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ELEIÇÕES 2026
Samuel Costa cita Netto por impeachment de Dilma, ataca Célio Lopes, defende desmilitarização da PM e propõe “prova de conhecimento” entre pré-candidatos em Rondônia

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Em entrevista ao RD Entrevista, pré-candidato do PSB também criticou Adaílton Fúria, reafirmou apoio a Lula no plano nacional e afirmou que a disputa pelo Governo de Rondônia deve ser conduzida com foco em gestão pública

Por Vinicius Canova - quarta-feira, 15/04/2026 - 09h22

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Porto Velho, RO – O pré-candidato ao Governo de Rondônia pelo PSB, Samuel Costa, utilizou sua participação na estreia do podcast RD Entrevista para fazer uma ampla exposição de sua estratégia política para a corrida eleitoral de 2026, reafirmar seu alinhamento ideológico com o campo progressista e lançar críticas a adversários externos e internos ao seu espectro político. Ao longo da entrevista, apresentada pelo jornalista Vinícius Canova e produzida pelo Rondônia Dinâmica em parceria com o Informa Rondônia, Samuel sustentou que reúne maior preparo técnico que os demais postulantes ao Palácio Rio Madeira e desafiou publicamente os concorrentes ao afirmar que, em uma comparação de conhecimento sobre máquina pública, administração e processo legislativo, teria desempenho superior ao dos demais nomes colocados na disputa.

Ao defender sua viabilidade eleitoral em um estado de perfil majoritamente conservador, Samuel afirmou que não pretende renunciar às próprias convicções ideológicas, mas argumentou que a eleição estadual deve ser conduzida sob lógica distinta da polarização nacional. Segundo ele, sua campanha buscará concentrar o debate em gestão e administração pública, adotando como diretriz o lema “nem direita nem esquerda, pra frente”. Ainda nesse contexto, reiterou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no cenário nacional, declarando que continuará votando no petista, embora sustente que a disputa pelo governo estadual não deva ser reduzida à dicotomia entre lulismo e bolsonarismo.

Durante a entrevista, Samuel também explicou os motivos de sua saída da Rede Sustentabilidade para ingressar no PSB, legenda presidida em Rondônia por Vinícius Miguel. Segundo o pré-candidato, a mudança partidária decorreu da necessidade de unificar o campo progressista e evitar erros estratégicos de eleições anteriores, marcadas, segundo sua avaliação, por fragmentação excessiva de candidaturas semelhantes. Ele afirmou que a construção da aliança com Vinícius Miguel ocorreu de forma reservada para impedir movimentações antecipadas de grupos políticos tradicionais contrários ao projeto.

Um dos momentos mais contundentes da entrevista ocorreu quando Samuel voltou suas críticas contra o prefeito licenciado de Cacoal e também pré-candidato ao Governo, Adaílton Fúria, do PSD. Ao comentar posições do adversário relacionadas à pandemia de Covid-19, afirmou que não se pode “romantizar matanças exacerbadas” e associou esse tipo de discurso às mortes ocorridas durante a crise sanitária. Na sequência, citou perdas pessoais sofridas em sua família durante o período pandêmico e acusou adversários de utilizarem o tema de forma política para tentar influenciar o eleitorado.

Samuel ainda questionou a atuação de Fúria no período em que presidiu a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Rondônia. Segundo ele, não houve atuação concreta do então deputado estadual para enfrentar os problemas estruturais da saúde pública, mencionando a ausência de medidas como ações civis públicas, mandados de segurança, audiências públicas e outras iniciativas institucionais voltadas ao setor. Ao comentar promessas atuais do adversário para a área, resumiu a crítica com a indagação: “Resolver como?”.

No campo da esquerda, Samuel afirmou enfrentar resistência de setores progressistas que, segundo ele, ainda demonstram preferência por outros nomes. Sem apontar diretamente dirigentes específicos, sugeriu haver seletividade interna na forma como candidaturas são acolhidas dentro do espectro progressista e mencionou de forma indireta a aproximação de segmentos da esquerda com o pré-candidato Expedito Netto, lembrando o histórico de voto do ex-deputado federal pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff em 2016.

Nesse mesmo eixo de crítica interna, voltou a atacar o ex-candidato à Prefeitura de Porto Velho Célio Lopes, afirmando que determinadas candidaturas são artificialmente construídas e carecem de identidade política própria. Disse que um candidato produzido “em laboratório” se transforma em um “Frankenstein” político e sustentou que parte relevante da votação obtida por nomes progressistas decorre do eleitorado ideologicamente consolidado da esquerda, e não necessariamente de força eleitoral individual.

Ao abordar sua própria trajetória eleitoral, Samuel rejeitou a ideia de ser apenas um candidato de boa performance retórica sem capacidade de converter exposição em votos. Como argumento, relembrou debates eleitorais anteriores e afirmou que seu desempenho em confronto direto teria sido determinante para enfraquecer a candidatura de Euma Tourinho na disputa pela Prefeitura de Porto Velho. Também relatou já ter sido comparado por aliados à Seleção Brasileira de 1986, em referência ao reconhecimento técnico sem correspondente êxito eleitoral.

Questionado sobre a composição de sua chapa, Samuel defendeu a escolha de um policial militar como vice e afirmou que a decisão busca ampliar o diálogo com setores conservadores e da segurança pública. Segundo ele, a presença de um integrante das forças de segurança na chapa não contradiz sua visão progressista e serviria para aproximar o projeto de segmentos tradicionalmente distantes da esquerda. Na mesma resposta, sustentou que parte significativa dos praças seria favorável a mudanças estruturais no atual modelo de segurança pública, incluindo debates sobre desmilitarização.

Ao longo da entrevista, o pré-candidato também criticou campanhas eleitorais de alto custo, questionou o modelo de atuação de parte da classe política estadual e afirmou que muitos mandatos são sustentados por marketing e entregas pontuais, e não por soluções estruturais para os problemas do estado. Apesar das críticas à atual gestão estadual, reconheceu avanços em áreas específicas, mencionando programas como o Prato Fácil e ações de infraestrutura, embora tenha reiterado que a saúde pública permanece como principal gargalo administrativo de Rondônia.

No encerramento da entrevista, Samuel adotou tom mais pessoal, afirmou estar em processo de amadurecimento político e humano, pediu perdão por declarações passadas que eventualmente tenham ofendido eleitores e declarou que, se eleito governador, exercerá o mandato em dedicação integral. Ao resumir sua disposição para a eventual gestão, afirmou: “Ou eu quebro, ou eu sou quebrado”.

AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO) – LinkedIn





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