Complexo ferroviário permanece ligado à formação da capital, à diversidade cultural e ao fortalecimento do turismo histórico na Amazônia
Porto Velho, RO – Os trilhos, as locomotivas e os prédios históricos da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré continuam atraindo visitantes e mantendo viva a trajetória de trabalhadores que participaram da formação de Porto Velho. Neste sábado, 1º de agosto, são celebrados os 114 anos da inauguração oficial de um dos principais patrimônios históricos da Amazônia.
Considerada um dos cartões-postais da capital rondoniense, a ferrovia está diretamente relacionada ao surgimento e à expansão do município. Foi ao redor da estrutura ferroviária que se formou o povoado que, posteriormente, deu origem à cidade. A movimentação econômica também foi ampliada, enquanto trabalhadores de diferentes países passaram a ocupar a região.
A construção ocorreu entre 1907 e 1912, em meio às condições adversas da floresta amazônica. O empreendimento foi planejado para atender ao compromisso estabelecido pelo Tratado de Petrópolis e permitir o transporte da produção boliviana pelo rio Madeira.
Milhares de pessoas de diversas nacionalidades foram mobilizadas durante as obras. Doenças, dificuldades climáticas e barreiras naturais fizeram com que a Madeira-Mamoré fosse reconhecida internacionalmente como uma das ferrovias mais complexas de seu período.
Segundo a historiadora Rita Vieira, a ligação entre a estrada de ferro e a formação de Porto Velho ultrapassa a importância da própria obra. Ela destaca que a cidade recebeu pessoas de diferentes partes do mundo e desenvolveu uma identidade marcada pela diversidade cultural. “Preservar esse patrimônio é preservar a memória de quem ajudou a construir a nossa história”, afirmou.
A valorização do complexo também é considerada estratégica para o turismo histórico. O secretário executivo de Turismo da Secretaria Municipal de Turismo, Esporte e Lazer (Semtel), Aleks Palitot, classificou a Madeira-Mamoré como o maior patrimônio histórico da capital e um dos principais atrativos turísticos da Amazônia.
De acordo com o secretário, os visitantes que conhecem o espaço têm contato com a dimensão histórica da ferrovia e com a necessidade de manutenção desse legado para as próximas gerações.
O prefeito Léo Moraes afirmou que a preservação da memória ferroviária está ligada ao reconhecimento das origens do município. Segundo ele, a administração municipal trabalha para conservar o patrimônio, ampliar a atividade turística e assegurar que a história de Porto Velho continue sendo divulgada e valorizada.
Mais de um século após a inauguração, a Madeira-Mamoré permanece como referência da coragem dos trabalhadores, da transformação econômica e da diversidade cultural registrada durante a ocupação da região. O patrimônio segue integrado à memória, à cultura e à identidade da população porto-velhense.
Com informações de: Prefeitura de Porto Velho
COMENTÁRIOS:



