Coordenador da equipe de transição, deputado federal afirma ao Rondônia Dinâmica que o trabalho será técnico, dividido por áreas, e que a decisão sobre cortes e mudanças caberá ao governador eleito
Porto Velho, RO – A falta de informações sobre a real situação financeira de Rondônia será o primeiro alvo da equipe de transição do governador eleito Marcos Rogério. A avaliação é do deputado federal Lúcio Mosquini (PL), escolhido para coordenar o grupo, em entrevista exclusiva ao jornalista Vinicius Canova, do Informa Rondônia e Rondônia Dinâmica, feita por ligação de WhatsApp. “É levantar uma fotografia verdadeira da realidade do estado de Rondônia, porque ninguém sabe como está o governo, ninguém sabe quanto tem em caixa, quanto tem de dívida, quanto que já gastou, quanto que vai gastar”, disse o parlamentar ao ser perguntado sobre os primeiros passos.
O convite partiu do próprio governador eleito, que o tornou público em entrevista à Rádio 97,9 FM, de Machadinho d’Oeste. Na ocasião, Marcos Rogério descreveu o perfil que pretende dar ao grupo: “A nossa transição vai ser muito curta, muito enxuta, não vai ser muita gente, vai ser focado mais na parte técnica”. Ao justificar a escolha, citou a votação de Mosquini e a experiência anterior do deputado nesse tipo de trabalho.
Presente no mesmo estúdio, Mosquini confirmou já ter coordenado uma transição. “Eu fiz isso lá em 2011”, afirmou. Também na rádio, disse que não pretende ocupar espaço na nova administração nem apadrinhar nomes. “Eu não tenho gente para indicar para o Marcos”, declarou.
Ao Informa Rondônia, o deputado admitiu ter hesitado antes de aceitar. Ele relatou que, encerrada a disputa estadual, passou a acompanhar a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro em 30 municípios, com carreatas e reuniões, e que só aceitou a tarefa depois de uma segunda conversa com Marcos Rogério.
Na entrevista, Mosquini delimitou o papel da equipe. Segundo ele, o grupo terá vários coordenadores, cada um responsável por uma área, e não terá poder de decisão. “Minha missão lá é apresentar ao governador Marcos Rogério a realidade do Estado para ele tomar as decisões dele”, afirmou. Para explicar a lógica do trabalho, recorreu a uma comparação: “Equipe de transição são fotógrafos que fotografam a realidade.”
Perguntado se o levantamento serviria para expor irregularidades da gestão que deixa o governo, o deputado disse que não. “Tô numa missão do governo, não tô pra perseguir ninguém, não tô pra exonerar ninguém”, respondeu.
A conversa também tratou da votação recebida por Mosquini, que o próprio Marcos Rogério apontou como a maior entre os deputados federais do Estado. Na rádio de Machadinho d’Oeste, o parlamentar contou que ficou abaixo da própria expectativa apenas no palpite feito em casa: “Porque nós fizemos um bolão na minha casa, brincando, e eu coloquei 78 mil votos pra mim. Então eu esperava talvez os 80 mil que era a minha parte.”
Ao Rondônia Dinâmica, ele contestou a leitura de que o resultado seria fruto exclusivo do avanço bolsonarista. Mosquini lembrou que migrou do MDB para o PL recentemente e que, ainda no antigo partido, foi vice-líder de Bolsonaro por três anos. Ao comparar seu desempenho com o de um colega de legenda, afirmou: “Então, se fosse uma onda Bolsonaro, presta bem atenção, se fosse uma onda Bolsonaro, não era eu para ter os votos da onda.” Ele reconheceu, no entanto, ter contado com o apoio de Bolsonaro, do PL e de Marcos Rogério.
O deputado também atribuiu parte do resultado à postura de não personalizar críticas a adversários. Segundo ele, nenhum dos 3 mil vídeos publicados em seu Instagram nos últimos 12 anos ataca o presidente Lula como pessoa. “Naturalmente, eu combato e critico as ações do governo federal. Mas da pessoa, não”, disse.
Para o novo mandato na Câmara, Mosquini afirmou que não está em busca da liderança da bancada de Rondônia, embora não descarte que seu nome surja. Ele disse esperar menos resistência para defender o setor agropecuário e lembrou as dificuldades enfrentadas até aqui: “Porque se eu discutir com Marina Silva, se eu discutir com pessoas ideologicamente já alinhadas contra o produtor rural, dava muito trabalho.”
Com o retrato das contas em mãos, caberá a Marcos Rogério definir, a partir das informações reunidas pelos coordenadores de cada área, quais despesas e contratos serão mantidos, ampliados ou cortados na futura gestão.
AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO)
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