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FRAUDES FINANCEIRAS
Celular e Pix concentram fraudes financeiras, que superam 9 milhões no primeiro semestre

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Levantamento aponta que 78% das ocorrências envolveram dispositivos móveis e que novas regras do Banco Central ampliaram a identificação de golpes antes subnotificados

Por Yan Simon - sábado, 18/07/2026 - 09h15

Porto Velho, RO – O celular foi o principal instrumento utilizado em tentativas e golpes financeiros identificados no Brasil durante os seis primeiros meses de 2026. De acordo com levantamento da Quod, 78% das ocorrências envolveram dispositivos móveis, enquanto o Pix apareceu em 85% dos casos e as contas correntes estiveram relacionadas a 94% dos registros.

Ao todo, mais de 9 milhões de indícios de fraude, entre situações suspeitas e golpes confirmados, foram notificados no período. O resultado representa crescimento de 10,26% na comparação com o segundo semestre de 2025, quando haviam sido contabilizadas 8,26 milhões de ocorrências.

O aumento, entretanto, não é atribuído exclusivamente à ampliação da atividade criminosa. Segundo a datatech especializada em inteligência de dados para o mercado de crédito, parte da alta decorre do aprimoramento dos mecanismos usados pelas instituições financeiras para localizar operações suspeitas.

A mudança ganhou força após a implementação da Resolução 501 do Banco Central. A norma tornou mais amplo o compartilhamento de informações entre empresas e instituições do sistema financeiro, permitindo que tentativas anteriormente subnotificadas passassem a integrar uma base conjunta de monitoramento.

Os números foram reunidos por meio do Registro Unificado de Fraudes, o Rufra, plataforma colaborativa desenvolvida pela Quod. A ferramenta centraliza informações sobre suspeitas e ocorrências comunicadas pelas instituições participantes.

Com os dados compartilhados, o sistema permite identificar padrões de atuação criminosa, verificar o histórico de vítimas e fraudadores e realizar bloqueios preventivos de transações consideradas suspeitas. A plataforma também auxilia as instituições no cumprimento das exigências estabelecidas pelo Banco Central.

Para o diretor de Produtos e Dados da Quod, Danilo Coelho, o crescimento dos registros demonstra o amadurecimento dos mecanismos de proteção do mercado financeiro. Ele explicou que, com a consolidação da Resolução 501, as instituições passaram a compartilhar dados de maneira mais ativa pelo Rufra, revelando tentativas que antes não eram registradas.

“O aumento de 10% no volume de fraudes em relação ao semestre anterior reflete, na verdade, o amadurecimento das defesas do mercado financeiro”, afirmou.

Entre as estratégias utilizadas pelos criminosos, a engenharia social liderou as ocorrências. A prática esteve presente em 40% dos registros, o equivalente a mais de 3,6 milhões de casos durante o semestre.

Nesse tipo de golpe, a vítima é manipulada para fornecer informações pessoais, compartilhar dados bancários ou efetuar transferências. Normalmente, os criminosos utilizam mensagens, ligações telefônicas, links falsos e situações de urgência para induzir decisões rápidas.

O levantamento também traçou o perfil das pessoas atingidas. A faixa entre 18 e 34 anos concentrou 49,06% das vítimas. Pessoas com idades entre 35 e 49 anos responderam por 29,98% das ocorrências.

Os homens representaram 51% dos registros, enquanto as mulheres corresponderam a 48%. Em relação à renda, 58% das vítimas recebiam até dois salários mínimos.

Durante os primeiros seis meses de 2026, aproximadamente 3,1 milhões de pessoas foram vítimas de fraudes financeiras. Desse total, cerca de 799 mil sofreram golpes duas vezes ou mais, quantidade equivalente a aproximadamente um quarto das vítimas identificadas.

Diante do cenário, a Quod recomenda atenção redobrada nas operações realizadas pelo celular. A orientação é evitar decisões financeiras tomadas sob pressão, não acessar links encaminhados por mensagens e jamais permitir que contas bancárias sejam usadas para movimentar valores de terceiros.

Danilo Coelho alertou que os fraudadores costumam aproveitar momentos de distração, especialmente durante o expediente de trabalho, para pressionar as vítimas. Ele também destacou que o empréstimo de contas bancárias pode envolver o titular em esquemas de contas laranja.

“Não clique em links recebidos por mensagens e não empreste sua conta bancária para receber ou transferir valores de terceiros”, orientou.

A Quod atua no desenvolvimento de soluções baseadas em inteligência artificial e análise de dados. Os serviços são utilizados por instituições financeiras e empresas em processos de concessão de crédito, prevenção a fraudes e recuperação de ativos.

Com informações de: Agência Brasil

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO) – LinkedIn





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