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POLÍTICA

Vice-governador eleito chora ao explicar por que raspou o cabelo e a barba, exalta Léo Moraes e revela planos com Marcos Rogério

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Em entrevista ao RD Entrevista, Rodrigo Camargo se emociona ao relatar gesto religioso após vitória, revela bastidores da aliança com o prefeito de Porto Velho e detalha o papel que pretende exercer na nova gestão.

Por Vinicius Canova - sábado, 10/10/2026 - 14h39

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Porto Velho, RO – Em entrevista exclusiva ao podcast RD Entrevista, o vice-governador eleito de Rondônia, deputado estadual Rodrigo Camargo (Podemos), chorou ao contar os bastidores da vitória eleitoral ao lado de Marcos Rogério (PL). O momento de maior emoção ocorreu quando explicou por que decidiu raspar o cabelo e a barba durante a apuração dos votos. Na conversa conduzida pelo jornalista Vinícius Canova, no Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia, conexão direta com a verdade, o parlamentar também revelou a participação decisiva do prefeito de Porto Velho, Léo Moraes (Podemos), em sua trajetória política, rebateu comentários sobre possíveis desentendimentos na chapa vencedora e apresentou as responsabilidades que pretende assumir nos próximos quatro anos.

Rodrigo Camargo durante entrevista ao RD Entrevista
RD Entrevista · Poder e responsabilidade

Da entrega pessoal ao desafio de governar

Vice-governador eleito relata o gesto que o levou às lágrimas, atribui a Léo Moraes papel decisivo em sua trajetória, explica a estratégia da chapa e detalha como pretende auxiliar Marcos Rogério.

Entrevistado: Rodrigo Camargo (Podemos) Apresentação: Vinícius Canova Produção: Rondônia Dinâmica e Informa Rondônia

Uma entrevista entre fé, bastidores e gestão

Camargo percorreu a noite da vitória, o vínculo político com Léo Moraes, a composição com Marcos Rogério e os problemas que pretende enfrentar no Executivo. Saúde, segurança, famílias atípicas, equipe técnica e articulação com Brasília apareceram como eixos do futuro mandato.

537.370votos recebidos pela chapa eleita
30 diasacampado diante do Hospital João Paulo II
52 + 100municípios e mais de cem distritos percorridos por Marcos Rogério, segundo Camargo
43%dos recursos da máquina estadual viriam de repasses federais, segundo o entrevistado

Os percentuais, valores, compromissos e avaliações apresentados neste infográfico reproduzem informações e declarações atribuídas a Rodrigo Camargo durante a entrevista.

01 · Fé e entrega

O gesto que rompeu a barreira da vaidade

Camargo contou que acompanhou a apuração em oração, dentro da capela de sua casa e ao lado de dois sacerdotes. O cabelo começou a ser raspado quando a totalização se aproximava de 80%. A emoção veio ao recordar a resistência em retirar também a barba.

01
“Eu também não queria raspar a barba. Cara, é difícil fazer uma entrega total.”

Foi ao explicar a dificuldade de abrir mão da barba que o vice-governador eleito chorou. Ele associou o gesto ao abandono das vaidades antes de assumir o novo cargo.

02
“Então, o meu pedido a Deus é um só.”

Camargo negou que estivesse pagando uma promessa. Ao mencionar a passagem bíblica de Salomão, disse pedir sabedoria para enfrentar os desafios e auxiliar Marcos Rogério.

Apuração

Oração, não televisão

Ele afirmou que não acompanhou a contagem pela TV. Permaneceu na capela até receber informações mais consolidadas sobre o resultado.

Decisão anterior

A máquina já estava comprada

Na manhã da eleição, pediu ao chefe de gabinete que comprasse uma máquina de cortar cabelo, antes de saber o desfecho das urnas.

Referência

O pedido de Salomão

O relato bíblico foi usado para defender um governo que, em suas palavras, seja justo e humano com as pessoas.

02 · Abrigo político

O papel de Léo Moraes na continuidade da trajetória

O parlamentar disse ter sido advertido, em uma reunião no 13º andar da Assembleia Legislativa, de que teria dificuldades para disputar outra eleição. Relacionou a pressão ao voto contrário ao ICMS e afirmou que o convite de Léo Moraes para o Podemos surgiu nesse período.

03
“Deus levantava outro homem para me dar abrigo.”

A expressão foi usada para agradecer a Léo Moraes, que, segundo Camargo, abriu espaço no Podemos quando ele acreditava que outras lideranças tentavam impedir sua continuidade eleitoral.

Convite

Espaço para disputar

Camargo relatou que Léo lhe ofereceu condições para concorrer a deputado estadual, deputado federal, senador ou governador. Também confirmou que sua indicação para vice partiu do prefeito de Porto Velho.

Assembleia

O voto contra o ICMS

Camargo apresentou o episódio como ponto de tensão com lideranças partidárias e disse ter interpretado o aviso como tentativa de limitar seu futuro político.

Amizade

Relação anterior à política

Ele afirmou que a aproximação com Léo começou antes da vida partidária e teve como elo inicial o pai do atual prefeito, também delegado de polícia.

Indicação

A composição da chapa

Ao agradecer a Marcos Rogério por aceitar seu nome, atribuiu a Léo participação direta na formação da candidatura vencedora.

03 · A aliança

Três lideranças, um projeto e agendas multiplicadas

Camargo rebateu previsões de conflito entre ele, Marcos Rogério e Léo Moraes. Segundo o vice-governador eleito, a distância física entre os integrantes da campanha foi uma escolha para ampliar a presença territorial da chapa.

04
“Primeiro, não somos lobos; somos pastores para conduzir as pessoas.”

A declaração respondeu à comparação do grupo com uma “matilha” que poderia entrar em conflito por causa dos perfis de liderança de seus integrantes.

05
“Não havia razão para estarmos no mesmo local, nas mesmas reuniões, falando do mesmo projeto. Nós tínhamos que multiplicar isso.”

Ele explicou que, enquanto Marcos Rogério percorria o interior, permanecia na capital com Léo Moraes; quando o candidato a governador retornava, deslocava-se para outras regiões.

73%média atribuída à chapa nos municípios do Vale do Jamari sob sua responsabilidade
48%resultado atribuído a Léo Moraes na capital
52municípios percorridos por Marcos Rogério
100+distritos incluídos no roteiro de campanha
04 · Saúde e gestão

O João Paulo II como primeira prioridade simbólica

A primeira visita depois da eleição foi ao Hospital João Paulo II. Camargo relacionou a escolha aos 30 dias em que afirma ter acampado diante da unidade e ao contato com pacientes, acompanhantes e profissionais sobrecarregados.

O entrevistado disse que os problemas do atendimento público não podem ser explicados apenas pela falta de recursos. Citou o volume de R$ 18 bilhões e defendeu gestão mais eficiente. Também mencionou cirurgias eletivas, exames de imagem, ventilação inadequada e situações vividas por idosos.

06
“Eu sei que há dinheiro; faltava gestão.”

A avaliação apareceu quando Camargo criticou as condições do João Paulo II e afirmou que o estado dispõe de recursos, mas precisa melhorar a administração dos serviços.

07
“Água gelada é algo que não existe nem nos pet shops hoje em dia, porque consideram isso até maus-tratos aos animais.”

Ele fez a comparação ao relatar ter encontrado idosos recebendo banho com mangueira de jardim e água fria durante visitas realizadas como deputado estadual.

Profissionais

Sobrecarga e adoecimento

Camargo disse ter encontrado trabalhadores empenhados, porém afetados por jornadas excessivas e condições inadequadas de trabalho.

Famílias atípicas

Atendimento e inclusão

Citou dificuldades com neuropediatras, exames, cuidadores em sala, monitores nos pátios e matrícula de crianças.

Segurança

Medo e domínio territorial

Relatou famílias submetidas a regras de facções e mencionou o assassinato de um motorista de aplicativo como exemplo da urgência do tema.

05 · Relação política

União durante a campanha e articulação para governar

O vice-governador eleito afirmou que as previsões de afastamento entre os integrantes da chapa fortaleceram a relação interna. Projetou alinhamento com a Assembleia, a bancada federal e o Senado, além de defender aproximação com a Presidência da República.

08
“Enquanto muitos torciam para que nós nos afastássemos, isso servia de combustível para a nossa união.”

Camargo agradeceu a Marcos Rogério por aceitar a indicação de Léo Moraes e afirmou que os rumores de desentendimento tiveram efeito contrário ao esperado pelos críticos.

09
“Rondônia é um estado declaradamente de direita, mas precisamos ir agora atrás de quem apoiou outros candidatos e trazê-los para o voto no 22.”

A frase foi dita ao tratar da eleição presidencial. Camargo defendeu Flávio Bolsonaro e citou compromissos que atribuiu ao candidato sobre a BR-364 e a regularização fundiária.

Repasses

Dependência de Brasília

Segundo Camargo, 43% dos recursos necessários à máquina estadual são provenientes de repasses federais, o que exigiria articulação nacional.

BR-364

Tarifas de pedágio

Ele afirmou que Flávio Bolsonaro teria assumido o compromisso de rever as tarifas previstas no contrato de concessão da rodovia.

Titulação

Regularização fundiária

Defendeu a transferência de terras da União ao estado para viabilizar titulações em parceria com as prefeituras.

06 · Vice-governadoria

Um auxiliar técnico, sem disputa por protagonismo

Camargo disse que pretende usar a experiência policial, militar e parlamentar para antecipar efeitos das decisões e auxiliar Marcos Rogério. Afirmou que a futura equipe deverá ser escolhida por critérios técnicos e acompanhada por métricas de produtividade.

Equipe

Seleção técnica

Recordou o processo seletivo realizado em seu gabinete e atribuiu resultados administrativos ao desempenho conjunto dos colaboradores.

Produtividade

Métricas durante a campanha

Disse ter verificado o desempenho individual dos servidores depois das eleições e afirmou que nenhum integrante apresentou queda de performance.

Prudência

Prever consequências

Relacionou a formação policial à capacidade de observar cenários e declarou que estará disponível para subsidiar as decisões do governador.

10
“Rondônia não nos entregou um troféu; Rondônia nos entregou uma responsabilidade.”

Na parte final, Camargo afirmou que os 537.370 votos não representam aplausos, mas motivos para trabalhar e cumprir as expectativas depositadas na chapa.

Próximos quatro anos

Responsabilidade compartilhada

O vice-governador eleito declarou que não pretende disputar protagonismo com Marcos Rogério. Apresentou-se como auxiliar do governador e associou o êxito pessoal aos resultados que a administração entregar à população.

RD EntrevistaConteúdo produzido pelo Rondônia Dinâmica em parceria com o Informa Rondônia.

A emoção surgiu quando Camargo relatava uma decisão pessoal tomada na noite da eleição. Segundo ele, o gesto de raspar a cabeça representava a intenção de abandonar as vaidades associadas ao exercício do poder. Entretanto, depois que um sacerdote terminou de cortar seus cabelos, o vice-governador eleito percebeu que ainda resistia à possibilidade de retirar a barba. Ao recordar esse conflito pessoal durante a entrevista, chorou e precisou lidar com a emoção enquanto explicava o significado religioso da decisão.

“E eu não queria também raspar a minha barba. Cara, é difícil ter uma entrega total. E eu falei: isso aqui também é vaidade. E aí eu acabei raspando a barba pra que Deus me preenchesse por completo. Se eu deixar uma brecha, a vaidade entra, porque a carne é fraca”, declarou, emocionado.

Camargo explicou que não estava cumprindo uma promessa feita para conseguir a vitória. A decisão, segundo ele, representava um pedido de orientação espiritual diante das responsabilidades que passaria a assumir. Católico praticante, afirmou que considera necessário evitar que o reconhecimento público, os cargos e a convivência com pessoas que elogiam constantemente uma autoridade acabem comprometendo sua capacidade de tomar decisões.

“Eu tenho vaidades, Vinícius, você, aqueles que nos assistem têm. E eu digo vaidades que vão entrando no seu coração sem você perceber. Às vezes você comprou um relógio novo, às vezes você comprou um sapato, uma casa, ou só um cargo que Deus te colocou para ter responsabilidade e, sem você perceber, você vai se cercando de pessoas que inflam o seu ego, dizem que você está sempre correto, que você é o melhor, que a sua posição é a mais correta e, sem perceber, a vaidade entra no teu coração”, explicou.

O vice-governador eleito contou que não acompanhou a apuração dos votos pela televisão. Em vez disso, permaneceu em oração na capela existente em sua residência, acompanhado de dois sacerdotes. Um deles é considerado seu padrinho e diretor espiritual; o outro, um amigo. Segundo Camargo, os três participavam de uma adoração ao Santíssimo Sacramento enquanto a Justiça Eleitoral totalizava os resultados.

Em determinado momento, pediu que apenas o avisassem quando houvesse uma definição. A esposa entrou na capela e comunicou que, pelos números disponíveis naquele instante, a disputa poderia terminar em segundo turno contra Hildon Chaves. Camargo, que estava ajoelhado, perguntou se a apuração havia terminado. Ao receber a resposta negativa, decidiu continuar rezando. Posteriormente, soube que a avaliação inicial havia sido feita quando aproximadamente 30% dos votos estavam apurados.

O parlamentar revelou ainda que, na manhã daquele mesmo dia, havia telefonado para seu chefe de gabinete, Rogério, e solicitado a compra de uma máquina de cortar cabelo. Segundo ele, a decisão já estava tomada antes de conhecer o resultado eleitoral, por uma convicção religiosa que afirmou não conseguir explicar completamente.

Quando a apuração alcançou aproximadamente 80%, autorizou que um dos sacerdotes começasse a raspar sua cabeça. A escolha de entregar a tarefa a um padre, explicou, estava relacionada à sua compreensão da Igreja Católica e ao desejo de dedicar simbolicamente suas vaidades a Cristo.

Camargo recordou que havia adotado gesto semelhante quando conquistou seu primeiro mandato de deputado estadual. Naquela ocasião, segundo relatou, disputou a eleição com uma equipe formada por apenas quatro pessoas, enfrentou descrença sobre suas possibilidades eleitorais e terminou como o candidato a deputado estadual mais votado em Ariquemes. Depois da vitória, também raspou a cabeça.

Desta vez, entretanto, entendeu que precisava ir além. Ao recordar o momento em que o sacerdote terminou de cortar seus cabelos e surgiu a questão da barba, o vice-governador eleito demonstrou a dificuldade pessoal que atribuía ao desprendimento completo das vaidades.

O significado religioso do episódio foi relacionado à passagem bíblica de Salomão, que, ao assumir o trono de Davi, teria pedido sabedoria para governar em vez de riquezas, longevidade ou a derrota de inimigos. Camargo afirmou que pretende seguir esse exemplo durante sua passagem pelo Executivo estadual.

“Então, o meu pedido para Deus é um só: que ele me conceda a mim e principalmente ao governador Marcos Rogério porção dobrada de sabedoria para que nós possamos enfrentar todos os desafios e possamos ter no estado de Rondônia um governo justo, justo e humano com as pessoas”, declarou.

A reflexão sobre vaidade, poder e responsabilidade também serviu de ligação para outro episódio abordado durante a entrevista: as dificuldades que Camargo afirma ter enfrentado na Assembleia Legislativa e a influência de Léo Moraes em sua continuidade na política.

Ao ser questionado sobre um discurso feito na tribuna depois da vitória eleitoral, o parlamentar contou que chegou a ser chamado para uma reunião no 13º andar da Assembleia Legislativa. Segundo seu relato, foi advertido de que dificilmente conseguiria disputar outra eleição por causa de seu posicionamento contrário ao ICMS em uma votação na Casa.

“De certa forma, certo dia, me chamaram para uma mesa lá na Assembleia Legislativa, uma mesa bem grande, no 13º andar, e falaram assim: ‘Camargo, aproveite o seu mandato, porque você é deputado de um mandato só. Você expôs essa casa ao ter votado contra o ICMS, o único que votou contra. E hoje muitos deputados estão na rua sendo xingados, ofendidos pela população, com dificuldade nos seus redutos porque você foi contra. Então aproveite porque os partidos estão todos aqui nessa mesa, na mão de algum deputado, e você não tem vaga em nenhum deles pra cargo nenhum’”, relatou.

Camargo não revelou os nomes dos participantes da reunião. Afirmou, porém, que interpretou a mensagem como uma tentativa de demonstrar que seu futuro eleitoral dependia de decisões tomadas por outras lideranças políticas. Segundo ele, a situação não o intimidou, mas reforçou sua convicção de que deveria manter os posicionamentos adotados durante o mandato.

“O recado foi claro pra mim. Digo a você, confesso, eu fiquei muito tranquilo com isso porque eles achavam que o meu destino estava na mão deles. E eu não tenho medo de nenhuma pessoa, porque o meu destino não está na mão dele nem de homem algum. O meu destino está na mão de Cristo. Então aquilo ali não me abalou em nada, pelo contrário, apenas fortaleceu a minha fé”, declarou.

O vice-governador eleito também mencionou comentários de que não possuía amigos dentro da Assembleia Legislativa. Disse ter interpretado essa afirmação como um elogio, argumentando que a disposição de caminhar sozinho não significa necessariamente estar errado, mas pode representar a decisão de não abrir mão de princípios e valores pessoais.

Foi nesse período de dificuldades políticas, segundo Camargo, que Léo Moraes assumiu uma participação importante em sua trajetória. O parlamentar contou que a amizade entre ambos começou antes da atuação partidária. O pai de Léo, que também era delegado de polícia, teria sido o elo inicial dessa aproximação.

Quando decidiu disputar seu primeiro mandato de deputado estadual, Camargo procurou Léo Moraes para pedir aconselhamento. Segundo ele, o então amigo o incentivou a concorrer e demonstrou confiança em sua capacidade de conquistar a vaga.

Anos depois, diante do episódio que afirma ter ocorrido na Assembleia, voltou a procurar Léo para relatar as dificuldades. A resposta do atual prefeito de Porto Velho, conforme reproduzida pelo entrevistado, foi um convite para ingressar no Podemos e a garantia de que teria espaço para disputar diferentes cargos.

“E aí, quando estava acontecendo isso, eu procurei o Léo e falei: ‘Léo, aconteceu isso, isso e aquilo’. E aí o Léo pegou e falou assim: ‘Rodrigo, deixa eu falar uma coisa para você? Venha para o Podemos, que aqui você tem espaço para concorrer a deputado estadual, deputado federal, senador e inclusive governador. Você tem espaço para o que você quiser’”, contou.

Camargo descreveu a atitude como um gesto de acolhimento em um momento no qual acreditava estar politicamente isolado. Para explicar o significado da decisão de Léo Moraes, utilizou uma comparação com um campo de batalha, afirmando que o prefeito lhe ofereceu proteção quando outros tentavam dificultar sua permanência na política.

“Então, enquanto muitos me colocavam em campo aberto e me atiravam flechas inflamadas, Deus levantava um outro homem para me dar abrigo. E assim foi minha chegada no Podemos, sabendo que eu tinha ali um lado. Mais importante que a guerra é quem está com você na trincheira, te abriga. Aqui eu estava em campo aberto, ele me deu o abrigo”, afirmou.

O agradecimento ao prefeito de Porto Velho foi reiterado em diferentes momentos da entrevista. Camargo fez questão de registrar que considera Léo Moraes um amigo anterior à política e afirmou não guardar rancor das pessoas que teriam tentado dificultar seu futuro eleitoral. Disse desejar que elas sejam felizes em suas vidas.

A influência do dirigente do Podemos não ficou restrita à filiação partidária. Camargo confirmou que sua participação como candidato a vice-governador na chapa de Marcos Rogério ocorreu por indicação de Léo Moraes. Ao final da entrevista, agradeceu diretamente ao governador eleito por ter aceitado a sugestão.

“Obrigado, Marcos Rogério, por aceitares a indicação do Léo, de estar contigo na trincheira. Obrigado pela confiança que você depositou em mim, governador, porque em muitos momentos que passamos juntos já nessa campanha, enquanto muitos torciam para que nós nos afastássemos, isso era combustível para nossa união”, declarou.

A relação entre os três também foi abordada quando o parlamentar revelou comentários que teriam circulado durante a construção da candidatura. Segundo Camargo, havia quem considerasse a aliança potencialmente conflituosa porque Marcos Rogério, Léo Moraes e ele próprio apresentavam perfis de liderança fortes e posicionamentos políticos firmes.

O entrevistado afirmou ter ouvido, por intermédio de pessoas próximas, que a reunião dessas lideranças poderia resultar em desentendimentos. Uma das expressões utilizadas pelos críticos, segundo contou, comparava o grupo a uma matilha na qual seus integrantes acabariam entrando em confronto.

“E aí as fofocas, e eu digo fofoca porque nunca tiveram coragem de me dizer isso diretamente, apenas comentavam com pessoas ao meu redor para chegar até mim: ‘Olha, nessa matilha vão se trucidar entre eles’. Primeiro que não somos lobos, somos pastores para conduzir as pessoas. Já começa por aí a correção”, declarou.

Camargo também relatou críticas à escolha de seu nome para a vice-governadoria. Conforme explicou, algumas avaliações sustentavam que a chapa não representava adequadamente a distribuição regional do eleitorado, porque Marcos Rogério e Rodrigo Camargo possuíam vínculos com regiões do interior, enquanto Porto Velho concentrava o maior colégio eleitoral do estado.

Outra objeção mencionada dizia respeito à proximidade ideológica dos candidatos. Segundo Camargo, críticos afirmavam que sua presença acrescentaria pouco eleitoralmente, já que ele e Marcos Rogério compartilhavam posições de direita, cristãs e conservadoras. Para essas pessoas, seria mais adequado escolher um representante da capital como candidato a vice-governador.

O parlamentar contestou essas avaliações e afirmou que o grupo decidiu priorizar os objetivos que seus integrantes tinham em comum. Na interpretação apresentada durante a entrevista, os resultados eleitorais demonstraram que a estratégia não provocou os conflitos previstos pelos adversários.

“Pois é, mais uma vez eles não compreenderam que quando você coloca o propósito acima do ego as coisas acontecem. Sentamos a uma mesa e vimos ali Marcos Rogério com o propósito de trazer para Rondônia tudo aquilo que aprendeu em Brasília”, declarou.

Camargo afirmou que Marcos Rogério pretendia utilizar a experiência acumulada como vereador, deputado federal e senador para desenvolver uma administração voltada às necessidades do estado. O próprio vice-governador eleito, por sua vez, declarou que desejava enfrentar problemas que havia denunciado e acompanhado durante o mandato parlamentar.

Na avaliação do entrevistado, Léo Moraes também possuía um objetivo específico: ampliar as possibilidades de investimento em Porto Velho. Camargo descreveu o prefeito como responsável por uma cidade com mais de meio milhão de habitantes e afirmou que a capital enfrentava dificuldades financeiras para realizar investimentos.

O entendimento entre as lideranças, segundo ele, ocorreu quando cada participante apresentou aquilo que poderia contribuir para os objetivos comuns. A partir dessa aproximação, foram iniciadas as conversas que resultaram na composição eleitoral.

Durante a campanha, contudo, Camargo afirmou que novos rumores começaram a circular. Como nem sempre aparecia ao lado de Marcos Rogério nas atividades públicas, adversários teriam interpretado o afastamento físico como sinal de rompimento político.

“E já brigaram Camargo e Marcos Rogério. Olha só, cada um anda para um lado. Não estão nem mais andando juntos na campanha. Imagina depois. É que não entenderam que ali era uma estratégia. Que bom que não entenderam”, declarou, ao reproduzir os comentários que afirmou ter ouvido.

Segundo ele, a divisão das agendas foi planejada para ampliar a presença da campanha nos municípios e distritos rondonienses. Enquanto Marcos Rogério cumpria compromissos no interior, Camargo permanecia em Porto Velho participando de atividades ao lado de Léo Moraes. Quando o candidato a governador retornava à capital, o vice se deslocava para outras regiões.

“Porque para abranger o estado inteiro num curto período de tempo e fazer muita mobilização de rua, o que nós traçamos como estratégia? Quando o governador Marcos Rogério estava no interior, o Camargo fazia capital junto com o Léo. Quando o Marcos vinha para a capital, eu descia para o interior. Não havia razão de a gente estar no mesmo local, nas mesmas reuniões, falando o mesmo projeto. Nós tínhamos que multiplicar isso”, explicou.

Camargo afirmou que algumas atividades exigiam a presença conjunta das lideranças, como mobilizações realizadas na Avenida Jatuarana, na Zona Leste de Porto Velho. Entretanto, encerrados esses compromissos, cada integrante voltava a seguir seu próprio roteiro.

O vice-governador eleito também explicou que não considerava necessário acompanhar Marcos Rogério em todos os debates. Enquanto o candidato ao governo participava dessas atividades, ele poderia realizar reuniões com candidatos das nominatas e outras lideranças, mantendo a mobilização eleitoral em diferentes frentes.

Ao apresentar números da campanha, Camargo afirmou que a chapa alcançou média de 73% dos votos nos municípios do Vale do Jamari que ficaram sob sua responsabilidade. Também atribuiu a Léo Moraes um resultado de 48% na capital e destacou que Marcos Rogério percorreu os 52 municípios rondonienses e mais de 100 distritos.

O resultado foi classificado pelo entrevistado como histórico. Camargo atribuiu a vitória à combinação entre a estratégia eleitoral, a mobilização dos integrantes da chapa e sua fé religiosa.

A chegada ao Executivo estadual, entretanto, também modifica sua posição em relação às cobranças que fazia enquanto deputado. Durante a entrevista, reconheceu que os problemas frequentemente mencionados em seus discursos parlamentares passarão a ser responsabilidade direta da administração que ajudará a conduzir.

“E eu tenho certeza que nós fizemos a nossa parte e continuaremos fazendo, porque aquelas cobranças incisivas que eu sempre fiz na tribuna da Assembleia Legislativa, e eu fico feliz porque elas agora recaem sobre mim e o Marcos Rogério”, declarou.

O vice-governador eleito afirmou que não pretende abandonar o perfil de fiscalização e cobrança demonstrado na Assembleia. A diferença, segundo explicou, será o direcionamento dessa atuação aos responsáveis pelas secretarias estaduais, sempre respeitando a condução administrativa de Marcos Rogério.

“Enquanto deputado eu cobrava o governador. Agora, estando ao lado do Marcos Rogério, seguindo a batuta e o ritmo que ele dá, o meu compromisso é cobrar os secretários, auxiliá-los”, afirmou.

Camargo disse que pretende aproveitar informações acumuladas durante o mandato parlamentar para identificar dificuldades e contribuir com soluções. Segundo ele, o gabinete mantém registros, números e levantamentos sobre diferentes áreas da administração estadual referentes aos últimos quatro anos.

O objetivo será apresentar ao governador não apenas os problemas atuais, mas também informações que ajudem a compreender como determinadas situações se desenvolveram ao longo do tempo.

“Eu tenho números e tenho detalhamentos de todo o estado dos últimos quatro anos. Eu conheço a máquina, eu sei os graves problemas, eu vi muitas pessoas, eu estive lá. Então eu acredito que eu vou poder subsidiar o processo decisório com muitas informações, não apenas as atuais, mas de um cenário que trouxe até aqui”, declarou.

A entrevista também abriu espaço para Camargo reagir a críticas pessoais recebidas durante a campanha. O parlamentar afirmou ter sido alvo de notícias falsas e de uma estrutura de perseguição destinada a prejudicar sua imagem. Segundo seu relato, adversários tentaram apresentá-lo como radical, incendiário e briguento.

Sem identificar nominalmente os responsáveis pelas acusações, o vice-governador eleito disse que as dificuldades contribuíram para seu amadurecimento pessoal e político.

“Então, todos aqueles que fizeram fake news contra mim, que utilizaram uma máquina de perseguição pra denegrir a minha imagem, que me rotularam como radical, como uma pessoa incendiária, briguento, eu quero agradecer a vocês. Eu quero te agradecer, sabe por quê? Porque o aço é forjado com fogo que vocês me colocaram e a marretada que me davam. E hoje eu tenho certeza que estou muito melhor que ontem e amanhã quero estar melhor que hoje”, afirmou.

A atuação que pretende desempenhar na vice-governadoria foi relacionada diretamente aos problemas que acompanhou em visitas e atividades de fiscalização. Camargo destacou a saúde pública como uma das prioridades do futuro governo, especialmente diante das condições de atendimento no Hospital João Paulo II.

Logo no início da entrevista, Vinícius Canova mencionou a visita que o parlamentar havia realizado à unidade de saúde depois das eleições e também um encontro de cortesia com o atual vice-governador, Sérgio Gonçalves. Ao perguntar se essas iniciativas representavam o encerramento das disputas eleitorais, o jornalista abriu espaço para Camargo explicar os motivos de sua primeira agenda pós-eleitoral.

O vice-governador eleito concentrou sua resposta na situação do João Paulo II. Recordou que, durante o mandato parlamentar, chegou a acampar por 30 dias em frente ao hospital, período em que manteve contato direto com pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde.

“Foi ali, no contato direto com pacientes, com os profissionais da saúde, com os acompanhantes, que vi o relato do sofrimento da nossa gente, mas ao mesmo tempo um empenho imensurável dos profissionais da saúde que ali trabalham, que, aliás, Vinícius, estão doentes por falta de condições de trabalho, de uma sobrecarga de jornada. A realidade do João Paulo II se arrasta há anos e muitos sabem disso”, declarou.

Camargo afirmou que os problemas estruturais atingem não apenas os pacientes, mas também os trabalhadores, submetidos, segundo ele, a jornadas excessivas e condições inadequadas de atendimento.

O parlamentar também criticou autoridades que, em sua avaliação, realizam viagens pelo Brasil e pelo exterior, mas não visitam distritos, municípios do interior ou locais onde vivem pessoas em situação de maior vulnerabilidade.

Ao mencionar dificuldades relacionadas a cirurgias eletivas e exames de imagem, ampliou o relato para situações que afirmou ter presenciado envolvendo idosos. Em uma dessas ocasiões, segundo Camargo, encontrou pessoas recebendo banho com uma mangueira de jardim e água gelada, além de identificar problemas de ventilação.

“Eu estou me referindo não apenas às pessoas que precisam de uma cirurgia eletiva, de um exame de imagem, mas eu estou me referindo também aos idosos, que quando estive lá como deputado estadual estavam recebendo banho com uma mangueirinha de jardim em água gelada. Água gelada é algo que não existe nem nos pet shops hoje em dia porque consideram até maltrato aos animais. Mas imagina isso para um ser humano, para um idoso”, declarou.

Para Camargo, a escolha do João Paulo II como primeira visita depois da eleição teve significado político e administrativo. Segundo ele, a iniciativa representou a disposição de acompanhar pessoalmente os problemas que pretende levar ao conhecimento do governador.

O parlamentar afirmou que a administração de Marcos Rogério deverá priorizar um atendimento mais humano, especialmente para pessoas que perderam a confiança em promessas políticas não cumpridas.

“Porque o governo do Marcos Rogério será um governo pautado por um olhar humano para as pessoas, para aquelas pessoas que já estão desacreditadas da política, já estão desacreditadas de tantas promessas que nunca saíram do papel”, afirmou.

Camargo também apresentou críticas à administração pública estadual ao falar sobre os recursos financeiros disponíveis. Segundo ele, Rondônia conta com aproximadamente R$ 18 bilhões, valor utilizado para sustentar sua avaliação de que parte das dificuldades não decorre exclusivamente da falta de dinheiro.

“Eu, Rodrigo Camargo, também com um propósito, porque era ali na Assembleia Legislativa um indignado, como muitos rondonienses, indignados de ver as pessoas no João Paulo II num estado que tem 18 bilhões de recursos. Eu sei que tem dinheiro, faltava gestão”, declarou.

A segurança pública foi outra área mencionada. Camargo relatou situações envolvendo famílias que, segundo ele, precisavam baixar os vidros dos veículos ao retornar para casa por determinações impostas por facções criminosas. Também citou o assassinato de um motorista de aplicativo, acompanhado da circulação de imagens do crime nas redes sociais.

O atendimento às famílias atípicas apareceu entre suas preocupações. O vice-governador eleito mencionou dificuldades para conseguir consultas e exames com neuropediatras, ausência de cuidadores nas salas de aula, falta de monitores nos pátios escolares e problemas enfrentados por mães que não conseguiam matricular os filhos.

Camargo afirmou que essas situações contribuíram para sua decisão de participar de um projeto político com a intenção de modificar a realidade dos serviços públicos.

A relação entre o futuro governo estadual e os representantes de Rondônia em Brasília também foi discutida na entrevista. Ao abordar o fortalecimento político do PL depois das eleições, o apresentador mencionou a presença da legenda no Governo de Rondônia, na Assembleia Legislativa, na Câmara dos Deputados e no Senado.

Vinícius Canova também recordou uma avaliação editorial sobre a participação de Léo Moraes nas eleições, descrevendo o prefeito como um dos beneficiados politicamente pelo resultado. Entre os fatores mencionados estavam a indicação de Camargo para a vice-governadoria, a eleição de parlamentares ligados ao grupo político do prefeito, a vitória de seu irmão e a posição de Sandra Moraes, mãe de Léo, como primeira suplente do senador eleito Fernando Máximo.

Ao responder, Camargo destacou a importância da articulação entre as diferentes esferas de poder. Segundo os números apresentados por ele, 43% dos recursos necessários ao funcionamento da administração pública estadual são provenientes de repasses federais.

“43%, ou seja, quase metade do dinheiro necessário para tocar a máquina pública aqui no estado de Rondônia, são repasses do governo federal”, afirmou.

O parlamentar avaliou que o alinhamento entre o novo governo e parte dos representantes eleitos poderá facilitar a construção de uma base de apoio. Citou PL, Podemos e Novo como legendas próximas do projeto e afirmou que essa composição poderia representar praticamente uma maioria na Assembleia Legislativa.

Também mencionou os senadores Jaime Bagattoli, Bruno Scheid e Fernando Máximo como integrantes de um campo político alinhado à futura administração.

Na Câmara dos Deputados, apresentou Lúcio Mosquini, Coronel Chrisóstomo e Sofia Andrade como representantes do PL. Também citou Jaime Gazola e Cristiane Lopes entre os nomes que associou ao Podemos e à articulação política de apoio ao governo.

Ao analisar essa composição, Camargo declarou que ainda considerava necessária uma aproximação maior com o governo federal. Para ele, a eleição de Flávio Bolsonaro à Presidência da República seria importante para os objetivos políticos e administrativos do grupo.

“Temos uma Assembleia Legislativa já alinhada. Afinal de contas, PL, Podemos e Novo já formamos praticamente a maioria com o Executivo. Nós temos os três senadores alinhados no projeto. Temos a maioria na bancada federal, só falta a cereja do bolo. E ela é a mais importante porque ela não é decorativa”, declarou.

O entrevistado afirmou que Flávio Bolsonaro já teria assumido compromissos relacionados a demandas de Rondônia. Entre eles, mencionou a possibilidade de rever as tarifas de pedágio previstas no contrato de concessão da BR-364.

“Tendo o presidente Flávio Bolsonaro lá em Brasília, ele já tem alguns compromissos firmados com o estado de Rondônia. Entre eles, nós podemos rever as tarifas do contrato de concessão da BR-364, dos pedágios”, afirmou.

Outro compromisso mencionado foi a regularização fundiária. Camargo defendeu a transferência de terras pertencentes à União para o governo estadual, de maneira que o Estado e as prefeituras possam trabalhar conjuntamente na titulação de propriedades.

Segundo ele, a entrega dos títulos permitiria que pequenos e médios produtores utilizassem a documentação para buscar financiamentos bancários e garantir maior segurança sobre a transmissão das propriedades aos filhos.

“O Flávio Bolsonaro tem um compromisso com o estado de Rondônia no tocante à regularização fundiária, titulação. Porque tem que passar as terras da União para o governo do Estado de Rondônia poder, junto com as prefeituras, fazer as titulações dessas propriedades, dando ao pequeno produtor, médio, títulos para que ele possa ir no banco pegar um financiamento, garantir a herança dos seus filhos”, declarou.

Ao falar sobre a disputa presidencial, Camargo classificou Rondônia como um estado identificado politicamente com a direita. Apesar disso, reconheceu que o grupo precisará buscar o apoio de eleitores que optaram por outras candidaturas.

“Rondônia é um Estado declaradamente de direita, mas a gente precisa ir agora atrás daqueles que apoiaram outros candidatos e trazer para o voto no 22”, afirmou.

A expectativa sobre os próximos quatro anos também foi abordada a partir da trajetória profissional do entrevistado. Camargo afirmou que pretende atuar como auxiliar de Marcos Rogério, utilizando sua experiência como delegado de polícia, sua formação policial e militar e os conhecimentos acumulados na Assembleia Legislativa.

Ao ser questionado sobre o encerramento do mandato de deputado estadual, explicou que pretende continuar trabalhando até o último momento permitido pela legislação. Segundo ele, embora o período parlamentar se estenda até o final de janeiro, precisará deixar a Assembleia anteriormente porque a posse no Executivo acontecerá antes da posse dos novos deputados.

O parlamentar também afirmou que realizou uma reunião com sua equipe depois das eleições para avaliar os resultados administrativos produzidos durante a campanha. Segundo relatou, os servidores do gabinete continuaram cumprindo suas jornadas regulares de expediente, enquanto a participação nas atividades políticas acontecia no período da tarde.

Camargo disse que mantém um sistema para acompanhar individualmente a produtividade dos integrantes do gabinete e afirmou que nenhum deles apresentou queda de desempenho no período analisado.

“E agora, pós-período eleitoral, voltei lá e perguntei pros meus servidores: quero saber a produtividade de cada um de vocês. E eu tenho um sistema lá que eu acompanho a métrica de cada um deles. E nenhum caiu em performance. Então, fico feliz e é isso que podem aguardar do governo Marcos Rogério e também do gabinete do vice-governador. Pessoas técnicas para entregar resultado para a nossa gente”, declarou.

O vice-governador eleito atribuiu parte dos resultados de sua atuação profissional à capacidade de selecionar pessoas qualificadas para trabalhar em equipe.

Ao recordar a passagem pela Polícia Civil, afirmou que recebeu, em 2022, um reconhecimento nacional como delegado de destaque, conforme levantamento do portal Delegados.com mencionado durante a entrevista. Camargo ressaltou que o resultado não poderia ser atribuído exclusivamente a ele, já que o trabalho na regional de Ariquemes era desenvolvido em conjunto com escrivães e agentes de polícia.

Segundo o parlamentar, a experiência influenciou a organização de seu gabinete na Assembleia Legislativa. Ao assumir o mandato, decidiu realizar um processo seletivo para escolher colaboradores, apesar de ter ouvido críticas de pessoas que consideravam o espaço parlamentar essencialmente político, e não técnico.

Camargo também citou um levantamento da Coluna Esplanada, de Brasília, que, segundo ele, o colocou como o deputado estadual mais produtivo do país. Mais uma vez, atribuiu o resultado ao desempenho da equipe.

A metodologia de acompanhamento de servidores, afirmou, deverá ser considerada na organização de seu futuro gabinete na vice-governadoria. A intenção apresentada é reunir pessoas com formação técnica e capacidade de produzir resultados administrativos.

A experiência policial também foi relacionada à maneira como Camargo pretende auxiliar o governador nas decisões. Segundo ele, a formação profissional desenvolveu sua capacidade de avaliar situações, observar diferentes cenários e antecipar consequências.

“Prudência é a capacidade de você prever os efeitos das suas decisões. Então, Deus me deu uma capacidade de olhar os cenários, talvez também pela minha formação policial, militar, conseguir ver o todo. Então pode tirar de mim, Rodrigo, um grande auxiliar do Marcos Rogério. Tudo aquilo que o governador depender de mim estaria à disposição para auxiliá-lo”, declarou.

Na avaliação do vice-governador eleito, sua função não será disputar protagonismo com Marcos Rogério, mas contribuir para que o governador disponha de informações e apoio suficientes na condução administrativa.

Camargo afirmou que pretende dedicar os próximos quatro anos à construção de uma gestão capaz de melhorar a prestação dos serviços públicos e atender às expectativas apresentadas durante a campanha eleitoral.

Ao encerrar sua participação no RD Entrevista, o parlamentar voltou a destacar o peso da responsabilidade assumida com a vitória. Segundo ele, os 537.370 votos recebidos pela chapa não devem ser interpretados como uma premiação pessoal ou uma manifestação de reconhecimento sem contrapartida, mas como a obrigação de trabalhar pela população.

“Sei que não são 537.370 aplausos que nós recebemos nas urnas, foram 537.370 motivos para trabalhar. Rondônia não nos entregou um troféu, Rondônia nos entregou uma responsabilidade e eu estou aqui inteiramente disposto a dar o meu melhor para que o Marcos Rogério seja lembrado como o melhor governador que esse estado já teve”, concluiu.

AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO)





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