Robson Oliveira comenta alertas sobre queimadas, riscos climáticos, agressividade no debate público e cautela diante de pesquisas eleitorais em Rondônia
RESENHA POLITICA
ROBSON OLIVEIRA
QUEIMADAS
As previsões climáticas para o próximo verão em Rondônia já estão sobre a mesa. Os órgãos de meteorologia vêm alertando, com antecedência, para um período de condições severas, o que elimina qualquer espaço para desculpas futuras. Se as previsões apontam risco elevado de queimadas, cabe aos órgãos de fiscalização e controle agir agora, antes que a fumaça volte a sufocar cidades inteiras.
CONTROLE
No ano passado, apesar das dificuldades, houve maior controle e os resultados apareceram. Diferentemente de anos anteriores, não assistimos ao fechamento do aeroporto de Porto Velho por causa da fumaça nem ao colapso das unidades de saúde provocado pelo aumento dos problemas respiratórios.
REFLEXOS
Outro alerta importante envolve a possibilidade de um forte efeito El Niño, com impacto direto sobre os níveis dos rios. A redução da navegabilidade pode afetar comunidades ribeirinhas, o abastecimento e a economia regional. Defesa Civil e DNIT precisam se antecipar aos fatos, e não correr atrás deles quando os problemas já estiverem instalados.
AVISO
A vantagem desta vez é que ninguém poderá alegar surpresa. Os avisos estão sendo feitos com meses de antecedência. Se houver omissão, ela não será fruto da falta de informação, mas de negligência. E quem acaba pagando a conta, como sempre, é a população.
AGRESIVIDADE
“Quem combate monstros deve cuidar para que não se transforme também em monstro.” A advertência de Friedrich Nietzsche talvez nunca tenha sido tão atual. Vivemos uma época em que o insulto deixou de ser exceção para se tornar corriqueiro. Discordar já não basta; é preciso humilhar. Questionar uma opinião alheia virou, para muitos, uma afronta pessoal que exige resposta agressiva. Em vez do debate, o ataque. Em vez dos argumentos, o carão. Em vez da reflexão, a vaidade.
ARROGÂNCIA
Há uma legião de indivíduos convencidos de que são proprietários da razão. Olham de cima para baixo quem pensa diferente e tratam opiniões divergentes como se fossem ofensas imperdoáveis. A simples exposição de um ponto de vista contrário desperta reações desproporcionais, carregadas de desprezo e arrogância. Não discutem ideias; julgam pessoas.
REAÇÃO
A vaidade exerce papel central nesse comportamento. O vaidoso não suporta ser contrariado porque construiu para si uma imagem de superioridade intelectual e moral. Qualquer discordância é recebida como ameaça ao personagem que criou. Por isso reage com ironias ofensivas, desqualificações e ataques pessoais. O objetivo não é convencer, mas diminuir o outro.
FENÔMENO
A era digital ampliou esse fenômeno. Redes sociais, inteligência artificial e ferramentas de comunicação instantânea democratizaram o acesso à informação, mas também multiplicaram os donos da verdade. Muitos utilizam esses recursos não para dialogar, mas para produzir versões sofisticadas da grosseria. Às vezes o insulto é explícito; outras, surge de forma subliminar, escondido em frases pretensamente elegantes ou revestido de falsa superioridade intelectual.
PRUDÊNCIA
O paradoxo é que quem mais se apresenta como defensor da razão frequentemente demonstra enorme incapacidade de conviver com a divergência. A verdadeira inteligência não teme o contraditório; ela o procura. O conhecimento autêntico gera prudência. A ignorância, ao contrário, costuma vir acompanhada de certezas absolutas.
COMPORTAMENTO
Talvez por isso a frase de Nietzsche permaneça tão pertinente. Quando a vaidade substitui a humildade e o insulto ocupa o lugar do argumento, o debatedor deixa de combater aquilo que considera errado e passa a reproduzir exatamente o comportamento que diz condenar. Como alertou o filósofo, quem combate monstros deve tomar cuidado para não se transformar também em um deles.
ISENÇÃO
Há mais de trinta anos acompanho campanhas majoritárias em Rondônia. Desta vez, por opção profissional e pessoal, estarei fora das trincheiras. Não significa distância da política. Ao contrário. Acompanharei cada movimento como observador e articulista, livre das pressões, interesses e paixões que costumam contaminar o ambiente eleitoral.
MANCHETE
A experiência ensina algumas coisas. Entre elas, que pesquisa eleitoral não se lê apenas pelo resultado estampado na manchete. O segredo está nas entrelinhas, na metodologia, nos cruzamentos, no perfil dos entrevistados e na forma como os dados foram coletados e tabulados. Muitas vezes, a verdade da pesquisa está justamente onde poucos se dão ao trabalho de procurar.
PESQUISAS
Ao longo de quatro décadas de jornalismo, vi pesquisas acertarem, errarem e, em alguns casos, servirem mais para alimentar narrativas do que para retratar a realidade. Registro legal nunca foi certificado de infalibilidade. O papel aceita tudo. Os números também podem ser conduzidos para produzir percepções convenientes.
FAKE
Político adora pesquisa favorável. É compreensível. Uma colocação destacada, ainda que construída sobre bases questionáveis, ajuda a arrecadar apoios, animar aliados e manter viva a candidatura. Funciona quase como combustível emocional de campanha. O problema surge quando parte da imprensa passa a tratar números isolados como verdades absolutas.
HÁBITOS
Rondônia, aliás, possui um histórico invejável de desmoralizar previsões eleitorais. Se dependesse de muitas pesquisas divulgadas ao longo dos anos, nomes como Marcos Rocha, Hildon Chaves, Léo Moraes e Jaime Bagattoli jamais teriam alcançado as vitórias que alcançaram. O eleitor costuma ter hábitos que desafiam institutos, marqueteiros e comentaristas apressados.
FAJUTA
Recentemente vi uma pesquisa que colocou um ex-senador em posição privilegiada na disputa ao Senado. Um político que sequer reside efetivamente em Rondônia há mais de duas décadas, aparece esporadicamente por aqui e cuja lembrança popular está longe de justificar tamanho desempenho. Os números apresentados eram tão generosos que talvez nem o próprio beneficiado acreditasse neles.
DESAFIO
A eleição de 2026 está completamente aberta. Vale para o Governo e vale para o Senado. Há favoritos momentâneos, mas não há donos da eleição. Menos ainda espaço para candidaturas sustentadas apenas por números artificiais ou pela nostalgia de tempos passados. Pesquisa séria é instrumento de análise. Pesquisa de ocasião é peça de propaganda. O desafio do eleitor e da imprensa é saber distinguir uma da outra.

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