Candidato a deputado federal pelo Podemos relata adoecimentos entre antigos agentes de combate a endemias, critica atuação da bancada de Rondônia e aponta transposição e direitos do funcionalismo entre as prioridades para Brasília
Porto Velho, RO – A situação de antigos servidores públicos que trabalharam no combate a endemias em Rondônia levou um dos momentos mais duros da entrevista de Almir José, presidente do Sindsef e candidato a deputado federal pelo Podemos, ao podcast RD Entrevista. Ao jornalista Vinícius Canova, ele relatou as condições de trabalho de agentes que, segundo sua narrativa, mantiveram contato frequente com DDT sem proteção adequada e afirmou que parte desse grupo enfrenta atualmente doenças graves e dificuldades para conseguir assistência.
Almir disse ter vivido pessoalmente essa realidade e descreveu uma rotina em que trabalhadores responsáveis pelo controle de malária, dengue e febre amarela manipulavam inseticidas sem máscara, luvas ou vestimentas apropriadas. Segundo ele, as equipes permaneciam por dias em áreas rurais, em condições precárias, reutilizando uniformes e convivendo diretamente com os produtos empregados nas ações de combate aos vetores.
A candidatura que nasce do lado do servidor
Almir José do Sindsef apresenta uma agenda que começa nos trabalhadores expostos ao DDT, atravessa transposição e direitos funcionais e chega à BR-364, ao transporte aéreo e à qualidade dos serviços públicos.
DDT: o trabalho que deixou marcas décadas depois
Almir relatou a rotina de equipes que combatiam malária, dengue e febre amarela em áreas rurais. Segundo ele, o contato com inseticidas ocorria sem máscara, luvas ou vestimentas adequadas, enquanto os trabalhadores permaneciam dias em campo e reutilizavam uniformes.
O candidato afirmou que as informações disponíveis eram reduzidas e que superiores minimizavam os riscos. Contou ainda que o produto chegou a ser usado, a pedido de moradores, para combater piolhos em crianças. Nas visitas sindicais, disse ter encontrado servidores acamados, diagnósticos de câncer, mortes e famílias sem estrutura suficiente após a perda do trabalhador.
Máscara, luvas e vestimentas apropriadas não faziam parte da rotina descrita por Almir.
As consequências foram relacionadas por ele ao contato prolongado com os produtos.
O relato destaca trabalhadores sem plano de saúde e famílias afetadas pelo adoecimento.
PEC 101: mobilização, avanço na CCJ e um colegiado que não foi criado
Almir apresentou a proposta como uma das principais frentes de mobilização voltadas aos antigos agentes de combate a endemias. Segundo ele, houve avanço na Comissão de Constituição e Justiça, mas faltou a instalação da comissão especial necessária para a tramitação continuar.
Uma bancada para a economia — sem deixar o funcionalismo sem voz
A crítica à bancada não foi apresentada como oposição ao agronegócio ou ao empresariado. Almir defendeu uma representação capaz de conciliar os setores econômicos com as demandas dos servidores e disse que os apoios recebidos até aqui foram pontuais, sem articulação permanente.
Transposição e planos econômicos: duas frentes acumuladas
A experiência sindical apareceu como base para duas agendas técnicas que Almir pretende levar ao mandato: corrigir enquadramentos da transposição e continuar as disputas por diferenças atribuídas aos planos Bresser, Verão e Collor.
Almir afirmou que servidores foram enquadrados em níveis inferiores aos ocupados anteriormente, com perdas remuneratórias. Atribuiu parte das correções ao trabalho jurídico e sindical e defendeu a participação das entidades desde a construção das soluções legislativas.
Segundo ele, ações sobre as diferenças passaram por mudanças de competência entre a Justiça do Trabalho e a Justiça Federal. O sindicato permanece buscando decisões favoráveis aos grupos que considera prejudicados.
Ribeirinhos, campo, cidade e o usuário do serviço público
Ao ser confrontado sobre o risco de representar apenas a base sindical, Almir recorreu à própria origem. Disse ter vivido em comunidade ribeirinha, área rural e área urbana e afirmou conhecer dificuldades que não se encerram no funcionalismo.
ribeirinha
Ele citou dificuldades no transporte da produção e no deslocamento de moradores.
Serviços públicos no campo apareceram entre as experiências usadas para explicar sua candidatura.
Almir relacionou melhores condições de trabalho ao atendimento prestado à população, especialmente no SUS.
Voos caros, horários ruins e a cobrança na BR-364
As viagens frequentes a Brasília pela atividade sindical foram usadas para descrever poucas opções de voos, preços elevados e noites perdidas em deslocamentos. A mesma cobrança por acompanhamento antecipado foi aplicada ao pedágio da BR-364.
Almir relatou contato direto com horários considerados ruins, escassez de voos e tarifas elevadas nas viagens entre Rondônia e Brasília.
Questionou por que a reação política ganhou força apenas quando o processo já estava avançado e defendeu vigilância antes de as decisões estarem consolidadas.
Mandato com prazo político e agenda mais ampla
Almir citou Mauro Nazif e Eduardo Valverde como referências de atuação ligada à população e aos servidores. Ao mesmo tempo, disse não querer transformar a política em carreira permanente.
Ao retomar a transposição, Almir associou a conclusão do processo a uma possível redução das despesas estaduais com pessoal e defendeu que eventual economia seja direcionada aos serviços públicos. Também mencionou mães atípicas, feminicídio e estrutura para eventos em Porto Velho.
As dez declarações de Almir José
As falas aparecem abaixo na sequência numérica original, cada uma acompanhada do assunto em que foi pronunciada.
O candidato relatou ainda que o grau de informação disponível aos servidores naquele período era reduzido e afirmou que havia orientação de superiores no sentido de minimizar os riscos dos produtos utilizados. Na entrevista, contou que o inseticida chegou a ser usado, em algumas situações, a pedido de moradores, inclusive para combater piolhos em crianças.
Ao tratar das consequências que atribui à exposição prolongada, Almir mencionou servidores acamados, diagnósticos de câncer e mortes. Disse ter encontrado situações desse tipo durante visitas realizadas a municípios do Estado como dirigente sindical e afirmou que muitas famílias permanecem sem estrutura suficiente depois do falecimento do servidor. “A maioria está desprovida de planos de saúde, aguardando, como a gente fala, a morte chegar”, declarou.
A discussão levou à PEC 101, proposta que Almir apresentou como uma das principais frentes de mobilização relacionadas a esses trabalhadores. Segundo o candidato, a matéria avançou na Comissão de Constituição e Justiça depois de mobilizações, mas não chegou à etapa seguinte por falta da criação de uma comissão especial.
Almir afirmou que, durante a presidência de Arthur Lira na Câmara, houve cobrança para que o colegiado fosse instalado, sem avanço posterior. Ele relacionou a demora à dificuldade de servidores adoecidos obterem respostas e afirmou que pretende atuar diretamente na pauta se conquistar mandato de deputado federal.
A entrevista avançou então para a avaliação da atual representação de Rondônia em Brasília. Questionado por Vinícius Canova sobre o desempenho coletivo da bancada federal, Almir disse que houve participações pontuais de parlamentares em demandas específicas, mas fez uma avaliação crítica do conjunto quando o assunto são os interesses dos servidores.
“A bancada de Rondônia, nas pautas do servidor público, deixou muito a desejar. Não deram assistência para as pautas do servidor público”, afirmou. Ele citou apoios específicos recebidos em diferentes ocasiões, mas sustentou que não houve, em sua avaliação, uma articulação permanente capaz de acompanhar as reivindicações apresentadas pelo movimento sindical.
Almir afirmou que, no início da atual legislatura, procurou deputados para apresentar informações sobre a situação de antigos servidores que atuaram no combate às endemias. Segundo ele, houve manifestações iniciais de disposição para ajudar, mas o assunto perdeu força ao longo do mandato.
A candidatura à Câmara, de acordo com Almir, nasce justamente da intenção de criar uma articulação específica em torno dessas demandas. O presidente do Sindsef afirmou que servidores municipais, estaduais e federais representam um contingente que estima em cerca de 105 mil pessoas no Estado e argumentou que esse grupo precisa ter suas pautas consideradas pela representação política.
“Nós precisamos de uma bancada que olhe para o agro, que olhe para o empresário, que olhe para a melhoria do Estado, mas que não deixe esses 105 mil servidores sem voz e sem direito”, declarou. Para Almir, determinadas reivindicações não dependem apenas da existência de um direito formal, mas também da abertura de espaços políticos para que o tema avance dentro da administração e do Congresso.
A transposição dos servidores de Rondônia ocupou outra parte extensa da entrevista. Almir falou sobre a Emenda Constitucional 60 e afirmou que lacunas deixadas durante o processo teriam causado problemas de enquadramento e perdas remuneratórias a servidores que, conforme seu relato, foram classificados em níveis funcionais inferiores aos ocupados anteriormente.
Ele atribuiu ao trabalho jurídico e sindical parte das correções obtidas posteriormente e citou a PEC 47 como uma nova etapa desse processo. Para Almir, a participação dos sindicatos deveria ocorrer desde a construção das soluções legislativas, porque são as entidades que acompanham diretamente a situação funcional das categorias envolvidas.
“Os parlamentares querem resolver, fazer a transposição, o que é bacana, só que eles esquecem de convidar os sindicatos para participar de todo o processo”, afirmou ao tratar da elaboração das medidas.
O candidato também abordou disputas relativas aos planos econômicos Bresser, Verão e Collor. Segundo ele, ações envolvendo essas diferenças passaram por mudanças de competência entre a Justiça do Trabalho e a Justiça Federal, enquanto o sindicato continua buscando decisões favoráveis a grupos que, em sua avaliação, perderam direitos anteriormente reconhecidos.
A própria passagem de dirigente sindical para candidato foi colocada em discussão durante o programa. Vinícius perguntou como Almir poderia assegurar ao eleitor que um eventual mandato não seria dedicado exclusivamente aos filiados do Sindsef.
Almir respondeu recorrendo à própria origem. Disse ter vivido em comunidade ribeirinha, área rural e área urbana e afirmou conhecer dificuldades relacionadas ao transporte da produção, escolas do campo, postos de saúde e deslocamento de moradores. Para ele, a defesa do serviço público também se conecta diretamente à qualidade do atendimento prestado à população.
“Quando você melhora a condição de trabalho para aquele profissional, ele tem um atendimento melhor para o usuário do Sistema Único de Saúde”, afirmou. O candidato disse que pretende atuar tanto sobre direitos de trabalhadores quanto sobre problemas enfrentados pelas comunidades urbanas, rurais e ribeirinhas de Rondônia.
A posição ideológica também foi questionada. Diante da pergunta sobre se se considera de esquerda ou de direita, Almir recusou enquadrar sua atuação sindical em um dos dois campos.
“Eu me posiciono do lado do servidor público. Tive a oportunidade de ser presidente num governo de direita e agora estou tendo a oportunidade de presidir o sindicato num governo de esquerda”, declarou. Segundo ele, avanços obtidos pela categoria resultaram de mobilização e negociação, e o sindicato reúne servidores com posições políticas distintas.
Almir afirmou que pretende levar a mesma lógica para um eventual mandato. “Eu só aceitei esse desafio porque vou trabalhar para todos”, disse. Ao ser perguntado em quem pretende votar para presidente da República, respondeu que ainda não havia tomado uma decisão e que continuava avaliando o cenário.
Os problemas de transporte aéreo em Rondônia também foram abordados. O presidente do Sindsef afirmou que as viagens frequentes a Brasília, realizadas em razão da atividade sindical, o colocaram em contato direto com horários considerados ruins, noites perdidas em deslocamento, poucas opções de voos e preços elevados.
Na avaliação apresentada durante a entrevista, a bancada federal precisa dialogar de forma mais constante com a população e acompanhar as decisões que afetam o Estado antes que os problemas estejam consolidados.
Esse raciocínio foi estendido ao pedágio na BR-364. Almir questionou a reação tardia de agentes políticos à implantação da cobrança e perguntou por que o tema passou a receber maior atenção apenas quando o processo já estava avançado.
“Será que ninguém sabia que estávamos para colocar um pedágio aqui na nossa rodovia?”, questionou. Em seguida, disse que considera necessário acompanhar antecipadamente os processos que produzem efeitos sobre Rondônia. “Eu acho que precisamos estar atentos a tudo que vem para Rondônia.”
Na parte final do programa, Almir citou Mauro Nazif e Eduardo Valverde ao falar de referências políticas que, segundo ele, tiveram trabalhos ligados à população e aos servidores. Ao mesmo tempo, afirmou que não pretende transformar a atividade política em carreira permanente.
“Eu não quero me perpetuar na política. Estou pela necessidade. Tenho uma missão, só quero cumprir essa missão”, declarou. A missão, conforme apresentou, seria avançar sobre pautas que acompanha há anos no movimento sindical e, paralelamente, atuar em áreas como saúde, educação, segurança, cultura e esporte.
Almir também mencionou mães atípicas, feminicídio e estrutura para eventos em Porto Velho. Ao falar novamente sobre a transposição, associou a conclusão desse processo a uma possível redução das despesas estaduais com folha e defendeu que eventual economia pudesse ser direcionada a investimentos em serviços públicos.
No encerramento, o candidato recuperou ações realizadas durante sua gestão sindical. Citou a mobilização contra a medida provisória que, segundo ele, previa a extinção da Funasa, além de ações judiciais, reenquadramentos e demandas relativas a servidores e professores transpostos.
Almir afirmou que pretende transferir para um eventual mandato na Câmara a experiência acumulada no sindicato e disse que sua atuação teria como eixos a defesa de direitos, a correção do que considera injustiças funcionais e a melhoria dos serviços prestados à população.
O RD Entrevista é apresentado pelo jornalista Vinícius Canova e produzido nos estúdios do Rondônia Dinâmica em parceria com o Informa Rondônia. O programa é dirigido por Roberto Lamarão, também responsável pela pós-produção e motion. Comente esta Notícia
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
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