Prefeito de Porto Velho nega ruptura com a vice Magna dos Anjos, detalha articulação que antecipou obra da Expresso Porto em cinco anos e afirma que cidade está "muito mais resiliente" diante das chuvas
Porto Velho, RO – O prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, do Podemos, concedeu entrevista ao podcast RD Entrevista, apresentado por Vinícius Canova nos estúdios do Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia, e usou o espaço para responder às principais controvérsias de sua gestão, que completa cerca de um ano e meio à frente da capital rondoniense. Entre os temas mais densos da conversa, Moraes descreveu em detalhes o que aconteceu na cerimônia de entrega de apartamentos do Porto Madero, onde o vereador Doutor Santana se sentiu impedido de discursar e o episódio evoluiu para insultos de cunho pessoal e familiar dirigidos ao próprio prefeito.
Ao ser perguntado sobre o ocorrido, Moraes foi enfático ao atribuir o cerimonial ao governo federal, e não à Prefeitura de Porto Velho. Segundo ele, a organização do evento era de responsabilidade do ministério, com locução conduzida por um servidor federal, e o protocolo previa a participação apenas de um representante do Legislativo, naturalmente o presidente da Câmara Municipal. Diante disso, o prefeito afirmou ter intervindo pessoalmente para ampliar a presença dos demais vereadores. “Parece uma cena, parece um fator criado para gerar animosidade ou quem sabe para gerar projeção, para gerar mobilização em ano eleitoral”, declarou Moraes, acrescentando que esse tipo de postura não é o que deve orientar quem pretende ser avaliado e eventualmente eleito.
A situação, segundo o prefeito, não se encerrou ao final da solenidade. Moraes relatou que, após descerem do palco e entregarem um apartamento mobiliado a uma moradora sorteada, começou a ser insultado. “Comecei a ser insultado, comecei a ser criticado e começaram a entrar numa seara pessoal, familiar, a ponto de ser xingado de filho da não sei o quê — me parece que pela filha do vereador”, disse.
Moraes classificou como inconcebível ter o âmbito pessoal e familiar invadido dessa forma, reafirmou que chamou o vereador para uma conversa e disse expressamente que não tolera esse tipo de abordagem. “Eu sou incapaz de levantar a mão para uma mulher e proferir palavras dessa natureza contra uma mulher. Da minha natureza isso não existe”, afirmou. Em seguida, aproveitou para anunciar uma ferramenta em desenvolvimento — batizada de Vitória — voltada ao acompanhamento de mulheres em situação de vulnerabilidade, integrando assistentes sociais, psicólogas e tecnologia para localizá-las e acolhê-las mesmo antes de uma medida protetiva formal.
Ainda sobre o episódio, Moraes sugeriu que a escalada de eventos subsequentes revela um padrão planejado. “Não é tudo que se pode e que se deve em um período de pré-campanha”, disse, insinuando que o ocorrido faz parte de um esforço de desgaste em ano eleitoral. “Parece que fazem uma escalada a respeito dos eventos e cerimônias. Não tem muito cabimento”, completou.
Com o mesmo tom direto, o prefeito respondeu às especulações sobre um suposto rompimento com a vice-prefeita Magna dos Anjos. Moraes negou qualquer desavença, destrato ou combinado desrespeitado, mas reconheceu que os projetos políticos de ambos seguem caminhos distintos. Ressaltou que Magna trabalhou por muitos anos em seu gabinete, inclusive durante o período em que ele exerceu o mandato de deputado federal em Brasília, e que a relação de respeito permanece. “Magna, eu tenho ela na mesma conta de respeito e de consideração. Ela trabalhou muitos anos comigo. Ela era do gabinete, tinha sua responsabilidade inclusive no gabinete e sempre acordou cedo, dormiu tarde”, disse.
Sobre a candidatura que Magna estaria articulando, o prefeito foi comedido: “Ela tem agora um projeto de candidatura, a gente respeita, se é no tempo certo, se deveria fazer isso, é uma questão de opinião pessoal e, se é pessoal de uma pessoa que esteve conosco, eu respeito isso.”
No campo das eleições estaduais de 2026, Léo Moraes foi interrogado sobre uma suposta tensão interna no Podemos, com os nomes do delegado Rodrigo Camargo e do prefeito de Vilhena, Flori Cordeiro, disputando espaço como pré-candidatos ao governo do estado. O prefeito rejeitou a narrativa de conflito e disse que partido é arena de debate, onde mais de uma pessoa tem o direito de se colocar como pré-candidato. Defendeu Flori Cordeiro como alguém de grande jornada à frente e relembrou que o comprometimento com ele foi honrado quando, após um acordo firmado com o grupo de Vilhena, o mais bem-sucedido nas urnas da eleição geral se tornaria candidato a prefeito na eleição suplementar — e esse foi o Flori.
“O que não teve, em nenhuma medida, em nenhuma circunstância, em nenhum momento, foi qualquer puxada de tapete ou conversa que não tenha sido olho no olho entre todos os interessados”, declarou Moraes, negando qualquer articulação desleal dentro do partido.
Sobre os rumores de que poderia indicar o vice do candidato ao governo, incluindo seu tio Márcio Barreto e o próprio Rodrigo Camargo entre os especulados, o prefeito evitou confirmações mas disse que o Podemos quer protagonismo e tem condições de reivindicá-lo, seja com uma candidatura ao Executivo estadual, seja com posições estratégicas no processo eleitoral. Moraes destacou ainda o que classificou como uma das melhores nominatas de deputado federal entre todos os partidos, citando nomes como Cristiane Lopes, Rafael Fera, Jaime Gazola, Sebastião Valadares e Almir José do Sindsef e projetou que o partido deve figurar entre os mais votados na disputa proporcional de 2026.
Uma das intervenções mais longas da entrevista foi dedicada à obra da Expresso Porto, que Léo Moraes apresentou como resultado direto de articulação política apartidária. Com a média diária de 1,2 mil caminhões circulando pela área urbana de Porto Velho — chegando a 2 mil a 2,5 mil no pico da safra agrícola —, o prefeito descreveu o problema como uma das maiores dores da cidade, gerando estresse, congestionamento, acidentes e mortes. A virada, segundo ele, veio depois de uma sequência de tratativas que envolveu o Ministério dos Transportes, o senador Confúcio Moura, a ANTT e o senador Marcos Rogério, e resultou na antecipação de uma obra que contratualmente só começaria no sexto ano da concessão.
“Uma obra que era para começar em cinco anos está começando no primeiro ano. Essa obra não é investimento da Prefeitura, tampouco do Governo do Estado e do Governo Federal. É uma antecipação prevista em contrato que era para encerrar no sexto ano e que está começando agora no primeiro ano para encerrar já no segundo ano”, afirmou.
Moraes situou esse resultado no centro de sua visão de gestão, segundo a qual articulação vale mais do que guerra ideológica. Declarou ter posição clara de centro-direita, mas afirmou colocar acima das divisões partidárias o interesse de resolver os problemas da cidade. “Eu tenho uma posição clara de centro-direita, mas antes de qualquer coisa eu tenho urbanidade e interesse de resolver os problemas da minha cidade, da cidade de Porto Velho, que me confiou diante do imponderável, do impossível”, disse. Contextualizou essa postura com o estado financeiro herdado pela gestão: segundo ele, Porto Velho assumida com cerca de R$ 700 milhões em dívidas, considerando empréstimos com juros que, segundo suas palavras, superam os praticados nas ruas pela agiotagem, tornando a cidade uma das mais comprometidas financeiramente entre as médias e grandes capitais do país.
Na área da saúde, Moraes demonstrou entusiasmo com o projeto do Hospital Municipal, viabilizado pela compra do Hospital das Clínicas. Situou Porto Velho como a única capital do Brasil sem hospital universitário, sem hospital municipal e sem hospital de urgência e emergência. Descreveu o projeto como uma solução que resolve três problemas de uma vez: internações, especialidades e formação de profissionais da saúde, com parte do custeio vinculada à EBSERH, ligada ao Ministério da Educação. Informou que a primeira parcela já foi paga e que a conclusão do processo depende da regularização documental de um terreno vinculado à empresa vendedora. Quanto ao prazo, foi cauteloso: “Eu costumo considerar que fique isso mais lá pra frente do segundo semestre, pra eu não travar uma data, porque dependo de três níveis de governo e de três instituições”, disse, mas estimou que o início dos atendimentos ocorra no final do segundo semestre de 2026.
Sobre as chuvas e os alagamentos em Porto Velho, Léo Moraes respondeu à pergunta sobre arrependimento pelo vídeo gravado durante a campanha, em que cobrou a administração anterior pelos problemas de drenagem. “Não me atormenta, isso é uma cobrança necessária”, afirmou, e argumentou que o problema não é exclusivo da capital rondoniense.
“O mundo não discute alagar ou não alagar. Me fale uma cidade, Vinícius, que não alaga”, provocou, citando Nova Iorque, Dubai, Paris, Bucareste, Kiev e Madrid como exemplos de cidades desenvolvidas que também sofrem com alagamentos. O prefeito atribuiu o avanço observado à limpeza de mais de 700 bueiros, à integração de canais, à instalação de eco-bueiros e a obras de drenagem em bairros específicos. Citou como exemplo uma chuva de 130 milímetros em quatro horas — volume superior ao previsto para o mês inteiro de maio — e disse que a vazão da água foi incomparavelmente mais rápida do que em gestões anteriores.
Para as secas e queimadas, Moraes anunciou um chatbot em produção para recebimento de denúncias da área urbana, além de uma sala de situação permanente para fenômenos climáticos, implantada já no primeiro ano de gestão e equipada com telemetria, drones e computadores de última geração.
Mencionou também que Porto Velho foi a sexta capital que mais plantou árvores no ano anterior e que, na estiagem de 2025, a Prefeitura contou pela primeira vez com brigadistas próprios e integração com o Corpo de Bombeiros para combater queimadas urbanas.
No campo da mobilidade, destacou a retirada da faixa exclusiva na Avenida Sete de Setembro, com previsão de criação de mais de 300 vagas de estacionamento oblíquo, e afirmou que Porto Velho possui hoje a menor tarifa de transporte público entre todas as capitais brasileiras. Citou também a implantação da atividade delegada, que custeia a presença das forças de segurança nas ruas da cidade — primeira experiência do gênero no Norte do Brasil —, e o lançamento de um transporte gratuito adaptado para crianças autistas, com três ônibus novos destinados ao deslocamento entre residências, consultas e terapias.
Ao avaliar sua passagem pela direção-geral do Detran, Moraes disse que a experiência o preparou diretamente para o exercício do Executivo, especialmente em tecnologia, atendimento, redução e extinção de taxas, CNH Social e inclusão. Disse que durante a gestão no órgão conseguiu avançar com o processo de aquisição de equipamentos, implantar o primeiro curso de formação conduzido por um cadeirante e reativar a CNH Social, que estava paralisada. “O DETRAN foi uma experiência super importante que me fez ter certeza que eu tinha condições e gostaria de estar numa condição de executivo, numa questão de gestão”, declarou.
Ao encerrar a entrevista, o prefeito enumerou um conjunto amplo de projetos em andamento: novos editais para obras de policlínicas, escolas, unidades de saúde e uma nova UPA com pronto-socorro da criança, além de obra do Centro de Convenções e macro drenagem com R$ 92 milhões previstos para licitação no mesmo semestre. Disse que a cidade tem 260 milhões em edital já para o primeiro semestre. Terminou com uma declaração de disposição: “Estou empolgado, continuo motivado, com sangue no olho, com brilho no olho e com muito amor para emanar à nossa população, que ela precisa de boas referências da administração, da política.”
AS ÚLTIMAS OPINIÕES
As 10 frases mais impactantes de Léo Moraes na entrevista
01) “Parece uma cena, parece um fator criado para gerar animosidade ou quem sabe para gerar projeção, para gerar mobilização em ano eleitoral.”
A declaração foi feita quando o prefeito foi questionado sobre o episódio ocorrido na cerimônia de entrega de apartamentos do Porto Madeiro, envolvendo o vereador Doutor Santana. Moraes descreveu a situação como algo forjado e sugeriu motivação eleitoral por trás do incidente.
02) “Comecei a ser insultado, comecei a ser criticado e começaram a entrar numa seara pessoal, familiar, a ponto de ser xingado de filho da não sei o quê — me parece que pela filha do vereador.”
A fala veio logo na sequência, quando o prefeito relatou o que aconteceu após descerem do palco da cerimônia habitacional. Moraes contou que foi abordado com xingamentos de ordem pessoal e familiar, algo que classificou como inconcebível.
03) “O que não teve, em nenhuma medida, em nenhuma circunstância, em nenhum momento, foi qualquer puxada de tapete ou conversa que não tenha sido olho no olho entre todos os interessados.”
O prefeito usou essa afirmação ao ser perguntado sobre a suposta tensão interna no Podemos envolvendo os pré-candidatos ao governo do estado Rodrigo Camargo e Flori Cordeiro. Moraes negou qualquer movimentação de bastidores desleal entre os integrantes do partido.
04) “Uma obra que era para começar em cinco anos está começando no primeiro ano. Essa obra não é investimento da Prefeitura, tampouco do Governo do Estado e do Governo Federal. É uma antecipação prevista em contrato que era para encerrar no sexto ano e que está começando agora no primeiro ano.”
A declaração foi feita ao detalhar a articulação que resultou na antecipação da obra da Expresso Porto. O prefeito descreveu o percurso de negociação com o Ministério dos Transportes, o senador Confúcio Moura, a ANTT e o senador Marcos Rogério até a aprovação da medida.
05) “Eu tenho uma posição clara de centro-direita, mas antes de qualquer coisa eu tenho urbanidade e interesse de resolver os problemas da minha cidade, da cidade de Porto Velho, que me confiou diante do imponderável, do impossível.”
A frase foi pronunciada quando Moraes foi questionado sobre sua postura de dialogar com diferentes campos ideológicos. Ele justificou a abertura ao diálogo pelo cenário financeiro herdado e pela necessidade de colocar os resultados para a cidade acima das disputas partidárias.
06) “O mundo não discute alagar ou não alagar. Me fale uma cidade, Vinícius, que não alaga.”
A provocação foi feita ao ser questionado sobre os alagamentos em Porto Velho e se o prefeito se arrependia de ter cobrado a gestão anterior pelo problema durante a campanha. Moraes argumentou que cidades desenvolvidas do mundo inteiro também alagam, e que o ponto central é a velocidade com que a água é drenada.
07) “Porto Velho, Vini, é a única capital do Brasil que não tem ou um hospital universitário ou um hospital municipal. Aliás, não tem um hospital de urgência e emergência também.”
A declaração foi feita ao explicar a importância do projeto do Hospital Municipal, viabilizado pela compra do Hospital das Clínicas. O prefeito contextualizou a ausência histórica de estrutura hospitalar pública de grande porte na capital como um problema que atravessa décadas.
08) “Magna, eu tenho ela na mesma conta de respeito e de consideração. Ela trabalhou muitos anos comigo. Ela era do gabinete, tinha sua responsabilidade inclusive no gabinete e sempre acordou cedo, dormiu tarde.”
A fala foi dada quando o apresentador perguntou sobre o aparente afastamento entre o prefeito e a vice-prefeita Magna dos Anjos. Moraes negou rompimento e evocou a longa trajetória de convivência e confiança entre os dois, inclusive durante o mandato federal em Brasília.
09) “Lógico que muitas coisas são plantadas, lógico que tentam de alguma maneira realizar divisão, uma briga, uma contenda, mas as pessoas bem posicionadas que sabem o que querem, elas não se alimentam ou se retroalimentam disso.”
A declaração foi feita ainda no tema da relação com Magna dos Anjos, quando Moraes reconheceu a existência de tentativas externas de criar conflito entre os dois. O prefeito disse que quem tem clareza sobre seus objetivos não se deixa consumir por esse tipo de movimentação.
10) “Estou empolgado, continuo motivado, com sangue no olho, com brilho no olho e com muito amor para emanar à nossa população, que ela precisa de boas referências da administração, da política.”
A frase encerrou a entrevista, quando Vinícius Canova pediu ao prefeito que falasse sobre o que ainda tem pela frente nos próximos dois anos e meio de gestão. Moraes listou uma série de projetos em andamento e concluiu com essa declaração de disposição e compromisso com a cidade.
