Informa Rondônia
PAISAGISMO URBANO

Pocket Park em Porto Velho terá cobertura inspirada em paneiros amazônicos

Pocket Park em Porto Velho terá cobertura inspirada em paneiros amazônicos
Pronto
0%Atalhos: Espaço (play/pausa), S (parar), ←/→ (volta/avança)
🛠️ Acessibilidade:

Estrutura de 58 metros quadrados é confeccionada por servidores da Sesb com fibra sintética reciclada e integra projeto de qualificação de espaços públicos

Por Yan Simon - terça-feira, 11/08/2026 - 09h28

Informa Rondônia Compartilhe esta reportagem
0 ações
Link copiado.

Porto Velho, RO – A construção do Pocket Park na Avenida Calama, ao lado do Instituto Federal de Rondônia (IFRO), entrou na fase final com a instalação de elementos que unem conforto urbano e referências da cultura amazônica. Entre os destaques está uma cobertura de 58 metros quadrados formada por peças trançadas por servidores da Secretaria Executiva de Serviços Básicos (Sesb).

O espaço está sendo preparado para receber bancos, paisagismo, vasos, iluminação, áreas permeáveis e locais protegidos da incidência direta do sol. A proposta é criar uma área destinada ao descanso, à convivência e à circulação de pedestres em um trecho que, segundo a Prefeitura de Porto Velho, permaneceu por décadas sem utilização adequada.

Para a cobertura, o projeto arquitetônico adotou como referência os tradicionais paneiros de palha encontrados na Amazônia. Em vez da matéria-prima natural, porém, foram utilizadas fitas de fibra sintética produzidas com material reciclado. A escolha busca ampliar a resistência das peças à exposição ao sol e à chuva, mantendo o padrão visual do trançado regional.

A produção está sendo realizada por servidores da Sesb que possuem experiência com atividades artesanais. O trabalho também incorpora conhecimentos transmitidos entre gerações.

Há 26 anos no serviço público e ocupante do cargo de gari, Raimunda Nogueira aprendeu a técnica de trançado ainda durante a infância com o pai, que trabalhava em sítio e produzia peneiras e outros utensílios utilizados na fabricação de farinha. Na secretaria, ela contou com a colaboração de outro servidor para aperfeiçoar a técnica empregada no projeto.

Raimunda afirmou que se dedica para que o trabalho seja executado com qualidade e destacou que a atividade também está relacionada ao sustento da família. “Aprendi com meu pai a trançar dessa forma”, relatou.

Outro integrante da confecção é Adilson José Salgueiro Silva, gari e servidor há 24 anos. Ele participou do desenvolvimento da solução utilizada pela secretaria e explicou que já possuía conhecimentos básicos sobre o trabalho manual. Segundo Adilson, a experiência foi ampliada por meio da observação e da participação na elaboração da proposta. “Quando o projeto surgiu na secretaria, colaborei com a ideia e deu certo”, afirmou.

Um dos autores do projeto, o arquiteto e urbanista Alecsander de Souza, assessor executivo da Sesb, explicou que a adoção do paneiro como referência surgiu da intenção de aproximar a arquitetura das características culturais do território.

De acordo com ele, o objetivo não foi apenas reproduzir um símbolo regional, mas adaptar o elemento para uma nova função dentro do espaço público. “A arquitetura precisa dialogar com o lugar onde está inserida”, afirmou.

O arquiteto também destacou que o desenho do trançado permite a formação de diferentes áreas de luz e sombra ao longo do dia. A solução reduz a incidência solar sobre o espaço e deve contribuir para o conforto dos usuários.

Segundo Alecsander, a substituição da palha pela fibra sintética possibilita maior resistência às condições climáticas, ao mesmo tempo em que mantém a referência visual ao artesanato amazônico. Para ele, a combinação entre identidade cultural, técnica e funcionalidade pode ampliar a relação dos moradores com os espaços urbanos.

O Pocket Park integra a política municipal de recuperação e qualificação de áreas públicas e deverá servir como projeto-piloto para futuras intervenções em outros pontos de Porto Velho.

O prefeito Léo Moraes informou que a iniciativa foi desenvolvida pela equipe técnica de arquitetura e paisagismo da Sesb e se soma a outras ações realizadas em praças e espaços públicos da capital. “É um projeto-piloto para novos espaços públicos”, declarou.

Com informações de: Prefeitura de Porto Velho

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)





COMENTÁRIOS: