Decisão foi unânime e interrompe uma sequência de cinco cortes seguidos desde abril; inflação em 12 meses subiu para 4,62% e furou o teto da meta
Porto Velho, RO – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa básica de juros em 13,75% ao ano, por unanimidade. A decisão contrariou o mercado, que esperava mais um corte, de 0,25 ponto percentual, e interrompeu uma sequência de cinco reduções seguidas iniciada em abril.
A Selic havia ficado parada em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026. De abril para cá, o comitê vinha cortando a taxa reunião após reunião até chegar aos atuais 13,75%.
O que mudou foi a inflação. O IPCA acumulado em 12 meses subiu de 4,5% para 4,62%, acima do teto da meta. O sistema brasileiro trabalha hoje com meta contínua de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo — ou seja, o limite superior é 4,5%, e o índice passou dele.
A taxa básica de juros é o principal instrumento do Banco Central para conter a inflação. Juros mais altos encarecem o crédito e desestimulam o consumo e a produção; juros mais baixos fazem o caminho inverso, mas pressionam os preços.
Para quem está em Rondônia, o efeito prático é direto: financiamento de casa, de carro, crédito para capital de giro e rotativo do cartão seguem no mesmo patamar, sem o alívio que o mercado projetava para novembro.
O boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, projeta IPCA de 5,22% e crescimento do PIB de 1,76% para 2026.
O IPCA cheio de setembro será divulgado no dia 12.
Dois diretores do Banco Central, Renato Gomes e Diego Guillen, estão com mandato vencido desde o fim de 2025.
Foto: Rafa Neddermeyer / Agência Brasil
Com informações de: Agência Brasil
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
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