Projeto voltado a mulheres empreendedoras e produtores rurais prevê ações em cadeias de café e cacau entre 2026 e 2027
Porto Velho, RO – A implementação de um projeto voltado à bioeconomia deverá beneficiar diretamente 600 pessoas em Rondônia, com foco em mulheres empreendedoras e agricultores familiares inseridos nas cadeias produtivas de café e cacau. A iniciativa será executada no período de 2026 a 2027 e prevê ações de capacitação, organização produtiva e acesso a mercados, com participação de municípios como Alta Floresta d’Oeste, Cacoal, Novo Horizonte d’Oeste, Jaru, Ariquemes e Ouro Preto do Oeste.
Com aporte financeiro próximo de R$ 10 milhões, o projeto foi viabilizado por meio de parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU), com recursos oriundos do Canadá. A formalização ocorreu durante evento realizado no Palácio Rio Madeira, em Porto Velho, marcando a adesão do estado à iniciativa denominada “Inclusão e Empoderamento de Mulheres Empreendedoras e de Agricultores Familiares por meio da Bioeconomia”.
A seleção da proposta ocorreu em um processo conduzido pelo Fundo Brasil-ONU, considerado rigoroso. Foram avaliadas 21 iniciativas de estados da Amazônia Legal. Destas, nove atenderam aos critérios exigidos e apenas cinco foram aprovadas, incluindo o projeto apresentado por Rondônia. Segundo o governador Marcos Rocha, o reconhecimento internacional indica a consolidação de uma estratégia voltada à atração de investimentos alinhados à preservação ambiental e à melhoria das condições de vida da população. Ele afirmou que a validação do projeto demonstra que o estado tem avançado na combinação entre crescimento econômico e redução de impactos ambientais, destacando que a proposta poderá servir de referência para a região amazônica.
A construção da proposta foi atribuída ao trabalho conjunto de diferentes setores do governo estadual. O secretário de Integração em Brasília (Sibra), Augusto Leonel, afirmou que a iniciativa reflete uma atuação proativa na busca por recursos externos, com foco em políticas públicas voltadas ao desenvolvimento social e sustentável.
A avaliação positiva também foi destacada por representantes de organismos internacionais. A coordenadora residente da ONU no Brasil, Silvia Rucks, declarou que a proposta foi escolhida por valorizar o conhecimento local e por promover práticas produtivas com foco em regeneração ambiental e igualdade de gênero. Segundo ela, a iniciativa transforma a bioeconomia em uma ação concreta, com impacto direto nas comunidades atendidas.
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O processo seletivo e o desempenho do estado foram detalhados pela secretária-executiva do Consórcio Amazônia Legal, Vanessa Duarte. Ela explicou que, das 21 propostas analisadas, apenas cinco foram aprovadas, incluindo a de Rondônia, o que evidencia a capacidade técnica do estado na elaboração de projetos com potencial de captação internacional.
A execução contará com apoio de agências vinculadas à ONU, como a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a ONU Mulheres. O representante da FAO no Brasil, Jorge Meza, afirmou que o projeto reúne capacitação técnica e orientação de mercado, com potencial de ampliar a inserção dos produtos no mercado externo com certificação sustentável.
Já a representante da ONU Mulheres, Gillianne Palayret, destacou que a iniciativa poderá ampliar o acesso das mulheres a crédito, capacitação e oportunidades, contribuindo para a valorização da participação feminina na economia rural. A secretária estadual da Mulher, da Família, da Assistência e do Desenvolvimento Social, Luana Rocha, acrescentou que as ações também estarão articuladas com políticas de proteção social, como o programa Mulher Protegida.
Além da ONU e do governo estadual, o projeto deverá envolver instituições como a Embrapa, a Emater/RO, o Sebrae, ministérios federais e a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), além de investidores privados.
No cenário produtivo, Rondônia ocupa posição de destaque nas cadeias contempladas. O estado é o quinto maior produtor de café do Brasil e o segundo na produção de robusta, com cerca de 17 mil agricultores envolvidos na atividade. Já na cacauicultura, ocupa a segunda colocação na Região Norte e a quarta posição no ranking nacional, com mais de 3 mil produtores e produção anual superior a oito milhões de toneladas de amêndoas secas, conforme dados do IBGE.
Com informações de: Governo de Rondônia
