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COLUNA DO SPERANÇA
Rocha e a sucessão estadual; Marcos Rogério e a consolidação bolsonarista; Hildon e a disputa silenciosa pelo centro político

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Movimentações partidárias, candidaturas que não empolgam, alianças em construção e os bastidores que já desenham o mapa da eleição de 2026 em Rondônia

Por Carlos Sperança - terça-feira, 03/02/2026 - 08h27

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Nesta terça-feira, 03, o jornalista Carlos Sperança analisa o tabuleiro político rondoniense a partir das primeiras definições para a sucessão estadual, passando pela força antecipada da candidatura de Marcos Rogério e suas alianças estratégicas, pelas dificuldades internas do PT em emplacar um nome competitivo, pelo reposicionamento do governador Marcos Rocha no PSD e pelas articulações que transformam Hildon Chaves em uma das figuras mais cobiçadas do centro político, em um cenário marcado por fragmentação, disputas internas e apostas de longo prazo para 2026.

Peixões na rede

Quando for contada no futuro a história da polarização Lula x Bolsonaro, uma das conclusões será que apesar de seus adeptos se vigiarem e terem a certeza de que melhoraram o país, ambos foram incapazes de prevenir e punir as malandragens que resultaram no ruidoso Caso Master.

Como atualmente tudo que se pensa no mundo leva em conta a Amazônia, a região também não poderia escapar do amplo raio de alcance das estripulias vigaristas, financeiras e tecnológicas do Banco Master. Já que a propaganda é a alma do negócio, ela foi o instrumento utilizado para convencer muitos de que o Banco Master era a cara do novo Brasil pós-Lula e pós-Bolsonaro.

Com relações tanto três poderes e nas três forças políticas principais do país na atualidade – o lulismo, o bolsonarismo e o Centrão –, com essa amplitude, seria impossível não haver respingos sobre a Amazônia. Eles vêm de um projeto de créditos de carbono da família Vorcaro com valores inflados, sem lastro na realidade do mercado. No futuro também será dito que esse foi um dos maiores escândalos nacionais com créditos de carbono.

Pelo andar da carruagem, será difícil para qualquer líder brasileiro destacado não estar de alguma forma envolvido com o Caso Master, no mínimo por pertencer a um partido ou instituição que caiu nas garras do esquema. A operação Compliance Zero abriu uma caixa de marimbondos.

Primeiras definições

Com a transferência do governador Marcos Rocha para o PSD começam então as definições para a disputa do governo de Rondônia. Já são considerados pré-candidatos declarados, o atual prefeito de Cacoal Adailton Fúria (PSD), com apoio do atual mandatário Marcos Rocha e, portanto, assumindo a bandeira situacionista. Também está definido o nome do atual senador Marcos Rogério (PL) que vem com toda a força no estado do ex-presidente Jair Bolsonaro. O PT anunciou o ex-deputado federal Expedito Neto, oriundo do PSD. Em tratativas segue as especulações em torno da postulação do ex-prefeito de Porto Velho Hildon Chaves (PSDB).

Não colou

Nos bastidores políticos o que se diz é que a candidatura de Expedito Neto pelo PT não colou. Mas a ordem vem de cima, e os petistas, como os bolsonaristas, são obedientes as decisões das instâncias superiores. Os petistas teriam escolha mais coerente, como a candidatura do ex-deputado federal Anselmo de Jesus (base em Ji-Paraná), pai da atual deputada estadual Claudia de Jesus e até do ex-petista que também foi vice-governador, Daniel Pereira, ligado ao sindicalismo. Mas as alianças petistas passam pelas convenções partidárias em julho e alguma coisa pode ser alterada.

Chapa poderosa

Num previsível segundo turno, em vista da fragmentação de candidatura no eleitorado rondoniense, a eleição ao Palácio Rio Madeira, sede do governo estadual, tem a chapa liderada pelo senador Marcos Rogério (PL) já bem configurada. Ele tem seus dois candidatos ao Senado já alinhados que são o deputado federal Fernando Máximo (Porto Velho) e o pecuarista Bruno Scheidt (Ji-Paraná). Também o atual prefeito de Cacoal está com as tratativas avançadas: seu candidato a vice-governador virá da aliança com o governador Marcos Rocha. Possivelmente sua candidata ao Senado será a atual deputada federal Silvia Cristina (PP).

No enfrentamento

Em termos de estruturação partidária e número de deputados estaduais e federais, o União Brasil está melhor aquinhoado para a peleja 2026 em Rondônia. Mas está sem um candidato a governador competitivo, já que o vice-governador Sergio Gonçalves praticamente paralisou a campanha ao CPA depois que soube da permanência do governador Marcos Rocha até o final do mandato. Mas com a janela partidária em março, acredita-se que as forças das nominatas das chapas às instâncias legislativas estaduais e federais lideradas por Marcos Rogério e Adailton Fúria se equiparem mais à frente numa peleja mais equilibrada.

Mais protagonistas

Mas na eleição que por enquanto tem o favoritismo do senador Marcos Rogério (PL) e do prefeito de Cacoal Adailton Fúria (PSD) com certeza teremos mais protagonistas adiante. Existe a possibilidade, por exemplo, do ex-prefeito Hildon Chaves pilotar a chapa do União Progressista, que reúne o União Brasil e os Progressistas. Também o nome do ex-prefeito tucano é lembrado para disputar o governo estadual pela aliança liderada pelo MDB. Está sendo uma noiva bem cobiçada como alternativa ao bolsonarismo raiz de Rogério e do conservadorismo mais recatado de Fúria.

Via Direta

*** A Rede DB de supermercados é a segunda de Manaus a fechar as portas em Porto Velho. A primeira foi a das Casas do Óleo ainda na década de 90. A concorrência local é muito forte. As redes Gonçalves e Meta não dão moleza para a concorrência de outros estados. *** Por falar em redes, as de farmácias e de óticas proliferam pelas principais avenidas da capital rondoniense. É uma disputa feroz pelo mercado farmacêutico. *** O narcotráfico tomou conta dos garimpos clandestinos em Rondônia e Mato Grosso. O comércio do ouro está dando mais lucro do que o das drogas. É coisa de louco. *** Mais da metade dos vereadores da capital já está na peleja por cadeiras à Assembleia Legislativa de Rondônia. São predadores afiados.

AUTOR: CARLOS SPERANÇA





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