Coluna analisa a matemática eleitoral, estratégias para transformar território e apoio em votos na reta final e a passagem de Augusto Cury por Rondônia com reforço a nomes do Avante
Prof. Me. Herbert Lins – MTE 1143
A eleição é uma conta: território, votos, partidos e a matemática por trás do poder
CARO LEITOR, matemática do poder é o nome que o marketing político e eleitoral dá ao cálculo frio de como o voto vira cadeira e como a cadeira, depois de conquistada, vira poder real. Não é simplesmente uma conta de popularidade. É estratégia, território, partido e eficiência eleitoral. A pergunta central não é apenas “quantos votos eu tenho?”, mas três outras: quantos votos preciso, de fato, para conquistar a vaga? Onde esses votos podem ser conquistados com maior eficiência? E, principalmente, como a minha votação ajuda ou atrapalha os demais candidatos da minha chapa? No Brasil, essa matemática muda conforme o cargo, porque convivemos com dois sistemas eleitorais. No majoritário, utilizado para presidente, governador e senador, a lógica é vencer a disputa dentro da circunscrição eleitoral. No proporcional, usado para deputados, a votação do candidato se soma à do partido ou da federação para definir a quantidade de cadeiras conquistadas. É aí que entra a matemática partidária do poder.
Territorialização
No majoritário, a matemática passa pela territorialização: onde estão os votos, quem controla os territórios, quais alianças ampliam a presença e como transformar apoios regionais em uma votação estadual competitiva. É uma eleição de geografia política, alianças e concentração de força.
Distribuição
No proporcional, a conta é outra: soma, distribuição e eficiência. Não basta ser popular em determinado território; é preciso transformar essa força local em votos suficientes para ajudar a legenda ou federação a conquistar cadeiras e, depois, estar entre os candidatos mais votados dentro dela.
Conversão
No fim das contas, eleição não é concurso de popularidade. É conversão de voto em mandato. E quem entende a matemática do poder antes de entrar em campo sabe que, na política, não basta perguntar quem tem votos. É preciso descobrir onde eles estão, quanto custam politicamente e o que esses votos são capazes de produzir depois da urna.
Chão
Chegamos à reta final, e faltam apenas nove dias para a eleição. Reservei a coluna de hoje para uma receita simples de reta final para quem deseja se eleger deputado estadual. Tal disputa é a mais de chão que existe depois de vereador.
Amarrados
Em Rondônia, são 24 cadeiras. Em 2022, o quociente eleitoral ficou em torno de 35 mil votos. Isso quer dizer que ninguém precisa de 35 mil votos no nome. Quem faz entre 8 mil e 14 mil, bem amarrados, e está em um partido ou federação competitiva, pode entrar. Por isso, a reta final de estadual não é para crescer, mas para não deixar seu voto fugir.
Cidade-mãe
É assim que se fecha: sua matemática tem que estar no muro da sua casa. Esqueça o estado todo. Responda agora: qual é sua cidade-mãe? Você tem que ser o mais votado nela. Se você é de Vilhena, Cacoal, Jaru ou Ariquemes, tem que tirar de 3 mil a 5 mil votos só ali. Se for de Porto Velho, tem que fazer 7 mil votos.
Oba-oba
Quantos votos já estão amarrados? Um candidato a estadual que não tem 150 apoiadores com uma lista de 50 nomes cada um não tem 7.500 votos. É conta simples. Se você não sabe de onde vêm seus 10 mil votos, está fazendo campanha de oba-oba. Vai perder a eleição.
Valorizados
O que fazer nos últimos sete dias? Produza banners digitais com a foto conjunta com o vereador e líderes. Esses querem ser valorizados. Além disso, dê uma missão concreta para as lideranças que apoiam você: “Cuida da Zona Leste para mim, de sábado até domingo, às 17h”. Dê 100 adesivos de moto para ele, não santinhos.
Dobradinha
Dobre com seu federal, senador e governador: eles têm que falar seu número em vídeos para espalhar nas redes sociais. A dobradinha reforça o seu nome e vira voto na urna mediante a recomendação.
Arrastão
O que funciona nos últimos sete dias para estadual? Porta a porta de verdade. Nada de carreata. Carreata de estadual parece desespero. Faça arrastão a pé nos bairros. Presença gera lembrança no eleitor.
Colinha
Santinho ninguém guarda. Colinha de 10×7 cm, em papel duro, com seu número e os demais candidatos que você vai ajudar: o eleitor coloca no bolso e leva para a urna.
Promessa
Faça uma promessa só: estadual que fala de dez pautas não é lembrado. Escolha apenas uma: “Vou destinar emenda para…”, “Vou brigar pelo Hospital Regional de…” ou “Vou defender os produtores de…”. Repita isso até enjoar. Na reta final, repetição gera lembrança no eleitor.
Digital
Digital hiper local: R$ 50 por dia pode resolver. Você não precisa viralizar no estado. Impulsione apenas no seu CEP. No Instagram, faça três vídeos de 15 segundos gravados no bairro. Exemplo: “Estou aqui na Rua… no Marcos Freire, e o povo me pediu…”. Impulsione com raio de 3 km sobre esse bairro. Custo: R$ 20 por vídeo.
Status do WhatsApp dos apoiadores: mande dois vídeos por dia para eles postarem no Status. Vídeo de gente do bairro apoiando você, não arte feita no Canva.
Conversão
Áudio de 20 segundos seu: “Oi, é o [seu nome], 99.999 [número]. Sou daqui de [sua cidade] e preciso do seu voto para cuidar do nosso [bairro/posto]. Posso contar com você?”. Áudio seu tem mais força de conversão do que arte.
Legenda
Blindagem de legenda. Não deixe sua legenda morrer. Se seu partido tem três candidatos fortes, vocês precisam somar 40 mil votos juntos. Se um cai, todo mundo cai. Ajude a puxar voto de legenda no domingo.
Gato
Blindagem jurídica: fiscal na seção. Para estadual, um boletim de urna esquecido pode tirar sua vaga. Tenha fiscal com celular nas 20 seções onde você espera mais de 80 votos. Foto do BU até as 18h30. Aqui é o pulo do gato na eleição.
Pode
Nada de brinde. Na reta final, o TRE-RO está com equipe na rua. Camisa, boné, gasolina, dinheiro e cesta básica podem gerar problemas jurídicos. O que pode: adesivo, colinha, santinho e bandeira.
Força
O roteiro dos últimos três dias. Sexta-feira (3/10): até as 22h, pode tudo: último dia de comício e carro de som. Faça um encerramento lotado num bairro com grande quantidade de eleitores e ganhe visibilidade eleitoral mostrando força local.
Véspera
Sábado (4/10) – véspera: sem comício. É dia de visitar os bairros com apoiadores, conferir a lista e mandar a mensagem: “Posso contar amanhã com você amanhã?”. Pode fazer caminhada e entregar colinha até as 22h.
Domingo
Domingo – Dia D: seu eleitor de estadual é o que mais falta. Ele vota em senador e governador e esquece o resto. Às 7h, mensagem nos grupos: “Bom dia, hoje é 99.999”. Das 8h às 12h, seus apoiadores ligam para a lista. Pode levar eleitor para votar, mas sem pedir voto no carro e sem pagar nada.
Erro
Erro que derruba estadual na reta final: querer abraçar Rondônia toda nos últimos cinco dias e brigar com outro candidato a estadual do mesmo partido ou federação. Vocês precisam um do outro para fechar o quociente.
Invista
Gastar todo o dinheiro em Porto Velho, se sua base é no interior, é desperdício. Invista 70% do que você tem na sua base e 30% fora dela. Não esqueça: eleição se ganha fortalecendo os seus apoiadores. Não os deixe fragilizados na reta final.
Sorte
Na reta final, vencer não é sorte, é método. Quem tem estrutura organizada, base mobilizada e apoiadores orientados transforma voto em ação, garantindo presença nas ruas, nas redes e na urna no dia decisivo, com disciplina e estratégia total.
Desembarcou
O presidenciável Augusto Cury (Avante) desembarcou ontem (25) em Porto Velho, acompanhado do presidente nacional do partido, deputado federal Luis Tibé (Avante-MG). A agenda teve recepção e mobilização política na capital.
Reuniu
Cury e Luis Tibé foram recepcionados pelo vereador Dr. Breno Mendes (Avante) e pelo ex-deputado estadual Jair Montes (Avante), presidente estadual da legenda. A agenda reuniu apoiadores de Breno Mendes e do candidato a deputado federal Jair Montes Júnior (Avante).
Reforçou
Do Aeroporto Jorge Teixeira, Cury seguiu em carreata até a Avenida Santos Dumont, onde realizou comício. Na ocasião, reforçou os nomes de Breno Mendes, para estadual, e Jair Montes Júnior, para federal.
Expôs
A passagem de Augusto Cury por Porto Velho, porém, foi marcada pela ausência dos demais candidatos a deputado federal e estadual do Avante. O palanque expôs uma legenda ainda distante de uma mobilização unificada.
Sério
Falando sério, na reta final, a eleição deixa de ser discurso e vira matemática: cada voto tem endereço, cada apoio precisa produzir resultado e cada erro custa caro. No fim, a urna não premia barulho, mas quem soube transformar estratégia, território e mobilização em voto.
Com informações de: Herbert Lins

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AUTOR: HERBERT LINS





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