Ex-prefeito de Porto Velho relembra três operações, prisão, absolvições, acusações de enriquecimento ilícito, supostos “códigos” interpretados como propina, fogo amigo no PT e prejuízos que, segundo ele, atingiram projetos deixados para a capital
Porto Velho, RO – O ex-prefeito de Porto Velho Roberto Sobrinho afirmou, em entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica, que passou 13 anos respondendo a processos decorrentes de três operações policiais, período em que, segundo ele, carregou publicamente a imagem de corrupto, embora tenha obtido absolvições e alegue que não houve comprovação de enriquecimento ilícito.
Logo no início da entrevista, Sobrinho disse que recusou convites anteriores porque preferia aguardar um momento jurídico mais favorável antes de falar publicamente. Ao explicar a decisão de conceder a entrevista, afirmou que se sentia mais tranquilo após o desfecho de parte dos processos. “Depois de 13 anos, três operações policiais, eu tive três absolvições. 13 anos de tramitação entre o início e o fim, três operações, que não é fácil você sobreviver a três operações, e eu tenho três absolvições”, declarou.
O ex-prefeito relatou que sua trajetória política sofreu uma ruptura no fim de 2012, quando, segundo ele, ainda tinha mais de 80% de aprovação, estava entre os quatro prefeitos mais bem avaliados das capitais brasileiras e era apontado como possível candidato ao Governo de Rondônia. Ele associou aquele período ao impacto nacional do mensalão do PT e disse que as operações surgiram no encerramento de sua segunda gestão.
Sobrinho afirmou que foi afastado da Prefeitura de Porto Velho faltando 13 dias úteis para o fim do mandato. Ele destacou repetidamente a presença do número 13 em sua vida política, lembrando que era filiado ao PT, partido identificado pelo mesmo número, e que disputou uma eleição usando o número 1335. Na entrevista, disse que entrou na Prefeitura pela porta da frente, eleito pelo voto, mas foi retirado do cargo sem poder se despedir dos servidores municipais.
Ao tratar do impacto das operações, o ex-prefeito disse que o objetivo, na visão dele, foi construir no imaginário da população a imagem de um gestor corrupto. “Eu não tive o direito de sair pela porta da frente. Eu entrei pela porta da frente com um caminhão de votos e fui colocado para fora por duas operações, sem ter o direito de me despedir sequer dos funcionários da prefeitura. E isso foi algo que, sempre nas noites que você fala, eu ficava perguntando, mas por que isso? Por que fizeram isso? Eu não consigo lhe responder, eu só sei que essas ações foram ações que mexeram comigo e mexeram com a cidade. Porque qual era o objetivo delas hoje, depois de tanto tempo eu posso falar? Era colocar no imaginário da nossa população a imagem de um Roberto corrupto”, afirmou.
Robson Oliveira observou que Sobrinho ficou com a “pecha de corrupto” e citou rumores sobre supostas fazendas. O ex-prefeito respondeu que, além de fazendas, chegaram a atribuir a ele castelo na França, faculdade em Goiás, casa em Miami e Ferrari. Segundo Sobrinho, essas informações teriam feito parte de uma narrativa disseminada para associá-lo a enriquecimento ilícito.
O ex-prefeito negou possuir fazenda e contou que uma propriedade pertencente a um amigo, localizada no caminho de Guajará-Mirim, passou a ser atribuída a ele porque costumava frequentar o local para pescar. Segundo o entrevistado, o dono da fazenda chegou a ser chamado à polícia para esclarecer se o imóvel era ou não de Roberto Sobrinho.
Ao comentar esse episódio, o ex-prefeito disse que a disseminação dessas versões teve peso pessoal e político. “Essa narrativa de incutir na cabeça da população de que eu havia utilizado o mandato, a gestão de prefeito para o enriquecimento ilícito, isso foi altamente disseminado. Isso foi colocado na cidade inteira. Então você imagina a carga que é você trabalhar ao longo de oito anos, você tem uma formação sempre defendendo a questão do uso correto do dinheiro público, aí de repente de uma hora para outra você passa a ser o grande bandidão, o grande vilão, então isso foi muito complicado”, declarou.
Entre os episódios citados como exemplo de interpretações que, segundo ele, foram equivocadas, Sobrinho mencionou a prisão de Míria Saldanha, sua ex-chefe de gabinete. De acordo com o relato, ela ficou presa por quase 60 dias após uma gravação ser interpretada como indício de código para propina. O ex-prefeito disse que, na conversa, havia referência a “bolo moca” e Coca-Cola, o que teria sido lido como código. Posteriormente, segundo ele, uma servidora da agência de publicidade explicou que o bolo realmente havia sido comprado no Bar do Canto, em Porto Velho, para uma reunião.
Sobrinho também afirmou que a expressão “Natal para Todos” foi interpretada como referência a propina, quando, segundo ele, tratava-se de um projeto da Prefeitura voltado à iluminação da cidade, chegada do Papai Noel e montagem de presépios. Para o ex-prefeito, esse foi um dos casos em que elementos administrativos ou cotidianos teriam sido lidos como provas de irregularidade. Ele disse que, ao longo de 13 anos, ficou claro que aquilo “nunca existiu”.
O ex-prefeito relatou ainda sua própria prisão, ocorrida em abril de 2013, quatro meses depois de sua saída da Prefeitura, no âmbito da Operação Lúminos. Segundo ele, ficou preso por um dia. Sobrinho afirmou que o argumento usado para justificar a prisão era o de que, na condição de ex-prefeito, poderia interferir nas investigações. Ele contestou essa justificativa dizendo que, em junho de 2012, havia encaminhado ao Ministério Público todos os processos relacionados à Emdur, após denúncias veiculadas pela imprensa.
De acordo com Sobrinho, ao tomar conhecimento de suspeitas de irregularidades na Emdur, trocou toda a diretoria, determinou auditoria, instaurou tomada de contas e, ao chegar a um ponto em que a Prefeitura não tinha meios de avançar, como quebra de sigilo, entregou a documentação ao Ministério Público. Ele destacou que isso teria ocorrido cerca de nove meses antes de sua prisão.
Na entrevista, o ex-prefeito disse que a prisão em abril de 2013 ocorreu em meio a uma operação nacional dos Ministérios Públicos estaduais e afirmou que, naquele contexto, foi tratado como “a cereja do bolo”. “Eu fiquei preso um dia. E é o suficiente pra você nunca esquecer o que significa isso”, afirmou.
Sobrinho também comentou a condenação que havia sofrido em primeira instância e a absolvição posterior em colegiado. Segundo ele, a acusação contra si em uma das ações da Operação Lúminos era de não ter adotado providências para impedir irregularidades. O ex-prefeito afirmou que o processo continha documentos mostrando medidas tomadas por sua gestão e disse que a Justiça reconheceu esse ponto.
Ele afirmou que, na Operação Lúminos, respondeu a cerca de 12 processos relacionados ao mesmo fato e à mesma acusação. Segundo o ex-prefeito, o juiz de primeira instância o absolveu em nove e o condenou em três. A absolvição mencionada na entrevista seria uma das três ações em que havia condenação inicial.
Sobrinho usou uma declaração atribuída ao ex-governador Daniel Pereira para criticar a multiplicação de processos sobre fatos semelhantes. Segundo ele, Daniel Pereira teria escrito que o “segredo do sucesso” de um procurador era pegar um fato e transformá-lo em vários processos. “Quem sabe um cola”, disse Sobrinho, ao aplicar essa leitura ao próprio caso.
Outro episódio citado pelo ex-prefeito envolveu contratos de hora-máquina da Prefeitura de Porto Velho. Segundo ele, após uma das operações, foi divulgada a possibilidade de desvio de R$ 100 milhões. Sobrinho afirmou que os contratos de hora-máquina da Prefeitura custavam cerca de R$ 6 milhões por ano e eram usados principalmente no verão, em trabalhos em linhas rurais e bairros sem pavimentação. Ele disse não compreender de onde teria surgido a cifra de R$ 100 milhões.
O ex-prefeito explicou que foi acusado de rescindir sem motivo um contrato emergencial de aluguel de máquinas, mas sustentou que o próprio contrato previa o encerramento quando houvesse licitação definitiva. Segundo ele, a licitação definitiva havia sido liberada pelo Tribunal de Contas, o que obrigava a Prefeitura a cancelar o contrato emergencial. Para Sobrinho, se não tivesse feito isso, estaria errado.
Sobrinho também mencionou um pedido de quebra de sigilo baseado, segundo ele, em um documento cartorário que indicaria 50 imóveis em seu nome. O ex-prefeito afirmou que, ao verificar a informação, constatou que se tratava de imóveis regularizados no âmbito de um programa de regularização fundiária da Prefeitura. Segundo ele, seu nome aparecia nas escrituras porque assinava os documentos como prefeito. O ex-prefeito disse ter entregue 24 mil escrituras durante a gestão.
Ao tratar das acusações de enriquecimento, Sobrinho afirmou que seu sigilo patrimonial e bancário foi quebrado durante as investigações e que relatório da Polícia Federal teria concluído que seu patrimônio condizia com sua renda. Ele disse também que o Ministério Público Federal encerrou, no ano anterior à entrevista, um inquérito que apurava enriquecimento ilícito, afirmando que não havia vestígios. O ex-prefeito apresentou esses pontos como parte de uma desconstrução da imagem pública associada a ele durante os anos de tramitação.
Roberto Sobrinho: 13 anos depois
Ex-prefeito de Porto Velho relata operações, prisão, absolvições, acusações de enriquecimento ilícito, desgaste político e episódios que, segundo ele, ajudaram a consolidar a imagem pública de corrupção.
A frase central da entrevista
“A fama é de ladrão, mas não tem uma acusação que fala isso.”
Roberto Sobrinho afirmou que respondeu a cerca de 50 processos, mas disse que não existe acusação de recebimento de dinheiro indevido em sua conta. Na entrevista, ele também citou relatório da Polícia Federal segundo o qual seu patrimônio condizia com sua renda.
Linha do tempo resumida
Afastamento no fim do mandato
Segundo o ex-prefeito, duas operações ocorreram faltando 13 dias úteis para o encerramento de sua gestão à frente da Prefeitura de Porto Velho.
Prisão por um dia
Sobrinho disse que foi preso na Operação Lúminos, já fora da Prefeitura, e contestou a justificativa de que poderia interferir nas investigações.
Processos e desgaste público
Ele relatou ter enfrentado três operações policiais, conviver com rumores sobre patrimônio e carregar publicamente a imagem de corrupto ao longo da tramitação.
Absolvições e reconstrução da narrativa
Na entrevista, afirmou que as suposições levantadas contra ele não resistiram ao exame dos fatos e dos documentos nos processos.
Rumores de patrimônio
Sobrinho disse que chegaram a atribuir a ele castelo na França, casa em Miami, Ferrari, faculdade em Goiás e fazendas, além de ter afirmado que nada disso correspondia à realidade.
“Bolo moca” e “Natal para Todos”
O ex-prefeito citou episódios que, segundo ele, foram interpretados como códigos de propina, quando tratariam de situações cotidianas e de um projeto municipal ligado ao período natalino.
Patrimônio e renda
Na entrevista, ele afirmou que relatório da Polícia Federal apontou compatibilidade entre seu patrimônio e sua renda, e que um inquérito sobre enriquecimento ilícito teria sido encerrado sem vestígios.
Viadutos
Sobrinho afirmou que deixou 60% da obra pronta, com o restante do dinheiro em conta, e disse que as acusações de que viadutos seriam implodidos ou contaminados por corrupção não se confirmaram.
Projetos parados
Ele citou o Parque das Águas, o centro de multieventos e outros empreendimentos como exemplos de projetos que, segundo sua versão, tinham recursos viabilizados e perderam continuidade após sua saída.
Autocrítica e fogo amigo
Ao final, reconheceu que poderia ter tido mais jogo de cintura político, disse que era “seco” em algumas situações e afirmou que pessoas do próprio PT contribuíram para o processo de desgaste.
O ponto de virada
“Se eu não superar isso, o motor da minha energia pra frente vai ficar preso nesse passado.”
Questionado por Robson Oliveira sobre se se considerava perseguido, Sobrinho evitou usar essa definição. Disse acreditar nas instituições e no Estado Democrático de Direito, mas ponderou que as instituições são formadas por pessoas e não são perfeitas. Segundo ele, as suposições levantadas 13 anos antes, de que teria enriquecido ilicitamente às custas do dinheiro público de Porto Velho, não sobreviveram aos fatos e à realidade.
O ex-prefeito também disse que houve tentativa de apresentá-lo como mau gestor. Um dos exemplos citados foi o das obras dos viadutos de Porto Velho. Sobrinho afirmou que, à época das operações, circulou a versão de que seria necessário implodir o viaduto do Trevo do Roque e de que haveria corrupção nas obras. Na entrevista, afirmou que nenhum viaduto foi implodido e que, segundo ele, não houve “nenhum real” de corrupção reconhecido nos julgamentos relacionados ao tema.
Sobrinho explicou que a obra dos viadutos, chamada por ele de Travessias Urbanas de Porto Velho, não poderia ser comparada a obras simples, como uma sala de aula. Segundo ele, havia drenagem profunda, interferência urbana, remoção de famílias, deslocamento de fiação, tubos, redes e negociações com órgãos como Ceron e Eletronorte. O ex-prefeito disse que aceitou assumir a obra porque, se não o fizesse, o governo federal não a executaria.
Segundo Roberto Sobrinho, quando deixou a Prefeitura, 60% da obra estava pronta e o restante do dinheiro permanecia em conta. Ele afirmou que o projeto foi feito pela Prefeitura, por empresa credenciada no DNIT, submetido a audiência pública e viabilizado com R$ 90 milhões obtidos junto ao governo Lula. O ex-prefeito disse ter gastado três anos para executar 60% da obra e afirmou que os sucessores levaram quase dez anos para concluir os 40% restantes.
A entrevista também abordou o período posterior à saída de Sobrinho, quando Mauro Nazif assumiu a Prefeitura. O ex-prefeito disse respeitar Mauro pessoalmente, mas afirmou que o sucessor teria assumido em um cenário de medo, após as operações e a narrativa de que havia “roubalheira” na administração anterior. Segundo Sobrinho, isso teria feito a cidade perder cerca de R$ 300 milhões em recursos disponíveis na Caixa Econômica Federal.
Como exemplos, citou o Parque das Águas, planejado para a área do Cai N’Água, em frente ao Tribunal Regional Eleitoral e à Justiça Federal, e um centro de multieventos previsto para a região do aeroclube. Segundo ele, o primeiro projeto tinha R$ 25 milhões viabilizados e projeto aprovado, mas não teria sido levado adiante. O segundo, de R$ 16 milhões, seria destinado a carnaval, shows, eventos de motocross, Espovel e outras atividades, mas também não teria seguido.
Sobrinho mencionou ainda a entrega de moradias na Zona Leste de Porto Velho, ocorrida anos depois, e afirmou que o projeto havia começado em sua gestão. Segundo ele, terreno e contratação teriam sido providenciados ainda no período em que era prefeito.
Outro caso lembrado foi o do bairro Ulisses Guimarães. Segundo Roberto Sobrinho, a Prefeitura fez uma permuta envolvendo uma multa aplicada a um empresário, Chagas Neto, que teria entregue a área do bairro ao município em troca da quitação do débito. O ex-prefeito disse que submeteu a operação à Procuradoria, que o negócio foi analisado, e que a Prefeitura regularizou o bairro por R$ 1 milhão, entregando 2.500 escrituras a moradores.
Sobrinho afirmou que houve tentativa de derrubar a transação no Tribunal de Contas, sob alegação de renúncia de receita, mas disse que o órgão não aceitou a tese e considerou o procedimento legal. Ele afirmou que cerca de 10 mil pessoas foram beneficiadas pela regularização.
Ao responder sobre sua vida atual, o ex-prefeito negou ter deixado Porto Velho e disse morar na mesma casa em que vivia antes de assumir a Prefeitura. Também afirmou que não há, em todos os processos, acusação de que tenha recebido dinheiro indevido. “Eu devo ter tido cerca de 50 processos. Você pode procurar em todos. Em todos! Onde está escrito que o Roberto recebeu um real de não sei o quê? Não existe uma acusação de que o Roberto… Olha, encontramos na conta do Roberto um dinheiro que não era dele. Encontramos não sei o quê… Não tem! Eu não sou acusado de ter roubado, não. A fama é de ladrão, mas não tem uma acusação que fala isso”, declarou.
Na parte política da entrevista, Sobrinho afirmou que não tem planos de retornar como protagonista e disse que não pretende disputar candidatura. Segundo ele, a esposa também não concorda com eventual retorno, o que classificou como elemento definidor. Apesar disso, reconheceu que, ao andar pelas ruas, ouve pedidos para voltar à política.
O ex-prefeito disse que a polarização política faz com que, mesmo diante de absolvições, adversários insistam em narrativas negativas. Ele comparou a situação ao uso da expressão “descondenado” contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora Robson Oliveira tenha feito a distinção de que, no caso de Sobrinho, houve análise dos fatos e absolvição.
Sobrinho afirmou estar fora de partidos, mas declarou apoio ao senador Acir Gurgacz. Disse que Acir tem compromisso com Rondônia e citou entregas feitas pelo mandato dele. Também comentou a situação jurídica e eleitoral do senador, dizendo que há discussões no TSE e no STF envolvendo a legislação da Ficha Limpa e que a condição de Acir é complicada, porque disputas sub judice fazem o candidato entrar em campanha “sangrando”.
No trecho final, Robson Oliveira perguntou sobre a autocrítica de Roberto Sobrinho em relação aos erros políticos de sua gestão. O ex-prefeito reconheceu que errou, embora tenha afirmado que seus acertos foram maiores. Disse que, após a morte de Odair Cordeiro, perdeu uma pessoa que fazia articulação política e o ajudava no “meio de campo”. Sobrinho afirmou que, em alguns momentos, foi “meio grosso” e “muito seco” e que a forma dura de dizer “não” pode ter construído inimizades desnecessárias.
Ele disse que acreditava que fazer as coisas corretas seria suficiente para não ter problemas, mas afirmou que não foi assim. Para Sobrinho, faltou jogo de cintura, sem que isso significasse ser condescendente com mau uso de recursos públicos.
O ex-prefeito também falou sobre “fogo amigo” dentro do PT. Segundo ele, pessoas do próprio partido contribuíram para as acusações, teriam se aliado a adversários e municiado grupos externos por interesses contrariados. Sobrinho não citou nomes, mas classificou esse episódio como uma das partes mais dolorosas de sua trajetória.
Ao concluir, disse que precisava superar o passado para preservar a própria saúde mental e seguir adiante. “Se eu não superar isso, o motor da minha energia pra frente vai ficar preso nesse passado. Então, pra mim, ter saúde mental, essa coisa toda, eu preciso entender que isso faz parte de um período da minha vida, é um processo da minha vida. A vida de qualquer um tem altos e tem baixos. Eu passei pelos baixos, espero que isso não se repita. E eu quero olhar pra frente”, afirmou.
Ranking de 10 frases mais impactantes do entrevistado
01) “Depois de 13 anos, três operações policiais, eu tive três absolvições. 13 anos de tramitação entre o início e o fim, três operações, que não é fácil você sobreviver a três operações, e eu tenho três absolvições.”
Roberto Sobrinho abriu a entrevista explicando por que aceitou falar depois de sucessivos convites de Robson Oliveira. Ele afirmou que preferiu aguardar um momento jurídico mais favorável antes de se manifestar publicamente.
02) “Eu não tive o direito de sair pela porta da frente. Eu entrei pela porta da frente com um caminhão de votos e fui colocado para fora por duas operações, sem ter o direito de me despedir sequer dos funcionários da prefeitura.”
A frase foi dita quando o ex-prefeito relatava o afastamento ocorrido no fim de 2012, faltando, segundo ele, 13 dias úteis para encerrar o mandato à frente da Prefeitura de Porto Velho.
03) “Era colocar no imaginário da nossa população a imagem de um Roberto corrupto.”
Sobrinho afirmou que, depois de anos de tramitação dos processos, passou a interpretar as operações como parte de um movimento que teria consolidado na população a imagem de que ele era corrupto.
04) “Falavam que eu tinha castelo na França. Faculdade em Goiás. Casa em Miami. Ferrari, fazendas. Mas botaram na minha conta um monte de coisa aí.”
O ex-prefeito respondeu a Robson Oliveira ao comentar rumores sobre bens que teriam sido atribuídos a ele durante o período das investigações e da repercussão pública das operações.
05) “Me deram a fama, mas não me deram a grana.”
A declaração foi feita após Sobrinho explicar o caso de uma fazenda pertencente a um amigo, que, segundo ele, passou a ser apontada como sua apenas porque costumava pescar no local.
06) “Eu fiquei preso um dia. E é o suficiente pra você nunca esquecer o que significa isso.”
Sobrinho fez a afirmação ao relembrar a prisão ocorrida em abril de 2013, no âmbito da Operação Lúminos, quatro meses depois de sua saída da Prefeitura.
07) “O relatório da Polícia Federal diz assim, o seu patrimônio condiz com a sua renda. Está escrito e não sou eu que estou falando.”
A frase foi usada pelo ex-prefeito para sustentar sua versão de que as investigações patrimoniais não comprovaram enriquecimento ilícito.
08) “Quantos viadutos foram implodidos em Porto Velho, Robson? Nenhum. Quanto de corrupção houve nos viadutos de Porto Velho, Robson? Nenhum real.”
Sobrinho respondeu às críticas antigas sobre as obras dos viadutos de Porto Velho e afirmou que as acusações relacionadas à estrutura e à corrupção não se confirmaram, segundo sua versão na entrevista.
09) “Eu não sou acusado de ter roubado, não. A fama é de ladrão, mas não tem uma acusação que fala isso.”
O ex-prefeito fez essa afirmação ao dizer que respondeu a cerca de 50 processos, mas que, segundo ele, não havia acusação de recebimento de dinheiro indevido em sua conta.
10) “Quando vem de dentro, o fogo amigo é muito cruel.”
A frase foi dita no trecho em que Sobrinho falou sobre pessoas do próprio PT que, segundo ele, teriam contribuído para as acusações, se aliado a adversários e municiado ataques por interesses contrariados.
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