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Bruno Scheid nega áudio com fala racista, atribui gravação à inteligência artificial e aciona Justiça Eleitoral

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Candidato ao Senado diz que voz foi falsificada e cobra responsabilização; Sílvia Cristina procura Polícia Federal, afirma ser vítima de ataque racial e evita atribuir autoria antes da investigação

Por Yan Simon - quinta-feira, 01/10/2026 - 13h13

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Porto Velho, RO – O candidato ao Senado Bruno Scheid negou ter feito a declaração racista atribuída a ele em um áudio que começou a circular nas redes sociais na reta final da campanha eleitoral. Scheid afirmou que sua voz foi falsificada por meio de inteligência artificial e anunciou que buscará na Justiça a identificação e responsabilização de quem produziu e disseminou o material.

“Chega, já deu. Acabei de assistir um vídeo atribuído a mim criado com inteligência artificial”, afirmou. Scheid disse que jamais pronunciaria a manifestação reproduzida na gravação e classificou a situação como uma tentativa de associá-lo a uma fala racista.

“Eu jamais falaria qualquer coisa semelhante ao que acabei de ver. É tão baixo e tão criminoso que eu não consigo pensar como alguém consegue criar tal coisa para fazer ou para tentar me atribuir uma fala que eu jamais, jamais seria capaz de fazer”, declarou.

O candidato afirmou ainda que pretende buscar judicialmente os responsáveis pela produção e circulação do conteúdo. “Nós vamos atrás de quem criou esse vídeo, atrás de quem criou a minha voz por inteligência artificial. Nós estamos atrás de cada um de vocês”, disse.

A reação foi acompanhada de uma representação apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia. A defesa de Scheid é conduzida pelos advogados Luiz Felipe da Silva Andrade e Richard Campanari, do escritório Campanari, Gerhardt & Silva Andrade Advogados Associados.

A ação sustenta que a gravação teria sido produzida ou manipulada artificialmente e apresentou resultados de diferentes ferramentas automatizadas de detecção de voz sintética. Os próprios advogados registraram que essas análises são elementos indiciários e não equivalem a uma perícia conclusiva.

O juiz auxiliar Rinaldo Forti considerou que os testes apresentados, a negativa de Scheid e a ausência, até aquele momento, de informações claras sobre origem, data, interlocutor e arquivo original criam dúvida tecnicamente relevante sobre a autenticidade do material. O magistrado, entretanto, entendeu que ainda não havia segurança suficiente para determinar sua retirada imediata.

A decisão inverteu o ônus da prova e deu prazo de seis horas, contado da intimação, para que os responsáveis pela divulgação apresentem o arquivo original ou de melhor qualidade disponível, metadados, data e horário de recebimento, plataforma utilizada na transmissão e informações sobre eventuais edições, cortes, conversões, compressões ou tratamentos realizados.

O juízo também determinou a preservação de todos os registros relacionados ao áudio e ordenou que as plataformas mantenham arquivos audiovisuais, metadados de upload e dados de engajamento. O TRE-RO deverá ainda verificar a disponibilidade de instituição ou profissional capacitado para realizar perícia sobre autenticidade, manipulação ou geração sintética de voz.

A decisão deixou claro que a inversão do ônus da prova não significa que o áudio tenha sido declarado falso. Da mesma forma, sua permanência temporária no ar não representa reconhecimento de autenticidade. O pedido de remoção será novamente analisado depois que os elementos técnicos forem apresentados.

Sílvia Cristina procura Polícia Federal e cobra apuração

Sílvia Cristina, apontada como alvo da expressão racista existente no áudio, procurou a Polícia Federal para pedir investigação sobre o episódio. A candidata enfatizou que não estava indo à instituição para acusar Bruno Scheid, mas para pedir esclarecimento sobre a origem e os responsáveis pela gravação.

“Nunca cometi nenhum ilícito e não estou aqui para acusar ninguém. O que aconteceu foi um crime racial e todo crime tem que ser punido”, afirmou.

Sílvia também evitou antecipar uma conclusão sobre a autenticidade da voz. “Se ele foi cometido por inteligência artificial ou não, o crime de fato aconteceu e existe uma vítima que sou eu”, declarou.

A posição adotada pela candidata distingue a agressão racial contida no material da discussão sobre quem efetivamente produziu a gravação. Se a investigação concluir que a voz foi artificialmente fabricada, ficará aberta a possibilidade de que Scheid também tenha sido vítima da manipulação, enquanto Sílvia permanece como alvo da mensagem racista inserida no conteúdo.

“Confio plenamente nas autoridades policiais e é por isso que eu vim aqui para pedir providências e que os verdadeiros culpados sejam punidos no rigor da lei”, afirmou Sílvia antes de retornar às atividades de campanha.

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)





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