Relatos apontam impacto na rotina familiar e expectativa por dois dias de descanso semanal enquanto projetos tramitam no Legislativo
Porto Velho, RO – A possibilidade de mudanças na jornada semanal de trabalho tem impulsionado discussões no Congresso Nacional e mobilizado trabalhadores em diferentes regiões do país. Propostas em análise preveem a redução da carga horária e o fim da escala 6×1, atualmente comum em diversos setores. A expectativa é que os textos avancem nas próximas semanas, incluindo uma Proposta de Emenda à Constituição que reduz a jornada de 44 para 36 horas semanais, com transição ao longo de dez anos, além de outra que estabelece quatro dias de trabalho por semana dentro do mesmo limite de horas. Também foi enviado pelo Executivo um projeto de lei com urgência constitucional para limitar a jornada a 40 horas semanais e extinguir o modelo de seis dias consecutivos de trabalho.
Enquanto o tema ganha espaço no debate político, trabalhadores relatam como a mudança poderia alterar suas rotinas. A balconista de farmácia Darlen Silva, de 38 anos, afirmou que sua folga semanal é ocupada por tarefas domésticas e cuidados com a família, o que resulta em cansaço contínuo. Ela relatou que, ao longo de 15 anos sob esse regime, o descanso não tem sido suficiente, especialmente por ser mãe. Segundo ela, entre colegas, a expectativa pela mudança é constante e “todo mundo está esperando essa regra nova aí”.
A trabalhadora disse que, caso a alteração seja implementada, pretende dividir melhor o tempo livre, reservando um dia para resolver demandas domésticas e outro para descanso ou lazer. No entanto, demonstrou preocupação com possíveis adaptações feitas por empregadores, citando casos de conhecidos que passaram a trabalhar até 11 horas diárias para compensar a folga adicional. Na avaliação dela, esse formato não traria benefícios e poderia aumentar o desgaste físico.
No setor de serviços, o garçom Alisson dos Santos, de 33 anos, relatou que utiliza o único dia de folga para resolver compromissos pessoais e familiares, especialmente relacionados aos filhos. Segundo ele, a rotina impede que o descanso seja efetivo. Ele afirmou que, com dois dias livres, seria possível organizar tarefas domésticas em um dia e utilizar o outro para atividades com a família ou até pequenas viagens.
AS ÚLTIMAS OPINIÕES
Em São Luís, a cabeleireira Izabelle Nunes, de 26 anos, declarou não acompanhar de perto as discussões no Congresso, mas se posicionou favoravelmente à proposta. Para ela, dois dias de descanso são necessários para conciliar trabalho com estudos, saúde e lazer. Trabalhando seis dias por semana, ela avaliou que a mudança traria impacto direto na convivência familiar e na organização da rotina.
Mesmo fora da escala 6×1, a professora Karine Fernandes, de 36 anos, afirmou acompanhar o tema pelas redes sociais e considera a discussão relevante. Na análise dela, a redução da jornada pode influenciar diretamente a qualidade de vida das famílias, especialmente no convívio entre pais e filhos, com reflexos no desenvolvimento das crianças.
O fim da escala 6×1 também está entre as principais pautas defendidas por trabalhadores durante manifestações realizadas no Dia do Trabalhador, em 1º de maio. Movimentos sociais e entidades sindicais têm incluído o tema entre as reivindicações centrais, ao lado de propostas de reorganização da jornada e ampliação do tempo de descanso semanal.
Com informações de: Agência Brasil
