Histórico das pesquisas, embates no debate da Madeira-Mamoré, movimentações de alianças e novos apoios no Cone Sul atravessam a reta final da campanha
Prof. Herbert Lins – MTE 1143
O histórico das pesquisas em Rondônia recomenda cautela com certezas eleitorais
CARO LEITOR, historicamente, as pesquisas de intenção de voto para o Governo de Rondônia exigem cautela. Nas eleições de 2018, o Ibope apontava Expedito Júnior (PSDB) na liderança do primeiro turno, com 32%, enquanto Marcos Rocha (PSL) aparecia com apenas 4%; nas urnas, Expedito teve 31,59% e Rocha saltou para 23,99%, avançando ao segundo turno. No pleito eleitoral de 2022, a última pesquisa IPEC antes da votação indicava Marcos Rocha (União Brasil) com 40% dos votos válidos e Marcos Rogério (PL) com 25%; o resultado oficial foi 38,45% para Rocha e 37,05% para Rogério, uma diferença muito menor entre ambos os candidatos. A lição é objetiva: pesquisa fotografa um momento, não escreve o resultado. Em Rondônia, movimentos de última hora, voto silencioso e mudanças na reta final já mostraram que a urna pode contar uma história bem diferente da fotografia. Por isso, transformar pesquisa em certeza é trocar análise por aposta.
Previsão
Em 2016, pesquisas em Porto Velho apontavam o então prefeito Mauro Nazif (PSB) como nome praticamente certo no segundo turno. Mas a urna desmontou a previsão: ele ficou fora da disputa e o segundo turno reuniu Hildon Chaves (PSDB) e Léo Moraes (PTB), contrariando os levantamentos divulgados.
Implacável
A urna foi implacável: Hildon Chaves (PSDB) e Léo Moraes (PTB) chegaram ao segundo turno, enquanto Nazif (PSB) ficou pelo caminho. O episódio virou um lembrete incômodo: entre a pesquisa e a apuração, existe eleitor e ele não precisa seguir roteiro.
Decidiu
Em 2018, o Ibope colocou Confúcio Moura (MDB) com 34%, Fátima Cleide (PT) 25%, Valdir Raupp (MDB) 21% e Marcos Rogério (DEM) 11%. Jaime Bagattoli (PSL) tinha 3%. A pesquisa desenhava uma eleição; a urna decidiu diferente e contou outra história em Rondônia.
Diferente
Preste atenção, na véspera de 2018, o Ibope apontava Confúcio e Fátima como eleitos. Na urna, Marcos Rogério foi o mais votado, com 24,06%, e Confúcio ficou em segundo, com 17,06%. Bagattoli terminou em terceiro, com 15,70%. A urna decidiu diferente.
Resultado
Em 2022, o Ipec dava Mariana Carvalho (Republicanos) 36% e Jaime Bagattoli (PL) 7%. A urna virou o jogo: Bagattoli foi eleito com 35,80% dos votos válidos, enquanto Mariana teve 32,15%. Pesquisa é momento ou direcionamento, mas a urna é o resultado final.
Recado
Às campanhas, o recado é direto: pesquisa é fotografia, não sentença. Pode orientar estratégias, mas não decide eleição. Enquanto houver voto a conquistar, o jogo continua. Por isso, trabalho, estratégia e mobilização devem seguir até o fechamento das urnas.
Desafio
Com a campanha organizada e uma posição competitiva nas pesquisas, Silvia Cristina (PP) chega às últimas semanas com capital político para administrar o que construiu. Agora, o desafio é manter o ritmo, evitar erros e transformar apoio em voto até a urna.
Ironia I
Silvia Cristina (PP) pode protagonizar uma ironia eleitoral em Ji-Paraná: vencer nas urnas o ex-senador Acir Gurgacz (PDT), liderança que, durante anos, exerceu influência decisiva na política do município e no cenário estadual.
Ironia II
Há outra ironia no tabuleiro: Acir Gurgacz (PDT) poderá ser superado por Marcos Rogério (PL), político que também passou pelo seu campo de alianças. Agora, Marcos Rogério pode chegar onde Acir sempre quis: ao Palácio Rio Madeira.
Preço
Os últimos movimentos envolvendo o governador Coronel Marcos Rocha e o candidato Adailton Fúria, ambos do PSD, alimentaram sinais públicos de distanciamento em plena campanha. Em eleição, esse tipo de movimento pode gerar ruído, alimentar especulações e cobrar um preço político.
Rumor
Mais rumor do que fato comprovado, circula a versão de que o grupo político de Marcos Rocha (PSD) teria se aproximado da candidatura de Hildon Chaves (União). Se esse movimento existir, poderá alterar alianças, palanques e a distribuição de forças na reta final da disputa pelo Governo de Rondônia.
Cálculo
Há, porém, outro cálculo: se o eleitor interpretar a movimentação como a existência de mais de uma candidatura ligada ao governo — candidatos chapa-branca —, o efeito poderá ser diferente do esperado nas urnas. Em uma eleição ainda em disputa, a pulverização pode mexer no segundo turno e abrir espaço para mudanças no tabuleiro.
Debate
O debate promovido na sexta-feira (18) pelo Rondônia ao Vivo, de Paulo Andreoli, merece registro positivo. Superados os tropeços técnicos iniciais, o encontro ganhou ritmo e entregou o essencial: confronto de ideias, perguntas, respostas e liberdade para explicar.
Acertaram
Após a reinauguração, o complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré voltou a ser imponente. História, arquitetura e memória deram ao debate entre os candidatos a governador uma moldura única. Paulo Andreoli e equipe acertaram no cenário e no formato mais solto entre os candidatos no palco.
Baixaria
Entre os presentes, Marcos Rogério (PL), Adailton Fúria (PSD), Pedro Abib (MDB), Expedito Netto (PT) e Samuel Costa (PSB) mostraram estilos distintos. O debate expôs diferenças de discurso, propostas e estratégias, sem cair na baixaria.
Confronto
Fúria (PSD) não fugiu do confronto com Marcos Rogério (PL). Sempre que o sorteio permitiu, escolheu o candidato da direita para perguntar. A estratégia deixou evidente sua disposição de explorar a polarização e levar o adversário para o centro do debate.
Polarizar
Na tentativa de polarizar, Marcos Rogério (PL) e Adailton Fúria (PSD) trocaram farpas sobre operações policiais recentes que atingiram aliados. O embate elevou a temperatura e colocou as investigações no centro da disputa eleitoral.
Postura
Samuel Costa (PSB) manteve a conhecida disposição para provocar, com ironias pontuais, mas sem elevar demais a temperatura. Expedito Netto (PT) adotou postura propositiva, ampliando o leque de temas e propostas apresentados ao eleitor.
Clareza
Pedro Abib (MDB) também buscou apresentar propostas e ampliar o debate, mas seu discurso, por vezes, tornou-se excessivamente cadenciado e pouco dinâmico. Em um debate eleitoral, conteúdo precisa caminhar junto com clareza, ritmo e capacidade de comunicação.
Ausência
A ausência do candidato a governador Hildon Chaves (União) em um debate já anunciada não permite concluir que tenha fugido do confronto. Estratégia de agenda também pesa. Transformar uma ausência em diagnóstico político exige evidências, não ilações.
Conclusões
Também é preciso separar desempenho eleitoral de especulações sobre saúde de Hildon Chaves (União Brasil). Dificuldades pontuais em debates não autorizam conclusões sobre saúde física ou mental. O eleitor deve avaliar posições, propostas e desempenho, sem fofocas ou diagnósticos.
Peso
Falando ainda em debate, hoje, às 20h15, a SIC TV reúne os candidatos ao Governo de Rondônia. Na reta final, debates da SIC (Record) e da Rede Amazônica (Globo) ganham peso entre indecisos e eleitores voláteis.
Agenda
O candidato ao Senado Bruno Bolsonaro Scheid (PL) estará nesta segunda-feira (21) em Nova Mamoré e Guajará-Mirim, cumprindo agenda política e realizando caminhada pelas principais ruas comerciais do Berço do Madeira e da Pérola do Mamoré.
Ativo
O deputado federal Maurício Carvalho (União), candidato à reeleição, amplia sua presença na capital e no interior. Na periferia de Porto Velho, o carisma e a proximidade com o eleitor podem representar um ativo importante na disputa.
Facilidade
Conheço Maurício desde antes da vida pública, quando ainda era empresário. O jeito simples e a facilidade de conversar com as pessoas permanecem como marcas de sua trajetória, desde vereador e vice-prefeito da capital até chegar ao Congresso Nacional.
Declarou
Com a saída de Ezequiel Neiva (PL) da disputa pela Câmara, o prefeito de Vilhena, delegado Flori Cordeiro (Podemos), declarou apoio ao médico Jaime Gazola (Podemos). O movimento reposiciona forças e amplia a presença de Gazola no Cone Sul.
Escolha
A escolha de Flori (Podemos) segue uma linha já conhecida: apoiar nomes ligados à saúde e à infraestrutura. Ao apostar em Gazola, o prefeito de Vilhena combina estratégia eleitoral futura com pautas que fazem parte de sua agenda política.
Mobilizou
Após receber alta hospitalar, Laércio Torres (Avante) retornou a Vilhena depois do acidente na BR-364. Sua chegada mobilizou aliados e reforçou a dimensão humana de sua caminhada eleitoral.
Ativo
Com Laércio em recuperação, o prefeito delegado Flori (Podemos) e o secretário de Saúde, Wagner Borges, assumiram papel ainda mais ativo na campanha. Tornaram-se, na prática, a voz, as mãos, os pés e os olhos do candidato.
Enfrenta
A presença de Flori e Wagner dá corpo à campanha de Laércio num momento delicado. Mais que apoio político, a atuação dos dois mantém o candidato conectado às ruas, aos aliados e ao eleitorado enquanto ele enfrenta o processo de recuperação.
Caminhada
O acidente interrompeu a agenda de Laércio, mas não necessariamente sua caminhada eleitoral. Em Vilhena, a mobilização de Flori e Wagner ajuda a preservar sua presença política e manter viva uma candidatura que agora também carrega forte componente de superação.
Sério
Falando sério, entre pesquisas que já erraram, debates que expõem diferenças, alianças que mudam o tabuleiro e apoios que ampliam candidaturas, uma certeza permanece: eleição se decide na urna. Até lá, há jogo, disputa e muito voto a conquistar.

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AUTOR: HERBERT LINS





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