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FINANÇAS E SAÚDE MENTAL
Especialista aponta que diálogo sobre finanças pode ajudar casais a evitar conflitos e alinhar objetivos em comum

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Professora de Ciências Contábeis afirma que a falta de planejamento financeiro e de transparência sobre dinheiro pode gerar dificuldades na relação, além de comprometer metas compartilhadas e a organização do orçamento familiar

Por Vinicius Canova - terça-feira, 16/06/2026 - 14h27

Porto Velho, RO – Em um cenário marcado pelo aumento do custo de vida e pela necessidade de maior controle do orçamento familiar, o tema das finanças continua sendo evitado por muitos casais. Embora parceiros costumem planejar aspectos como carreira, filhos, viagens e projetos de vida, a administração dos recursos financeiros do presente e do futuro nem sempre integra as conversas do cotidiano.

Questões relacionadas à divisão das despesas domésticas, dívidas, investimentos, hábitos de consumo e metas financeiras podem se transformar em fontes de desgaste quando não existe transparência entre os envolvidos. Segundo especialistas, a ausência de diálogo sobre o tema pode afetar tanto a saúde financeira quanto a confiança e o equilíbrio da relação.

A professora de Ciências Contábeis Maria Clara Martins, da Faculdade Serra Dourada de Lorena, afirma que a conversa sobre dinheiro deve fazer parte da construção de uma parceria saudável. De acordo com ela, a falta de comunicação pode provocar problemas que vão além do orçamento familiar.

“Muitos casais ainda tratam as finanças como um assunto delicado. Essa falta de diálogo pode levar ao acúmulo de dívidas escondidas, gastos sem alinhamento e até à chamada infidelidade financeira, quando um dos parceiros omite informações sobre sua vida financeira”, explica.

Entre os problemas mais frequentes observados no planejamento financeiro dos casais está a ausência de uma reserva de emergência. Conforme a professora, a inexistência desse recurso pode gerar dificuldades diante de situações inesperadas, como perda de renda, problemas de saúde ou despesas imprevistas.

Outro desafio apontado pela especialista está relacionado à falta de alinhamento sobre prioridades financeiras. Enquanto um dos parceiros pode direcionar seus esforços para viagens e lazer, o outro pode priorizar a aquisição de um imóvel, investimentos ou a formação de patrimônio.

Maria Clara destaca que a definição conjunta de objetivos é um elemento importante para a organização financeira do casal. “É fundamental que o casal tenha clareza sobre seus objetivos. Quando ambos entendem quais sonhos querem realizar, as decisões financeiras se tornam mais conscientes e menos motivo de conflito”, destaca Maria Clara.

Como forma de organização, a professora recomenda que os casais reservem momentos periódicos para revisar o orçamento, acompanhar despesas e estabelecer metas de curto, médio e longo prazo. Segundo ela, o controle financeiro pode ser realizado por meio de aplicativos, planilhas ou outros métodos compatíveis com a rotina dos parceiros.

A forma de administrar os recursos também costuma gerar dúvidas entre os casais. Sobre a adoção de contas conjuntas ou separadas, Maria Clara afirma que não existe um modelo único que possa ser aplicado a todas as relações.

“Cada casal possui uma realidade financeira e uma dinâmica própria. O modelo ideal é aquele que oferece transparência, equilíbrio e respeita a individualidade de cada pessoa.”

Nesse contexto, o modelo híbrido, composto por uma conta destinada às despesas e objetivos comuns e contas individuais para gastos pessoais, tem sido adotado por muitos casais como alternativa para conciliar autonomia e organização financeira.

Para a professora, o planejamento financeiro em conjunto vai além da simples divisão de despesas, estando relacionado à construção de objetivos compartilhados e à preparação para enfrentar desafios ao longo da vida.

“Planejar finanças a dois não significa controlar o outro, mas alinhar expectativas e construir caminhos juntos. O dinheiro deve ser uma ferramenta para realizar sonhos, e não um motivo de afastamento dentro da relação”, conclui a professora.

AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO) – LinkedIn





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