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MERCADO FINANCEIRO
Dívida Pública Federal recua 2,34% em março e retorna ao patamar de R$ 8,6 trilhões

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Queda foi influenciada por elevado volume de vencimentos de títulos ligados à Selic; dívida externa registrou leve alta no período

Por Yan Simon - terça-feira, 28/04/2026 - 07h47

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Porto Velho, RO – O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) foi reduzido em março, alcançando R$ 8,633 trilhões, após registrar R$ 8,841 trilhões no mês anterior. A retração de 2,34% ocorreu em meio ao elevado volume de vencimentos de títulos, especialmente os atrelados à Taxa Selic. Os dados foram divulgados pelo Tesouro Nacional.

Mesmo com a diminuição no mês, a projeção do Plano Anual de Financiamento (PAF), apresentado em janeiro, indica que a dívida deve encerrar 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. O indicador havia ultrapassado pela primeira vez a marca de R$ 8 trilhões em agosto do ano passado.

Na dívida interna, composta por títulos públicos, houve recuo de 2,17%, passando de R$ 8,511 trilhões para R$ 8,302 trilhões. O resultado foi impactado pelo resgate líquido de R$ 302,32 bilhões, já que os vencimentos superaram as emissões. No período, foram emitidos R$ 93,29 bilhões, enquanto os resgates totalizaram R$ 395,60 bilhões. A queda só não foi mais intensa devido à incorporação de R$ 93,01 bilhões em juros ao estoque.

Esse mecanismo de apropriação representa o reconhecimento periódico da correção dos juros sobre os títulos. Com a taxa básica fixada em 14,75% ao ano, esse fator segue pressionando o nível de endividamento.

Em direção oposta, a dívida externa apresentou crescimento de 0,61%, chegando a R$ 331,64 bilhões. A elevação foi influenciada pela valorização de 1,36% do dólar em março, associada ao início da guerra no Oriente Médio, além da contratação de empréstimo de R$ 6,88 bilhões junto a organismos internacionais.

A reserva financeira utilizada para garantir liquidez em momentos de instabilidade, conhecida como colchão da dívida, também registrou queda. O volume passou de R$ 1,192 trilhão em fevereiro para R$ 885 bilhões em março. Segundo o Tesouro, o principal fator foi o resgate líquido no período, somado à recompra de R$ 49 bilhões em títulos nos primeiros dias do conflito internacional, com objetivo de estabilizar o mercado.

Atualmente, essa reserva cobre 5,69 meses de vencimentos. Para os próximos 12 meses, está previsto o pagamento de R$ 1,68 trilhão em títulos federais.

Na composição da dívida, houve redução da participação dos papéis vinculados à Selic, que passaram de 49,1% para 47,71%. Já os títulos atrelados à inflação subiram de 25,85% para 26,67%. Os prefixados avançaram de 21,33% para 21,80%, enquanto os vinculados ao câmbio aumentaram de 3,71% para 3,83%.

O PAF estabelece intervalos para o fim de 2026, prevendo participação entre 46% e 50% para títulos ligados à Selic, entre 23% e 27% para os corrigidos pela inflação, de 21% a 25% para prefixados e de 3% a 7% para os cambiais.

Os títulos prefixados são considerados instrumentos que oferecem maior previsibilidade, pois possuem taxas definidas no momento da emissão. No entanto, em cenários de instabilidade, a emissão tende a recuar devido à exigência de juros mais elevados por parte dos investidores.

Já os papéis atrelados à Selic seguem com demanda elevada, influenciados pelas altas da taxa básica promovidas pelo Comitê de Política Monetária até meados do ano passado. A dívida cambial, por sua vez, inclui tanto títulos internos corrigidos pelo dólar quanto obrigações externas.

O prazo médio da dívida foi ampliado de 4 para 4,1 anos, indicando o tempo estimado para o refinanciamento do estoque. Prazos mais longos costumam refletir maior confiança dos investidores.

Entre os detentores da dívida interna, as instituições financeiras lideram com 31,47% do total. Na sequência aparecem fundos de pensão, com 23%, fundos de investimento, com 20,86%, e investidores estrangeiros, com 10,7%. Os demais grupos somam 13,97%.

A participação dos não residentes apresentou leve variação em relação a fevereiro, quando estava em 10,74%, mesmo diante do aumento da tensão no mercado financeiro internacional.

Por meio da emissão de títulos públicos, o governo obtém recursos junto a investidores para cumprir obrigações financeiras. Em contrapartida, assume o compromisso de devolução futura, com correção que pode seguir a taxa Selic, a inflação, o câmbio ou taxas previamente definidas.

Com informações de: Agência Brasil

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO) – LinkedIn





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