Anulação de 274 mil votos de Anthony Garotinho pelo TSE altera resultado da eleição, permite vitória de Douglas Ruas no primeiro turno e leva candidato do PSD a encerrar disputa.
Porto Velho, RO – A eleição para o governo do Rio de Janeiro deverá ser encerrada ainda no primeiro turno, após uma mudança na contagem dos votos válidos determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com a exclusão dos 274.411 votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos), Douglas Ruas (PL) ultrapassou a maioria absoluta necessária para vencer a disputa. O novo cenário levou Eduardo Paes (PSD) a anunciar, nesta quinta-feira (8), que não continuará na corrida pelo governo estadual.
A decisão de Paes foi comunicada depois que o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou uma tentativa de reverter a determinação do TSE. O candidato do PSD buscava preservar a possibilidade de realização de um segundo turno, conforme o resultado inicialmente divulgado pela Justiça Eleitoral.
Antes da revisão dos números, Douglas Ruas havia alcançado 4.271.199 votos, correspondentes a 49,27% dos votos válidos. Eduardo Paes aparecia na segunda colocação, com 3.706.984 votos, equivalentes a 42,76%. Garotinho, por sua vez, recebeu 274.411 votos, representando 3,71% da totalização original.
Com a retirada dos votos atribuídos ao candidato do Republicanos, o percentual de Ruas passou a superar o limite de 50% dos votos válidos. A diferença ficou aproximadamente 74 mil votos acima do necessário para assegurar a eleição sem uma segunda rodada de votação. A oficialização do resultado atualizado, entretanto, ainda depende de procedimento do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ).
A controvérsia sobre a validade dos votos começou antes da realização do pleito, ocorrido no domingo (4). O registro de candidatura de Anthony Garotinho havia sido indeferido pelo TRE-RJ, mas o político apresentou recurso à instância superior e permaneceu autorizado a aparecer nas urnas enquanto a questão não recebia uma decisão definitiva.
Na sexta-feira (2), dois dias antes da votação, o ministro Floriano de Azevedo Marques, relator do processo no TSE, determinou que os votos destinados a Garotinho fossem registrados como anulados sob condição judicial, sem integrar a soma dos votos válidos.
O entendimento foi modificado provisoriamente no próprio dia da eleição. Por determinação do ministro Nunes Marques, os votos recebidos por Garotinho passaram a ser contabilizados como válidos até que o tribunal concluísse a análise do recurso apresentado pelo candidato.
No dia seguinte à votação, Garotinho solicitou a desistência do recurso. O pedido, contudo, não foi aceito pelo TSE, que decidiu dar continuidade ao julgamento. Durante a sessão de quinta-feira (8), os ministros rejeitaram por unanimidade a desistência e, posteriormente, decidiram por cinco votos a dois que os votos atribuídos ao político deveriam ser excluídos da totalização válida.
A deliberação alterou diretamente o resultado da eleição estadual. A nova contagem colocou Douglas Ruas acima da metade dos votos válidos e eliminou a necessidade de realização de segundo turno, situação contestada judicialmente por Eduardo Paes.
Após a negativa do STF, Paes divulgou uma manifestação em que afirmou considerar que a maioria dos eleitores fluminenses havia escolhido, nas urnas, a continuidade da disputa eleitoral. Apesar de discordar do desfecho, declarou que respeitaria a decisão judicial.
“Infelizmente, a Justiça decidiu que não haverá segundo turno, contrariando a vontade soberana dos eleitores. E decisão judicial a gente respeita. É assim que funciona a democracia”, afirmou.
Na mesma manifestação, o candidato do PSD agradeceu aos mais de 3,7 milhões de eleitores que apoiaram sua candidatura. Também declarou que continuará envolvido nas discussões sobre os problemas enfrentados pelo Rio de Janeiro, especialmente na área de segurança pública, apontada por ele como uma das principais dificuldades do estado.
Paes informou ainda que seu grupo político e o PSD permanecerão acompanhando as ações da próxima administração estadual. Segundo o ex-candidato, haverá fiscalização e cobrança de resultados do governo que assumirá o comando do Executivo fluminense.
O político também associou a futura gestão à continuidade do grupo que administra o estado há oito anos e afirmou que seguirá defendendo mudanças nas políticas públicas estaduais.
Embora tenha encerrado sua participação na disputa, Eduardo Paes declarou que manterá seu compromisso com a população fluminense. A conclusão formal do processo eleitoral permanece condicionada à retotalização e à divulgação do resultado definitivo pelo TRE-RJ, conforme a determinação do Tribunal Superior Eleitoral.
Com informações de: Agência Brasil
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
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