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TRATAMENTO CONTRA O TABAGISMO

Tratamento gratuito contra o tabagismo ajuda fumantes a abandonar cigarro em Porto Velho

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Rede municipal oferece acompanhamento profissional, grupos de apoio e medicamentos pelo SUS para pessoas que desejam superar a dependência da nicotina

Por Yan Simon - sexta-feira, 28/08/2026 - 10h33

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Porto Velho, RO – Moradores de Porto Velho que decidiram abandonar o cigarro podem recorrer gratuitamente à rede municipal de saúde para receber acompanhamento durante o processo. O atendimento inclui avaliação clínica, orientação profissional, encontros individuais ou em grupo e, quando existe indicação médica, medicamentos e recursos para reduzir os efeitos da abstinência.

O tratamento contra o tabagismo pode ser iniciado na unidade de saúde mais próxima da residência do paciente. Ao procurar o serviço e informar que pretende parar de fumar, o usuário passa por uma avaliação que considera o histórico de saúde, o consumo diário de cigarros e o nível de dependência da nicotina.

Entre as opções utilizadas estão adesivos de nicotina em diferentes dosagens e goma de nicotina. O acompanhamento dura, em média, três meses. Durante o primeiro mês, a frequência dos encontros é maior, podendo chegar a quatro sessões presenciais.

Nos grupos, os participantes relatam dificuldades, episódios de ansiedade, gatilhos para fumar, sintomas de abstinência e avanços obtidos ao longo do tratamento. A estratégia também permite que experiências semelhantes sejam compartilhadas entre pessoas que enfrentam a mesma dependência.

A médica Carla Ponzetto explica que os interessados são cadastrados e posteriormente chamados pelas equipes para participar das reuniões. O número de integrantes é limitado para permitir acompanhamento adequado. Segundo ela, a disposição do paciente para abandonar o cigarro é fundamental e a convivência entre os participantes funciona como estímulo durante o processo.

“Se ele conseguiu, eu também consigo”, exemplificou a médica ao explicar como o resultado alcançado por um integrante pode motivar os demais. Carla acrescentou que o tratamento segue as orientações do Ministério da Saúde e pode utilizar medicamentos, adesivos e goma de nicotina quando houver indicação.

Os resultados do atendimento já fazem parte da rotina de pacientes que passaram décadas convivendo com o cigarro. Um deles é o autônomo Mizael Gomes, de 52 anos, morador da região após a ponte do Rio Madeira. Ele começou a fumar aos 12 anos, ainda no Ceará, e chegou a consumir aproximadamente 80 cigarros por dia, quantidade equivalente a quatro carteiras.

Depois de procurar atendimento, Mizael começou a reduzir progressivamente o consumo. Passou das quatro carteiras diárias para uma carteira e meia e conseguiu abandonar completamente o cigarro na terceira semana de tratamento.

Ele contou que recebeu os medicamentos e seguiu as orientações da equipe de saúde. Após quase quatro décadas fumando, classificou a mudança como uma vitória, também comemorada pela esposa.

No bairro Escola de Polícia, a dona de casa Alzerina Piedade percorreu caminho semelhante. Ela consumia aproximadamente 20 cigarros por dia e já havia permanecido seis meses sem fumar antes de voltar ao hábito.

A nova tentativa começou quando acompanhou a mãe em uma consulta médica e conversou com Carla Ponzetto sobre a possibilidade de iniciar o tratamento. Alzerina aceitou participar e começou a reduzir o consumo na segunda semana. Após quase três semanas de acompanhamento, já acumulava cinco dias sem fumar.

Segundo ela, a medicação contribuiu para diminuir a ansiedade, mas a decisão pessoal também teve peso no processo. “Eu quero parar”, afirmou ao recordar a conversa que antecedeu o início do tratamento.

Outro paciente atendido pela rede é o autônomo Francisco Bacelar, morador do bairro Nossa Senhora das Graças. Antes de procurar ajuda, ele consumia cerca de 40 cigarros diariamente.

Francisco descobriu a existência do programa enquanto realizava exames de rotina. Depois de buscar informações sobre o atendimento, entrou em um grupo, recebeu os medicamentos prescritos e conseguiu deixar o cigarro após três semanas.

Com a interrupção do consumo, ele percebeu mudanças na respiração e no paladar. Francisco avalia que o acompanhamento profissional facilita o processo, embora considere a determinação pessoal indispensável.

A secretária municipal de Saúde, Sandra Cardoso, afirma que a rede está preparada para receber pessoas que desejam interromper o consumo de cigarro. O atendimento, segundo ela, procura respeitar as características e necessidades de cada paciente durante todas as etapas.

“Quem deseja parar de fumar não precisa enfrentar esse processo sozinho”, declarou.

A dependência de nicotina é classificada como uma doença crônica. O tabagismo está relacionado a diferentes tipos de câncer, com destaque para o câncer de pulmão, além de elevar os riscos de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), hipertensão, bronquite crônica, enfisema e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). A exposição à fumaça também pode atingir pessoas que convivem com fumantes.

Depois que o consumo é interrompido, mudanças no organismo começam a ocorrer de forma progressiva. Pressão arterial e pulsação tendem a retornar a níveis mais adequados, enquanto circulação e capacidade respiratória apresentam melhora ao longo do tempo. Os riscos relacionados ao tabagismo também diminuem no longo prazo.

Para o prefeito Léo Moraes, disponibilizar o atendimento na rede municipal amplia as ações preventivas relacionadas à saúde. Ele afirmou que cabe ao município garantir acolhimento e acompanhamento para quem decidiu abandonar o cigarro.

“Cada pessoa que decide parar de fumar está tomando uma decisão importante pela própria saúde e pela saúde de quem está ao seu redor”, afirmou.

As experiências de Mizael, Alzerina e Francisco ganham destaque às vésperas de 29 de agosto, Dia Nacional de Combate ao Fumo. Os casos mostram diferentes trajetórias de pessoas que buscaram atendimento depois de anos de dependência ou de tentativas anteriores de abandonar o cigarro.

Quem pretende iniciar o tratamento pode procurar uma unidade de saúde de Porto Velho e informar à equipe que deseja participar do atendimento contra o tabagismo. A partir da avaliação inicial, serão repassadas as orientações e definido o acompanhamento mais adequado para cada caso.

Com informações de: Prefeitura de Porto Velho

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)





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