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COLUNA DO MONTEZUMA
O menino viu

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Um registro cru dos anos de migração em Rondônia, quando mortes no campo eram tratadas como rotina e investigadas à distância, sem perícia e sem respostas.

Por Montezuma Cruz - segunda-feira, 02/02/2026 - 16h04

O garoto que caminhava nos arredores do Centro de Triagem de Migrantes (Cetremi), em Vilhena, não teve dificuldade para ver de perto o cadáver no chão da camionete. 

Minutos antes circulava pelo local o repórter fotográfico Kim-Ir-Sen Pires Leal, que também se surpreendera com o fato.

Kim aproximou-se e clicou o menino na parte traseira do veículo observando o corpo de um homem atingido pela própria motosserra. Ele trabalhava em derrubadas numa fazenda e após o acidente fatal foi levado para Vilhena. Curioso é que estava de mãos amarradas por uma corda.

Segundo Kim relata, isso aconteceu no início dos anos 1980 durante o movimentado período migratório rumo a Rondônia.

Era comum a ocorrência de acidentes no interior das fazendas no sul do território federal e na região noroeste de Mato Grosso, próxima ao município.

Inquéritos trabalhistas que investigavam situações semelhantes eram demorados, cabendo à Polícia Civil e ao Instituto Médico-Legal, providenciar o sepultamento e o atestado de óbito do “peão.”

À falta de perícia técnica no local do acidente valia o depoimento de quem entregava o corpo à autoridade distante muitas vezes mais de duzentos quilômetros.

O Vale do Guaporé ficou muito conhecido pelos acidentes com máquinas, práticas de sevícias, tortura a trabalhadores, e escravidão.
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Publicado originalmente no jornal Cool do Mundo, em Vilhena

AUTOR: MONTEZUMA CRUZ





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