Candidato ao Senado pelo PDT afirma que 82% dos rondonienses consultados pediam o afastamento da ex-presidente, classifica condenação sofrida como injusta e diz que Caminhada Esperança “ficou pelo caminho”
Porto Velho, RO – Candidato ao Senado Federal pelo PDT, o ex-senador Acir Gurgacz reafirmou que, na avaliação feita por ele durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, não houve crime de responsabilidade praticado pela então presidente. Mesmo assim, votou favoravelmente ao afastamento em 2016. Durante participação no RD Entrevista, apresentado pelo jornalista Vinícius Canova nos estúdios do Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia, Gurgacz explicou que a decisão política foi tomada após percorrer Rondônia e constatar, segundo levantamento citado por ele, que 82% da população consultada exigia o voto pelo impeachment.
“Eu fiz aquilo que a população do meu estado pediu. Eu rodei o estado de Rondônia de ponta a ponta, conversando com as pessoas, e fizemos uma estatística: 82% da população do meu estado exigia que eu votasse a favor do impeachment”, declarou. Acir afirmou que, na condição de representante dos eleitores rondonienses, considerou que não poderia contrariar a manifestação que havia identificado durante suas viagens.
Acir diz que Dilma não cometeu crime, explica o voto pelo impeachment e afirma estar “tranquilo”
Candidato do PDT ao Senado afirma que 82% dos rondonienses consultados cobravam o afastamento em 2016, sustenta que o país estava sem governabilidade, volta a defender inocência no processo que afetou sua trajetória política e recoloca BR-364, BR-319 e industrialização entre as pautas centrais de sua candidatura.
Fonte: RD Entrevista, com Acir Gurgacz, nos estúdios do Rondônia Dinâmica em parceria com o Informa Rondônia
Pressão relatada em Rondônia
82%
Acir afirmou que um levantamento feito antes da votação mostrava 82% dos rondonienses consultados defendendo voto favorável ao impeachment.
Ano do impeachment
2016
Ele sustenta que tomou a decisão politicamente, embora tenha mantido avaliação jurídica distinta sobre a existência de crime de responsabilidade.
Marco da disputa interrompida
2018
Acir afirma que o processo judicial daquele período prejudicou sua candidatura ao Governo de Rondônia e atingiu sua biografia.
Pauta rodoviária central
BR-364
Entre as propostas, ele voltou a defender a duplicação da rodovia e rejeitou cobrança de pedágio sem a obra completa.
O núcleo da entrevista
Voto político, leitura jurídica oposta
O ponto mais sensível da conversa apareceu quando Acir reafirmou que Dilma Rousseff não praticou crime de responsabilidade, mesmo tendo votado a favor do impeachment. A justificativa apresentada combina vontade majoritária do eleitorado, falta de governabilidade e a convicção de que seu posicionamento foi explicado desde aquele momento.
Ponto de maior repercussão
“Não houve crime”
Acir declarou que, do ponto de vista jurídico, não identificou crime de responsabilidade no caso de Dilma. Segundo ele, o que existiu foi inadimplemento no Governo Federal. Ainda assim, afirmou que votou pelo impeachment após percorrer Rondônia, conversar com eleitores, falar com a então presidente e concluir que o governo já não reunia condições de governabilidade.
Antes da votação, Acir disse ter percorrido o estado e sustentou que 82% dos rondonienses consultados exigiam voto favorável ao afastamento.
Ele afirmou ter conversado pessoalmente com Dilma e explicado a situação política que enxergava em Rondônia.
A leitura mantida após a votação foi a mesma: para Acir, não houve crime de responsabilidade, mas o país estava sem governabilidade.
Ao ser perguntado sobre injustiça contra Dilma, ele respondeu que a ex-presidente foi “mal interpretada” e disse que supostos aliados trabalharam pelo impeachment.
Do passado ao projeto atual
Processo judicial, Caminhada Esperança e agenda de campanha
Além do impeachment, a entrevista percorreu a disputa interrompida de 2018, a tentativa de recomposição política para 2026, a recusa em se encaixar rigidamente entre direita e esquerda e as propostas que ele pretende levar novamente ao Senado.
Judiciário e biografia
Acir diz que a condenação foi injusta e insiste no cancelamento da acusação
O candidato afirmou que a interferência do Judiciário em 2018 prejudicou sua candidatura ao Governo de Rondônia e atingiu não apenas sua carreira política, mas também sua história pessoal. Disse que a preocupação central é retirar a condenação da própria biografia e declarou que o que foi cancelado, segundo sua leitura, foi o processo que o acusava.
Articulação política
“Esse projeto ficou pelo caminho”
Ao comentar a Caminhada Esperança, Acir afirmou que a construção política foi interrompida e atribuiu o desfecho à opção do PT por apresentar candidatura própria. Disse respeitar a autonomia das siglas, apontou que a iniciativa discutia definições futuras havia cerca de um ano e afirmou que seguia buscando aproximações, inclusive com MDB e PSB.
Identidade política
“Eu sou pra frente”
Ao rejeitar enquadramento rígido entre direita e esquerda, Acir disse que prefere avaliar cada ideia pelo benefício concreto para Rondônia e para o país. Relembrou ter exercido mandato durante governos distintos, de Lula a Bolsonaro, e defendeu postura pragmática, sem aderir à disputa ideológica permanente.
Pautas do Senado
BR-364, BR-319, Código Florestal e industrialização
Entre as bandeiras, Acir colocou a BR-364 no centro da campanha, com defesa da duplicação e oposição a pedágio sem a obra. Também citou revisão do Código Florestal, impactos da reforma tributária, reasfaltamento da BR-319 e a necessidade de industrializar em Rondônia aquilo que o estado produz no campo.
Frases que marcaram
Seis declarações centrais da conversa
As falas abaixo condensam os eixos mais relevantes do diálogo: impeachment, governabilidade, identidade política, crise da aliança construída para 2026 e os temas de infraestrutura defendidos por Acir para um eventual retorno ao Senado.
“Eu fiz aquilo que a população do meu estado pediu.”
A declaração foi usada para justificar o voto pelo impeachment, com base no levantamento que ele disse ter feito em Rondônia antes da votação.
“Não houve crime de responsabilidade nenhum. Houve inadimplemento no Governo Federal, mas não houve crime.”
É a síntese da posição jurídica que Acir afirmou manter até hoje sobre o caso Dilma Rousseff.
“Naquele momento, o Brasil estava ingovernável.”
Aqui, ele desloca a explicação do campo jurídico para o campo político e institucional.
“Eu acho que ela foi mal interpretada.”
Foi a resposta dada por Acir ao ser questionado se Dilma foi injustiçada no processo de impeachment.
“Eu sou pra frente.”
A frase apareceu quando ele foi provocado a se posicionar entre direita e esquerda, eixo que preferiu contornar.
“Nós não aceitamos cobrança de pedágio sem a duplicação da BR-364.”
A manifestação recoloca a rodovia federal como uma das prioridades explícitas de sua agenda para o Senado.
Síntese
A entrevista apresentou um Acir Gurgacz que tenta conciliar duas linhas ao mesmo tempo: revisita decisões politicamente controversas, como o voto pelo impeachment de Dilma Rousseff, e reposiciona sua candidatura de 2026 em torno de experiência, pragmatismo e retomada de agendas tradicionais, como infraestrutura rodoviária, produção agroindustrial e articulação institucional em favor de Rondônia.
Trajetória
Acir disse ter 64 anos, ser empresário e empreendedor e morar definitivamente em Rondônia desde 1982. Também relembrou passagens pela prefeitura e pelo Senado.
Alianças
Segundo ele, a aliança com Confúcio Moura existe desde 2010. Acir afirmou que o ex-governador desistiu por razões pessoais e familiares e declarou apoio à sua candidatura.
Projeto declarado
Na reta final, o candidato vinculou a volta ao Senado à defesa da agricultura, da geração de emprego, da industrialização e da distribuição de recursos aos municípios.
Fonte: entrevista concedida por Acir Gurgacz ao RD Entrevista, apresentado por Vinícius Canova e produzido nos estúdios do Rondônia Dinâmica em parceria com o Informa Rondônia. O conteúdo resume os principais pontos políticos, jurídicos e programáticos abordados na conversa.
O candidato relatou ainda uma conversa que teria mantido com Dilma antes da votação. Segundo ele, expôs à presidente a situação encontrada em Rondônia e afirmou que trabalharia para ajudá-la a vencer o processo, mas deixou claro que, caso não houvesse solução política, votaria de acordo com a manifestação dos eleitores. Gurgacz disse ter sido um dos últimos senadores a deixar o Palácio da Alvorada após aquela conversa e relatou que Dilma teria compreendido sua posição.
A divergência entre sua avaliação jurídica e seu voto político foi explicitada na entrevista. “Não houve crime de responsabilidade nenhum. Houve inadimplemento no Governo Federal, mas não houve crime”, afirmou. Acir associou essa conclusão à experiência que teve como relator das contas de Dilma na Comissão Mista de Orçamento e ao trabalho realizado com técnicos do Senado.
Segundo Gurgacz, a ausência de governabilidade acabou sendo determinante. “Naquele momento, o Brasil estava ingovernável. Toda a oposição e também grande parte da situação do governo da presidente Dilma já não queria mais ela no governo”, disse. O ex-senador afirmou que a permanência da presidente, naquele cenário, poderia produzir prejuízos maiores ao país e declarou estar “muito tranquilo” com a própria consciência porque, segundo ele, sua posição foi exposta publicamente.
Questionado anos depois se considera que Dilma foi injustiçada, respondeu que acredita que ela foi “mal interpretada” e apontou responsabilidade também para pessoas que estavam politicamente próximas da presidente. “Muitos amigos dela, supostos amigos dela, trabalharam pelo impeachment e contra a gente. Nós não conseguimos reverter”, declarou.
Outro dos trechos mais sensíveis da conversa tratou da situação judicial de Acir. Logo no começo do programa, ele classificou como doloroso o processo iniciado em 2018, quando disputava o Governo de Rondônia, e apresentou uma avaliação contundente sobre os efeitos eleitorais daquele episódio. “Se não fosse aquela interferência do Judiciário, nós estaríamos hoje no governo, entregando o governo este ano”, afirmou.
Gurgacz disse ter passado os anos seguintes buscando o reconhecimento de que não havia praticado irregularidades e afirmou que a questão tem importância que ultrapassa a possibilidade de disputar eleições. “Para mim, é importante não pela elegibilidade só. A elegibilidade é uma causa. Mas, pela minha história, pela minha biografia, é importante tirar isso da minha biografia. Uma condenação injusta”, declarou, mencionando inclusive a preocupação com a forma como netos e bisnetos poderão conhecer sua trajetória no futuro.
Na reta final, ao ser questionado sobre a possibilidade de adversários explorarem durante a campanha a acusação relacionada ao sistema financeiro nacional, Acir afirmou que o assunto não o incomoda. Segundo a interpretação apresentada por ele sobre as decisões recentes, não se trataria apenas de recuperação da elegibilidade, mas de mudança na situação do próprio processo. “Não me incomoda, até porque foi cancelada essa acusação. Exatamente isso que foi cancelado. Não foi a elegibilidade que voltou, o que foi é o cancelamento desse processo”, disse. Gurgacz voltou a sustentar que foi vítima de uma injustiça e reafirmou sua inocência.
O retorno tardio ao jogo eleitoral também foi abordado. Acir admitiu desvantagem em relação a adversários que começaram a pré-campanha anteriormente, mas comparou o início da campanha oficial a uma prorrogação no futebol, quando o placar volta a zero. “Não existe eleição fácil, não existe eleição ganha e também não existe eleição perdida. Só tem chance de ganhar quem é candidato”, declarou. Ao descrever como se sentia antes das decisões judiciais favoráveis, comparou a situação a um veículo cujo eixo dianteiro puxava para a frente enquanto o traseiro permanecia com o freio de mão acionado.
A articulação partidária para 2026 passou pela Caminhada Esperança. Perguntado sobre o destino do projeto que vinha reunindo diferentes legendas, Gurgacz respondeu: “Esse projeto ficou pelo caminho”. Na sequência, confirmou que a caminhada “foi interrompida” por uma questão partidária.
Acir apontou especificamente discordância com a forma como o PT conduziu sua candidatura. Segundo ele, os partidos envolvidos vinham pregando havia aproximadamente um ano que os nomes seriam definidos posteriormente, mediante diálogo conjunto, e a decisão petista não teria seguido o processo esperado pelo PDT. Ainda assim, declarou respeitar a autonomia da legenda. “O bom da democracia é exatamente isso: cada um pode escolher o que quer, pode escolher o seu candidato, pode escolher o seu caminho, o seu discurso, a sua proposta”, afirmou.
A relação com Confúcio Moura recebeu um bloco próprio. Gurgacz disse estar aliado ao ex-governador desde 2010 e afirmou que os dois mantiveram atuação conjunta durante 16 anos. Segundo Acir, chegou a dizer a Confúcio que não haveria dificuldade em ambos disputarem as duas vagas do Senado simultaneamente e pedirem votos um para o outro. O candidato afirmou que a desistência do emedebista ocorreu por questões pessoais e familiares, relacionadas à necessidade de permanecer mais próximo da esposa.
Ainda de acordo com Acir, Confúcio passou a apoiá-lo após desistir e pediu que o PDT construísse uma composição com o MDB. Gurgacz disse que seguia nesse caminho e tentava incluir o PSB na aliança. Também revelou ter feito convite para que um jovem citado durante a conversa ocupasse sua primeira suplência, embora a transcrição automática não permita estabelecer com segurança o nome mencionado naquele trecho.
Ao discutir ideologia, o candidato rejeitou uma classificação rígida. Questionado sobre direita, esquerda, Lula e Bolsonaro, respondeu: “Nessa questão de direita e esquerda, eu sou pra frente. Eu fico disputando se eu sou mais esquerda, se eu sou mais direita? Não quero tomar o espaço da esquerda, não quero tomar o espaço da direita. Eu quero seguir em frente”.
Acir lembrou que exerceu mandato durante governos de Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro e afirmou ter mantido bom relacionamento institucional com todos. “Uma ideia pode ser até do meu adversário. Essa ideia é boa, por que eu não vou apoiar? Se é para o bem do país, se é para o bem do meu estado, eu estou dentro”, declarou. Ele acrescentou que pretende pedir apoio a diferentes campos políticos porque não vê a sociedade apenas pela divisão entre lados ideológicos.
Na avaliação de Gurgacz, a eleição de 2026 deverá ser pautada principalmente pela credibilidade individual. Ele disse ter vivido períodos em que os partidos eram muito mais fortes e afirmou que, ao longo dos anos, as legendas perderam parte de sua identidade ideológica. Citou PDT e MDB como partidos que ainda preservam características próprias, mas avaliou que o eleitor tenderá a observar sobretudo quem são os candidatos.
Durante a pergunta sobre o cenário do Senado, Canova citou adversários com perfis distintos, entre eles nomes associados a discursos mais ideológicos e outros considerados menos vinculados à polarização. Em resposta, Acir concentrou-se no que pretende oferecer ao eleitor e apresentou como uma das prioridades a continuidade de trabalhos que afirma ter desenvolvido em Brasília.
A BR-364 apareceu como um dos principais compromissos. Gurgacz criticou o modelo vigente e declarou ser contrário à cobrança do pedágio sem duplicação. “Se eu estivesse lá no Senado, tenho certeza que não seria este modelo que está aí que seria aprovado e estaria hoje em vigor”, afirmou. Segundo a proposta apresentada, recursos do orçamento da União e emendas parlamentares poderiam ser usados para acelerar a duplicação em um período estimado por ele entre quatro e cinco anos e, simultaneamente, reduzir o preço do pedágio.
O Código Florestal também recebeu destaque. Acir considera que a reforma anterior solucionou problemas enfrentados por produtores, mas defende nova revisão para retirar o que chama de “amarras”. Disse querer permitir que produtores rurais tenham maior tranquilidade para produzir e comercializar e resumiu a credencial que apresenta para a proposta: “Eu vou fazer porque eu já fiz”.
Gurgacz também demonstrou preocupação com a reforma tributária, que, segundo ele, produzirá efeitos sobre estados, municípios, empresários e indústrias quando começar a ser aplicada. Afirmou que eventuais consequências negativas para Rondônia precisarão ser identificadas e corrigidas e defendeu que o tema seja tratado sem submissão à disputa ideológica.
A BR-319 completa o conjunto de prioridades. Acir afirmou que participou de ações no Senado para reabrir a estrada e viabilizar contrato de manutenção e apontou como objetivo atual o reasfaltamento completo da ligação entre Porto Velho e Manaus. Segundo ele, a manutenção permitiu que o tráfego não fosse interrompido durante o período de chuvas de 2026.
O candidato relacionou a rodovia diretamente à economia de Rondônia. Citou Porto Velho, Ariquemes, Itapuã, Candeias e Nova Mamoré ao defender que produtos hortifrutigranjeiros possam chegar rapidamente ao mercado de Manaus. Na comparação apresentada por ele, o transporte rodoviário permitiria que um caminhão saísse de Rondônia à tarde e chegasse aos mercados amazonenses na manhã seguinte, em vez da viagem prolongada de balsa.
Quando perguntado sobre a eleição presidencial, Gurgacz não anunciou apoio a um nome. Disse que PDT, MDB e PSB ainda estavam discutindo alianças estaduais e, sobre a Presidência da República, afirmou que continuaria acompanhando e debatendo a disputa para observar qual candidato estaria apto a representar o país.
Já sobre os passos imediatos de sua própria campanha, disse que pretende percorrer o estado. Acir ressaltou que, até 16 de agosto, não poderia pedir votos nem realizar propaganda eleitoral e anunciou para a mesma data um encontro em Ji-Paraná destinado ao lançamento oficial de sua candidatura. Até lá, afirmou que continuaria o trabalho de pré-campanha e disse estar satisfeito com as manifestações de apoio recebidas após sua volta à disputa.
A entrevista também percorreu a trajetória pessoal. Acir contou que o pai conheceu Rondônia em 1972 e decidiu investir no estado. Ele próprio esteve na região pela primeira vez em 1976, aos 14 anos, e passou a morar definitivamente em Rondônia em 1982. Dois anos depois, voltou para buscar a então namorada, casou-se e retornou com a esposa.
Segundo Gurgacz, sua entrada na política ocorreu “totalmente sem querer”. Em Ji-Paraná, participou com CDL, Associação Comercial, Associação Rural e outros representantes da sociedade organizada de um movimento chamado “Acorda Ji-Paraná”, criado diante de problemas que identificavam na administração municipal. O grupo começou a discutir possíveis candidatos e, ao final, seu nome foi lançado à Prefeitura.
Acir relatou ainda que adversários questionaram sua candidatura judicialmente e que permaneceu impedido de concorrer até três dias antes da eleição, quando recebeu autorização para participar do pleito. Disse ter vencido uma disputa em que foi mencionado no programa percentual superior a 70% dos votos. Ao recordar sua administração, afirmou que cinco das sete secretarias eram comandadas por mulheres e que constituiu um conselho com representantes de entidades empresariais, rurais e religiosas para participar da gestão.
Ao comparar a iniciativa privada com o poder público, Gurgacz afirmou que empresários deveriam conhecer melhor as limitações da gestão estatal. Disse que costuma incentivar empresários a participarem da política, ainda que não sejam candidatos, para que contribuam com propostas e deixem de apenas reclamar do que consideram errado. Também afirmou que as campanhas e o contato direto com bairros e municípios fizeram com que conhecesse uma realidade social que não enxergava da mesma maneira quando estava exclusivamente nas empresas.
Questionado sobre sua principal contribuição durante os quase 14 anos no Senado, escolheu a reforma do Código Florestal. Segundo Acir, produtores que haviam desmatado dentro das regras existentes à época passaram depois a enfrentar multas e insegurança jurídica com mudanças na legislação. Ele sustentou que a reforma ajudou a regularizar esses agricultores e lhes permitiu voltar a acessar programas públicos e crédito.
Gurgacz relacionou essa segurança jurídica ao crescimento da produção de carne, gado e grãos e afirmou ter levado mais de R$ 1,5 bilhão em recursos a Rondônia durante seus mandatos, estimando valor próximo a R$ 5 bilhões quando corrigido. Também destacou ter sido duas vezes presidente e duas vezes vice-presidente da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária, período que, segundo ele, representou oito anos na direção do colegiado.
O candidato afirmou que sua atuação era baseada na interlocução com a sociedade organizada. Citou prefeitos, vereadores, associações comerciais, CDL, associações rurais e sindicatos como canais usados para conhecer demandas de municípios e setores produtivos. Para ele, um parlamentar em Brasília não consegue identificar sozinho o que necessita um agricultor familiar em Candeias ou um comerciante em outro município e precisa manter contato direto com essas representações.
Na apresentação final, Acir afirmou ter 64 anos, ter nascido em Cascavel e morar definitivamente em Rondônia desde 1982. Disse ser empresário e empreendedor, recordou os mandatos de prefeito e senador e declarou que deseja voltar à vida pública para continuar destinando recursos aos 52 municípios. Acrescentou que pretende fazê-lo “sem desvio de verba”, “sem retorno” e sem indicação de empresa para executar obras, práticas que classificou como um desfavor à sociedade brasileira.
Gurgacz encerrou defendendo um projeto de industrialização de Rondônia. Segundo ele, o estado precisa processar localmente aquilo que produz no campo, aumentar a geração de emprego e construir uma estratégia conjunta entre governo estadual e Governo Federal, independentemente de quem ocupe os dois cargos. “Nós precisamos industrializar o estado de Rondônia. Precisamos industrializar aqui o que produzimos no campo. Esta é a nossa vocação”, afirmou.
DEZ FRASES DE ACIR GURGACZ AO RD ENTREVISTA
01) “Não houve crime de responsabilidade nenhum. Houve inadimplemento no Governo Federal, mas não houve crime.”
Acir fez a declaração ao explicar por que, embora tenha votado pelo impeachment de Dilma Rousseff, sustentava avaliação diferente sobre a existência do crime atribuído à então presidente.
02) “Eu fiz aquilo que a população do meu estado pediu.”
A frase foi usada ao justificar o voto favorável ao afastamento e apresentar a posição que disse ter encontrado entre eleitores de Rondônia.
03) “82% da população do meu estado exigia que eu votasse a favor do impeachment.”
Gurgacz citou esse percentual ao relatar o levantamento que afirmou ter realizado durante viagens pelo estado antes da votação.
04) “Eu fico muito tranquilo com a minha consciência.”
A declaração surgiu após o candidato detalhar a análise que fez das contas de Dilma e a participação dos técnicos do Senado na avaliação.
05) “Eu acho que ela foi mal interpretada.”
Acir respondeu dessa forma quando questionado diretamente sobre a possibilidade de Dilma ter sido injustiçada.
06) “Eu sou pra frente.”
A frase sintetizou a resposta de Gurgacz ao ser provocado sobre sua localização entre direita e esquerda.
07) “Eu não entro nessa pilha de direita e esquerda. Eu quero é trabalhar pelo meu estado.”
O candidato utilizou a declaração para defender uma postura que define como pragmática.
08) “Esse projeto ficou pelo caminho.”
Gurgacz respondeu assim à pergunta sobre o destino da Caminhada Esperança.
09) “Nós não aceitamos cobrança de pedágio sem a duplicação da BR-364.”
A afirmação apareceu quando Acir apresentou as pautas que pretende defender caso retorne ao Senado.
10) “Eu vou fazer porque eu já fiz.”
Gurgacz usou a frase ao defender experiência para promover novas alterações relacionadas ao Código Florestal e a outras matérias legislativas.
AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO)
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