Candidato ao Governo pelo PSB afirma que intervenção nacional foi articulada para derrubar sua candidatura, relata suposta oferta dentro da estrutura federal, questiona ata partidária, cita possível falsificação e diz que relação política com o candidato do PT ficou abalada
Porto Velho, RO – O candidato ao Governo de Rondônia pelo PSB, Samuel Costa, fez uma série de acusações contra o candidato do PT, Expedito Netto, e contra a condução adotada pela direção nacional de seu próprio partido após a dissolução da direção estadual e o questionamento das decisões tomadas na convenção partidária. Em entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica, Costa classificou o episódio como um “golpe”, afirmou que recebeu uma proposta para abandonar a disputa em troca da possibilidade de ocupar uma função na estrutura do governo federal e disse que pretende reagir política e juridicamente às decisões da cúpula da legenda.
Samuel Costa acusa Expedito Netto de “golpe”
Quatro frentes da crise
Intervenção
Cargo federal
Ata sob suspeita
Polícia Federal
O dossiê em quatro capítulos
“Foi na porrada”
Da convenção à ruptura
A ata no centro da suspeita
Uma assinatura, uma reunião e uma cobrança por apuração
Quem seria atingido
Governo
Deputados estaduais
Deputados federais
Senado
Os nomes no embate
O que Costa disse sobre Expedito Netto
“Ele é poder”
R$ 12 milhões em questão
De R$ 1,5 milhão a menos de 20%
Como pretende resistir
Disputa partidária
Justiça Eleitoral
Recursos próprios
Mobilização
Os números citados
Dez frases da entrevista
“Pois bem, o candidato Expedito Neto, de uma forma sorrateira, antidemocrática, ele tentou aplicar esse golpe.”
“Aí o ministro Paulo me ofereceu Cargo na estrutura do governo federal.”
“Eu falei, cara, eu não tô a procurar de emprego. Não tô a procurar.”
“Mas a palavra final não é minha, não é do João Campos, é da justiça eleitoral.”
“Esse atentado não é contra Samuel. Esse atentado é contra a democracia.”
“O PSB, que é um partido histórico, que lutou contra a ditadura, agiu de forma ditatorial.”
“Em conversa com ela, ela disse que ela não sabia de nada, que a assinatura não é dela e que ela não participou da reunião que durou 13 segundos.”
“O Neto não é esquerda e nem direita. Ele é poder.”
“Eu estou chateado, mesmo chateado, triste, por ter sido apunhalado.”
“Agora eu vou dispor de recurso particular para atender o básico dentro da legalidade sem nada de caixa dois.”
CAPS funcionando 24 horas
Logo no início da entrevista, após Robson Oliveira apresentar a controvérsia envolvendo o PSB, Costa atribuiu diretamente a Expedito Netto a tentativa de retirada de sua candidatura. O candidato do PSB não tratou o episódio como uma divergência administrativa ou uma disputa interna comum entre correntes partidárias. “Pois bem, o candidato Expedito Netto, de uma forma sorrateira, antidemocrática, ele tentou aplicar esse golpe”, afirmou.
A partir daí, Costa elevou o tom e concentrou boa parte da entrevista em críticas pessoais e políticas ao adversário. Ele afirmou que conhece Netto desde o período escolar, fez referências ao desempenho acadêmico do petista e questionou sua preparação para o exercício de funções públicas. Em um dos momentos mais duros, disse considerar o adversário a pessoa “mais inculta” entre os candidatos e voltou repetidamente a relacionar a movimentação partidária a uma tentativa de impedir seu crescimento na campanha.
Segundo Costa, a intervenção não teria atingido apenas sua candidatura ao Governo. Ele sustentou que as consequências alcançariam também as chapas para deputado estadual e federal e a candidatura de Neidinha Suruí ao Senado. Na interpretação apresentada pelo candidato durante o programa, o objetivo político seria melhorar as condições eleitorais do grupo ligado ao PT e, especialmente, favorecer a tentativa de manutenção do mandato da deputada Cláudia de Jesus. Não foram apresentados, durante a entrevista, documentos que comprovassem essa motivação; a afirmação foi feita por Costa como sua leitura do movimento político.
Costa também relacionou o episódio a outras decisões políticas atribuídas a Expedito Netto. Citou o impeachment da então presidente Dilma Rousseff, a situação envolvendo Luciana Oliveira e, posteriormente, Neidinha Suruí. “O Netto, ele já pode pedir música no Fantástico. Ele, primeiro, golpeou a Dilma. Mais recentemente golpeou a Luciana Oliveira, ele tirou a candidatura da Luciana Oliveira”, declarou, antes de incluir a atual crise do PSB na sequência apresentada por ele.
Questionado por Robson Oliveira sobre a existência de negociações anteriores para uma composição eleitoral, Costa afirmou que houve pressão para que o PSB aderisse a outro projeto, mas disse que a decisão final teria sido imposta. Ao ser perguntado diretamente se as conversas ocorreram ou se a medida veio “na porrada”, respondeu: “Foi na porrada.”
Foi nesse ponto que Costa apresentou uma das alegações mais graves da entrevista. Segundo ele, uma pessoa identificada como “ministro Paulo Pereira”, a quem atribuiu atuação na área do microempreendedorismo e ligação com a direção do PSB, manteve contatos para convencê-lo a desistir. Costa disse que recebeu telefonemas com pedidos para “compor” e afirmou que, posteriormente, teria surgido uma proposta de espaço na estrutura federal.
“Aí o ministro Paulo me ofereceu Cargo na estrutura do governo federal”, afirmou. Na sequência, Costa relatou como, segundo sua versão, a conversa ocorreu: “Ó, irmão, falou assim, renuncia, que você tem um bom currículo, você vem aqui com um pouco nosso, numa secretaria. Eu falei, cara, eu não tô a procurar de emprego. Não tô a procurar.”
Costa disse ainda que, depois de rejeitar a possibilidade, ouviu que seriam tomadas outras medidas e que os contatos cessaram. Segundo ele, naquele momento já havia aproximadamente 20 dias sem novas conversas com o interlocutor. Também afirmou que Vinícius Miguel, dirigente estadual do PSB, teria sofrido pressões e até ameaças que Costa classificou como subjetivas.
Ao detalhar a cronologia da crise partidária, Samuel Costa afirmou que o grupo estadual realizou a convenção em 20 de julho e registrou a ata no dia seguinte. Disse que o próprio site oficial do PSB teria divulgado o encontro e apresentado as candidaturas escolhidas naquele momento. Para o candidato, esses acontecimentos demonstrariam que os procedimentos adotados em Rondônia foram públicos e realizados dentro do calendário previsto.
Costa contestou, por isso, a validade do movimento posterior da direção nacional. Afirmou que a resolução usada contra o comando estadual teria sido aprovada fora do prazo que considera aplicável ao caso e sustentou que a controvérsia ainda dependerá de decisão da Justiça Eleitoral. Quando Robson Oliveira observou que, politicamente, a direção partidária havia derrubado o projeto estadual, Costa diferenciou a decisão política do resultado jurídico. “Mas a palavra final não é minha, não é do João Campos, é da justiça eleitoral”, declarou.
O candidato afirmou que pretende continuar se apresentando como candidato enquanto a situação não for definitivamente decidida. “A gente vai continuar com a criatura. Ou eu quebro ou vou ser quebrado”, disse durante a discussão sobre os próximos passos. Depois, afirmou acreditar que a Justiça restabelecerá o que chamou de “verdade dos fatos” e sustentou que os atos realizados pela direção estadual ocorreram dentro da legalidade e com publicidade.
Costa também atacou diretamente a postura nacional do PSB. “Agora, querem aplicar um golpe à luz do dia, a toque de caixa, num projeto natimorto”, afirmou. Mais adiante, disse: “Esse atentado não é contra Samuel. Esse atentado é contra a democracia.” Na mesma sequência, acrescentou outra crítica à própria legenda: “O PSB, que é um partido histórico, que lutou contra a ditadura, agiu de forma ditatorial.”
João Campos também foi mencionado nominalmente. Costa questionou a forma como a direção nacional tratou os integrantes do PSB de Rondônia e afirmou que o grupo local tem capacidade técnica e jurídica para contestar a decisão. Segundo ele, ainda existiriam recursos internos antes de uma eventual judicialização definitiva.
A data de 13 de agosto de 2026 ganhou destaque na argumentação. Costa afirmou que João Campos assinou digitalmente um documento às 19h15 daquele dia e disse querer acesso à ata que, em sua interpretação, deveria anteceder a assinatura. A partir dessa discussão, apresentou outra acusação de grande repercussão potencial.
Segundo Costa, uma advogada identificada como Sueli teria aparecido em uma ata como representante da federação. O candidato afirmou ter conversado com ela e relatou: “Em conversa com ela, ela disse que ela não sabia de nada, que a assinatura não é dela e que ela não participou da reunião que durou 13 segundos.”
A entrevista não apresentou manifestação da advogada nem documentos periciais capazes de confirmar a afirmação. Costa, porém, disse considerar que o relato precisa ser apurado e falou na apresentação de elementos às autoridades. Afirmou que pretende levar provas materiais, testemunhais e eventualmente periciais para que a Polícia Federal avalie a necessidade de abertura de investigação sobre possíveis condutas relacionadas à documentação partidária.
O candidato disse que sua defesa jurídica trabalha com 14 pontos que considera controvertidos. Mencionou o advogado Luiz Felipe e relatou também ter conversado com o eleitoralista Nélson Canedo. De acordo com Costa, Canedo teria sustentado que a resolução partidária foi editada fora de um prazo de 180 dias. Costa também citou possíveis discussões envolvendo violência política e violência de gênero em razão dos efeitos da decisão sobre Neidinha Suruí.
Outra parte extensa da entrevista foi reservada aos ataques a Expedito Netto. Costa disse que o adversário não possui coerência ideológica e o acusou de se movimentar politicamente conforme as oportunidades disponíveis. “O Netto não é esquerda e nem direita. Ele é poder”, afirmou. Em seguida, sustentou que Netto estaria tentando encontrar uma forma de sobrevivência política e econômica e questionou a possibilidade de o adversário obter R$ 12 milhões de fundo eleitoral para uma campanha em Rondônia.
Costa também fez afirmações sobre a situação patrimonial, profissional e financeira de Netto. Disse que o petista teria declarado patrimônio de aproximadamente R$ 1,5 milhão em 2014 e afirmou que, atualmente, teria menos de 20% daquele valor. Citou ainda uma suposta execução relacionada a aluguel em Brasília e repetiu, em diferentes momentos, que o adversário teria passado meses sem salário após deixar uma função pública. Todas essas informações apareceram na entrevista como afirmações de Samuel Costa e não foram acompanhadas, durante o programa, de documentos ou contraponto do citado.
Ao ser questionado sobre uma eventual composição em que pudesse ocupar a vice de Netto, Costa disse que não aceitaria assumir responsabilidades decorrentes de compromissos firmados por outra candidatura. Relacionou essa posição à administração de seu próprio patrimônio e afirmou não possuir registros negativos em cadastros de inadimplentes. Na sequência, voltou a acusar o petista de ter compromissos financeiros pendentes.
O candidato do PSB também declarou que não pretende encerrar a candidatura por causa da decisão partidária e afirmou que as relações políticas com Expedito Netto ficaram deterioradas. Ao ser perguntado sobre o futuro do diálogo, admitiu estar pessoalmente atingido. “Eu estou chateado, mesmo chateado, triste, por ter sido apunhalado”, disse. Pouco depois, resumiu: “Estou indignado e chateado.”
Ao mesmo tempo, declarou que pretende responder politicamente com propostas. A partir do episódio, citou a defesa de atendimento permanente em saúde mental, com CAPS funcionando 24 horas por dia e sete dias por semana, mencionando depressão, ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo, bipolaridade e ludopatia entre os problemas que, segundo ele, deveriam receber atenção.
Costa afirmou ainda que recebeu manifestações de solidariedade de pessoas localizadas em diferentes campos ideológicos. Entre os nomes citados, mencionou Rodrigo Camargo e Fábio Camilo, dizendo que teria ouvido deles críticas à forma como a intervenção partidária ocorreu, apesar das divergências políticas existentes entre eles.
No terço final da entrevista, Samuel Costa passou a tratar de aspectos financeiros, pessoais e operacionais de sua candidatura. Declarou possuir patrimônio superior a R$ 3,6 milhões e afirmou ter saído do Bairro Nacional, em Porto Velho. Usou a evolução patrimonial como argumento para rebater pessoas que, segundo ele, o classificam como “doido”. “Robson, olha só, doido não consegue juntar mais de 3 milhões e 600 mil em patrimônio em Porto Velho, saindo do bairro nacional, a maior favela do estado de Rondônia”, declarou.
Costa disse ainda que, entre os 18 e os 36 anos, não teria registrado déficit financeiro e afirmou que poderia abandonar a política, vender seus bens, aplicar o dinheiro e viver dos rendimentos. “Eu faço isso aqui pelo propósito”, declarou ao explicar por que continua participando da atividade política.
O candidato afirmou que já recebeu convites para ocupar funções de secretário municipal, estadual e nacional, mas que não os aceitou. Também falou sobre a atuação como advogado e disse que seu escritório participava, naquele mesmo momento, de uma audiência relacionada a uma operação envolvendo figuras políticas. Segundo Costa, clientes de diferentes posições ideológicas procuram seus serviços profissionais.
As despesas de campanha também apareceram entre os pormenores. Costa afirmou ter comprado uma SW4 com recursos próprios e disse que o veículo estava próximo de atingir 50 mil quilômetros rodados. Relatou que os pneus já precisavam ser substituídos e usou o exemplo para demonstrar os custos de percorrer Rondônia durante uma campanha eleitoral.
Ao discutir o risco de uma campanha sem repasses da direção nacional do PSB, Costa disse que pretende empregar dinheiro próprio no básico, sempre respeitando os limites legais. “Agora eu vou dispor de recurso particular para atender o básico dentro da legalidade sem nada de caixa dois”, afirmou.
Para a candidatura de Neidinha Suruí, Costa mencionou a possibilidade de doações de pessoas físicas e afirmou que o grupo pretende fazer uma vaquinha virtual. Segundo ele, Neidinha possui apoiadores no Brasil e fora do país que poderiam contribuir pessoalmente para a campanha dentro das regras eleitorais.
O candidato também disse ter percebido crescimento de movimentação nas redes sociais depois da crise com o PSB nacional. Citou TikTok, Facebook e Instagram e afirmou ter recebido centenas de novas interações, solicitações e compartilhamentos em aproximadamente 24 horas. Segundo ele, a repercussão espontânea também reduziria parte da necessidade de impulsionamento pago.
Costa relatou ainda uma sequência de compromissos com veículos de comunicação. Disse que, antes de participar do Resenha Política, já havia concedido duas entrevistas e afirmou que seguiria para outros programas após deixar o estúdio. Na avaliação apresentada por ele, a intervenção aumentou a curiosidade pública em torno de sua candidatura.
No encerramento, Samuel Costa manteve a afirmação de que seguirá na disputa enquanto busca reverter as decisões tomadas dentro do PSB. Disse esperar uma campanha baseada em propostas e encerrou recorrendo a uma frase atribuída por ele a Santo Agostinho sobre indignação e coragem. Também contrapôs aquilo que chamou de tristeza e desespero do outro lado à alegria e esperança que pretende associar ao próprio projeto político.
01) “Pois bem, o candidato Expedito Netto, de uma forma sorrateira, antidemocrática, ele tentou aplicar esse golpe.”
Samuel Costa abriu a entrevista atribuindo diretamente a Expedito Netto a articulação política que, segundo ele, resultou na intervenção da direção nacional do PSB e na tentativa de retirada de sua candidatura.
02) “Aí o ministro Paulo me ofereceu Cargo na estrutura do governo federal.”
A afirmação ocorreu quando Costa relatava as conversas que, segundo ele, antecederam a intervenção partidária. O candidato sustentou que teria recebido a possibilidade de ocupar uma função federal caso deixasse a disputa.
03) “Eu falei, cara, eu não tô a procurar de emprego. Não tô a procurar.”
Costa disse ter respondido dessa maneira à suposta proposta para abandonar sua candidatura e assumir uma função na estrutura governamental.
04) “Mas a palavra final não é minha, não é do João Campos, é da justiça eleitoral.”
A frase foi usada para diferenciar a decisão política tomada pela direção nacional do PSB da definição jurídica sobre a validade das candidaturas e dos atos realizados pela direção estadual.
05) “Esse atentado não é contra Samuel. Esse atentado é contra a democracia.”
Costa fez a afirmação ao sustentar que a intervenção partidária teria ultrapassado uma disputa individual e atingido também os candidatos proporcionais e a candidatura de Neidinha Suruí.
06) “O PSB, que é um partido histórico, que lutou contra a ditadura, agiu de forma ditatorial.”
A declaração foi dirigida à própria legenda de Costa durante as críticas ao procedimento adotado pela direção nacional para dissolver o comando estadual.
07) “Em conversa com ela, ela disse que ela não sabia de nada, que a assinatura não é dela e que ela não participou da reunião que durou 13 segundos.”
Samuel Costa referia-se a uma advogada identificada como Sueli, mencionada por ele ao questionar uma ata relacionada ao procedimento partidário. A afirmação foi apresentada como relato do candidato e não recebeu confirmação independente durante o programa.
08) “O Netto não é esquerda e nem direita. Ele é poder.”
A frase sintetizou uma das principais críticas políticas de Costa a Expedito Netto, a quem acusou durante a entrevista de alterar posições conforme as circunstâncias políticas.
09) “Eu estou chateado, mesmo chateado, triste, por ter sido apunhalado.”
Costa usou a expressão ao falar sobre o impacto pessoal e político da movimentação que atribuiu a Expedito Netto e à direção nacional do PSB.
10) “Agora eu vou dispor de recurso particular para atender o básico dentro da legalidade sem nada de caixa dois.”
A declaração foi dada quando Robson Oliveira questionou como o grupo manteria as campanhas caso a disputa interna resultasse em restrições ao acesso aos recursos partidários e eleitorais.
AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO)
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