Influenciador Jailton Delogo cobra responsabilidade social de motoristas e orienta denúncias a órgãos de defesa diante de possíveis práticas discriminatórias
Porto Velho, RO – Cancelamentos sucessivos, atrasos e constrangimentos têm sido relatados por pessoas com deficiência que utilizam transporte por aplicativo em Porto Velho. Usuários com deficiência visual e cadeirantes afirmam que corridas são aceitas e, em seguida, canceladas quando o motorista percebe a condição do passageiro. O que deveria assegurar mobilidade e autonomia acaba, segundo os relatos, transformando-se em mais uma barreira no cotidiano.
Embora a conduta não seja atribuída à totalidade dos profissionais, há registros frequentes de resistência no atendimento, especialmente a cadeirantes. A dificuldade para acomodar cadeiras de rodas e a alegação de falta de tempo para auxiliar no embarque são justificativas mencionadas por motoristas. Também foram relatadas perguntas consideradas invasivas e comentários inadequados, ampliando o desconforto de quem depende do serviço para se deslocar.
A legislação brasileira estabelece igualdade de acesso aos serviços de transporte e veda qualquer forma de discriminação contra pessoas com deficiência. Por se tratar de atividade ofertada ao público mediante remuneração, o atendimento deve observar princípios de qualidade, urbanidade e respeito, conforme previsto nas normas de inclusão. A apuração indica que as empresas responsáveis pelas plataformas não podem admitir recusas fundamentadas na condição física do passageiro.
AS ÚLTIMAS OPINIÕES
O tema ganhou espaço no quadro Momento da Inclusão, exibido em 25 de fevereiro na TV Rondônia. Durante a participação, o influenciador e ativista da acessibilidade Jailton Delogo afirmou que o motorista exerce função essencial na dinâmica urbana e que a prestação do serviço envolve responsabilidade social. Ele destacou que atender uma pessoa com deficiência não configura favor, mas dever profissional e humano, e reforçou: “Não custa conduzir, não custa ajudar.”
Segundo orientação apresentada no programa, casos de negativa de atendimento devem ser comunicados ao Procon e, se necessário, ao Poder Judiciário. Também foi mencionado que o Ministério Público, por meio das Promotorias de Justiça, realiza atendimento a cidadãos que tenham sofrido discriminação ou recusa indevida de serviço.
Apesar das denúncias, parte dos usuários afirma evitar o registro formal de ocorrência por receio de exposição ou dificuldade para reunir provas. Especialistas apontam que a ausência de comunicação contribui para a manutenção das práticas relatadas e defendem maior conscientização, capacitação e empatia no atendimento.
Enquanto o transporte por aplicativos se consolida como alternativa relevante nas cidades, pessoas com deficiência ainda relatam obstáculos não apenas na infraestrutura urbana, mas no comportamento de quem deveria assegurar o deslocamento. A discussão reacende o debate sobre inclusão e respeito no acesso a serviços essenciais.
