Um coronel que defende confronto direto com facções, prisão perpétua para criminosos e rejeita guardas municipais armadas surge como possível candidato ao Governo de Rondônia em 2026
Porto Velho, RO – O nome do coronel Régis Wellington Braguin Silvério, comandante-geral da Polícia Militar de Rondônia, passou a circular no debate político depois que a coluna Resenha Política, assinada por Robson Oliveira, revelou que ele teria admitido em conversa reservada a possibilidade de disputar o Governo do Estado em 2026. A ideia não foi ventilada no podcast em que foi entrevistado, mas a menção bastou para incendiar os bastidores e levantar uma questão inevitável: Rondônia estaria disposta a colocar na urna um coronel que promete guerra aberta ao Comando Vermelho e ao PCC?
RELEMBRE
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Braguin não suaviza seu discurso.
Em suas declarações públicas, ele afirma que “90% dos homicídios em Rondônia decorrem do fomento do crime organizado” e que a escalada da violência “só para no confronto bélico”. A postura é a de quem não recua diante da batalha, e o repertório de operações reforça essa imagem: ocupações, neutralizações de lideranças de facções, enfrentamentos que resultaram em mortes de criminosos e pedidos de reforço nacional para sustentar as tropas no terreno. Para o coronel, a ordem é simples: “Segurança pública se conquista com ação. A Polícia Militar combate, avança, faz operação e vai para o enfrentamento, dentro da lei”.
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Esse tom de guerra, repetido em diversas entrevistas, inclui ainda a defesa da prisão perpétua para faccionados tipificados como terroristas e a crítica ao que chama de “prisão esportiva”, em referência ao modelo jurídico que, segundo ele, prende para soltar em seguida. “Tudo que o policial quer é que, quando prender, o cara fique preso e pague pela pena”, resumiu. No mesmo compasso, Braguin rechaça a transformação das guardas municipais em polícias armadas e ataca a proposta do Ministério da Justiça de criar um sistema único de segurança pública sem vinculação de recursos, chamando-a de “perfumaria”.
Não se trata, portanto, de um perfil qualquer. Braguin fala em confronto com facções urbanas, em insurgência criminal no campo — ao descrever a LCP como grupo armado que atua com táticas de guerrilha — e em infiltração do Comando Vermelho no garimpo do rio Madeira. A imagem projetada é a de um oficial linha-dura, forjado em trincheiras onde barricadas, armas pesadas e dragas ilegais se misturam ao cotidiano da corporação.
A eventual candidatura traz uma provocação ao eleitorado: depois de dois mandatos de Marcos Rocha, também militar, Rondônia aceitaria novamente um coronel no Palácio Rio Madeira? De um lado, a sociedade convive com o medo das facções e pode encontrar no discurso de Braguin um porto seguro contra a criminalidade. De outro, há quem questione se a repetição da fórmula militar seria capaz de oferecer respostas além do campo da segurança, num estado que também enfrenta dilemas em saúde, educação e desenvolvimento econômico.
O que não passa despercebido é o simbolismo. Um coronel que promete guerra ao Comando Vermelho e ao PCC cogita se lançar ao governo no momento em que a violência e a política parecem se entrelaçar como nunca. Se a candidatura se confirmar, o eleitor terá diante de si uma escolha clara: endossar a continuidade de um projeto nascido nos quartéis ou encerrar de vez o ciclo militar na chefia do Executivo estadual.
O campo de batalha, dessa vez, pode ser o das urnas. E a ordem, se vier, caberá ao eleitor cumprir ou recusar.
