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QUEIMADAS NO AMAZONAS

Fumaça de queimadas provoca suspensão de eventos em Manaus e mobiliza força-tarefa federal

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Governo federal envia 11 aeronaves para combater incêndios no Amazonas, que registra 6,9 mil focos de queimadas; ministro afirma que ajuda foi liberada após reconhecimento da emergência em 36 municípios.

Por Yan Simon - segunda-feira, 12/10/2026 - 09h09

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Porto Velho, RO – A deterioração da qualidade do ar em Manaus provocou o cancelamento de atividades públicas ao ar livre neste domingo (11) e na segunda-feira (12). A decisão foi tomada pela prefeitura diante da concentração de fumaça produzida pelos incêndios florestais que atingem o Amazonas. Enquanto a capital enfrenta restrições, uma operação federal reúne aeronaves, brigadistas, militares e profissionais de saúde para atender as áreas afetadas.

Dados do Painel do Clima, mantido pelo governo estadual, apontam 6.901 focos de queimadas registrados entre 1º e 11 de outubro. O levantamento representa um crescimento de 91,38% em comparação com o mesmo intervalo do ano anterior. A maior concentração ocorre no sul do Amazonas, com 3.485 registros, seguido pela Região Metropolitana de Manaus, onde foram contabilizadas 1.655 ocorrências.

A situação também preocupa as autoridades sanitárias. No sábado (10), a concentração de partículas finas em suspensão no ar, conhecidas como MP2,5, chegou a 196,4 microgramas por metro cúbico (µg/m³), às 6h. O indicador foi classificado como péssimo, repetindo o nível observado na sexta-feira (9).

Embora a medição tenha recuado para 46,4 µg/m³ no início da noite, a Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil Municipal (Sepdec) alertou para a possibilidade de novos episódios de poluição. A previsão indicava que a concentração poderia alcançar 169 µg/m³ durante a madrugada desta segunda-feira (12).

Como medida preventiva, foram suspensas as programações municipais nas Faixas Liberadas, no Parque Cidade da Criança, na Orla da Glória e no Parque Gigantes da Floresta. A Feirinha do Boi Manaus, prevista para ocorrer no Sambódromo e na Avenida do Samba, também foi atingida pela determinação.

A Prefeitura de Manaus informou que a retomada das atividades dependerá dos indicadores ambientais e da evolução das condições atmosféricas. O objetivo é reduzir a exposição da população à fumaça, que pode provocar irritação nos olhos, comprometer as vias respiratórias e agravar doenças preexistentes, principalmente entre crianças e idosos.

Para enfrentar os incêndios, o governo federal mobilizou 11 aeronaves, incluindo dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), que chegaram ao Amazonas no domingo (11). O início das operações dessas aeronaves estava previsto para segunda-feira (12).

A estrutura de atendimento reúne o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a Defesa Civil Nacional, o Ministério de Minas e Energia, as Forças Armadas e a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS).

Além do combate direto às chamas, estão previstas ações de transporte de equipes, distribuição de insumos, deslocamento de pacientes e reforço da assistência médica. O Ministério de Minas e Energia também participa da operação para assegurar o fornecimento de combustível às comunidades isoladas.

Durante entrevista coletiva realizada no domingo (11), o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, explicou que a formalização da situação de emergência pelo governo amazonense foi necessária para permitir a atuação federal nos municípios atingidos.

Segundo o ministro, o reconhecimento da emergência em 36 municípios ocorreu no mesmo dia em que a medida foi decretada pelo estado. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União, autorizando o emprego de recursos financeiros, equipamentos e profissionais federais.

Góes também respondeu às críticas feitas pelo comandante do Corpo de Bombeiros do Amazonas, que havia declarado a uma emissora de televisão que o governo federal estaria negando apoio ao estado.

O ministro contestou a afirmação e sustentou que a participação direta da União dependia do cumprimento dos procedimentos legais. Ao defender a cooperação entre os órgãos envolvidos, criticou a politização da crise e pediu atuação conjunta das instituições responsáveis pelo combate aos incêndios.

“Seria prudente que o comandante do Corpo de Bombeiros, em vez de tocar fogo, apagasse fogo”, declarou Waldez Góes durante a coletiva.

O ministro acrescentou que o atendimento à população deve ser prioridade e ressaltou a necessidade de integração entre as Defesas Civis municipal, estadual e nacional, além das equipes de brigadistas.

De acordo com Góes, o governo federal já havia promovido, mais de 30 dias antes, oficinas preparatórias com representantes estaduais e municipais. Os encontros abordaram os impactos das mudanças climáticas, a estiagem, o fenômeno El Niño e os riscos de incêndios florestais.

Ainda no domingo, Waldez Góes e o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, tinham previsto um sobrevoo pelas áreas afetadas na Região Metropolitana de Manaus. A falta de visibilidade provocada pela fumaça atrasou a operação, e o helicóptero conseguiu decolar por volta das 13h.

O governo federal mantém a mobilização de diferentes órgãos para enfrentar os incêndios e prestar assistência às comunidades atingidas. A combinação entre estiagem, queimadas e poluição atmosférica continua afetando municípios do interior e a capital amazonense.

Com informações de: Agência Brasil

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)





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