Coluna de Carlos Sperança aborda movimentações dos principais pré-candidatos ao Governo de Rondônia, pacote federal de obras e bastidores políticos antes das convenções partidárias
Foco nos negócios
Nos tempos da Guerra Fria, os países eram obrigados a escolher entre ser satélites da antiga União Soviética ou dos EUA. Com a globalização, alicerçada pela internet, obrigar um país a escolher um entre dois ou três grandes parceiros produz forte rejeição. Hoje, EUA e China são os países mais poderosos, e enquanto o primeiro tenta controlar o mundo impondo condições via tarifas, o segundo vai tecendo parcerias suaves, sem imposições. Em nome da soberania nacional e do bem-estar da população, interessa compreender de que forma as presenças norte-americana ou chinesa são percebidas no Brasil.
As debilidades dos EUA em relação às terras raras e o fato de o Brasil ser a segunda nação com maiores reservas, só abaixo da China, fazem o presidente Donald Trump ser gentil tanto com o presidente Lula da Silva quanto com o desafiante Flávio Bolsonaro, já que as pesquisas indicam que um dos dois estará na chefia do Brasil de 2027 ao fim da década.
Não é pela cor dos olhos do atual ou futuro presidente brasileiro que Trump demonstra sua paciente gentileza, reservada a poucos, mas pela urgência em viabilizar o futuro de seu país. Por sua vez, a China distribui investimentos em setores que interessam ao comércio entre os dois países, com boa concentração na Amazônia. As duas grandes nações não querem dominar o Brasil, mas fazer bons negócios aqui, o que é bom para todos.
O jogo de estratégia
No aguardo da Copa do Mundo, evidenciada pelos brasileiros, o noticiário político acaba se reduzindo até o encerramento da competição em julho já que em seguida teremos o início as convenções partidárias que vão homologar as candidaturas dos postulantes a governador e vice, para duas cadeiras ao Senado e 24 vagas da Assembleia Legislativa do Estado e oito cadeiras a Câmara dos Deputados. Nesta janela de campanha os candidatos ao Palácio Rio Madeira estão organizando seus fortins e afinando seus jogos de estratégias de campanha na reta final que começa com o encerramento das convenções no início de agosto.
Uma ofensiva
Os jogos de estratégia dos postulantes à sucessão do governador Marcos Rocha estão em andamento. Vamos começar com o favorito da peleja, o senador Marcos Rogério (PL-Ji-Paraná) que vai ponteando as pesquisas fajutas e as não fajutas da temporada. A intenção do parlamentar bolsonarista é ganhar a eleição em turno único para evitar dissabores com seus opositores no segundo turno, onde a mania da política local é se unir e derrubar os favoritos. Por isso abriu uma ofensiva em Porto Velho, que é seu calcanhar de Aquiles na campanha em virtude de elevada rejeição por aqui. Na capital, enfrenta a supremacia do concorrente Hildon Chaves (União Brasil). Se vencer bem em Porto Velho ele fatura o CPA ainda no primeiro turno e para tanto atraiu na sua aliança o atual prefeito Leo Moraes.
Fúria se organiza
Assim como Marcos Rogério, também o candidato a governador Adailton Fúria (PSD) tem dificuldades para o enfrentamento com o ex-prefeito Hildon Chaves em Porto Velho, onde o ex-tucano largou com força. Terá a seu favor toda a máquina chapa branca do governador Marcos Rocha, a coordenação da campanha entregue ao clã Rocha, a estrutura política existente do ex-governador Ivo Cassol e um aliado populista designado para ser seu vice, o ex-deputado estadual Everton Leoni, de volta as lides politicas depois de vinte anos hibernando. Melhorar sua situação na capital é essencial para que ele arraste a peleja ao segundo turno contra o senador Marcos Rogerio, favorito para chegar em primeiro lugar nesta primeira etapa da eleição;
Hildão acelera
Nas contas do comando de campanha do pré-candidato Hildon Chaves, da Federação União Brasil/ Partido Progressista é primordial que ele mantenha a dianteira em Porto Velho, se for possível ainda ampliar a vantagem sobre os adversários e acelerar o passo de campanha no interior do estado, onde precisa melhorar seu desempenho. A conta dos postulantes adversários de Marcos Rogério é emplacar presença do segundo turno nesta empreitada sendo principal adversário de Chaves o ex-prefeito de Cacoal Adailton Fúria, bem postado nas regiões do Café e Zona da Mata. Mesmo numa situação de equilíbrio com Fúria o ex-tucano evita críticas ao adversário porque acredita que poderá precisar dele no segundo turno. Também é econômico nas críticas ao atual governador Marcos Rocha. Não se mostra oposição ao CPA.
Pacote de bondades
O PT rondoniense aposta num pacote de bondades do governo federal em Rondônia para impulsionar a candidatura do seu postulante a governador, o ex-deputado federal Expedito Neto, filho do ex-senador Expedito Junior, coordenador geral da campanha ao Palácio Rio Madeira do ex-prefeito de Cacoal Expedito Junior. Tudo começa com o início das obras da ponte binacional em Guajará Mirim, fomentando o crescimento do Vale do Guaporé, segue com as obras já em andamento no trecho do meião da Br 369, paralisada a décadas, além do Expresso Porto, a nossa portogrão, destinada a retirar do centro de Porto Velho centenas de caminhões diariamente danificando o piso asfáltico e ocasionando acidentes na região central e ao mesmo empo atendendo a demanda de exportação de grãos.
Via Direta
*** Em vista da grande migração ocorrida nos anos 80 em 90, Rondônia já está habituada a eleger forasteiros. Foi uma verdadeira penca deles a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados desde a primeira eleição efetuada no estado em 1982 *** Com a Copa do Mundo as atividades da Assembleia Legislativa de Rondônia vão diminuindo e logo depois por causa da campanha eleitoral. A maioria dos deputados estaduais tem base eleitoral no interior do estado ***Com mais uma unidade em funcionamento em Porto Velho, a rede Gonçalves de supermercados se tornou o maior grupo no gênero na região Norte depois de quase 50 anos da sua fundação em Jaru.

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