Presidente viaja à França para encontro das maiores economias industrializadas em meio a discussões sobre tarifas norte-americanas, restrições da União Europeia à carne brasileira e negociações internacionais.
Porto Velho, RO – A participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Cúpula do G7, que ocorre entre os dias 15 e 17 de junho na França, será acompanhada por temas sensíveis da agenda comercial brasileira. Entre eles estão a possível taxação de produtos nacionais pelos Estados Unidos e a recente decisão da União Europeia de restringir a entrada de determinados alimentos produzidos no Brasil.
Convidado para o encontro das sete maiores economias industrializadas do mundo, Lula embarca neste domingo (14) para a cidade de Évian-les-Bains. A expectativa gira em torno de possíveis reuniões bilaterais durante o evento, especialmente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embora até o momento não haja confirmação oficial de um encontro entre os dois líderes.
O tema das relações comerciais com Washington ganhou força após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) indicar a aplicação de tarifas de 25% sobre parte das exportações brasileiras. A medida está ligada a uma investigação iniciada há cerca de um ano pelo governo norte-americano sobre supostas práticas consideradas desleais no comércio bilateral.
Entre os argumentos apresentados pelo USTR está a alegação de que o sistema Pix favoreceria de forma indevida o mercado brasileiro de pagamentos eletrônicos em detrimento de empresas dos Estados Unidos, incluindo operadoras de cartões de crédito e plataformas digitais. Apesar das conversas mantidas entre os dois governos desde o encontro realizado na Casa Branca, em maio, ainda não foi apresentada uma proposta concreta para solucionar o impasse.
Segundo o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores, as tratativas continuam em andamento. De acordo com ele, a possibilidade de um encontro entre Lula e Trump ainda não foi definida, embora os contatos entre os dois países permaneçam intensos.
A viagem também marcará o primeiro contato entre os dois presidentes após os Estados Unidos classificarem oficialmente as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras. O governo brasileiro vinha manifestando preocupação com a medida por considerar que ela poderia abrir espaço para sanções econômicas ou outras ações por parte das autoridades norte-americanas.
Outro assunto que deve ocupar espaço nas conversas diplomáticas envolve a União Europeia. O bloco confirmou recentemente a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos como carnes, tripas, peixes e mel para seus integrantes. A restrição entrará em vigor em 3 de setembro e foi oficializada por meio de publicação no Diário Oficial europeu.
O governo brasileiro avalia com preocupação a decisão, anunciada pouco tempo após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Philip Fox-Drummond Gough afirmou que houve surpresa com a forma como a medida foi adotada e indicou que o tema deverá ser tratado com representantes europeus sempre que houver oportunidade.
Enquanto algumas reuniões seguem indefinidas, um compromisso já confirmado na agenda presidencial será o encontro com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. Será a primeira reunião oficial entre os dois líderes. A expectativa é que as conversas possam abrir caminho para futuras negociações envolvendo um acordo comercial entre o Japão e o Mercosul.
Também existe a possibilidade de uma reunião bilateral com o presidente francês, Emmanuel Macron, anfitrião da edição deste ano da cúpula. Além do Brasil, foram convidados países como Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito.
Durante o encontro, Lula participará de três atividades oficiais. Em uma sessão dedicada às parcerias internacionais para o desenvolvimento, prevista para o dia 16, o presidente deverá defender a ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento, mecanismo de apoio financeiro destinado a países mais vulneráveis.
Já no dia 17, o chefe do Executivo brasileiro abordará temas relacionados ao crescimento econômico equilibrado e à necessidade de reformas em instituições multilaterais, com destaque para a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização das Nações Unidas (ONU). Na mesma data, a delegação brasileira participará de um almoço de trabalho voltado às discussões sobre Inteligência Artificial.
Esta será a décima participação de Lula em uma cúpula do G7 ao longo de seus três mandatos. O grupo é formado por Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão, além da participação institucional da União Europeia.
Com informações de: Agência Brasil
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