Agência aponta possibilidade de contaminação, concentração desconhecida e ausência de garantia sobre a composição de produtos oferecidos pelas redes sociais
Porto Velho, RO – Produtos em pó anunciados nas redes sociais como tirzepatida podem expor consumidores a infecções e outros danos à saúde por não haver garantia de esterilidade, composição ou concentração da substância. O alerta foi divulgado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que identificou a oferta irregular desse tipo de material pela internet.
Segundo a agência, não é possível confirmar se os produtos comercializados dessa forma possuem efetivamente tirzepatida como princípio ativo. Também não há comprovação da quantidade da substância presente, da existência de impurezas ou da presença de agentes contaminantes.
A tirzepatida é uma substância utilizada em medicamento injetável e atua em receptores relacionados ao controle glicêmico e à redução do apetite. No Brasil, o princípio ativo está presente no Mounjaro, medicamento autorizado pela Anvisa e comercializado em farmácias. A substância também pode ser utilizada em preparações feitas por farmácias de manipulação, desde que sejam observadas as normas sanitárias e exista indicação e prescrição médica.
A preocupação da Anvisa aumentou após a circulação de vídeos em redes sociais nos quais usuários mostram como diluir produtos vendidos em pó e realizar a aplicação em casa. O procedimento é apresentado em formato de tutorial, sem que sejam adotados os controles sanitários necessários para medicamentos de administração injetável.
A agência reforça que a manipulação de substâncias destinadas à aplicação por injeção exige condições rigorosas de esterilidade. Produtos produzidos ou preparados fora de ambientes adequados podem conter bactérias, fungos ou outros microorganismos capazes de provocar infecções.
A situação é considerada ainda mais sensível porque substâncias injetáveis entram diretamente no organismo. Dessa forma, uma eventual contaminação pode resultar em complicações graves.
Em nota, a Anvisa destacou que simplesmente misturar um produto em pó com água ou outra solução e aplicá-lo com uma seringa não garante segurança. O risco é maior quando não existe qualquer comprovação de que o material utilizado seja estéril.
Outro ponto ressaltado pelo órgão é que contaminantes não necessariamente podem ser percebidos visualmente. Por isso, uma embalagem lacrada ou um produto aparentemente limpo não significam que o conteúdo esteja livre de microorganismos ou outras substâncias indesejadas.
O preparo realizado em ambiente doméstico também amplia a possibilidade de contaminação. Utensílios, superfícies, recipientes e até o próprio manuseio podem introduzir agentes contaminantes no produto antes da aplicação.
Por esse motivo, a recomendação da Anvisa é de que somente medicamentos fabricados especificamente para administração injetável e submetidos a controles de qualidade e esterilidade sejam utilizados por essa via.
A agência informou ainda que a comercialização clandestina de medicamentos desse tipo já vem sendo alvo de operações e outras ações policiais.
Além da tirzepatida em pó, a Anvisa identificou nas redes sociais a divulgação do CBL-514, substância apresentada como alternativa para redução de gordura localizada.
O produto, no entanto, ainda se encontra na fase 2 de estudos clínicos e não possui registro nem autorização da Anvisa para comercialização no país.
Nessa etapa das pesquisas, são realizados testes destinados a verificar aspectos relacionados à segurança, eficácia e qualidade da substância. Os resultados ainda são necessários para determinar se os possíveis benefícios superam os riscos associados ao uso.
Diante desse cenário, a agência ressalta que produtos sem registro, avaliação sanitária ou comprovação de procedência não oferecem garantias quanto à segurança de utilização, especialmente quando destinados à aplicação diretamente no organismo.
Com informações de: Agência Brasil
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
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