Em artigo publicado no domingo (13), parlamentar de Rondônia compara ex-presidente dos EUA a Nero e questiona impacto do trumpismo sobre o Brasil e os imigrantes
Porto Velho, RO – O senador Confúcio Moura (MDB-RO) publicou no domingo (13) um artigo em seu blog pessoal com duras críticas à atuação do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Intitulado “Trumpismo: o império do medo e da tarifa”, o texto aponta o recente aumento de 50% nas tarifas sobre o aço e alumínio brasileiros como parte de um movimento mais amplo que, segundo o parlamentar, representa uma ameaça à soberania de países em desenvolvimento e aos direitos de imigrantes nos Estados Unidos.
“Eu já vi muita coisa nesta vida, mas esse Trump… esse não é brinquedo, não. O sujeito acorda de manhã já querendo botar fogo no mundo”, escreveu o senador, ao comparar o político republicano ao imperador romano Nero. “Trump não toca lira – ele urra. Urrando, ele impõe tarifaço de 50% no aço e alumínio do Brasil como se fosse castigo de escola.”
Ao longo do texto, Moura afirma que o ex-presidente norte-americano age com desdém não apenas com outras nações, mas também com seus próprios conterrâneos. “Se o camarada torce o nariz até pra Harvard, como é que vai gostar do Brasil, da Indonésia, do Cazaquistão? Não gosta nem de quem é da casa.”
O artigo também cita episódios anteriores da política externa de Trump, como a imposição de barreiras comerciais, o incentivo à construção de muros e a hostilidade a comunidades latinas, asiáticas e africanas. “Mexicano, nem morto – manda fazer muro de dez metros, achando que concreto segura dignidade. Haitiano, então, nem se fala. Tem pavor dos rituais, dos tambores, dos rostos negros.”
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Confúcio ainda criticou o apoio de Trump a políticas autoritárias em países da América Central. “Salvadorenhos ele tolera só porque o Bukele, o jovem ditador em construção, ergueu um presídio pra quarenta mil. Trump aplaudiu e ainda mandou pra lá uma leva de migrantes, como se fossem carga.”
De acordo com o senador, o aumento de tarifas sobre produtos brasileiros seria apenas “a superfície” de um projeto mais profundo. “O subterrâneo é mais sombrio. A mira está nos onze milhões de imigrantes latinos, africanos, asiáticos – os lavadores de prato, cortadores de grama, carregadores de saco de cimento, cuidadores de idosos, lavadores de banheiro.”
Na avaliação do parlamentar, Trump estaria promovendo uma agenda de exclusão e retrocesso. “Quer bala nos índios, corrente nos negros. E se pudesse, voltava o filme todo pra era do faroeste, onde a lei era o revólver e a justiça, o cavalo mais rápido.”
Ao final do artigo, Confúcio Moura alerta para os impactos desse modelo político no Brasil. “E a gente aqui? Que se cuide. Porque o mundo, se depender dele, será dividido entre quem manda e quem obedece. E o Brasil, com essa mania de bajular império, corre o risco de virar colônia de novo – só que agora com imposto de importação e sem direito a gritar.”
