Pré-candidato do MDB afirma que o passado do partido não determina seu projeto, classifica situação do hospital como vexaminosa, não indica apoio presidencial e questiona a reação de políticos após o início das cobranças na rodovia
Porto Velho, RO – O pré-candidato do MDB ao Governo de Rondônia, Pedro Abib, afirmou que o Hospital e Pronto-Socorro João Paulo II deve ser demolido, declarou que poderá criticar o senador Confúcio Moura, principal liderança estadual de seu partido, e direcionou aos parlamentares que exerceram mandato durante a implantação do pedágio na BR-364 a responsabilidade de explicar quais medidas adotaram ao longo do processo. As declarações foram dadas ao podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica.
Ao abordar a situação da saúde pública, Abib afirmou que a substituição da estrutura do João Paulo II não deveria continuar sendo apresentada como promessa eleitoral, mas tratada como uma obrigação de qualquer governo. Para o pré-candidato, as condições enfrentadas por pacientes e profissionais colocam Rondônia em uma posição que classificou como vexaminosa perante o restante do país.
“Quando se fala em João Paulo, que o senhor citou, pô, isso pra mim, Robson, isso é inegociável. Pra mim, cidadão rondoniense, como o senhor é, como cada um de nós aqui somos, estamos discutindo, não é possível que algum político venha adiante da Câmara do Resenha Política, Robson, dizer eu prometo um novo hospital em Porto Velho de traumas. Isso é obrigação, Robson. Isso aí nenhum dos pré-candidatos pode colocar como pauta. A gente tem um João Paulo. No estado que o João Paulo tá, é vexaminoso pro rondoniense perante o Brasil. Isso aí não tem o que negociar. Esse João Paulo tem que ser demolido e tem que ter uma infraestrutura adequada. Eu digo, o cara que tá lá no João Paulo esperando pra ser atendido num corredor com água caindo, ele não quer saber nada de pauta moral, Robson”, declarou.
Pedro Abib: João Paulo II, pedágio e novo MDB
Pré-candidato do MDB defende a demolição do João Paulo II, cobra explicações sobre o pedágio na BR-364, diz que poderá criticar Confúcio Moura e afirma que sua candidatura busca um novo projeto para o partido.
Entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica.
A frase central da entrevista
“Esse João Paulo tem que ser demolido e tem que ter uma infraestrutura adequada.”
Ao tratar da saúde pública, Pedro Abib afirmou que a substituição do Hospital e Pronto-Socorro João Paulo II deve ser encarada como obrigação governamental, e não como promessa eleitoral. Também defendeu a descentralização dos atendimentos e maior eficiência na gestão hospitalar.
Eixos da entrevista
Saúde e demolição do hospital
Abib classificou a substituição do João Paulo II como obrigação, defendeu nova infraestrutura e propôs aproximar os serviços de saúde dos pacientes.
Pedágio e cobrança política
O pré-candidato direcionou a cobrança aos parlamentares que exerciam mandato durante a discussão e a implantação do pedágio.
Autonomia e crítica interna
Disse que poderá criticar Confúcio Moura e afirmou ter recebido autonomia partidária para estruturar seu próprio programa de governo.
Diagnóstico antes da promessa
Abib criticou políticas formuladas por “achismo” e defendeu diagnósticos técnicos, valorização e qualificação dos professores.
“Novo MDB”
Abib afirmou que ingressou no partido no começo de abril de 2026 após receber a proposta de construir um projeto de renovação interna para Rondônia.
Crítica sem rompimento
O pré-candidato declarou que a filiação não o impedirá de divergir do senador e sustentou que a crítica integra a construção democrática.
Contra a polarização
Sem declarar apoio presidencial, Abib afirmou que não pretende entrar na polarização e defendeu uma alternativa de equilíbrio e pacificação.
Pautas morais
Ele disse que temas ligados à legislação penal devem ser cobrados de candidatos ao Congresso, e não usados como promessa de uma campanha estadual.
Agro e meio ambiente
Abib defendeu conciliar produção e preservação por meio de ciência, tecnologia, inovação e aumento da produtividade nas áreas já ocupadas.
Regras para fake news
O pré-candidato defendeu que o Congresso Nacional discuta normas sobre fake news e o impacto das redes sociais nas eleições.
A cobrança sobre o pedágio
“Porque depois que foi instituído é fácil todo mundo ser contra. Agora, durante o mandato é que ele tem que prestar conta pra população de Rondônia.”
A afirmação levou Robson Oliveira a questionar a relação entre o discurso do pré-candidato e o histórico do MDB, partido que comandou o Governo de Rondônia durante dois mandatos consecutivos de Confúcio Moura. O apresentador lembrou que a construção de uma nova unidade hospitalar foi prometida durante administrações anteriores, sem que o problema fosse resolvido.
Abib reconheceu que pode existir uma contradição histórica relacionada ao partido, mas rejeitou a existência de uma contradição em sua pré-candidatura. Ele afirmou que nunca havia pertencido a outra legenda e que ingressou no MDB no começo de abril de 2026, sem precisar se a filiação ocorreu no dia 2 ou no dia 3.
Segundo o pré-candidato, a entrada no partido aconteceu depois que lhe foi apresentado um projeto de renovação interna. Ele sustentou que sua responsabilidade política está vinculada ao programa que pretende construir e não às decisões tomadas anteriormente por outras lideranças da sigla.
“Na verdade, Robson, a contradição pode ser uma contradição histórica, mas não é uma contradição atual. Quando o Pedro se filia ao MDB, Robson, a minha memória é boa às vezes. Às vezes me trai, Robson. A minha não é sempre. Às vezes algumas coisas me traem, mas pra muita coisa é boa. Agora eu não lembro se foi dia 2 ou dia 3 de abril de 2026 que o Pedro se filiou ao MDB. E eu só me enfilei ao MDB, Robson, no momento em que o MDB me apresenta um projeto. Eu nunca fui filiado a nenhum partido. Então o Pedro, ele não é um político de carreira. Ele é alguém que está entrando na política hoje e trazendo a carreira que construiu para contribuir com o estado de Rondônia”, disse.
Abib declarou que não pretende “tapar os olhos” para decisões equivocadas tomadas no passado por integrantes do MDB. Ao mesmo tempo, argumentou que aceitou participar de um projeto que lhe foi apresentado como uma tentativa de construir um “novo MDB”, com uma candidatura situada ao centro e distante dos extremos políticos.
O confronto entre o projeto anunciado por Abib e o histórico partidário também envolveu Confúcio Moura. Durante a entrevista, Robson Oliveira citou a criação de 11 unidades de conservação no encerramento da gestão do ex-governador e questionou se o pré-candidato defendia a manutenção dessas áreas.
Abib não respondeu diretamente se manteria ou alteraria as unidades mencionadas. Em sua manifestação, afirmou que o candidato ao Governo de Rondônia é ele, e não Confúcio, e que recebeu autonomia partidária para formular seu próprio programa.
“O que a gente precisa ter em mente nessa pergunta que o senhor faz e que é legítimo que todos me façam, é entender que o pré-candidato é o Pedro, não é o Confúcio. Isso aí precisa se ter claro. O pré-candidato a governo pela MDB chama-se Pedro Abib, não Confúcio Moura. Então, o que o Confúcio pensa ou deixa de pensar é uma questão pessoal dele. Agora, partidariamente, o partido colocou o Pedro e disse pro Pedro, tu podes estruturar o teu projeto, o teu programa, e a gente quer que tu faça isso a partir de uma perspectiva do candidato Pedro”, declarou.
Questionado se faria críticas a Confúcio mesmo pertencendo ao MDB, o pré-candidato respondeu que poderá se posicionar contra decisões do senador. Abib afirmou que a crítica é uma parte da construção democrática e que poderá manifestá-la publicamente ou em uma conversa particular, conforme considerar mais adequado.
“Crítica, Robson, eu vou fazer crítica. Porque não existe democracia sem uma construção crítica. A crítica não é pra derrubar. A gente tem que sair dessa perspectiva que a crítica é só pra brigar. Não. A crítica é pra construir. Logo, se eu precisar criticar o senador Confuci por alguma atitude, eu o farei. E o farei da maneira que eu entender que é a mais adequada, Robson”, afirmou.
Na discussão específica sobre meio ambiente, Abib defendeu que decisões públicas considerem conjuntamente fatores ambientais e sociais. Ele afirmou que as medidas devem ser tomadas com conhecimento e parcimônia, sem analisar isoladamente a preservação ambiental ou a presença humana.
O pré-candidato também criticou o uso de temas morais em disputas pelo Governo do Estado. Para ele, assuntos relacionados à legislação penal, como o aborto, devem ser discutidos principalmente com candidatos ao Senado e à Câmara dos Deputados, porque eventuais alterações legais dependeriam do Congresso Nacional.
Abib afirmou que levar esse tipo de tema para uma campanha estadual, sem relação direta com as atribuições do governador, representa uma forma de enganar o eleitor. Segundo ele, os candidatos ao Executivo estadual devem apresentar ações que possam ser executadas pelo governo e cobradas pela população de Rondônia.
“Cada posição política, seja econômica ou moral, ela é legítima. O que entendo eu, Robson, que não é legítimo é nós trazermos essas discussões só pra um aspecto eleitoreiro. Porque se eu quero discutir conservadorismo, se eu quero discutir aborto, eu tenho que discutir com quem é candidato a deputado federal. Eu tenho que discutir com quem é candidato a senador. Porque eles são os que poderão mudar a legislação penal brasileira ou não. Então é lá no Congresso Nacional que precisa ser discutido. Agora eu vi aqui, numa pré-candidatura a governo do estado, discutiu um assunto que não cabe ao governador do estado, isso aí é enganar o povo. E isso a gente não vai fazer”, declarou.
A BR-364 e a implantação dos pedágios ocuparam outro momento de confronto na entrevista. Abib afirmou que o Governo de Rondônia deve dialogar com o governo federal independentemente de quem ocupar a Presidência da República, mencionando nominalmente Lula, Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro como exemplos de autoridades com as quais estaria disposto a conversar.
Ele disse que receberia qualquer presidente que viesse a Rondônia e que levaria à esfera federal os interesses estaduais. Ao mesmo tempo, direcionou a cobrança sobre a implantação do pedágio aos parlamentares que estavam no exercício dos mandatos durante o período de discussão, estruturação e implementação do modelo.
Abib questionou o que esses representantes fizeram para impedir a cobrança e qual posição adotaram enquanto o processo ainda estava em andamento. Para o pré-candidato, manifestar-se contra o pedágio depois do início da operação é uma atitude mais simples do que prestar contas sobre o comportamento político anterior.
“Agora, uma coisa eu vou lhe dizer, quem tem que lhe responder sobre isso com assertividade são os nossos parlamentares que estavam eleitos durante esse processo de instituição do pedágio. Sabe por quê? Esses mesmos políticos que vieram quando o pedágio inicia, Bradá publicamente, que entraram pedindo liminar na Justiça Federal, que graças a ele que interrompeu por um mês, todos eles, de alguma forma, se beneficiam do governo federal em Rondônia. Isso é um fato, Robson. E aí, na hora H, eles vão e dizem que eles são os contra tudo que está sendo instituído. Mas, afinal de contas, é verdade isso? O que foi dito quando estavam sendo feitas as discussões? Esses mesmos, Robson? Eles estavam apoiando? Eles estavam dizendo sim? Mas, talvez foram enganados, então. Mas, então, vamos ser honestos e vamos dizer que fomos enganados e entendíamos que ia ser de um jeito e foi do outro. Porque depois que foi instituído é fácil todo mundo ser contra. Agora, durante o mandato é que ele tem que prestar conta pra população de Rondônia. O que foi feito pra impedir que isso tivesse acontecido?”, questionou.
Apesar da cobrança, Abib não apresentou durante a entrevista uma proposta específica para extinguir, reduzir ou reformular as tarifas. Ele afirmou que o assunto precisa ser debatido de forma participativa com os segmentos afetados e classificou a infraestrutura como o “calcanhar de Aquiles” de Rondônia e do agronegócio estadual.
O pré-candidato também foi questionado sobre seu posicionamento na eleição presidencial. Robson Oliveira mencionou conversas atribuídas ao presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, com Flávio Bolsonaro e perguntou se Abib já havia definido um candidato.
Abib não declarou apoio a nenhum nome. Ele afirmou que acreditava na formação de uma terceira via, definida por ele como uma alternativa de pacificação e equilíbrio. Como referência, citou Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, embora tenha registrado divergências em relação a decisões e posições do político gaúcho.
“O Pedro não vai entrar em polarização em lugar nenhum, nem em Rondônia no debate, nem em nível nacional. O Pedro quer que isso acabe. O Pedro não quer polarização logo, Robson. Eu vou lhe dizer, eu acreditava piamente que existiria uma via, uma terceira via, que eu digo, eu costumo dizer, é a via que deveria ter de pacificação, uma via importante, e talvez houve um aceno pra isso, Robson. Eu não concordo, eu divirjo de um monte de coisa do Eduardo Leite lá do Rio Grande do Sul, que por coincidência o Eduardo Leite é meu conterrâneo, nascido em Pelotas, eu sou pelotense do Rio Grande do Sul. O Eduardo Leite era uma via que eu discordo de algumas coisas ou muitas coisas que ele fez, mas era uma pessoa que vinha pra tentar trazer equilíbrio”, afirmou.
Ao ser confrontado com a possibilidade de adversários o apresentarem como um candidato excessivamente acadêmico e distante da política prática, Abib declarou que pretende responder com sua trajetória profissional. Ele afirmou nunca ter recebido dinheiro de outras pessoas ou de projetos e disse conhecer integrantes da vida política que teriam se sentado à mesa com ele para fazer pedidos, sem identificá-los.
“E vão dizer isso, sabe por quê, Robson? Porque na minha vida, eu nunca peguei um centavo de ninguém. Eu nunca peguei um real de ninguém, de nenhum projeto”, declarou.
Abib não atribuiu a prática aos pré-candidatos atualmente apresentados para a disputa estadual. Ao ser perguntado se conhecia algum concorrente que tivesse recebido dinheiro, respondeu que não havia convivido suficientemente perto deles para fazer essa acusação. Ele sustentou, porém, que pretende romper práticas e paradigmas que associa à política tradicional.
A polarização e os ataques às vidas particulares também foram discutidos. Abib afirmou que a exposição pessoal foi um dos pontos considerados por ele e pela esposa antes da decisão de entrar na vida pública. Segundo o pré-candidato, o casal acredita estar preparado para enfrentar ataques.
Ele defendeu que o Congresso Nacional estabeleça regras sobre fake news e sobre os efeitos das redes sociais nas eleições. Para Abib, a definição dessas normas não deve ficar concentrada na decisão individual de um ministro do Supremo Tribunal Federal que esteja à frente do Tribunal Superior Eleitoral.
“A gente sabe, Robson, que um ministro do STF que tá à frente do Tribunal Superior Eleitoral, ele não pode decidir a vida da política brasileira e como que vai lidar com fake news. Mas, Robson, é fundamental que a política brasileira formal no Congresso Nacional se debruce sobre as fake news. Se debruce sobre como que vai ser o impacto das redes sociais na política eleitoral, porque isso, Robson, tu muito bem traz, isso acaba com pessoas. Isso expõe pessoas, acaba com vidas. Então a gente tem que ter um cuidado, mas isso precisa ser dialogado por quem representa o povo na hora de fazer as leis”, afirmou.
Na saúde, além da demolição do João Paulo II, o pré-candidato defendeu a descentralização dos atendimentos atualmente concentrados em Porto Velho. Segundo ele, aproximar os serviços dos pacientes poderia reduzir despesas e permitir que as pessoas recebessem atendimento perto de suas cidades.
Abib também identificou a eficiência administrativa como um dos principais problemas do sistema. Para ilustrar a afirmação, comparou a gestão hospitalar a um estúdio que possui equipamentos, apresentador e estrutura, mas não dispõe de um microfone para transmitir a entrevista.
Ele afirmou que hospitais podem contar com profissionais qualificados e capacidade para cirurgias complexas, mas ter procedimentos inviabilizados pela ausência de determinado material. Segundo o pré-candidato, quando o item faltante é finalmente adquirido, outros produtos podem ter perdido a validade.
“Isso é o que acontece hoje na saúde do estado de Rondônia. A gente vai lá no hospital de base e tem condições de fazer cirurgias complexas, Robson. Complexas. Com profissionais de alto gabarito. E chega na hora da cirurgia e falta um material que inviabiliza uma cirurgia que vai salvar uma vida. E quando esse material chega, os outros venceram. Veja, olha que coisa mais simples que é a gente ter eficiência na saúde”, declarou.
Na educação, Abib afirmou que políticas públicas precisam ser formuladas a partir de diagnósticos, e não de promessas ou impressões pessoais. Segundo ele, o “achismo” leva ao desperdício de recursos públicos e impede a identificação das causas dos problemas.
O pré-candidato declarou que Rondônia apresenta índice educacional de 0,55 no IDH e que o Estado estaria à frente apenas do Acre na Região Norte nesse componente. Também afirmou que o Produto Interno Bruto estadual seria de R$ 76,8 bilhões e representaria o terceiro maior da região.
Os números foram utilizados por ele para questionar a diferença entre a posição econômica e a situação educacional. Abib atribuiu o contraste à elaboração de políticas sem diagnóstico e criticou a falta de uma avaliação pública das metas previstas no Plano Estadual de Educação de 2014 a 2024 antes da discussão do plano referente ao período de 2026 a 2036.
Segundo o pré-candidato, o plano anterior determinava a formação de 50% dos professores estaduais em cursos de mestrado ou doutorado, mas Rondônia não teria alcançado sequer 0,1%. Ele afirmou ainda que o Estado estaria na penúltima posição nacional em percentual de professores mestres e doutores, à frente apenas do Amapá.
Abib apresentou como experiência de gestão a formação de quase 300 professores estaduais em cursos de mestrado e doutorado, por meio de uma parceria entre a instituição Católica, onde atua, e o Governo de Rondônia. Segundo ele, a iniciativa dobrou o número de mestres e doutores vinculados à Secretaria de Estado da Educação.
Na área econômica, o pré-candidato afirmou que políticas públicas dependem da disponibilidade orçamentária e que promessas sem cobertura financeira representam demagogia. Para Abib, o Estado deve fortalecer os setores que produzem receitas e, ao mesmo tempo, assegurar condições dignas à população.
Ele defendeu a conciliação entre agronegócio e preservação ambiental por meio de ciência, tecnologia e inovação. Segundo Abib, o aumento da produtividade permite produzir mais sem ampliar proporcionalmente as áreas ocupadas.
Como exemplo, declarou que uma propriedade de 60 hectares que anteriormente comportava aproximadamente 50 cabeças de gado poderia passar a receber mais de 150 animais com manejo e divisão do terreno em piquetes. Para ele, a limitação está relacionada ao conhecimento aplicado, e não necessariamente à falta de espaço.
Abib afirmou que a agropecuária, a produção de peixes, o café, o cacau e a soja de Rondônia foram ampliados por processos científicos. Ele estimou que a soja represente entre 43% e 45% das exportações do Estado e defendeu a potencialização das áreas e cadeias produtivas já existentes.
“A questão ambiental tem que ser um limite, não um entrave. E hoje o fato é, Robson, que a questão do agronegócio, da agropecuária, ela pode ser potencializada no espaço que tá posto. Hoje, com ciência, tecnologia e inovação, o nosso agro vai se potencializar e muito, Robson”, declarou.
Pedro Abib apresentou-se como professor, advogado, médico-veterinário e gestor. Ele relatou ter cursado o ensino técnico em agropecuária durante o ensino médio e ingressado posteriormente em Medicina Veterinária, área na qual trabalhou com clínica e medicina de grandes animais.
O pré-candidato afirmou que passou um período nos Estados Unidos, na Universidade da Geórgia, em Athens, atuando na área veterinária. Depois de retornar a Rondônia, direcionou a formação para o Direito.
Abib declarou possuir mestrado em Direito Socioambiental e Econômico e doutorado em Direito Constitucional. Segundo ele, a combinação das formações em Veterinária e Direito lhe permite observar simultaneamente as necessidades do campo, do agronegócio, da economia e das políticas sociais.
A família, conforme relatou, veio para Rondônia em 2004 em razão de um projeto ligado à Católica. Durante a entrevista, ele disse que a esposa de Robson Oliveira, Gianni, havia sido sua aluna e orientanda em um trabalho de conclusão do curso de Direito, posteriormente publicado em um congresso realizado no Acre.
Abib também falou sobre a vida familiar ao responder às discussões relacionadas a pautas morais. Declarou ser casado, monogâmico, pai de duas filhas e católico praticante. Ressaltou, entretanto, que essas características pertencem à esfera individual e não devem determinar o atendimento oferecido pelo Estado aos cidadãos.
Natural de Pelotas, no Rio Grande do Sul, o pré-candidato disse torcer pelo Internacional. No encerramento do programa, contou que deixou de participar de seu futebol habitual, realizado aos sábados, às 9 horas, para comparecer à entrevista.
A conversa também incluiu comentários sobre a duração das respostas. Em diferentes momentos, Robson Oliveira pediu que Abib fosse mais breve e advertiu que, em debates eleitorais, o tempo seria interrompido ao final do limite previsto. O pré-candidato reconheceu que precisaria adaptar a extensão de suas manifestações.
Abib ainda relatou ter observado previamente um vídeo em que Robson Oliveira vestia uma camiseta branca e pensado em utilizar uma peça da mesma cor. Segundo ele, acabou escolhendo uma camiseta preta e, ao chegar ao estúdio, encontrou o apresentador também vestido de preto.
Ao encerrar a participação, declarou estar disponível para retornar ao Resenha Política e afirmou que aceita críticas ao seu programa. Disse que propostas efetivas dependem do encontro entre visões diferentes e reiterou que pretende apresentar um projeto de desenvolvimento voltado à população, sem privilegiar um grupo ou segmento específico.
10 FRASES DE PEDRO ABIB AO RESENHA POLÍTICA
01) “Esse João Paulo tem que ser demolido e tem que ter uma infraestrutura adequada.”
Pedro Abib usou a frase ao defender que a substituição do Hospital e Pronto-Socorro João Paulo II seja tratada como obrigação governamental, e não como uma promessa eleitoral apresentada por candidatos ao Governo de Rondônia.
02) “Porque depois que foi instituído é fácil todo mundo ser contra. Agora, durante o mandato é que ele tem que prestar conta pra população de Rondônia.”
A declaração foi dirigida aos parlamentares que estavam no exercício de seus mandatos durante a discussão e a implantação do pedágio na BR-364. Abib cobrou explicações sobre as medidas adotadas antes do início da cobrança.
03) “O pré-candidato a governo pela MDB chama-se Pedro Abib, não Confúcio Moura.”
Abib respondeu dessa maneira ao ser confrontado com decisões tomadas por Confúcio Moura durante os dois mandatos do MDB no Governo de Rondônia, incluindo a criação de unidades de conservação.
04) “Logo, se eu precisar criticar o senador Confuci por alguma atitude, eu o farei.”
O pré-candidato afirmou que a filiação partidária não o impedirá de divergir da principal liderança estadual do MDB e declarou que a crítica faz parte da construção democrática.
05) “O achismo, ele bota dinheiro público no lixo, Robson.”
A frase foi utilizada na defesa de diagnósticos técnicos antes da elaboração de políticas públicas. Abib afirmou que promessas formuladas sem dados impedem a identificação dos gargalos e podem desperdiçar recursos.
06) “A gente não tem 0,1% dos professores com mestrado e doutorado. O plano exige 50%.”
Abib citou os percentuais ao criticar o descumprimento de uma meta do Plano Estadual de Educação de 2014 a 2024 e defender a valorização e a qualificação dos profissionais do ensino.
07) “Agora eu vi aqui, numa pré-candidatura a governo do estado, discutiu um assunto que não cabe ao governador do estado, isso aí é enganar o povo.”
O pré-candidato criticou o uso eleitoral de pautas como o aborto em uma disputa estadual. Para ele, alterações na legislação penal devem ser cobradas de candidatos ao Congresso Nacional.
08) “Porque na minha vida, eu nunca peguei um centavo de ninguém. Eu nunca peguei um real de ninguém, de nenhum projeto.”
A declaração foi apresentada como resposta antecipada aos adversários que possam classificá-lo como um candidato acadêmico, sem capacidade para lidar com a prática política.
09) “Política se faz de maneira participativa, não de maneira impositiva.”
Abib utilizou a frase ao tratar da BR-364 e defender que decisões capazes de afetar a economia estadual sejam discutidas com os diferentes segmentos envolvidos.
10) “O Pedro não vai entrar em polarização em lugar nenhum, nem em Rondônia no debate, nem em nível nacional.”
A afirmação foi feita quando Abib foi questionado sobre a eleição presidencial. Ele não indicou apoio a um candidato e defendeu a construção de uma alternativa que classificou como uma via de equilíbrio e pacificação.
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