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ELEIÇÕES 2026
Hildon Chaves fala sobre “namoro” com Cassol; elogia Caiado; diz que “faltam cabelos brancos” a Fúria e aborda migração para o União Brasil

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Em entrevista ao RD Entrevista, ex-prefeito de Porto Velho aborda alianças, mudança partidária, escolha de vice, episódios do passado político e posições sobre adversários e cenário nacional

Por Vinicius Canova - quarta-feira, 22/04/2026 - 09h16

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Porto Velho, RO – A definição de alianças e a estrutura de poder dentro de um eventual governo foram pontos centrais da participação do ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves (União Brasil), no segundo episódio do podcast RD Entrevista, conduzido por Vinícius Canova nos estúdios do Rondônia Dinâmica em parceria com o Informa Rondônia. Ao tratar da relação com os irmãos Gonçalves, o pré-candidato foi categórico ao negar qualquer compromisso político. Segundo ele, não existe obrigação de incluí-los em sua futura administração e tampouco houve diálogo nesse sentido, afirmando que “nunca existiu nenhuma conversa”.

Ainda no campo das articulações, Hildon explicou a saída do PSDB e a migração para o União Brasil. A decisão, conforme relatou, ocorreu após mudanças na direção nacional tucana, que esfriaram acordos anteriormente estabelecidos. Ele mencionou que o partido perdeu força política e se tornou insuficiente para sustentar sua pré-candidatura, acrescentando que a nova filiação foi construída com participação de Maurício Carvalho e Cirone Deiró.

A composição de chapa, por sua vez, foi tratada como movimento estratégico. Questionado sobre a escolha de Cirone Deiró para vice, Hildon reconheceu que a decisão teve impacto direto na ocupação de espaços eleitorais. Disse que o efeito foi “imediato” e associou a escolha à capacidade de alcance político do deputado em diferentes regiões do estado, incluindo a região central, o Cone Sul e áreas influenciadas por sua base familiar e eleitoral.

No mesmo bloco, o ex-prefeito comentou a relação com o ex-governador Ivo Cassol. Ele confirmou proximidade pessoal e relatou convivência recente com a família do ex-mandatário, inclusive durante viagem ao exterior. Ao ser provocado sobre a chamada “maldição do Ivo”, descartou a tese e atribuiu eventuais derrotas eleitorais a fragilidades dos próprios candidatos apoiados, afirmando que “essa maldição não existe”.

Ao abordar adversários, Hildon retomou declarações anteriores sobre Adaílton Fúria e manteve a avaliação de que o prefeito de Cacoal ainda não estaria preparado para governar o estado. Embora tenha reconhecido esforço administrativo, reforçou diferenças de experiência e dimensão de gestão, destacando que sua passagem pela capital envolveu desafios mais amplos. Em tom crítico, também apontou divergência na condução de mandatos, afirmando que não considera adequado deixar cargos antes do término, em referência à trajetória política do adversário.

A discussão sobre histórico político incluiu episódios de suas gestões anteriores. Ao falar sobre a escolha de vices, mencionou dificuldades na formação da primeira chapa municipal e relatou que a definição ocorreu em prazo reduzido. Disse que a relação com o primeiro vice terminou em ruptura, citando problemas de atuação e um episódio de busca e apreensão no gabinete, que, segundo ele, ocorreu quando o rompimento já estava em curso. Sobre o segundo vice, Maurício Carvalho, diferenciou a situação ao destacar que houve renúncia para disputar outro cargo eletivo, ressaltando manter relação “fantástica” com o aliado.

Em relação a Mauro Nazif, Hildon afirmou manter proximidade pessoal e política, inclusive tendo participado de articulações partidárias envolvendo o ex-prefeito. A menção ao nome trouxe lembranças do início de sua trajetória política, período marcado por embates eleitorais, que ele relembrou de forma descontraída ao citar comentário da deputada Ieda Chaves.

O ex-prefeito também comentou o cenário nacional ao tratar de possíveis preferências para a eleição presidencial. Ao mencionar o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, destacou a experiência administrativa como critério relevante, afirmando que gestores com histórico em cargos executivos estariam mais credenciados para disputas de maior escala, sem fechar posição definitiva para o primeiro turno.

Entre os temas administrativos, Hildon fez defesa da construção da nova rodoviária de Porto Velho, classificando a obra como principal legado de sua gestão. Segundo ele, o empreendimento estava concluído ao final de seu mandato, restando apenas ajustes técnicos. Criticou um laudo do CREA, que classificou como “mentiroso”, e atribuiu o documento a interesses políticos ligados à transição de governo.

A entrevista também retomou promessa feita em sua primeira campanha, relacionada à doação de salário. Questionado sobre eventual repetição, ele evitou resposta direta e atribuiu a decisão à influência da deputada Ieda Chaves, destacando o envolvimento dela com causas sociais, especialmente na proteção animal.

Na parte final, Hildon comentou episódio envolvendo ameaça atribuída a um empresário, afirmando que houve condenação judicial. Disse que o caso está superado, apesar de confirmar que se sentiu ameaçado à época. Em paralelo, esclareceu declaração anterior sobre identificação de empresários corruptos, vinculando a fala à discussão sobre a modelagem do hospital Heuro. Criticou o consórcio envolvido no projeto e afirmou que pretende abandonar a nomenclatura atual, mantendo referência ao João Paulo II e iniciando uma nova obra hospitalar.

Ao encerrar, o pré-candidato apresentou sua trajetória profissional, lembrando atuação de 21 anos no Ministério Público, a criação de um grupo educacional posteriormente vendido e dois mandatos à frente da Prefeitura de Porto Velho. Sustentou que pretende levar ao governo estadual a experiência acumulada e afirmou que cargos executivos exigem margem mínima para erro, devido ao impacto direto das decisões administrativas.

DEZ FRASES DE HILDON CHAVES AO RD ENTREVISTA

01) “Eu entendo que ele ainda não está pronto. Por isso que eu falei que, possivelmente, um dia ele possa vir a ser governador. Eu acho que falta cabelo branco ainda, falta um estofo maior, entendeu?”

A declaração foi dada no momento em que Hildon Chaves respondeu à pergunta sobre Adaílton Fúria e tentou explicar por que mantém o elogio feito ao adversário sem recuar da avaliação de que ele ainda não teria maturidade política e administrativa suficiente para governar o estado agora.

02) “Eu tenho uma certa reticência, eu acho que eu não acho legal você sair pulando mandatos. O Fúria foi vereador, na metade do mandato se elegeu prefeito de Cacoal e larga o mandato, o segundo mandato, com um ano e três meses.”

A fala surgiu na mesma sequência em que o entrevistado foi confrontado com a possibilidade de estar ajudando politicamente o adversário. Nesse ponto, ele endureceu o contraste e transformou a diferença de trajetória institucional em argumento político.

03) “De certa forma, sim. De certa forma, sim. E surgiu o efeito. O efeito foi imediato.”

Hildon disse isso ao admitir que a escolha de Cirone Deiró para compor a chapa teve, sim, o objetivo de avançar sobre regiões do estado identificadas com outras pré-candidaturas, especialmente fora de Porto Velho.

04) “Nós fizemos uma viagem recente agora, inclusive com o Ivo e com a Dona Ivone. Passamos uns dias na França com toda a família dele também. Foi bem bacana.”

A frase foi pronunciada quando surgiu o nome de Ivo Cassol dentro da conversa sobre alianças e aproximações políticas. Hildon a usou para evidenciar a proximidade pessoal com o ex-governador e com a família dele.

05) “Essa maldição não existe. Não existe. Eram os outros que eram ruins de voto. Nem com o Ivo apoiando, eles foram.”

A declaração apareceu logo após ser citada a chamada “maldição do Ivo”, expressão usada para provocar Hildon sobre o peso eleitoral de apoios de Cassol a terceiros. O entrevistado rejeitou totalmente a tese.

06) “Então, o Marconi sai do partido, e vai por conta da candidatura, e entra o Aécio, o Aécio Neves. E muitas das tratativas que foram feitas com o Marconi esfriaram um pouco.”

Hildon disse isso ao reconstruir o processo de saída do PSDB e explicar por que a pré-candidatura que vinha sendo desenhada na legenda perdeu força antes de sua ida para o União Brasil.

07) “Não, de maneira nenhuma.”

Essa resposta curta e direta foi dada quando Hildon foi perguntado se teria obrigação política de acolher os irmãos Gonçalves em eventual governo ou de carregar compromissos com esse grupo dentro da nova configuração partidária.

08) “A rodoviária estava pronta. Estava pronta. Embora, naquela época, o CREA fez um laudo fake, mentiroso. Para atender os interesses políticos do prefeito que iria ser empossado na sequência.”

A frase foi usada no trecho em que Hildon tratou da rodoviária de Porto Velho e contestou duramente os questionamentos que, segundo ele, foram levantados contra a obra na transição para a gestão seguinte.

09) “O primeiro que eu achei foi esse. Aí, deu errado.”

A declaração surgiu quando o entrevistado respondeu sobre Edgar do Boi e o histórico de seus vices. Hildon a utilizou para resumir, de forma direta, o desfecho da escolha feita às pressas na primeira eleição municipal.

10) “A justiça os condenou por ameaça. (…) Ele foi condenado por ameaça.”

A afirmação foi feita já no fim da entrevista, quando foi retomado o episódio em que Hildon teria sido interceptado por um empresário. Nesse momento, o ex-prefeito informou o resultado judicial do caso e disse considerar o assunto superado.

AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO) – LinkedIn





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