Presidente reeleito classificou a atitude do senador como vergonhosa e questionou o descumprimento de decisão do STF que determinava a entrega de passaportes à Polícia Federal
Porto Velho, RO – A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, menos de 48 horas depois de sua derrota na eleição presidencial, ocorreu em meio a investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e ao descumprimento de uma determinação judicial para entrega de seus passaportes. O parlamentar deixou o país com destino aos Estados Unidos, conforme informações divulgadas pela agência Reuters, após perder a disputa de domingo (25) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A decisão de deixar o território brasileiro foi relatada por fontes próximas ao senador e por representantes do governo norte-americano. Na terça-feira (27), o investidor e ex-secretário de Turismo do México, Simón Levy, também divulgou nas redes sociais informações sobre a chegada de Flávio aos Estados Unidos. Segundo Levy, a movimentação teria contado com uma articulação liderada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
Antes da viagem, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, havia determinado que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal (PF). A ordem, entretanto, não foi cumprida dentro do prazo estabelecido.
Flávio Bolsonaro é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a operações envolvendo plataformas de apostas online, conhecidas como bets. O procedimento também envolve o advogado Willer Tomaz, amigo do parlamentar. Ambos negam irregularidades. Outra investigação examina o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A repercussão da saída do senador chegou ao presidente Lula durante uma comemoração de seu aniversário de 81 anos, realizada na terça-feira (27), em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília. Diante de apoiadores, o chefe do Executivo criticou a atitude do adversário derrotado nas urnas e afirmou que ele deveria permanecer no país para responder aos questionamentos judiciais.
Ao comentar a viagem, Lula classificou a conduta como um ato vergonhoso. Na avaliação do presidente, a decisão de deixar o Brasil de maneira discreta levanta questionamentos sobre a situação do parlamentar perante a Justiça.
“O cidadão que sai escondido do seu país é porque deve alguma coisa”, declarou Lula.
Durante o pronunciamento, o presidente também questionou a ausência de entrega dos documentos exigidos judicialmente. Segundo ele, a Polícia Federal deveria ter considerado a possibilidade de o senador deixar o território nacional, especialmente diante da existência de investigações em andamento.
Para estabelecer uma comparação, Lula retomou acontecimentos de sua própria trajetória política e judicial. Ele recordou o período de abril de 2018, quando se apresentou à Polícia Federal para cumprir uma ordem de prisão, após entregar seu passaporte.
O presidente afirmou que decidiu permanecer no Brasil porque pretendia contestar as acusações apresentadas contra ele e demonstrar sua inocência. Na ocasião, Lula ficou preso durante 580 dias, até ser libertado em 8 de novembro de 2019.
A situação judicial do petista sofreu mudanças em 2021, quando o Supremo Tribunal Federal anulou condenações relacionadas aos processos conduzidos pelo então juiz Sergio Moro. O STF também reconheceu a parcialidade de Moro no julgamento envolvendo o atual presidente.
Moro, que posteriormente ingressou na política, foi eleito governador pelo Partido Liberal (PL), mesma legenda de Flávio Bolsonaro, com quem mantém alinhamento político.
Ainda durante o encontro com apoiadores no Palácio da Alvorada, Lula relacionou sua trajetória judicial ao resultado das eleições presidenciais de 2026. Reeleito no domingo (25), ele agradeceu o apoio recebido e ressaltou que sua permanência na vida política ocorreu após os desdobramentos dos processos judiciais.
Ao encerrar suas considerações sobre o episódio envolvendo Flávio Bolsonaro, o presidente defendeu que pessoas submetidas a investigações devem responder aos questionamentos das autoridades.
“Quem não deve, não teme”, afirmou Lula.
A saída de Flávio Bolsonaro ocorreu em um momento de repercussão política e judicial, marcado pela derrota nas eleições presidenciais, pela apuração de suspeitas envolvendo movimentações financeiras e pelo não cumprimento da determinação do STF relacionada aos seus documentos de viagem.
Com informações de: Agência Brasil
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
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