter permanecido durante décadas sem hospital municipal e afirmou que a situação levou os moradores da capital a dependerem excessivamente das unidades estaduais. Embora tenha reconhecido a aquisição recente de uma estrutura hospitalar pelo município, questionou por que iniciativas semelhantes não foram tomadas anteriormente.
O candidato defendeu que o Estado ajude os municípios a ampliar a rede e assuma unidades que, embora formalmente municipais, já atendem pacientes de diferentes localidades. Citou como exemplos hospitais de Ariquemes e Ji-Paraná, além do processo ocorrido em Vilhena. Na avaliação apresentada durante a entrevista, uma unidade que atende demanda regional não deveria permanecer exclusivamente sob responsabilidade financeira e administrativa de uma prefeitura.
Para enfrentar a situação do João Paulo II, Fúria demonstrou preferência pela adaptação de prédios existentes em vez da construção de um hospital inteiramente novo. Ele afirmou que o Estado poderia alugar ou comprar uma estrutura e transformá-la em unidade hospitalar, repetindo o modelo adotado por sua administração em Cacoal.
O candidato mencionou inclusive a possibilidade de utilizar mão de obra de presos do regime fechado, dentro dos meios legais, juntamente com servidores e equipes do poder público. Segundo ele, o Hospital Municipal de Cacoal foi entregue após um ano e quatro meses de obras e adaptações.
“Eu vejo muito discurso de construir do zero. Construir do zero é muito difícil. Talvez seja por isso que nunca saia do papel, porque depende de licitação e de uma série de situações. Esse é o grande gargalo das obras públicas, porque a máquina pública é feita para não funcionar. A receita está em Cacoal. Nós pegamos três unidades e transformamos as três em unidades de ponta”, declarou.
Na segurança pública, Fúria disse que Rondônia se transformou em corredor para o envio de drogas a outros estados por causa de sua localização e da proximidade com a Bolívia. Ele relacionou o avanço das organizações criminosas à falta de efetivo, à sobrecarga dos policiais e à ausência de concursos públicos suficientes.
Durante a entrevista, Robson Oliveira mencionou uma informação anteriormente apresentada por Marcos Rogério de que aproximadamente 600 policiais estariam desviados de suas funções originais. Fúria classificou o número como alarmante e defendeu a realização urgente de concurso público.
O candidato também propôs ampliar o uso de inteligência, tecnologia e equipamentos, além de criar uma gratificação para policiais que atuam diretamente nas ruas. Ele mencionou o fortalecimento da tropa de choque, das ações em condomínios e bairros dominados por organizações criminosas e do policiamento nas áreas de fronteira.
Fúria afirmou que Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Científica trabalham de maneira excessivamente separada e defendeu maior integração. Também declarou que existem divergências entre as categorias, embora todas façam parte do mesmo sistema de segurança pública.
“Precisamos trazer a tecnologia ao nosso favor e aprimorar o sistema de inteligência para identificar os focos do crime organizado. Falta equipamento, falta mão de obra e falta incentivo financeiro, principalmente para quem está na rua. A minha proposta é criar uma gratificação para quem está na linha de frente, combatendo a criminalidade”, disse.
Ao falar sobre Cacoal, Fúria afirmou que o município não teria a mesma presença de lideranças de facções identificada em outras cidades. Atribuiu o cenário ao trabalho de inteligência realizado durante anos pelas forças policiais locais. A declaração foi apresentada como avaliação do candidato e não foi acompanhada, na entrevista, de estatísticas ou levantamentos oficiais sobre criminalidade.
A partir da parte final da conversa, Fúria detalhou a própria trajetória e enumerou programas implantados durante sua administração. Disse ter criado um hospital de campanha em 12 dias durante a pandemia, um pronto-socorro infantil, uma maternidade, um hospital municipal, uma farmácia central, o Tarifa Zero e o Centro do Autista.
Segundo o candidato, a farmácia municipal realiza a distribuição gratuita de medicamentos para aproximadamente 250 pessoas por dia. Ele afirmou que o acesso não é restrito exclusivamente à população de baixa renda, desde que o usuário apresente receita ou consulta vinculada à rede municipal e o medicamento esteja disponível na farmácia básica.
Sobre o transporte coletivo, relatou que a Prefeitura de Cacoal comprou ônibus e implantou a gratuidade. Disse ainda que o ponto central possui ambiente climatizado, assentos, acesso à internet e ar-condicionado.
O Centro do Autista, conforme Fúria, foi inicialmente planejado para atender 50 crianças, mas teria alcançado aproximadamente 350 matrículas. Na educação, destacou a distribuição de camisa, calça e tênis aos estudantes, a implantação de café da manhã nas escolas e a manutenção de frota própria para o transporte escolar.
O ex-prefeito também falou sobre a adaptação de um prédio abandonado na região do Beira Rio para receber a sede administrativa de Cacoal. Ao ser chamado de “reformador” por Robson Oliveira, respondeu que se considera um “visionário”, por enxergar utilidade em estruturas desprezadas por outras pessoas.
Fúria disse ter leiloado sucatas pertencentes ao município e arrecadado aproximadamente R$ 1,5 milhão, valor que, segundo ele, foi utilizado na aquisição de computadores, mesas, cadeiras e outros equipamentos para a nova sede. Apresentou a reforma como uma forma de valorização dos servidores e de melhoria do atendimento à população.
Na esfera pessoal, relatou que saiu de casa aos 10 anos e trabalhou como vendedor de picolé, engraxate, repositor de mercado, zelador de churrascaria, proprietário de carrinho de espetinhos e instalador ou reparador de antenas na área rural. Afirmou que, entre os 16 e 17 anos, já trabalhava por conta própria e contava com um assistente.
O candidato disse ser casado há 20 anos e pai de dois filhos. Segundo ele, as responsabilidades antecipadas em aproximadamente oito anos contribuíram para sua formação e ajudam a explicar a disposição que afirma possuir para enfrentar uma campanha estadual e, caso eleito, os problemas administrativos do governo.
Ao falar sobre idade e energia, declarou que não pretende delegar os principais problemas. Citou uma manifestação relacionada a propriedades embargadas e ao fechamento da BR-364 para afirmar que, caso fosse governador, teria ido pessoalmente ao local e reunido manifestantes, Ministérios Públicos, bancada federal e demais autoridades para discutir uma saída.
Questionado por que não havia feito essa articulação mesmo como aliado do governador, Fúria voltou a delimitar sua relação com Marcos Rocha. Disse não ter liberdade ou intimidade para determinar ações do governo e reiterou que é um candidato apoiado pela administração, não alguém capaz de controlar as decisões do governador.
“Eu não tenho essa liberdade. São correligionários, mas não têm essa intimidade. Eu volto a dizer: sou um candidato apoiado pelo governo. Eu não consigo manipular o governo para tomar decisões. O governador reuniu o pessoal no Palácio e fez uma mesa-redonda. Eu já sou diferente, eu teria ido lá”, afirmou.
Fúria também falou sobre o comportamento nas redes sociais. Disse que o estilo brincalhão, acelerado e, em alguns momentos, debochado não seria um personagem produzido para a campanha. Segundo ele, a função da equipe de marketing não é criar uma personalidade, mas tentar controlar sua espontaneidade e sua participação em diferentes decisões.
O candidato declarou ser ansioso, ativo e interessado em acompanhar todos os detalhes da campanha. Afirmou que utiliza as redes sociais para apresentar trabalho, rotina familiar, momentos de descontração e atividades pessoais. Disse ainda que, em algumas situações, o riso não significa desprezo pelo problema, mas uma maneira de demonstrar insatisfação ou reduzir o peso de um tema difícil.
Durante a gravação, informou ter alcançado aproximadamente 3 milhões de visualizações em um mês. Segundo Fúria, os conteúdos que mais atraíram público foram apresentações com automóveis. Ele relatou eventos com milhares de pessoas em Guajará-Mirim e Candeias do Jamari e afirmou que as atividades são realizadas em áreas privadas e fechadas.
Fúria também confirmou realizar manobras com veículos, inclusive dirigir sobre duas rodas, mas declarou que as apresentações acontecem em espaços controlados. Após Robson Oliveira mencionar a possibilidade de multa, o candidato respondeu que se trata de evento privado, comparável a outras modalidades de apresentação.
Ao encerrar a entrevista, Fúria declarou não responder a processos por improbidade ou acusações de apropriação de recursos públicos e convidou o público a consultar sua situação nos órgãos de controle. Também afirmou que, de sua parte, pretende participar de uma campanha concentrada em propostas e discussões políticas, evitando ataques pessoais e confrontos que ultrapassem os limites eleitorais.
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