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Macacos se abraçam, sucuris procuram manta e onças avaliam comprar moletom

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Entre casacos improvisados, cafés reforçados e desculpas criativas para fugir do banho, a breve friagem amazônica transforma Rondônia em um território onde 20 graus já parecem cenário europeu — ainda que só por alguns dias.

Por Cícero Moura - terça-feira, 19/05/2026 - 21h06

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INVASÃO

Em Rondônia, o frio não chega. Ele invade. E invade causando um verdadeiro choque cultural amazônico.

TEMPERATURA

Basta os termômetros ousarem marcar 20 graus, ou menos, para o rondoniense olhar para o céu desconfiado.

TEMPERATURA 2

A ação é imediata. Tirar o casaco guardado há meses e começar a agir como se estivéssemos vivendo uma temporada na Suíça.

COMPORTAMENTO

É quase instantâneo. Logo cedo, já se vê gente indo trabalhar enrolada em blusas, cachecóis improvisados e jaquetas que normalmente só aparecem em viagens para o Sul do país.

MAIS EXAGERADOS

Há quem saia de casa parecendo pronto para enfrentar uma nevasca nos Alpes.

OBSERVAÇÃO

Mesmo que o “gelo” local ainda permita que o ventilador continue ligado no mínimo.

COMÉRCIO

As padarias entram em clima de emergência climática.

AQUECIMENTO

O café ganha reforço, o pão sai mais rápido e surgem relatos de pessoas procurando caldo, chocolate quente e até foundie, numa tentativa ousada de transformar Porto Velho em Paris por algumas horas.

TEM MAIS

Em alguns bairros, faltou pouco para alguém sugerir vinho ao redor de uma fogueira.

PARADOXO

O mais engraçado é que, enquanto boa parte do Brasil considera 20 graus uma temperatura perfeita para caminhar ao ar livre, em Rondônia isso já é praticamente um alerta meteorológico.

DO ALASCA

Do jeito que o povo reage, parece que a qualquer momento veremos pinguins caminhando tranquilamente entre sucuris, onças-pintadas e macacos às margens do Madeira.

ELEGÂNCIA

Mas a verdade é que esse frio amazônico tem seu charme.

PISCAR DE OLHOS

Ele é rápido, passageiro, quase um relâmpago cruzando o céu.

SOBERANO

Quando percebemos, já foi embora e o calor retoma seu reinado absoluto.

VALIDADE

Talvez seja exatamente por isso que o rondoniense aproveite tanto: porque sabe que essa experiência “europeia” tem prazo de validade curtíssimo.

PREGUIÇA

E convenhamos: há algo muito agradável em acordar cedo e ficar cinco minutinhos a mais enrolado no edredom, sentindo aquele ventinho gelado entrando pela janela.

PREGUIÇA 2

Tudo bem, talvez nem tão gelado assim. Mas, para os padrões amazônicos, já é o suficiente para transformar qualquer cidadão em especialista em inverno.

DESFRUTAR

Então, em vez das tradicionais reclamações sobre o “frio congelante” de Rondônia, talvez seja melhor aproveitar esse raro visitante climático.

FATO

Porque, em uma terra conhecida pelo calor ardente, qualquer brisa mais fresca já vira acontecimento histórico — e rende histórias tão exageradas quanto divertidas.

CASCUDINHO

E ah… eu já estava esquecendo de uma figura clássica que aparece em toda frente fria amazônica

CASCUDINHO 2

O tradicional malandro que não gosta muito de tomar banho. Agora então… acabou de vez. O cidadão ganhou a desculpa perfeita.

RAZÕES

“Tá frio demais.”“A água não esquenta.”“Banho nesse clima faz mal.” “Vou esperar o sol voltar.”

SOBREVIVENTE

Com 20 graus em Rondônia, o sujeito já age como se estivesse sobrevivendo ao inverno da Sibéria.

CHUVEIRO EM PANE

O sabonete olha de longe, abandonado, enquanto o chuveiro vira praticamente um monumento histórico dentro da casa.

EXPLICAÇÃO

E o pior é que sempre aparece alguém tentando justificar:

— “Mas eu tomei banho ontem!”

MEDIDAS

No frio amazônico, tem gente economizando água, coragem e contato com o piso gelado do banheiro ao mesmo tempo.

FRASE

Quando o frio chega, até o silêncio parece mais aconchegante e cheio de paz.

Rodapé da coluna

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AUTOR: CÍCERO MOURA





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