Advogados alegam ausência de indiciamento e ação penal e solicitam que ministro André Mendonça examine pedido de soltura do ex-banqueiro
Porto Velho, RO – O ex-banqueiro Daniel Vorcaro permanece custodiado no presídio da Papudinha, no Distrito Federal, enquanto prosseguem as investigações da Polícia Federal sobre possíveis fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. A manutenção da prisão passou a ser novamente contestada por seus advogados, que alegam demora na formalização das acusações e defendem a revisão da medida pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A situação foi levada à presidência da Corte nesta quinta-feira (8), por meio de uma petição encaminhada ao ministro Edson Fachin. No documento, a defesa solicita que o pedido de liberdade já apresentado ao tribunal seja analisado pelo ministro André Mendonça, responsável pela relatoria das investigações relacionadas ao Banco Master.
Segundo os advogados, Vorcaro continua preso sem que tenha sido formalmente indiciado ou submetido a uma ação penal. A defesa também argumenta que outras pessoas envolvidas nas apurações obtiveram liberdade, circunstância utilizada para questionar a necessidade de manutenção da prisão.
No documento, os representantes do ex-banqueiro afirmam que a situação contraria garantias previstas na legislação processual e na Constituição Federal. A petição sustenta que a permanência de Vorcaro no sistema prisional seria injustificável diante do atual estágio das investigações.
A solicitação ocorre em meio a um impasse interno no Supremo sobre a condução dos procedimentos relacionados ao Banco Master. Em setembro, Fachin determinou que os processos vinculados ao caso permanecessem temporariamente sob responsabilidade da presidência do tribunal.
A decisão foi adotada após divergências entre ministros envolvendo decisões liminares sobre as investigações. O conflito ganhou novos desdobramentos quando André Mendonça solicitou autorização ao plenário do STF para a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.
O pedido de Mendonça está relacionado a conversas identificadas no aparelho celular de Daniel Vorcaro, nas quais o nome de Moraes apareceu. O episódio ampliou as discussões sobre a condução das apurações e a competência para decidir medidas relacionadas aos investigados.
Com a permanência temporária dos processos na presidência do Supremo, caberá a Edson Fachin decidir sobre a solicitação apresentada pela defesa e a possibilidade de encaminhar a análise do pedido de soltura ao relator original.
Vorcaro foi preso em março de 2026 e permanece na unidade prisional conhecida como Papudinha, em Brasília. Ele figura entre os investigados na Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
A investigação apura suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master, além das circunstâncias relacionadas à tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), banco público vinculado ao Governo do Distrito Federal.
A defesa busca, agora, uma definição do STF sobre qual ministro deverá examinar o pedido de liberdade e sobre a continuidade da prisão preventiva do ex-banqueiro.
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
COMENTÁRIOS:





