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RESENHA POLÍTICA
Léo se antecipa e inclui Camargo como vice de Rogério; o ‘Rambo dos trópicos’; e a inflexibilidade de Tony Pablo

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A aposta de Léo Moraes no palanque de Marcos Rogério, a estética de confronto de Camargo e a crise institucional em Cacoal

Por Robson Oliveira - terça-feira, 23/06/2026 - 08h53

Cálculo

O anúncio do prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, de apoio à pré-candidatura do senador Marcos Rogério ao Governo de Rondônia foi muito mais do que um gesto protocolar. Foi um movimento político calculado, antecipado e carregado de simbolismo eleitoral.

Leitura

Ao subir ao palco do evento promovido pelo PL e declarar apoio ao senador, indicando ainda o delegado Camargo como pré-candidato a vice-governador, Léo sinalizou que já fez sua leitura do cenário de 2026 e decidiu entrar em campo antes da maioria dos atores políticos.

Referência

Não se trata de um político qualquer. Hoje, Léo Moraes ocupa uma posição rara na política rondoniense: é um dos poucos líderes capazes de mobilizar simpatia popular para além das fronteiras partidárias. Sua alta aprovação administrativa e sua capacidade de comunicação o transformaram em uma referência eleitoral de peso, mesmo sem disputar mandato neste pleito.

Promessa

Ao justificar o apoio pelo volume de recursos destinados por Marcos Rogério a Porto Velho e pela promessa de novos investimentos, Léo também estabeleceu um contraste direto com o atual governo estadual, ao lembrar os R$ 200 milhões que, segundo ele, teriam sido prometidos e não entregues à capital. Ele agora aposta na promessa renovada por Marcos Rogério.

Antecipou

O movimento surpreendeu porque muitos apostavam que a adesão ocorreria apenas durante as convenções de julho. Não foi o que aconteceu. Léo decidiu antecipar o apoio e assumir os riscos inerentes a uma eleição que promete ser disputada e, possivelmente, resolvida apenas no segundo turno.

Garantia

É verdade que a história eleitoral mostra que apoios políticos não são transferidos integralmente. O eleitor costuma fazer suas próprias escolhas, guiado por identificação, confiança e empatia. Nem mesmo alianças consideradas decisivas conseguiram, em eleições passadas, garantir uma transferência automática de votos.

Análise

Mas ignorar o peso político de Léo Moraes seria um erro de análise. Em Rondônia, lideranças com capacidade real de influenciar o eleitorado são cada vez mais raras. E Léo reúne carisma, visibilidade e aprovação administrativa, combinação que poucos possuem atualmente.

Desafio

Se conseguir transferir apenas uma parcela de seu capital político – algo em torno de 30% – já terá produzido um impacto significativo na corrida pelo Palácio Rio Madeira. Para Marcos Rogério, o apoio representa um ganho estratégico inegável. O senador é reconhecido pela sólida formação política, experiência parlamentar e domínio dos temas administrativos. Poucos questionam sua capacidade técnica para governar. Seu desafio, porém, nunca esteve no currículo.

Arrogância

A dificuldade de Marcos Rogério reside justamente na construção de uma conexão emocional mais ampla com o eleitorado. Em determinados momentos, sua postura firme e excessivamente autoconfiante acaba transmitindo uma imagem de distanciamento, característica que pode gerar resistência em um eleitor cada vez mais atento ao comportamento dos candidatos. Um perfil assimilado pelo eleitor de um cidadão vaidoso e arrogante.

Empatia

A política contemporânea exige mais do que preparo. Exige proximidade, empatia e capacidade de gerar identificação. É justamente nesse ponto que Léo Moraes pode se tornar peça fundamental. O prefeito possui atributos que complementam fragilidades percebidas na candidatura do senador.

Protagonista

Ao fim e ao cabo, Marcos Rogério recebeu um dos apoios mais relevantes da atual disputa. E Léo Moraes, mesmo sem disputar cargo algum, demonstra que continuará sendo um dos protagonistas centrais das eleições de 2026 em Rondônia.

Bolha

A indicação do deputado estadual Delegado Camargo, pelo Podemos, para compor como candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo senador Marcos Rogério representa uma escolha coerente com a identidade política que o PL pretende consolidar na disputa estadual.

Gravitando

Entre os nomes pesquisados dos para a vaga, em pesquisas internas, Camargo apareceu com o melhor perfil e o de maior capilaridade dentro do campo conservador. Ainda assim, sua presença pouco amplia o alcance eleitoral da chapa, pois gravita na mesma bolha ideológica do candidato ao governo.

Lastro

Individualmente, não acrescenta novos contingentes de votos, mas confere lastro ao discurso de endurecimento da segurança pública que Marcos Rogério passou a entabular com maior intensidade, tema que, ao que tudo indica, ocupa posição relevante nas pesquisas qualitativas do partido.

Segurança

A expansão das facções criminosas em Rondônia transformou a segurança pública em um dos principais motes da campanha bolsonarista. O tema ganhou ainda mais apelo político depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a classificar organizações criminosas latino-americanas como grupos terroristas. Em sintonia com essa narrativa, a chapa procurou alinhar seu discurso ao imaginário do enfrentamento sem tréguas ao crime organizado.

Marketing

A estratégia ficou evidente no evento realizado no espaço Talismã, onde foi exibido aos correligionários um vídeo cuidadosamente produzido pela equipe de marketing. Nele, Delegado Camargo protagoniza cenas de treinamento tático, empunhando armamento de uso militar, numa estética claramente inspirada nos filmes de ação americanos.

Rambo

O parlamentar encenou com desenvoltura o personagem elaborado sob encomenda, numa espécie de “Rambo dos trópicos”, conduzindo exercícios militares como se preparasse uma tropa para uma guerra. No desfecho da produção, aparece exibindo um sorriso de êxtase, como quem deixa transparecer certa nostalgia dos tempos de polícia e do comando do quarteirão.

Controvérsia

Do ponto de vista cinematográfico, a peça é bem produzida e cumpre seu papel de mobilizar a militância. A mensagem, porém, desperta inevitável controvérsia. A ideia de que a segurança pública possa ser solucionada prioritariamente pela demonstração da força e pela lógica do confronto remete a experiências como as implementadas no Rio de Janeiro, marcadas por operações de forte impacto midiático e resultados permanentemente questionados e sem as soluções.

Confronto

A literatura especializada em segurança pública sustenta, em larga medida, que o enfrentamento ao crime organizado depende da combinação entre inteligência, investigação, integração das forças policiais, prevenção e políticas sociais, e não apenas de uma lógica resumida ao “atira primeiro, aborda depois”. Ainda assim, para a maioria da plateia presente, a encenação cumpriu plenamente seu objetivo: levou ao delírio uma militância que enxerga na força ostensiva a principal resposta para um problema cuja complexidade desafia soluções simplificadas. E deixou o pré-candidato em êxtase ao vê-lo no papel de Rambo. Caso a chapa vença, certamente nas conversas internas a Secretaria de Segurança Pública vai ser comanda pelo nosso Rambo dos trópicos de sotaque gaúcho.

Consensos

Ao observar a crise entre o prefeito Tony Pablo e a Câmara de Vereadores de Cacoal, fica evidente que falta ao chefe do Executivo uma compreensão mais refinada das engrenagens da política institucional. Liderança classista e liderança política são exercícios distintos. O que funciona na advocacia nem sempre produz resultados quando se governa uma cidade e se depende da construção permanente de consensos.

Dialogando

Tony é reconhecido pela inteligência e firmeza de posições, mas a inflexibilidade costuma cobrar preço alto na política. Prefeitos não governam apenas com convicções; governam também com diálogo, concessões e habilidade para administrar conflitos.

Erro

Por outro lado, a estratégia adotada pela presidência da Câmara de bloquear sistematicamente projetos do Executivo revela um erro igualmente grave. Quando divergências pessoais passam a orientar decisões institucionais, quem perde não é o prefeito, mas a população.

Prejuízo

O episódio envolvendo a votação de uma simples adequação orçamentária é emblemático. Sem orçamento, a administração enfrenta dificuldades para honrar compromissos básicos, inclusive na saúde. Nesse caso, o prejuízo recai sobre servidores e cidadãos.

Razão

A política tem suas vaidades, mas o contribuinte não pode ser transformado em refém delas. Entre a rigidez do prefeito e a birra do Legislativo, Cacoal precisa de menos disputa de egos e mais responsabilidade pública. Mas neste caso Tony Pablo tem a mais completa razão uma vez que sustou emendas impositivas – muitas não aguentam uma boa investigação – o fez visando os servidores da saúde e a população que dependem dos serviços essenciais funcionando. Os edis insurretos deveriam ter vergonha na cara.

Podcast

Nesta quinta-feira, no podcast Resenha Política, veicularemos a entrevista do pré-candidato a governador pelo MDB, Pedro Adib. Bom de papo – fala pelos cotovelos -, mostrou-se bem preparado para a disputa e capaz de abordar vários temas com mais qualificação que os adversários. Na próxima semana será a vez do pré-candidato do PSOL, advogado José Teodoro. Faltando apenas ser entrevistado o pré-candidato do PT, Expedito Neto. Várias vezes convidados tem evitado a entrevista com evasivas, mas o espaço continua democraticamente aberto. Acesse todos os conteúdos de política pelo site resenhapolitica.com

Rodapé da coluna

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AUTOR: ROBSON OLIVEIRA





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