Candidato da Missão ao Senado propõe reduzir o país a menos de 2 mil municípios, tornar gestores inelegíveis por descumprimento de metas e reformular as regras penais brasileiras
Porto Velho, RO – A permanência de municípios incapazes de financiar a própria estrutura, os gastos de prefeituras com shows e a falta de metas obrigatórias para gestores públicos foram os pontos de partida utilizados pelo Engenheiro Thulio para defender uma reorganização administrativa do país. Candidato ao Senado Federal pela Missão, Thulio Santiago Castro afirmou no RD Entrevista que cidades sem autonomia financeira deveriam ser fundidas e mencionou diretamente Guajará-Mirim ao explicar a proposta.
Entrevistado pelo jornalista Vinícius Canova, Thulio dividiu os municípios brasileiros entre aqueles capazes de se sustentar e os que dependem de transferências da União para continuar funcionando. Ao tratar de Guajará-Mirim, reconheceu a importância histórica da cidade, mas criticou as condições urbanas, a precariedade da infraestrutura e a realização de eventos custeados pelo poder público.
“Guajará-Mirim, por mais que tenha um peso histórico imenso, que seja uma cidade que já foi considerada inclusive uma das mais bonitas, se não a mais bonita do estado de Rondônia, hoje é considerada uma vergonha para o nosso estado. Você anda, as ruas são feias, a cidade é suja e a infraestrutura está precária”, declarou.
O candidato relacionou os problemas administrativos à baixa arrecadação, à situação da fronteira e à atuação do crime organizado. Em seguida, afirmou que a cidade precisaria reorganizar suas contas e serviços para evitar uma eventual fusão. Segundo ele, a medida atingiria a estrutura político-administrativa, e não a existência física da cidade ou a permanência dos moradores.
“Ou Guajará-Mirim toma jeito e se reestrutura, ou a gente vai ter que fazer a fusão de um município com o outro. Fazer fusão não quer dizer que eu vou passar um trator por cima e derrubar todo mundo. Não é isso”, explicou.
Thulio sustentou que o custo de prefeitos, secretários, vereadores, assessores e procuradorias precisa ser comparado à capacidade de cada município de oferecer serviços e gerar receitas. A partir dessa avaliação, defendeu um programa nacional de fusões para reduzir a menos de 2 mil o número de municípios brasileiros.
“O estudo que nós fizemos dentro do Livro Amarelo mostra que, de imediato, temos que diminuir para menos de 2 mil municípios, porque, senão, o Brasil não aguenta”, afirmou. Durante a exposição, ele admitiu não se recordar com precisão do total de cidades existentes no país.
O projeto de Thulio para refazer o Estado
Quatro referências que organizam as propostas
Cidades sem autonomia financeira entrariam em processo de fusão
Guajará-Mirim
Buritis
Serviços antes de shows
“Ou Guajará-Mirim toma jeito e se reestrutura, ou a gente vai ter que fazer a fusão de um município com o outro.”
Metas públicas com efeito eleitoral para quem não entregar
Parâmetros no Congresso
Metas para gestores
Inelegibilidade
“A meta é essa. Se você não atender, vai se ferrar.”
Uma nova Constituição e outro sistema penal
Constituição
- Revisão da quantidade de temas disciplinados pela Carta
- Mudança nas regras que dificultam alterações constitucionais
- Reformulação das garantias que ele classifica como direitos apenas nominais
“A Constituição de 1988 fracassou miseravelmente.”
Código Penal
- Redução da maioridade penal para crimes hediondos
- Penas mais longas
- Prisão perpétua
- Pena de morte
“Prende por muito tempo ou vai para o colo do capeta.”
Três ministros foram colocados diretamente na mira
“Esses caras são políticos de toga. Eles não são juízes e não defendem a Constituição. Então, vamos ter que começar por eles.”
Missão se apresenta contra PT, bolsonarismo e Centrão
PT e Lula
Flávio Bolsonaro
Centrão
Dez frases que concentraram os embates
Da Física ao paisagismo e à candidatura ao Senado
Um projeto de duas ou três décadas
O candidato também atacou a destinação de recursos para festas e apresentações artísticas em municípios que ainda enfrentam dificuldades em áreas essenciais. Guajará-Mirim e Buritis foram citados por ele como exemplos ao questionar o uso de emendas e verbas municipais em eventos enquanto faltam investimentos em saneamento, saúde e segurança.
“Eles pegam e gastam milhões em shows populistas, inclusive em ano eleitoral, para ludibriar as pessoas e fazer com que elas esqueçam os verdadeiros problemas que Guajará-Mirim tem”, declarou.
Ao mencionar Buritis, Thulio afirmou que a cidade apresentaria baixa cobertura de água e esgoto e contrapôs essa situação aos gastos com a Expobur. O candidato não defendeu o encerramento de todos os eventos, mas sustentou que os investimentos deveriam obedecer a prioridades e resultados objetivos.
A resposta apresentada para essa situação foi a chamada Lei de Responsabilidade Gerencial, incluída entre as propostas nacionais da Missão. O projeto estabeleceria indicadores a serem alcançados por prefeitos e governadores. Quem deixasse o cargo sem entregar as metas poderia ficar inelegível, conforme a formulação apresentada na entrevista.
“Vamos estabelecer, através do Congresso Nacional, parâmetros objetivos para que gestores, como governadores e prefeitos, possam atender. A meta é essa. Se você não atender, vai se ferrar”, afirmou Thulio.
Para o candidato, a ausência de cobrança por desempenho permite que administradores ampliem a máquina pública, empreguem pessoas próximas e utilizem despesas populares para preservar apoio eleitoral. Ele classificou esse comportamento como uma forma de compra de votos e disse que pretende combatê-lo por meio de regras nacionais.
A reorganização do Estado também apareceu na defesa de uma redução de despesas federais. Thulio afirmou que o país corre risco de enfrentar dificuldades até para pagar gastos obrigatórios e disse que a Missão trabalha com uma proposta de enxugamento da máquina pública. O candidato mencionou Kim Kataguiri como possível responsável pela condução desse processo num eventual governo de Renan Santos.
Segundo Thulio, o vencedor da eleição presidencial encontrará um país com pouca capacidade de investir em pontes, estradas, saúde e outros serviços. Ele apresentou esse diagnóstico como justificativa para reformas fiscais, administrativas e constitucionais.
A mudança da Constituição de 1988 foi defendida como condição para a implantação de outras propostas da Missão. Thulio declarou que pretende assumir um papel constituinte caso seja eleito senador e atribuiu à estrutura constitucional parte dos problemas econômicos, sociais e institucionais brasileiros.
“A Constituição de 1988 fracassou miseravelmente. São quase 40 anos, e a prova disso é esse país que nós temos hoje: um país violento, fracassado, com a economia dilacerada, onde as pessoas têm o tal direito nominal”, afirmou.
O candidato argumentou que a previsão constitucional de direitos à saúde, à educação e à segurança não assegura que esses serviços sejam efetivamente oferecidos. Também criticou a quantidade de assuntos disciplinados pela Carta e a demora do processo necessário para modificar normas constitucionais.
A reforma defendida por Thulio alcançaria igualmente o Código Penal. Ele mencionou a origem do texto em 1940 e afirmou que as regras precisam ser atualizadas para acompanhar as mudanças ocorridas na sociedade. Entre as alterações propostas estão redução da maioridade penal para crimes hediondos, penas mais longas, prisão perpétua e pena de morte.
Questionado por Vinícius Canova sobre como o lema “prendeu ou matou” seria aplicado, o candidato recorreu ao episódio envolvendo adolescentes acusados de sequestrar, torturar e matar um motorista de aplicativo. Thulio argumentou que jovens envolvidos em crimes dessa gravidade sabem distinguir a violência praticada.
“Você acha que eles não têm capacidade de saber que aquilo que estavam fazendo era diabólico, era maligno? Qual é a pena justa para quem comete um crime tão bárbaro? Eu tenho duas opções muito objetivas: prende por muito tempo ou vai para o colo do capeta”, declarou.
As propostas de alteração institucional foram acompanhadas de ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal. Thulio citou Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli, acusou-os de agir como políticos e disse que pretende utilizar as atribuições do Senado para enfrentá-los. As declarações representam o posicionamento do candidato durante a entrevista.
“Esses caras são políticos de toga. Eles não são juízes e não defendem a Constituição. Então, vamos ter que começar por eles”, afirmou.
Thulio declarou que o Senado possui instrumentos para receber pedidos de impeachment de ministros do Supremo e disse querer ajudar um eventual governo de Renan Santos a construir as regras necessárias para modificar o país. Também acusou Flávio Bolsonaro de ter atuado, em 2019, contra a investigação de integrantes da Corte.
A relação entre a candidatura de Thulio e o projeto presidencial da Missão atravessou toda a entrevista. O engenheiro afirmou que entrou na eleição para disputar a vaga de forma competitiva, embora tenha reconhecido a diferença financeira em relação às campanhas apoiadas por grandes partidos e grupos políticos tradicionais.
“Eu vim para vencer e disputar de forma grande esse pleito eleitoral no estado. Entretanto, temos que ser adultos e entender que estamos diante de uma disputa em que eu saio distribuindo panfletos para conscientizar as pessoas no mano a mano, enquanto nossos concorrentes têm fundos milionários, beirando o bilionário, jatinho e apoio de oligarquias tradicionais”, disse.
O candidato negou que sua divulgação de Renan Santos represente idolatria. Segundo ele, o presidenciável aceitou uma missão política que inicialmente não desejava assumir, situação que comparou à própria decisão de concorrer ao Senado. Thulio descreveu a Missão como uma organização que pretende romper simultaneamente com o PT, o bolsonarismo e o chamado Centrão.
A oposição aos dois polos levou a entrevista ao cenário presidencial. Thulio afirmou que Lula é o adversário a ser vencido, mas considerou necessário superar primeiro a influência de Flávio Bolsonaro sobre a direita. Na avaliação dele, a candidatura do senador do PL não conseguiria derrotar o atual presidente num segundo turno.
“Para que a gente possa atingir o Lula, tem que tirar as pessoas da ilusão de que Flávio é a solução. Flávio é um problema, é um problemaço”, declarou.
O candidato criticou Jair Bolsonaro por ter perdido a eleição depois de chegar ao Palácio do Planalto num momento em que Lula estava preso e o PT enfrentava desgaste. Para Thulio, o ex-presidente foi responsável por permitir o retorno do partido ao comando do país.
As críticas a Flávio foram ainda mais agressivas. O entrevistado questionou o desempenho do senador em sabatinas, sua capacidade de sustentar posições e sua coragem para participar de debates. Também o acusou de permanecer na eleição para atender aos interesses do presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto.
Thulio afirmou que a Missão precisa disputar o eleitorado bolsonarista antes de enfrentar diretamente Lula. Segundo ele, atacar o PT seria fácil, enquanto desafiar uma força que se apresenta como direita exigiria maior coragem política.
A identidade do partido foi explicada por meio do Livro Amarelo. Conforme o candidato, o documento reúne propostas de longo prazo em áreas que vão de saneamento a desenvolvimento tecnológico e corrida espacial. O objetivo seria transformar o Brasil em uma das cinco maiores nações do mundo dentro de duas ou três décadas.
Thulio também relatou sua formação profissional. Disse ter vivido dez anos em João Pessoa, iniciado o curso de Física na Universidade Federal da Paraíba e retornado a Rondônia depois que a mãe morreu de câncer. No estado, concluiu Engenharia Florestal e trabalhou com extensão rural e assistência técnica em comunidades ribeirinhas do Baixo Madeira.
O engenheiro afirmou que morou por um ano em Nazaré e, posteriormente, passou a trabalhar com a família no comércio de plantas. Em 2014, abriu o próprio escritório de paisagismo e continuou atuando na Engenharia Florestal e como perito ambiental.
A relação entre a profissão e a política foi descrita por ele a partir da ideia de transformação. Thulio disse que o paisagismo permite modificar ambientes e que a vontade de levar esse impulso para a realidade política contribuiu para sua candidatura.
Ao explicar sua presença num partido de direita, o entrevistado afirmou que a atividade profissional de cada filiado seria menos importante do que os valores compartilhados. Ele apresentou a Missão como resultado da trajetória iniciada pelo MBL nas manifestações ocorridas a partir da década passada e associou o grupo ao impeachment de Dilma Rousseff.
O candidato citou honestidade, decência, combate à corrupção e rejeição ao fisiologismo como critérios internos. Também mencionou episódios envolvendo integrantes afastados do grupo para sustentar que a organização procura aplicar esses princípios na prática.
No encerramento, Thulio afirmou que a eleição definirá não apenas o presente, mas também o futuro das próximas gerações. Disse que pretende representar Rondônia na construção das reformas defendidas pela Missão e rejeitou a ideia de que o estado deva continuar sendo tratado como colônia ou problema.
A entrevista foi exibida no RD Entrevista, podcast apresentado por Vinícius Canova e realizado no Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia. O programa é dirigido por Roberto Lamarão, também responsável pela pós-produção e motion.
DEZ FRASES DE ENGENHEIRO THULIO AO RD ENTREVISTA
01) “Flávio é um problema, é um problemaço. Por onde ele passa, ele deixa um rastro de bosta.”
A declaração foi feita quando Thulio explicou por que a Missão concentra parte de sua estratégia no confronto com Flávio Bolsonaro antes de disputar diretamente o eleitorado de Lula.
02) “Se você quer que o PT continue no poder, continue acompanhando Flávio.”
A frase apareceu ao final do bloco no qual o candidato sustentou que Flávio não teria condições de vencer Lula e representaria um obstáculo ao crescimento de Renan Santos.
03) “O Flávio é um homem fraco, corrupto, sem um pingo de moral.”
Thulio utilizou a afirmação ao criticar a capacidade política do candidato do PL, seu desempenho em entrevistas e a decisão de permanecer na disputa presidencial.
04) “Eu podia me omitir, me corromper ou ir para a guerra, e eu decidi ir para a guerra.”
A declaração foi apresentada ao explicar por que aceitou disputar o Senado e apoiar a candidatura presidencial de Renan Santos.
05) “Entendo que nós da Missão somos a última linha de defesa antes que o Brasil corra o risco de se tornar uma Venezuela.”
A frase foi pronunciada quando Thulio descreveu a disputa política como uma guerra contra o PT, o bolsonarismo e grupos tradicionais.
06) “Ou Guajará-Mirim toma jeito e se reestrutura, ou a gente vai ter que fazer a fusão de um município com o outro.”
A afirmação foi feita no bloco dedicado à autonomia financeira dos municípios e às críticas do candidato à infraestrutura e aos gastos públicos da cidade.
07) “Cabide de emprego, corrupção, gastança, orgia com dinheiro público: é essa porra que está acontecendo e que está acabando com o nosso país.”
Thulio pronunciou a frase ao defender a redução do número de municípios e criticar estruturas administrativas de cidades pequenas.
08) “Nós propomos até a perda da possibilidade de se eleger novamente, torná-lo inelegível.”
A declaração surgiu durante a apresentação da Lei de Responsabilidade Gerencial, que estabeleceria metas para prefeitos e governadores.
09) “Prende por muito tempo ou vai para o colo do capeta, vai sentar no colo de Satanás. Esse é o nosso projeto.”
A frase foi usada na defesa de prisão por períodos maiores e pena de morte para autores de crimes considerados bárbaros.
10) “Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli são os meus três porquinhos, e eu estou caçando eles.”
Thulio fez a declaração na parte final da entrevista, ao dizer que pretende atuar no Senado contra ministros do Supremo Tribunal Federal.
AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO)
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