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RD ENTREVISTA
Luiz Teodoro: o homem de esquerda que defendeu presos do 8 de Janeiro abandonados por lideranças da direita

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Pré-candidato do PSOL ao Governo de Rondônia defendeu subsídios para as tarifas da BR-364 e de energia elétrica, criticou recursos judiciais do Estado em casos de saúde e propôs novas estruturas para desafogar o João Paulo II

Por Vinicius Canova - segunda-feira, 22/06/2026 - 09h45

Porto Velho, RO – Três temas concentraram as declarações mais incisivas do advogado Luiz Carlos Teodoro durante participação no podcast RD Entrevista: a cobrança de pedágio na BR-364, a situação das pessoas presas em decorrência dos atos de 8 de janeiro e as condições oferecidas aos pacientes da rede pública de saúde de Rondônia.

Pré-candidato do PSOL ao Governo do Estado, Teodoro disse não acreditar que os participantes das manifestações de 8 de janeiro possam ser classificados de forma generalizada como terroristas. Também chamou de “estelionato” a implantação de pedágio em uma rodovia que, segundo ele, permanece com buracos e sem duplicação. Na saúde, acusou o poder público de permitir que pacientes morram enquanto aguardam medicamentos ou cirurgias.

As declarações foram dadas ao jornalista Vinícius Canova no RD Entrevista, programa realizado nos estúdios do Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia, conexão direta com a verdade. Ao longo da conversa, o advogado apresentou propostas para o Governo de Rondônia, falou sobre sua atuação na Comissão de Direitos Humanos da OAB, abordou segurança pública, energia elétrica, moradia e explicou como pretende se posicionar no processo eleitoral.

Ao ser questionado diretamente sobre os envolvidos nos acontecimentos de 8 de janeiro, Teodoro recusou a classificação generalizada de terrorismo. O pré-candidato reconheceu que houve excessos praticados por algumas pessoas, mas não afirmou que havia terroristas entre os participantes.

“Eu não quero acreditar que são terroristas, de forma nenhuma. Eu acho que, com algumas pessoas, houve um excesso”, declarou.

Teodoro afirmou que parte dos participantes teria viajado após receber promessas de transporte, alimentação, hospedagem, assistência jurídica e outras formas de suporte. Segundo ele, algumas dessas pessoas posteriormente se arrependeram e relataram que ficaram desamparadas depois das prisões.

O advogado disse ter percorrido unidades do sistema prisional de Rondônia durante sua atuação na área dos direitos humanos. Nessas visitas, conforme relatou, ouviu dos presos relacionados aos atos uma reclamação recorrente contra políticos e responsáveis pela mobilização.

“Eu percorri os presídios e, onde eu chegava e encontrava alguém do 8 de janeiro, a palavra era uma só: ‘Nos abandonaram. Aqueles que mandaram nós irmos para lá nos abandonaram’. Não apareceu deputado federal da região, não apareceu senador da região, não apareceu o governador. Abandonaram”, afirmou.

Apesar de integrar um partido de esquerda, Teodoro declarou que a atuação em direitos humanos não pode ser condicionada à posição ideológica do cidadão atendido. Para ele, a obrigação institucional existe independentemente de a pessoa estar identificada com a direita ou com a esquerda.

“Nós, como instituição de direitos humanos, fizemos o nosso papel institucional. Não importa qual seja a ideologia político-partidária. Nós agimos porque houve uma violação”, disse.

O caso do jornalista William Homem do Tempo foi apresentado pelo entrevistado como exemplo dessa atuação. Teodoro relatou que recebeu a informação de que havia uma pessoa presa preventivamente em Rondônia havia quase um ano, ainda sem sentença e com o procedimento na fase de inquérito.

Segundo o advogado, durante uma diligência no presídio, William relatou que estava doente. A família apresentou laudos médicos, e a Comissão de Direitos Humanos da OAB em Rondônia preparou um relatório para ser anexado ao processo.

Teodoro afirmou que os documentos indicavam um problema de saúde que exigia atenção médica. Diante disso, a comissão manifestou-se favoravelmente à prisão domiciliar, sem discutir a posição política do preso.

“A partir do momento em que existe um laudo com o problema de saúde, está constatada a violação de direitos humanos. Fizemos um relatório, juntamos o documento do laudo médico e peticionamos no processo”, explicou.

RD Entrevista

Luiz Teodoro: 8 de Janeiro, pedágio e saúde

Pré-candidato ao Governo de Rondônia relata atuação em favor de presos ligados ao 8 de Janeiro, chama a cobrança na BR-364 de “estelionato” e acusa o Estado de prolongar a espera de pacientes por medicamentos e cirurgias.
Entrevista concedida a Vinícius Canova, no Rondônia Dinâmica Assistir à entrevista completa
3 diasprazo relatado para concessão de prisão domiciliar
50%subsídio proposto na energia para famílias do CadÚnico
8,7 milefetivo policial que afirma ser necessário em Rondônia
120famílias citadas em disputa por moradia

O relato sobre o 8 de Janeiro

“A palavra era uma só: ‘Nos abandonaram’.
Teodoro afirmou ter ouvido essa reclamação durante visitas a unidades prisionais. Apesar de integrar um partido de esquerda, disse que a Comissão de Direitos Humanos da OAB atuou sem considerar a orientação política dos presos. Ele também recusou a classificação generalizada dos participantes como terroristas, embora tenha reconhecido excessos individuais.
Efetivo considerado necessário 8,7 mil
Efetivo existente citado 4,7 mil
Policiais em serviço nos plantões 700
Comparação visual baseada exclusivamente nos números apresentados por Luiz Carlos Teodoro durante a entrevista.

Quatro eixos da entrevista

8 JAN

Direitos sem filtro ideológico

O advogado afirmou que a proteção de direitos fundamentais deve alcançar pessoas de direita e de esquerda e citou o caso de William Homem do Tempo.
BR-364

Pedágio chamado de “estelionato”

Teodoro disse que não deveria haver cobrança sem pista dupla, eliminação de buracos e melhoria efetiva da infraestrutura.
SAÚDE

Prioridade a remédios e cirurgias

Defendeu o cumprimento de decisões judiciais de primeira instância sem recursos que prolonguem a espera de pacientes.
ENERGIA

Subsídio de 50% e 20%

Propôs que o Estado pague metade da conta de famílias do CadÚnico e 20% para outros consumidores e empresas.
Direitos humanos

Caso William

Segundo Teodoro, laudos médicos e um relatório da OAB embasaram a manifestação favorável à prisão domiciliar, posteriormente concedida por Alexandre de Moraes.
BR-364

Negociação e subsídio

Além de rever tarifas e exigir obras, sugeriu que o Estado subsidie parte do pedágio, mediante indicação da receita e aprovação da Assembleia Legislativa.
João Paulo II

Extensão provisória

Defendeu utilizar imóveis como extensão temporária do hospital, retirar pacientes dos corredores e preservar a gestão e os profissionais da rede pública.
Segurança

Concursos públicos

Teodoro criticou a redução do efetivo nas ruas, o uso de policiais em sedes de poderes e a atividade delegada durante períodos de descanso.
Moradia

Aluguel de R$ 220

Ao relatar a defesa de aproximadamente 120 famílias, questionou a insuficiência do aluguel social indicado como alternativa à reintegração de posse.
Política

Independência partidária

Disse que o PSOL não é o PT e afirmou que buscaria recursos federais para Rondônia independentemente de quem ocupasse a Presidência da República.

De acordo com o relato, a Procuradoria-Geral da República não apresentou oposição ao pedido de prisão domiciliar. O processo foi posteriormente encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, que teria concedido a medida em três dias.

“O parecer da Procuradoria disse que, considerando o relatório da Comissão de Direitos Humanos da OAB Seccional Rondônia, não havia nada a opor à prisão domiciliar em razão da saúde. Enviaram o processo ao ministro Alexandre de Moraes e, em três dias, ele concedeu a prisão domiciliar”, declarou.

Teodoro sustentou que a intervenção não teve caráter partidário. Para ele, a comissão atuou para interromper uma situação que considerava violadora da dignidade humana.

“Nós, da Comissão de Direitos Humanos, cessamos uma violação à dignidade da pessoa humana. Não importa se é direita ou esquerda. Era um direito que estava sendo violado”, afirmou.

O pré-candidato também relatou que recebeu críticas de pessoas que entendiam que a OAB não deveria atuar em favor de presos relacionados ao 8 de janeiro. Ele rejeitou esse raciocínio e argumentou que a proteção de direitos não poderia depender da identidade política dos envolvidos.

Em outro momento da entrevista, a discussão avançou para o pedágio da BR-364. Antes mesmo de ser questionado especificamente sobre a concessão, Teodoro mencionou o tema ao falar sobre como pretende enfrentar os demais pré-candidatos ao Governo de Rondônia.

Ele questionou por que agentes políticos que já ocupam cargos há oito ou 16 anos não impediram a implantação da cobrança em uma estrada que, em sua avaliação, não oferece uma prestação de serviço correspondente ao valor exigido dos motoristas.

“Deixar implantar um pedágio em uma estrada de buracos, sem pista dupla, isso aí é um estelionato. Porque, no direito do consumidor, você não pode pagar por um serviço precário ou por um serviço que não entrega aquilo que deveria como contraprestação”, declarou.

A crítica foi construída a partir da relação entre cobrança e qualidade do serviço. Segundo Teodoro, o usuário paga o pedágio esperando encontrar uma estrada sem buracos e com uma infraestrutura melhor, incluindo a duplicação.

“Eu pago pedágio para quê? Para não ter buracos, para ter pista dupla. Então, os nossos colegas pré-candidatos que estão chegando aí precisam explicar por que deixaram implantar um pedágio em uma estrada de buracos”, disse.

Questionado sobre o que faria se assumisse o Governo de Rondônia, Teodoro afirmou que buscaria inicialmente uma negociação com a bancada federal e a concessionária. O objetivo seria discutir as tarifas e condicionar a cobrança a melhorias na rodovia.

“É possível, sim. Primeiro, é preciso sentar com a bancada federal e dialogar com a concessionária para chegar a um entendimento. Primeiro precisam vir melhorias de infraestrutura da malha viária. Precisa ter pista dupla, todas as condições, e rever essa tarifa”, respondeu.

Enquanto uma solução definitiva não fosse alcançada, Teodoro propôs que o Governo de Rondônia subsidiasse parte dos valores cobrados. Pela ideia apresentada, o Estado utilizaria recursos próprios para complementar a tarifa e reduzir a despesa direta dos usuários.

“O Estado pode fazer um subsídio. Ele vai complementar a tarifa, vai pagar parte do valor como uma compensação. Claro que eu vou submeter isso à Assembleia para que a Assembleia aprove e, aí sim, fazer o subsídio”, afirmou.

Vinícius Canova questionou qual seria a origem do dinheiro, considerando que o Estado passaria a assumir parte de uma conta que atualmente é paga pelos motoristas. Teodoro respondeu que qualquer proposta precisaria ser acompanhada da indicação da receita e da compensação financeira correspondente.

O entrevistado não apresentou, durante a conversa, uma estimativa de quanto o subsídio do pedágio custaria aos cofres públicos. Também não informou qual percentual da tarifa seria pago pelo Estado. Afirmou, no entanto, que a medida dependeria da aprovação dos deputados estaduais.

A lógica de subsídio também foi aplicada à energia elétrica. Teodoro disse considerar incompatível que Rondônia seja produtor de energia e, ao mesmo tempo, tenha tarifas que classificou entre as mais caras do país.

“Não se pode aceitar que nós tenhamos hoje uma das tarifas de energia elétrica mais caras do Brasil se somos um Estado produtor”, declarou.

O pré-candidato afirmou que o poder público recebe tributos, royalties e compensações relacionadas à geração e à comercialização da energia. Na avaliação dele, parte dessa arrecadação deveria retornar diretamente à população.

“Esse lucro, esses royalties, precisam ser distribuídos de volta para o povo, porque a riqueza de um Estado tem que voltar para o povo”, disse.

A proposta apresentada estabelece percentuais diferentes conforme o perfil do consumidor. Para as famílias inscritas no Cadastro Único, o Estado pagaria metade do valor da fatura. Para pessoas físicas não inscritas, microempresas e empresas, a contribuição seria de 20%.

“As pessoas que estão no Cadastro Único, se chegar uma tarifa de R$ 200, por exemplo, o Estado vai pagar R$ 100. A pessoa só vai pagar os outros R$ 100. Quem não está no Cadastro Único, empresas, pessoas físicas e microempresas, o Estado vai pagar 20%”, explicou.

Teodoro argumentou que a proposta seria uma maneira de devolver à sociedade uma parcela da riqueza produzida no território rondoniense. Segundo ele, a distribuidora recebe pela prestação do serviço, enquanto os diferentes níveis de governo arrecadam tributos e compensações.

“A Energisa ganha porque distribui. O Estado tributa, tem os royalties e a compensação, e também existem o município e o Governo Federal. E o povo só paga. Nós vamos pegar parte desse recurso e devolver para o povo, porque é do povo”, afirmou.

O advogado reconheceu que uma política desse porte exigiria a demonstração formal da origem do dinheiro e autorização legislativa. Ao tratar das receitas provenientes da energia, porém, declarou não saber qual seria a destinação atualmente dada a todos os royalties mencionados.

“É preciso provar de onde vai sair o recurso, com a compensação. Agora, esses royalties a gente não sabe para onde estão indo. A gente precisa ter um governo de verdade, principalmente de prioridades”, disse.

A ideia de estabelecer prioridades foi repetida durante as críticas à saúde pública. Teodoro afirmou que o Hospital e Pronto-Socorro João Paulo II possui profissionais qualificados e uma ampla variedade de especialidades, mas opera em uma estrutura física inadequada.

“O melhor hospital particular hoje não tem todas as especialidades que existem no João Paulo II. Eu sempre falo: se o Trump vier a Rondônia e precisar de uma emergência, vai parar no João Paulo II. Lá estão todas as especialidades, os recursos humanos e os melhores profissionais”, afirmou.

Para o pré-candidato, o principal problema do hospital não está nas equipes que atendem a população, mas nas condições prediais. Ele classificou a estrutura física como precária e defendeu a utilização temporária de outros imóveis até a construção de uma unidade definitiva.

“Enquanto não se tem um novo hospital, poderiam ser locados prédios provisórios. Poderiam funcionar como extensão do João Paulo II, com leitos provisórios, enquanto não existe um novo prédio. Isso é dignidade da pessoa humana: tirar as pessoas dos corredores”, declarou.

Entre os espaços citados por Teodoro esteve o prédio da antiga Assembleia Legislativa, que, segundo ele, já foi utilizado como hospital e atualmente abriga a Escola do Legislativo. O advogado sugeriu que o Governo do Estado conversasse com a Presidência da Assembleia para transferir a escola e transformar o imóvel em uma extensão hospitalar.

“Um governo humano poderia chegar ao presidente da Assembleia e dizer: ‘Vamos encontrar outro local para a Escola do Legislativo e ceder aquele prédio como extensão do João Paulo II’”, propôs.

O entrevistado comparou a situação do hospital com os edifícios utilizados pelas instituições públicas. Para ele, existe uma diferença entre a atenção destinada às sedes dos poderes e aquela oferecida às estruturas utilizadas principalmente pela população pobre.

“Existe um prédio novo, imponente e bonito para a Assembleia Legislativa. Nada contra. Existe prédio bonito para o Palácio do Governo, para o Tribunal de Justiça e para o Tribunal de Contas. E por que a saúde fica com uma estrutura precária?”, questionou.

Na sequência, Teodoro sugeriu que a falta de atenção poderia estar relacionada ao perfil econômico das pessoas que dependem do João Paulo II.

“Fica uma pergunta: será que é porque os pobres são os que mais usam o hospital? Porque, geralmente, os políticos têm bons planos de saúde. Será que é por isso que não se importam?”, declarou.

O advogado também rejeitou a possibilidade de terceirização da unidade. Na avaliação dele, os servidores e demais profissionais já prestam um serviço de qualidade e precisam receber melhores condições para trabalhar.

“Não tem que terceirizar nada. Nós temos os melhores profissionais ali na saúde. É preciso valorizar médico, enfermeiro, técnico e toda a equipe, desde a pessoa que faz a limpeza até o cirurgião. Todos prestam um serviço de excelência”, afirmou.

Ao comparar a construção de uma rodoviária com a implantação de um hospital municipal, Teodoro disse que, diante de recursos limitados, a saúde deveria ocupar o primeiro lugar. Ele reconheceu que o ideal seria executar as duas obras, mas defendeu a escolha do hospital quando não fosse possível atender simultaneamente às duas demandas.

“Uma nova rodoviária ou um hospital municipal? Se puder fazer os dois, ótimo, melhor ainda. Mas, se não tem como fazer os dois, o que é urgência e emergência agora? Um hospital. Vidas. Salvar vidas”, disse.

Uma das acusações mais fortes da entrevista surgiu durante a discussão sobre pacientes que recorrem ao Judiciário para obter medicamentos e cirurgias. Teodoro afirmou que decisões favoráveis são contestadas pelo Estado, prolongando a espera de pessoas gravemente doentes.

Segundo o advogado, defensores públicos procuram a Justiça e obtêm decisões de primeira instância determinando a realização de procedimentos ou a compra de remédios. Após os recursos, os tribunais mantêm a determinação, mas, em alguns casos, a resposta chega tarde demais.

“O juiz de primeiro grau diz: ‘Estado, faça a cirurgia’ ou ‘Estado, compre a medicação’. Os advogados públicos recorrem, chega à segunda instância e o desembargador mantém a sentença. Quando volta, infelizmente veio tarde a cirurgia, veio tarde a medicação. Morreu o pai, outra hora era a mãe, o irmão”, relatou.

Em seguida, Teodoro responsabilizou diretamente o Estado pelas mortes de pessoas que permanecem nas filas de atendimento.

“Hoje nós temos um Estado que deixa as pessoas morrerem na fila esperando um remédio, uma medicação ou uma cirurgia”, acusou.

Para ele, depois de uma decisão judicial reconhecendo a necessidade do tratamento, o Governo de Rondônia poderia cumprir a ordem sem apresentar novos recursos. A sentença, em seu entendimento, já legitimaria o administrador a providenciar a cirurgia ou o medicamento.

“A partir do momento em que existe uma decisão dizendo ‘Estado, faça a cirurgia’ ou ‘Estado, compre o medicamento’, não precisaria recorrer. A saúde não pode esperar. As pessoas têm pressa, a saúde tem pressa. Isso é desumano”, declarou.

Questionado se essa orientação não reduziria as atribuições da Procuradoria-Geral do Estado, Teodoro respondeu que os procuradores poderiam concentrar-se em outras demandas. O processo administrativo seria direcionado à cotação do procedimento ou do medicamento, especialmente quando fosse necessário recorrer à rede privada.

“A sentença de primeiro grau já legitimou o governante para agir. Se é uma cirurgia que eu não tenho na rede, vou procurar a rede privada, fazer a cotação e verificar o preço de mercado. Não precisaria recorrer, porque as pessoas estão morrendo e a saúde tem pressa”, afirmou.

Na segurança pública, o pré-candidato disse que a população não deseja apenas uma “sensação” de proteção. Segundo ele, Rondônia precisaria ter cerca de 8,7 mil policiais, mas contaria com aproximadamente 4,7 mil, dos quais apenas 700 estariam em serviço durante os plantões.

“O governo usa a palavra ‘sensação de segurança’. Na verdade, as pessoas não querem sensação de segurança; as pessoas querem segurança”, declarou.

Teodoro afirmou que alguns municípios possuem apenas três ou quatro policiais responsáveis pelo atendimento tanto da cidade quanto da área rural. A deficiência do efetivo, conforme disse, também compromete as condições de trabalho dos agentes.

“O policial está trabalhando cansado porque tem que fazer bico, tem que fazer serviço extra. O Estado está explorando o policial, porque ele tem uma escala de plantão e um tempo de descanso. Esse é o momento em que precisa estar com a família e cuidar da sua condição psicológica e física”, afirmou.

O advogado criticou ainda a atividade delegada criada pela Prefeitura de Porto Velho. Para ele, município e Estado passaram a disputar o trabalho do mesmo policial, utilizando períodos que deveriam ser reservados ao descanso.

“A Prefeitura de Porto Velho criou a atividade delegada. A Prefeitura e o Governo do Estado estão concorrendo pelo mesmo policial. Isso é uma violação à dignidade da pessoa humana”, disse.

Como resposta à falta de efetivo, Teodoro defendeu concursos para as polícias Militar e Civil e para o sistema socioeducativo. Também criticou a presença de agentes de segurança em sedes dos poderes e gabinetes.

“Está cheio de policiais dentro dos tribunais, do Palácio do Governo e da Assembleia, e na rua, nada. O próximo governador tem que fazer novos concursos para dar segurança à população do Estado de Rondônia”, afirmou.

A identidade política do pré-candidato também foi discutida no programa. Teodoro reconheceu que o PSOL pertence à esquerda, mas procurou diferenciar a legenda do Partido dos Trabalhadores.

“O PSOL é, sim, um partido de esquerda, tem sua base e suas políticas públicas. Mas o PSOL não é PT; ele é PSOL”, declarou.

Segundo ele, parlamentares do partido apoiam programas do Governo Federal, como Minha Casa, Minha Vida e Bolsa Família, mas a legenda preserva independência para adotar posições próprias.

Ao falar sobre a relação de um eventual governo estadual com a Presidência da República, Teodoro afirmou que buscaria recursos federais independentemente de quem estivesse no cargo. Ele citou os nomes de Lula, Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro para sustentar que o dinheiro público não pertence ao governante.

“Não importa se o presidente é o Lula, o Bolsonaro ou o Flávio Bolsonaro. Se eu sou governador de Rondônia, os recursos federais têm que vir para Rondônia. Eu não vou pedir favor. Vou buscar o direito das pessoas que pagam impostos e levantam cedo todos os dias”, disse.

“O recurso não é do Lula e não é do Bolsonaro”, acrescentou.

Teodoro afirmou que seria necessário reconhecer projetos positivos realizados pelo Governo Federal, mesmo diante de divergências políticas. Durante a entrevista, mencionou iniciativas como o Expresso Porto, a ponte binacional em Guajará-Mirim, projetos habitacionais, travessias na BR-364 e a possibilidade de um hospital municipal.

O pré-candidato também foi questionado sobre a existência de diferentes nomes do campo da esquerda na disputa pelo Governo de Rondônia. Além de sua pré-candidatura pelo PSOL, foram mencionados Expedito Netto, pelo PT, e Samuel Costa, pelo PSB.

Teodoro respondeu que a fragmentação não ocorre apenas na esquerda, pois a direita também possui vários pretendentes ao cargo. Ainda assim, admitiu que os partidos progressistas poderiam dialogar até as convenções para tentar uma composição.

“Eu concordo que não existe problema em, lá na frente, até as convenções, tentar conversar e unir a esquerda. Mas a direita também tem três ou quatro pré-candidatos e tem problemas entre eles”, afirmou.

Ao tratar do caso do juiz Robson José dos Santos, apresentado no programa como magistrado que alegou ter sofrido racismo e foi demitido do Tribunal de Justiça de Rondônia, Teodoro evitou concluir se a decisão foi correta ou discriminatória.

O advogado justificou a cautela afirmando que não teve acesso integral ao processo e que qualquer avaliação jurídica deveria partir dos documentos reunidos nos autos.

“Eu não conheço o processo, eu não vi o processo. A gente costuma dizer no meio jurídico que aquilo que não está nos autos não está no mundo. Quero acreditar que houve o devido processo legal, que houve defesa e contraditório”, disse.

Teodoro observou que o caso ainda poderia ser analisado pelo Conselho Nacional de Justiça. Ao mesmo tempo, destacou a trajetória do magistrado como homem negro que teria enfrentado dificuldades até chegar à carreira.

“Ele tem uma história muito bonita. Negro, estudou muito, porque ninguém chega à magistratura sem estudar e sem luta. A vida é difícil para todo mundo, mas, para o negro e para o pobre, é mais difícil ainda”, declarou.

A questão da moradia apareceu quando o entrevistado relatou a defesa de cerca de 120 famílias que viviam nas proximidades da Vila Princesa e ocuparam uma área pública localizada perto da Estrada da Coca-Cola.

Segundo Teodoro, o terreno permanecera abandonado durante décadas. Parte da área teria sido cedida anteriormente a uma associação ligada à Polícia Militar e ao Corpo de Bombeiros, enquanto as famílias passaram a enfrentar uma ordem de reintegração de posse e demolição das construções.

“Veio uma liminar de reintegração de posse e demolição. Ou seja, retiravam as famílias e já vinha o trator, a máquina, para derrubar tudo”, relatou.

A defesa pediu a suspensão da medida. O juiz realizou uma inspeção no local para verificar as condições de vulnerabilidade e, durante a audiência, questionou qual alternativa seria oferecida pela Prefeitura de Porto Velho.

Teodoro afirmou que não havia um programa de moradia definido nem mesmo para os anos seguintes. A possibilidade apresentada seria o aluguel social, no valor de R$ 220.

“Perguntei para onde aquelas famílias iriam e qual era o projeto de moradia. Não havia projeto nem a longo prazo. Falaram em aluguel social. Perguntei o valor e responderam R$ 220. Alguém consegue pagar aluguel com R$ 220? Acho que nem na última casa da cidade”, afirmou.

Segundo o advogado, a retirada foi suspensa até que o município apresentasse uma solução de moradia digna. Teodoro utilizou o episódio para defender a responsabilidade conjunta da União, do Estado e das prefeituras na política habitacional.

A pré-candidatura foi relacionada por Teodoro à experiência acumulada na Comissão de Direitos Humanos da OAB. Ele afirmou que a defesa desses direitos não se restringe ao sistema prisional, abrangendo também saúde, moradia, idosos, pessoas com deficiência, mulheres, migrantes, ribeirinhos, povos da floresta e população negra.

“Direitos humanos são os direitos dos negros, dos povos da floresta, dos ribeirinhos, dos migrantes, das pessoas com deficiência, dos idosos, das mulheres vítimas de violência e das pessoas que estão no chão de um hospital aguardando saúde”, declarou.

No trecho final do RD Entrevista, Teodoro retomou a própria trajetória. Filho de empregada doméstica e lavadeira, com pai agricultor, contou que era o mais velho entre quatro irmãos e começou a trabalhar aos oito anos para ajudar no sustento familiar.

Ele relatou que percorria as ruas de Rolim de Moura com uma caixa de engraxate. O dinheiro obtido era usado para comprar leite, arroz e feijão para a família.

Foi durante o trabalho que decidiu tornar-se advogado. Segundo Teodoro, a ideia surgiu quando engraxava os sapatos de um profissional da área. Ao contar o sonho à mãe, ouviu que poderia realizá-lo por meio da educação e da fé.

“Minha mãe disse: ‘Luiz, com fé em Deus e educação, é possível, sim, você ser advogado’. Eu comecei a estudar, fui estudando e, graças a Deus, hoje sou advogado”, relembrou.

Paranaense e morador de Guajará-Mirim desde 1995, Teodoro afirmou que conciliou empregos para concluir a graduação em Direito. Depois, passou a atuar nas áreas cível, criminal e de direitos humanos.

Ao encerrar o programa, disse que sua história o preparou para participar da disputa estadual, embora uma candidatura oficial ainda dependa das convenções partidárias.

“O doutor Luiz Teodoro não é melhor do que ninguém, mas a minha trajetória de vida e a minha história me deixam pronto para, se for da vontade de Deus e do povo, passar pelas convenções, vencer a eleição e governar o Estado de Rondônia”, declarou.

Na frase final, o pré-candidato resumiu a responsabilidade que atribui a quem apresenta seu nome à população: “É não brincar com a esperança das pessoas”.

10 FRASES DE LUIZ CARLOS TEODORO AO RD ENTREVISTA

01) “Eu não quero acreditar que são terroristas, de forma nenhuma.”

Teodoro fez a declaração ao responder diretamente se considerava terroristas as pessoas que participaram dos acontecimentos de 8 de janeiro.

02) “A palavra era uma só: ‘Nos abandonaram’.”

A frase foi usada ao relatar o que afirmou ter ouvido de presos ligados ao 8 de janeiro durante visitas realizadas ao sistema prisional de Rondônia.

03) “Deixar implantar um pedágio em uma estrada de buracos, sem pista dupla, isso aí é um estelionato.”

O pré-candidato pronunciou a frase ao questionar a cobrança na BR-364 sem que, em sua avaliação, a rodovia ofereça a contraprestação esperada pelo usuário.

04) “Eu pago pedágio para quê? Para não ter buracos, para ter pista dupla.”

A afirmação foi feita enquanto Teodoro relacionava o pagamento da tarifa às condições que entende que deveriam ser oferecidas pela estrada.

05) “Hoje nós temos um Estado que deixa as pessoas morrerem na fila esperando um remédio, uma medicação ou uma cirurgia.

A acusação surgiu durante a crítica aos recursos judiciais apresentados em processos que envolvem tratamentos de saúde.

06) “A saúde não pode esperar. As pessoas têm pressa, a saúde tem pressa.”

Teodoro utilizou a frase para defender que o Estado cumpra decisões judiciais de primeira instância sem prolongar a disputa quando estiverem em jogo medicamentos e cirurgias.

07) “Não tem que terceirizar nada.”

A declaração foi dada ao rejeitar a terceirização do João Paulo II e defender a valorização dos profissionais que já trabalham na unidade.

08) “As pessoas não querem sensação de segurança; as pessoas querem segurança.”

A frase foi pronunciada quando o advogado criticou a quantidade de policiais disponível para atender os municípios rondonienses.

09) “O recurso não é do Lula e não é do Bolsonaro.”

Teodoro fez a afirmação ao defender que recursos federais pertencem à população e devem ser buscados por qualquer governador, independentemente de divergências com o presidente.

10) “É não brincar com a esperança das pessoas.”

A declaração encerrou a entrevista, no momento em que Teodoro apresentou sua trajetória e afirmou estar preparado para disputar o Governo de Rondônia.

AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO) – LinkedIn





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