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INVESTIGAÇÃO

Dino proíbe Mario Frias de deixar o país durante investigação sobre emendas parlamentares

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Deputado é alvo da Operação Make Up, que apura suspeitas de desvio de recursos públicos destinados por emendas para entidades ligadas à produção do filme Dark Horse

Por Yan Simon - sexta-feira, 11/09/2026 - 09h03

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Porto Velho, RO – Quarenta e nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos pela Polícia Federal em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal durante a Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10). A investigação busca esclarecer a destinação de recursos oriundos de emendas parlamentares e alcança, entre os investigados, o deputado federal Mario Frias (PL-SP).

No âmbito da apuração, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Frias não deixe o Brasil e fique impedido de manter contato com outros investigados. A produtora Karina Gama, responsável pelo filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, também figura entre os alvos. Outras 27 pessoas receberam a mesma restrição para viagens internacionais.

A proibição foi determinada na mesma decisão que autorizou a operação. Ao fundamentar a medida, Dino mencionou uma viagem internacional feita por Frias que, segundo o ministro, teria provocado atraso na prestação de informações consideradas relevantes para o andamento da investigação. Diante da situação, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, chegou a ser acionado para verificar a regularidade da viagem.

Na decisão, Dino também relacionou a medida ao risco de saída do país por pessoas submetidas a investigações criminais. “Não se pode ignorar, outrossim, que o cenário público nacional, lamentavelmente, deu provas recentes de que a evasão internacional é via cogitada por alguns parlamentares brasileiros ante a perspectiva da persecução penal”, escreveu o ministro.

A investigação conduzida sob relatoria de Dino teve origem em relatórios elaborados pela Controladoria-Geral da União (CGU). Os documentos apontaram possíveis irregularidades envolvendo R$ 2 milhões em emendas indicadas por Mario Frias para duas instituições registradas em nome de Karina Gama: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).

Parte dos recursos teria sido destinada a projetos sociais esportivos do ICB no município de Pirassununga, no interior de São Paulo. Conforme os levantamentos da CGU, porém, não ficou comprovado que as atividades foram efetivamente realizadas de acordo com a finalidade prevista.

A Polícia Federal identificou indícios de que recursos originalmente direcionados a esses projetos podem ter sido utilizados na produção do filme Dark Horse. A destinação do dinheiro e o caminho percorrido pelos valores estão entre os pontos analisados pelos investigadores.

As apurações também se estendem à movimentação financeira de diferentes CNPJs relacionados a Karina Gama. Segundo a PF, empresas e entidades vinculadas à produtora movimentaram dezenas de milhões de reais nos últimos anos, em valores considerados aparentemente incompatíveis com as respectivas atividades econômicas.

No pedido que resultou na autorização dos mandados, a Polícia Federal afirmou que os elementos reunidos até o momento indicam uma estrutura financeira e operacional destinada à circulação de recursos entre diferentes entidades.

A investigação apura possíveis crimes de fraude em procedimentos de contratação, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A PF também destacou a existência de movimentações financeiras de valores elevados e a utilização de várias pessoas jurídicas relacionadas entre si.

A assessoria de Mario Frias foi procurada pela Agência Brasil, mas não havia apresentado resposta até a publicação da reportagem original. Karina Gama também era procurada para manifestação.

Além do inquérito sob responsabilidade de Flávio Dino, outra investigação no STF analisa possíveis irregularidades relacionadas ao financiamento de Dark Horse. Esse procedimento está sob relatoria do ministro André Mendonça e envolve a apuração de um suposto repasse de R$ 61 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o projeto.

Segundo a investigação, o repasse teria ocorrido a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A apuração foi aberta após o portal The Intercept Brasil divulgar gravações nas quais o senador aparece solicitando recursos a Vorcaro.

Na ocasião em que se manifestou sobre o episódio, Flávio Bolsonaro não contestou a autenticidade das gravações, mas afirmou que não houve irregularidade no pedido.

Com informações de: Agência Brasil

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)





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